Plástico

Década de 2000 – Crises e problemas continuam, mas o setor se fortalece

Jose Paulo Sant Anna
10 de novembro de 2011
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    Plástico Moderno, Década de 2000 - Crises e problemas continuam, mas o setor se fortaleceMoldes – Ao longo das últimas quatro décadas, o Brasil avançou bastante na produção de moldes. O país conta com ferramentarias dotadas com elevada tecnologia, em especial em alguns polos situados na cidade de São Paulo e na Região Sul.

    Em novembro de 2005, a revista falou sobre os representantes do ramo situados em importante cidade catarinense. “Segundo maior polo de fabricação de moldes do país (atrás de São Paulo), Joinville investe cada vez mais em capacitação e especialização para atender às exigências do mercado interno e das exportações crescentes, em particular para Estados Unidos e México, gerando divisas de mais de US$ 2 milhões ao ano.” Só a cidade conta com mais de 200 fabricantes de matrizes.

    Nos anos seguintes, o dólar se desvalorizou e o esforço para exportar ficou comprometido. Moldes chineses começaram a chegar por aqui a preços e prazos muito reduzidos e se tornaram um pesadelo para as ferramentarias nacionais. A qualidade dos produtos asiáticos e o aquecimento da economia diminuíram um pouco esse mal-estar. Mas a ameaça ainda existe.

    Nesse cenário, uma notícia gerou otimismo para os representantes brasileiros. A Câmara Setorial de Ferramentarias e Modelações da Associação Brasileira da Indústria de Máquinas e Equipamentos firmou acordo, depois de exaustivas negociações com o governo federal, para o aumento da alíquota de importação dos moldes de 14% para 30%. A alteração entrou em vigor no dia 1º de março deste ano.

    Destaque também para as empresas fornecedoras de produtos variados para os moldes, caso dos fabricantes de porta-moldes, câmaras quentes e acessórios como pinos, buchas e colunas, entre outros. Elas têm sido favorecidas nos últimos anos pelo aumento do uso de elementos padronizados na confecção de moldes novos. Também se beneficiam com o mercado de manutenção. Entre os fabricantes de porta-moldes e componentes, podem ser citadas a Polimold, Tecnoserv, Miranda, MDL-Danly e Três-S. No universo das câmaras quentes, destaque para multinacionais com escritórios próprios no país, como Husky, MoldMasters e Incoe.

    Plástico Moderno, Década de 2000 - Crises e problemas continuam, mas o setor se fortaleceRobôs – A indústria de transformação de plásticos está muito competitiva e investir em automação é indispensável para manter linhas de produção enxutas e eficientes. A busca por mais produtividade e qualidade estimulou, a partir do ano 2000, a venda de robôs, periféricos utilizados em larga escala nos países avançados, mas que por aqui ainda são usados de maneira incipiente.

    A edição de outubro de 2004 dedicou a capa para o equipamento. “O crescente uso de peças plásticas pelos mais variados segmentos da economia é um dos fatores que levaram ao surgimento, nos países desenvolvidos, a partir dos anos 60, de empresas especializadas na fabricação de robôs voltados para a extração de peças das injetoras. Entre os principais usuários do equipamento se encontram as indústrias de autopeças, os fornecedores de peças para as indústrias de aparelhos eletroeletrônicos da linha branca, além de produtores de embalagens para as indústrias alimentícias e de cosméticos.”

    O texto destacava o fato de as empresas de ponta do país já terem adotado as vantagens dos robôs. Elas intensificavam os investimentos na compra dos modelos disponíveis no mercado. O aumento das vendas entusiasmava os fornecedores, confiantes na multiplicação dos lucros. A única fabricante com planta no Brasil era a Dal Maschio. Wittmann e Star Seiki eram marcas internacionais com revendas próprias por aqui.

    Em algumas aplicações, o uso dos robôs se tornou para lá de recomendado. São os casos, por exemplo, das linhas de produção de peças de grande porte, cujo peso dificulta a ação dos funcionários – gabinetes de televisão, para-choques e outros exemplos. Em outras aplicações, os braços mecânicos se tornaram imprescindíveis – caso das peças feitas em ciclos muito rápidos, em que existe a colocação de insertos.

    Sopradoras – No início da década, a venda de sopradoras passou por maus bocados, com alguns períodos de alívio. “Os resultados comerciais registrados até o fim de novembro confirmaram as previsões mais pessimistas divulgadas no segundo semestre”, dizia reportagem publicada em novembro de 2001. A estimativa da Associação Brasileira de Máquinas e Equipamentos era a de que as vendas nacionais cairiam pelo menos 50% naquele ano. Com a forte desvalorização do real na época, as exportações começaram a surgir como tábua de salvação.

    Nos três anos seguintes, as vendas externas se solidificaram e garantiram a sobrevivência das empresas do setor. Veja texto de novembro de 2003: “O volume de exportações do setor registrou crescimento de 30,3% de janeiro a agosto de 2003.” As vendas eram boas para o mercado latino-americano, em especial para México, Colômbia, Peru e Argentina, cuja economia ensaiava uma recuperação. No mercado interno, as coisas não andavam bem.

    As exportações ficariam comprometidas nos anos seguintes com a desvalorização do real. O crescimento da demanda interna compensou. No ano passado, as vendas estiveram boas. Há a perspectiva de bom desempenho em 2011, apesar do receio provocado pela crise internacional. No caso das sopradoras, a procura por modelos mais produtivos cresce.



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