Cosméticos e medicamentos ampliam o uso dos plásticos – Embalagem

Plástico Moderno, Embalagem na forma de seringa pronta para uso é feita de copolímero COC
Embalagem na forma de seringa pronta para uso é feita de copolímero COC

Embalagem – Enquanto na indústria farmacêutica seu uso cresce continuamente, no mercado dos produtos para beleza e higiene pessoal o plástico já se consolidou como principal matéria-prima das embalagens, deixando para concorrentes como o vidro apenas nichos, a exemplo dos perfumes e alguns artigos de maior valor. Continuam a surgir evoluções capazes de ampliar ainda mais as possibilidades de presença das resinas nas embalagens utilizadas por esses setores.

Uma delas foi anunciada há pouco mais de um ano pela Albéa, que em parceria com a L’Oreal desenvolveu um tubo laminado para embalar tinturas para cabelos e outros produtos, hoje acondicionados quase sempre em tubos de alumínio, por ser esse metal capaz de lhes conferir maior proteção contra a oxidação. Batizado como O2 Wall Tube, a inovação mescla alumínio entre camadas plásticas. “Essa embalagem agrega aos tubos de alumínio as vantagens do plástico, como melhor experiência de uso e maiores possibilidades de decoração”, ressalta Renato Wakimoto, diretor de inovação e desenvolvimento da Albéa (multinacional que fornece estojos para maquiagem, tampas, bombas dispensadoras, tubos plásticos e laminados, entre outros itens da indústria de cosméticos).

A também multinacional Bemis provê, para a indústria de beleza e higiene pessoal, sachês, stand up pouches, flow packs, tubos laminados – com ou sem alumínio –, entre outros gêneros de embalagens. Nessa indústria, observa Antonio Ponce, gerente de marketing da Bemis, cresce o uso de tubos laminados que, além de permitir o integral aproveitamento dos produtos, também são mais atraentes nas gôndolas (comparativamente aos frascos, por exemplo). “O mercado de produtos para cabelos vem utilizando mais os tubos laminados”, exemplifica Ponce.

Tubos laminados vêm ganhando espaço mesmo sobre os tubos extrudados, também usuados na indústria de cosméticos e higiene pessoal. “Os laminados possibilitam mais cores, mais efeitos, embalagens com mais corpo”, justifica Ponce. Além disso, “os custos dos tubos laminados, antes mais elevados, hoje são similares aos dos extrudados”, acrescenta Wakimoto, da Albéa.

Plástico Moderno, Bonitas, seguras e fáceis de usar, bisnagas avançam
Bonitas, seguras e fáceis de usar, bisnagas avançam
Plástico Moderno, Yassuda: coextrusão de PE com EVOH protege os cosméticos
Yassuda: coextrusão de PE com EVOH protege os cosméticos

Extrusão e resinas – Características como delicadeza, funcionalidade, portabilidade, fechamento hermético, entre outras, ainda garantem amplo potencial de utilização das bisnagas extrudadas no mercado de beleza e higiene pessoal – e também em outros setores –, projeta Fábio Yassuda, diretor comercial da C-Pack, fabricante desse gênero de bisnagas, além de tampas. “Atualmente, 70% de nossa demanda recai sobre bisnagas coextrudadas, com duas camadas de polietileno, duas de adesivos e uma no meio de álcool viniletilênico (EVOH) para inibir trocas gasosas”, detalha Yassuda.

Mas, segundo ele, a busca pela diferenciação nos pontos de venda de cosméticos já estimula também a utilização de outras resinas, além do PE, na fabricação das bisnagas. É o caso do Surlyn, com o qual a C-Pack já produziu embalagens para uma edição limitada da fabricante de cosméticos Coty. “Além de grande resistência química, o Surlyn tem enorme transparência, parece vidro. Agora, estamos desenvolvendo uma embalagem com essa resina para um cliente da Colômbia”, relata Yassuda.

O mesmo Surlyn é utilizado pela Incom para produzir tampas, às quais, ressalta a diretora comercial Andréia Johansen, proporciona diferenciais como transparência e paredes mais espessas, entre outros. “Não vejo como concorrentes as tampas de PP, mais leves, pois elas são utilizadas por fragrâncias mais simples, que não competem com as de maior valor agregado, usuárias de nossas tampas”, argumenta Andréia.

Plástico Moderno, Laminado multicamadas da Albéa melhora proteção e apresentação
Laminado multicamadas da Albéa melhora proteção e apresentação

A Incom produz também embalagens para maquiagem – normalmente feitas de ABS, PCTA ou SAN, resinas que lhes conferem alto brilho e resistência mecânica elevada –, potes e dispensadores geralmente feitos com acrílicos ou SAN. “Nos últimos três anos lançamos cerca de quarenta novos produtos standard. Um deles, um frasco de 30 ml para cremes, que proporciona maior size impression (dá a impressão de um frasco maior)”, realça Andréia. “Também lançamos tampas suspensas para perfumaria fina – nas quais parte da válvula fica à mostra – e um frasco para batom líquido”, complementa.

Plástico Moderno, Plásticos permitem inovar nos formatos e cores
Plásticos permitem inovar nos formatos e cores

Por sua vez, a Frascomar produz potes, frascos e tampas em diversos formatos e tamanhos (de PE, PP ou PET), utilizados em maior escala no âmbito do mercado da beleza e da higiene, para acondicionar produtos para cabelos. No segmento dos produtos capilares, relata Gilson Bellucci, diretor comercial da Frascomar, a maior demanda atualmente se dirige aos produtos de PE, vindo a seguir o PP e o PET. “O PE, por suas características físico-químicas, pode ser usado em vários produtos, enquanto o PP confere mais brilho e translucidez, e o PET mais transparência e resistência ao drop test (teste de queda)”, explica.

De acordo com Bellucci, mais que reduzir os níveis de consumo, as recentes dificuldades da economia brasileira geraram migração dos consumidores em direção a produtos mais baratos. “Isso pode ter algum impacto em nosso mercado, por exemplo, pela unificação das cores das embalagens e pela maior demanda por frascos cilíndricos, cujo processo de sopro é um pouco mais econômico”, conta o diretor da Frascomar.

Plástico Moderno, Assunta: polímeros já brigam pelas embalagens de alto luxo
Assunta: polímeros já brigam pelas embalagens de alto luxo

Diferenciais e possibilidades – Além de proporcionar redução de custos de produção e logísticos, o plástico dispõe de outros apelos na disputa da primazia nas embalagens de produtos de higiene pessoal e beleza. Ao final das contas, ele não enferruja nem quebra, proporciona barreira a trocas gasosas – quando pigmentado, protege também contra a luz –, possibilita vários formatos e cores, e dispõe de uma indústria ampla e diversificada. “Com os plásticos, é possível atender à esmagadora maioria das necessidades das embalagens dessa indústria”, ressalta Assunta Camila, diretora da instituição de ensino e pesquisa Instituto de Embalagens.

O vidro, ela observa, nesse mercado está hoje restrito ao nicho do glamour e do luxo. E mesmo nesse caso, as resinas ganham espaço: “A Victoria’s Secret (sofisticada marca de perfumes e cosméticos) tem perfumes com embalagens feitas de plásticos”, especifica Assunta. O plástico permite formatos a cada dia mais inovadores, como apontam, entre outras embalagens recentemente colocadas no mercado, um frasco feito de PP com coloração em tons degradé; outro, dessa vez de PET, com textura similar à de um favo; e um terceiro, também de PET, na forma de uma folha da planta aloé (produzidos, respectivamente, para as marcas Dove, Tio Nacho e Holika Holika).

Formatos de embalagens usuais em outros mercados também buscam ingressar na indústria de cosméticos. É o caso dos stand up pouches, muito usados no mercado de alimentos, mas que já embalam produtos como hidratantes e sabonetes líquidos da linha da Sou, para a qual a fabricante Natura divulga diferenciais de sustentabilidade e redução de desperdícios decorrentes de fatores como o uso de 70% menos plástico (em comparação com embalagens rígidas de mesmo volume) e a possibilidade de utilização do produto “até a última gota”.

Plástico Moderno, Ponce: inovação dará efeitos táteis para as embalagens
Ponce: inovação dará efeitos táteis para as embalagens

A Bemis fornece, para a indústria de cosméticos, stand up pouches com uma camada externa de poliéster que atua como substrato de impressão, outra interna para conferir resistência mecânica, e uma interna de PE com função selante. Também há nesse mercado, ressalta Ponce, a demanda por stand up pouches para o acondicionamento de refis (reenchimentos). “E tem crescido o uso de refis no mercado da higiene pessoal e da beleza, não só por questão de custos, mas também porque eles possibilitam aos consumidores manter frascos maiores em suas residências”, complementa Ponce.

Mas Bellucci, da Frascomar, acha que o stand up pouch “não emplacou” na indústria brasileira de produtos para higiene pessoal e beleza. “No Japão, esse formato faz sucesso entre os consumidores de cosméticos, mas o brasileiro não o incorporou aos seus hábitos; aqui, quem domina o mercado são os frascos e potes”, afirma. Bellucci reconhece, porém, a expansão do uso da alternativa nos refis, segmento no qual vê uma “boa briga” entre os soprados – que diferem das embalagens principais por serem mais leves e sem pigmentos – e os stand up pouches. “Creio mais na primeira dessas duas alternativas”, ressalta.

Plástico Moderno, Stand up pouches têm espaço para crescer nos cosméticos
Stand up pouches têm espaço para crescer nos cosméticos

Já Andréia, da Incom, vê com ressalvas o movimento de expansão dos refis dos produtos de beleza: “A Natura tem iniciativas nesse sentido, mas meus demais clientes não têm”, destaca. Nesse mercado, embora sempre existam clientes que demandam embalagens exclusivas e dispõem de recursos para adotá-las, a maior parte dos negócios – ao menos os da Incom – é atualmente feita com os produtos standard. “A opção pelo standard se torna ainda mais interessante com a atual necessidade de racionalizar investimentos e acelerar o time to market (tempo de colocação no mercado)”, explicou.

Independentemente do formato, deve seguir em expansão o uso de plásticoe na indústria de embalagens para cosméticos, até mesmo como decorrência da consolidação de novas tecnologias. “Brevemente, chegarão ao mercado os primeiros produtos de uma tecnologia desenvolvida pela Bemis que, a partir de uma camada adicional de resina, possibilita agregar às embalagens flexíveis efeitos táteis, como a sensação de papel, couro ou tecidos”, adianta Ponce.

O PET começa a preencher uma lacuna que por enquanto refreia seu uso em escala mais intensa: “Em setembro último, na Drinktec (feira dedicada a equipamentos e embalagens para líquidos realizada na Alemanha), foi apresentada uma tecnologia denominada Steady Edge que permite produzir embalagens de PET com base reta, uma dificuldade que ainda inibe o uso dessa resina”, ressalta Assunta, do Instituto de Embalagens.

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