Plástico

Década de 2000 – Crises e problemas continuam, mas o setor se fortalece

Jose Paulo Sant Anna
10 de novembro de 2011
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    Ao longo de sua existência, uma das façanhas da Braskem foi o lançamento, no final de 2003, do primeiro lote de resinas polimerizadas com base nos catalisadores metalocenos produzidos no Brasil. “Fabricada no polo petroquímico de Camaçari-BA, com tecnologia licenciada da americana Univation Technologies, a resina será comercializada já no primeiro trimestre de 2004. O contrato assinado com a Univation limita a produção em 100 mil toneladas anuais com a tecnologia. Portanto, a unidade baiana, com capacidade instalada para polimerizar 200 mil toneladas anuais de PELBD, terá metade disponível para o novo produto, ofertado em três grades. A inovação exigiu desembolso da Braskem da ordem de US$ 10 milhões, injetados em pesquisas, desenvolvimento e no licenciamento da tecnologia”, dizia notícia publicada em dezembro daquele ano.

    Quantidade e qualidade – São vários os segmentos econômicos nos quais o plástico aumenta a cada dia sua participação. Dois setores merecem ser citados com destaque, pelo volume de matérias-primas utilizado e pela sofisticação dos processos de transformação. O de embalagens é um deles. Em 2010, respondeu por 52% do volume total de matérias-primas plásticas transformadas, algo em torno de 3,06 milhões de toneladas, de acordo com dados da consultoria Maxiquim. Segundo a Associação Brasileira de Embalagens (Abre), o plástico representa 29,7% do material usado na produção física de embalagens. Perde apenas para o papel e seus derivados (papelão e cartão), que contam com 33,2%.Plástico Moderno, Década de 2000 - Crises e problemas continuam, mas o setor se fortalece

    O avanço na qualidade dos produtos promove a conquista de novos nichos de mercado. Reportagem de capa de julho de 2011 destacou a crescente participação no segmento de cosméticos. “É vasto o universo das embalagens plásticas, pois vão desde potes, frascos, bisnagas, estojos e tampas até rótulos e válvulas. Uma brecha que desponta para os fabricantes é na perfumaria”, diz o texto. Um caso particular é o de mercados considerados de luxo, em que são utilizados muitos materiais com aspecto similar ao do vidro. A tendência tem provocado o aumento da demanda do copolímero de metil metacrilato (PMMA) e do copolímero de estireno e acrilonitrila (SAN).

    O mesmo ocorre com a indústria automobilística. Hoje não há veículo em que o plástico não esteja presente em quantias significativas. Ele substituiu outros materiais em peças presentes em todos os cantos dos carros. O segmento exige a fabricação de peças com características muito sofisticadas, da aparência ao desempenho.

    O aumento da presença do plástico nos automóveis tem sido tão significativo que em algumas aplicações vem ocorrendo disputa entre diferentes resinas. Veja texto publicado na edição de março de 2010: “O uso de plásticos em aplicações próximas ao motor de automóveis já não surpreende quem acompanha a evolução desses polímeros. Pelas características de resistência mecânica e térmica exigidas nessas aplicações, as peças sob o capô se tornaram quase monopólio da poliamida, material que consegue aliar propriedades compatíveis com as exigências técnicas a preços competitivos. Na metade da atual década, porém, fornecedores de compostos de polipropileno começaram a cogitar uma possível concorrência desse material com a poliamida em algumas peças improváveis, próximas ao calor do motor, sob a incredulidade da maior parte do mercado. O tempo passou e o ceticismo quanto às possibilidades do composto poliolefínico não pôde continuar absoluto. O improvável aconteceu.”

    Medicina – “A utilização de plásticos na área médica é impulsionada pelas mesmas vantagens que os polímeros oferecem na substituição de materiais concorrentes em outros segmentos. A menor massa das peças confeccionadas em resinas, a maior liberdade no desenho e a superior resistência mecânica e química abriram campos de aplicação para commodities, plásticos de engenharia e plásticos especiais”, dizia o parágrafo de abertura da reportagem de capa da edição de setembro de 2006. De acordo com estimativa feita por especialistas, 45% de todos os dispositivos utilizados no segmento médico são feitos de plástico.

    Esse nicho de mercado se caracteriza por necessidades muito particulares, como a capacidade do material de sofrer esterilização e a compatibilidade com fluidos e tecidos humanos. A maior parte das aplicações requer matérias-primas de elevado desempenho e valor agregado. São, portanto, negócios com margens atraentes, embora as quantidades comercializadas correspondam a uma pequena fração dos volumes consumidos em outros segmentos, como o automotivo, o eletroeletrônico e o de embalagens. No mercado brasileiro as vendas não são tão significativas, mas os participantes do mercado acreditam em elevado potencial de expansão.

    “No universo dos materiais poliméricos associado à medicina, as poliolefinas e os vinílicos atendem às aplicações de menor valor agregado, respondendo pela quase totalidade dos produtos descartáveis. O polietileno é usado em frascos de soro e embalagens flexíveis. O polipropileno é o predileto para ponteiras de micropipetadores, mas também encontra emprego em frascos e embalagens, o PVC entra na produção de sondas de alimentação, sendo tradicionais para esse material as aplicações como bolsas de sangue e soro, todos os sistemas de transporte de fluídos, bolsas para urina e fezes e circuitos de oxigenação em diálise”, dizia o texto.

    O setor da saúde também é filão atraente para os plásticos de engenharia. Um desses polímeros de destaque é o policarbonato, termoplástico com grande resistência ao impacto. O material é aproveitado em aplicações nas quais se exigem determinadas propriedades, como transparência, alta resistência térmica e boas características mecânicas e químicas. Tem sido bastante aproveitado, por exemplo, para substituir o vidro na fabricação de inaladores, transdutores de pressão, caixas para instrumentos cirúrgicos e outras.



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