Plástico

Década de 2000 – Crises e problemas continuam, mas o setor se fortalece

Jose Paulo Sant Anna
10 de novembro de 2011
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    Plástico Moderno, Década de 2000 - Crises e problemas continuam, mas o setor se fortaleceCompostos e nanocompostos – Os investimentos na pesquisa de novas formulações de compósitos se intensificaram ao longo dos primeiros anos do século. Grandes fornecedores não poupam esforços para obter materiais com rendimento cada vez mais sofisticado. A prática tem proporcionado às resinas maior desempenho mecânico, resistência térmica, condutividade elétrica e outras propriedades procuradas de acordo com as necessidades das várias aplicações.

    O tema foi capa de matéria na edição de agosto de 2003. “Nem mesmo os plásticos de alto desempenho, caracterizados por propriedades excepcionais, chegam puros aos equipamentos de transformação. Por mais bem dotado que seja o polímero, sempre é possível melhorar suas propriedades, adicionando reforços, aditivos e cargas minerais. A mistura propicia um balanço de propriedades quase impossível de ser encontrado na resina pura, como aumentar sua estabilidade dimensional, ou manter propriedades mecânicas numa ampla faixa de temperatura de uso. A indústria descobriu nessas formulações a receita para atender a uma exigência crescente por materiais de melhor desempenho, sem precisar dispor dos pesados investimentos e tempo requeridos no desenvolvimento de novas resinas”, dizia o texto.

    A reportagem falou sobre as composições mais comuns no mercado brasileiro na época. Uma tendência começava a chamar a atenção. “Vale lembrar que os reforços, aditivos e cargas fazem milagre com o polipropileno – polímero do grupo das commodities –, elevando suas propriedades a níveis bem próximos de alguns plásticos de engenharia, e a custos bem atrativos.”
    Em meados da década, ganharam corpo pesquisas de compósitos feitos com partículas invisíveis, cujos tamanhos ficam na casa do nanômetro, unidade métrica que representa o bilionésimo do metro – em torno de 100 mil vezes inferior ao diâmetro de um fio de cabelo. A nanotecnologia, ciência considerada por muitos na época como a propulsora de uma nova revolução industrial, chegava à indústria do plástico.

    Os investimentos feitos pelos produtores de resinas mereceram reportagem na edição de junho de 2005. Nela se falou do esforço feito para se desenvolver nanocompósitos por multinacionais como Bayer, Basell, Honeywell, DuPont, Dow Chemical e Basf, entre outras. No Brasil, Braskem e Suzano Petroquímica também investiam na pesquisa de produtos. “Os nanocompósitos vão permitir que resinas voltadas para aplicações pouco nobres em breve disputem mercado com sofisticados plásticos de engenharia. Estes, por sua vez, vão brigar por novos horizontes, competindo com materiais atualmente absolutos em determinadas aplicações, como o aço”, esclarecia a matéria.

    O segmento automobilístico foi pioneiro mundial no uso de nanocompósitos de plástico. A experiência ocorreu em 2002 e foi capitaneada por uma parceria que envolveu a Basell e a General Motors, entre outras empresas. O material, uma poliolefina termoplástica enriquecida com nanopartículas de argila, foi usado para a fabricação dos degraus instalados em um modelo de van da montadora norte-americana. No Brasil, a experiência pioneira envolveu a extinta Polibrasil, que desenvolveu um composto enriquecido com nanopartículas de prata com propriedades antimicrobianas, usado por fabricantes de eletrodomésticos de linha branca para fabricar gavetas de geladeiras e cubas de máquinas de lavar roupa.

    Aviões – “O trocadilho não é dos mais engraçados, mas traduz uma realidade inegável. Nos últimos anos, a presença de polímeros e de compósitos nos aviões decolou. Graças ao investimento em tecnologia de grandes multinacionais ligadas ao mundo da química, sofisticados plásticos de engenharia e compósitos ganharam propriedades como maior resistência mecânica, térmica, à corrosão e ao fogo, além de apresentarem menor peso e emitirem pouca fumaça. Essas características soam como o ronco saudável de um potente motor para os profissionais especializados em aeronáutica, que não hesitam em aproveitar materiais plásticos de elevado desempenho para substituir matérias-primas outrora indispensáveis – em especial, metais.”Plástico Moderno, Década de 2000 - Crises e problemas continuam, mas o setor se fortalece

    Assim começava a matéria de capa da edição de agosto de 2007, cujo tema era a presença de plásticos nos aviões. Em muitas aplicações, a matéria-prima apresenta várias vantagens. Elas requerem baixa manutenção, tornam as aeronaves mais leves, permitem a redução do uso de combustível e maior autonomia de voo.

    No caso da substituição de outros materiais, destaque para a presença do plástico na estrutura, composta pelo conjunto fuselagem e asas. Há vinte anos, alumínio, aço e titânio correspondiam a entre 80% e 90% do peso das estruturas das aeronaves. Os novos modelos “gigantes”, desenvolvidos pelas principais fabricantes mundiais de aviões para transportar milhões de passageiros, apresentam características bem diversas.

    O novo Boeing 787, que em 2011 passou a ser usado pelas companhias aéreas em caráter comercial conta com em torno de 50% de sua estrutura formada por compostos plásticos. O A380, outro modelo lançado recentemente, com capacidade para transportar nada menos que 555 passageiros, tem 20% do peso de sua estrutura em materiais plásticos, porcentagem bastante considerável levando-se em conta as dimensões gigantescas do avião e os modelos anteriores da marca.



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