Plástico

Década de 2000 – Crises e problemas continuam, mas o setor se fortalece

Jose Paulo Sant Anna
10 de novembro de 2011
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    O aumento da procura não se dá apenas por questão estética, ocorre também por funcionalidade. As lanternas traseiras dos automóveis são compostas por plástico transparente e vermelho. Injetar as lanternas com duas cores em apenas um ciclo se mostra operação econômica e vantajosa, quando comparada com a produção independente dos componentes de cada cor.

    A Plastek, multinacional especializada em transformação e ferramentaria e uma das pioneiras na fabricação de peças bicolores no Brasil, foi destaque na matéria. Franco Magno, gerente técnico, revelou ser possível adaptar injetoras comuns para a operação. “Quando for vantajoso, podemos montar uma segunda unidade de injeção com controle independente”, conta. No parque gráfico da empresa no Brasil, a opção já foi adotada. “Usamos tanto máquinas especializadas quanto adaptadas e todas funcionam bem”, garante. Também foram ouvidos alguns dos principais fornecedores de injetoras.

    Injetoras elétricas – O século começou com a consolidação do mercado de um equipamento lançado há não muito tempo. Trata-se das injetoras elétricas, cujo grande diferencial em relação aos modelos hidráulicos tradicionais é possuir vários motores servocontrolados, que trabalham de forma alternada.Plástico Moderno, Década de 2000 - Crises e problemas continuam, mas o setor se fortalece

    A reportagem de capa de agosto de 2001 tinha como tema o dilema presente na cabeça dos transformadores de peças técnicas interessados em adquirir uma injetora: vale a pena pagar um pouco mais por uma máquina elétrica ou é melhor economizar e investir em um modelo hidráulico? A matéria, feita no período conhecido como “apagão”, com problemas de fornecimento de energia, destacava a informação dos fabricantes de que os modelos elétricos eram muito promissores.

    “As máquinas elétricas consomem metade da energia em relação às injetoras convencionais hidráulicas”, diziam os fornecedores do equipamento. A explicação para esse desempenho é simples. Nos modelos hidráulicos, a potência se concentra na bomba hidráulica. Nos elétricos, não. A potência é distribuída de forma alternada para servomotores, de acordo com as etapas da operação. Além de poupar energia, essa característica proporciona menor desgaste dos componentes e funcionamento mais silencioso.

    Essa dúvida persiste na mente dos interessados em comprar uma máquina até hoje. Com uma complicação: as injetoras hidráulicas se sofisticaram e estão mais competitivas. Ganharam força os modelos híbridos, que unem características das máquinas hidráulicas com as elétricas. Mais do que nunca é necessária uma boa análise feita com tranquilidade na hora de optar pela máquina a ser adquirida. Entre os fabricantes nacionais, a Romi é a única a oferecer modelo elétrico. Muitas empresas internacionais participam desse mercado, caso da norte-americana Milacron, da nipônica Sumitomo-Demag e das europeias Arburg, Wittmann-Battenfeld e Engel, entre outras.

    Chinesas – As injetoras made in China começaram a azucrinar os fabricantes brasileiros ainda na primeira metade da década, quando o real começou a se valorizar em relação às moedas estrangeiras. O problema ganhou a capa da edição de junho de 2005. “O mercado brasileiro de injetoras atravessa momento difícil, com a indústria de transformação sufocada pelas sucessivas altas nos preços das resinas, portanto com fôlego curto para investir em equipamentos, e com o desvio de boa parte desses parcos recursos para os concorrentes asiáticos, que seduzem os transformadores com seus preços aviltados”, dizia a reportagem.

    Nos últimos anos da década, o aquecimento da economia aliviou o problema dos fornecedores nacionais, que ganharam espaço com a procura intensa do mercado por máquinas novas. Mas o problema persiste até hoje. Os fornecedores chineses continuam muito competitivos, em especial no mercado de máquinas mais simples. Os preços praticados por eles são apontados como irreais pelos concorrentes, sem falar no fato de o real estar valorizado. Líderes empresariais brasileiros reclamam da ameaça de desindustrialização do segmento. Entre as marcas brasileiras participantes do mercado, podemos citar Romi, Jasot, Himaco e Sandretto. Entre as chinesas com representantes no Brasil se encontram a Cosmos, Tederic, Chen Hsong e YJ, entre outras. 

    Fusões e aquisições – O fenômeno de fusões e aquisições de empresas está presente em vários segmentos da economia. No mercado dos fabricantes de injetoras, o ano de 2008 foi pródigo nesse tipo de negócio. A brasileira Romi, líder nacional, adquiriu as instalações europeias da Sandretto, empresa italiana que enfrentava graves problemas econômicos e estava sob a intervenção do governo local. A marca Sandretto vem sendo utilizada pela empresa brasileira no exterior – no Brasil, as máquinas Sandretto são comercializadas pelo grupo Nardini.

    “Duas outras aquisições de porte chamaram a atenção. O grupo japonês Sumitomo adquiriu em março a Demag, da Alemanha. O grupo austríaco Wittmann, especializado em equipamentos para automação de linhas de injeção de plástico, concretizou no início de abril a compra de outra empresa austríaca de renome, a Battenfeld. As aquisições vão trazer consequências aos transformadores brasileiros. Representantes das duas empresas prometem lançar equipamentos nos próximos meses e as novidades estarão disponíveis por aqui tão logo sejam anunciadas”, informava matéria publicada em junho de 2008.



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