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Cosméticos: Cuidados com beleza masculina avançam na América Latina e engordam as vendas setoriais – Perspectivas 2018

Hamilton Almeida
15 de março de 2018
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    Não faltaram alertas por parte dos industriais: “O risco de medidas consecutivas e indiscriminadas (IPI e ICMS), a pretexto de adição de recursos aos cofres públicos, vem derrubando as vendas e, por consequência, reduzindo as curvas de arrecadação, num efeito contrário ao pretendido pelos governantes”. Basílio sempre protestou: “Deveríamos ter uma carga tributária mais lógica. Produtos antipoluição e para pele e cabelo são itens essenciais”.

    Em 2016, após os preços terem apresentado índice inferior à inflação e ao IPCA (índice de preços ao consumidor), o indicador de preços de HPPC ficou superior ao geral, principalmente devido à dilatação da carga tributária.

    Naquele ano, o déficit da balança comercial foi menor do que em 2015, pela valorização da moeda brasileira. A exportação sofreu redução de 13,7% e a importação, -27,3%, esta pela compressão na despesa de importados, dada à diminuição do poder aquisitivo e pela menor importação de desodorantes da Argentina (-US$ 87 milhões).

    A Argentina vem liderando as compras brasileiras de HPPC (US$ 147 milhões FOB em 2016), seguida do Chile (US$ 65 milhões), da Colômbia (US$ 64 milhões), do México (US$ 63 milhões) e do Paraguai (US$ 50 milhões). O país exportou US$ 619 milhões em 2016.

    Pelo lado das importações, a liderança também é da Argentina: US$ 147 milhões, em 2016. Depois, aparecem os Estados Unidos (US$ 104 milhões), a França (US$ 76 milhões), a China (US$ 75 milhões) e o México (US$ 48 milhões). Essas compras somaram US$ 666 milhões em 2016.

    Na América Latina, o Brasil é responsável por cerca de 60% da produção de HPPC. É seguido pelo México (14,1%), Argentina (8,3%), Colômbia (5,2%) e Chile (4,8%). A participação do continente no planeta é de 13,4%. Com o comportamento do ano considerado “ponto fora da curva”, em 2015, a representatividade do Brasil no globo caiu de 7,1% para 6,6%, em 2016. Em nível latino-americano, a contração foi de 50,2% para 49,1%.

    Perfil – Com mais de 420 empresas associadas, configurando 94% do ramo, a Abihpec encomendou, no ano passado, estudo de percepção à FSB Pesquisa, que concluiu que os produtos de HPPC são “essenciais e indispensáveis para os cuidados básicos com a saúde, bem-estar e qualidade de vida” para 95% dos entrevistados.

    O país abrigava, em 2017, 2.650 indústrias, a grande maioria (1.614) sediada no Sudeste. As 20 de grande porte, com arrecadação líquida de impostos acima de R$ 200 milhões/ano, refletiam 75% do rendimento total.

    HPPC é o 2º segmento industrial que mais investe em inovação (R$ 1,7 bilhão em 2015, em pesquisa e desenvolvimento) e o que mais investe em publicidade (R$ 9,3 bilhões, em igual espaço de tempo) – ficando atrás somente do comércio varejista e serviços ao consumidor, conforme dados do Ibope. Em 2017, os investimentos realizados somaram mais de US$ 800 milhões, de acordo com dados da Abihpec.

    O mercado de serviços de beleza, considerando cabeleireiros, manicures, pedicuros e outras atividades estéticas cresceu acentuadamente desde 2009, quando havia por volta de 27,4 mil empresas, até 2014, com quase 700 mil estabelecimentos.

    Agenda – No final de novembro, a Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) aprovou, na reunião pública da Diretoria Colegiada, a Agenda Regulatória 2017/2020. A AR é um instrumento de gestão que seleciona quais temas são prioritários e merecem ser pauta de regulamentação em um determinado período, “promovendo a transparência e a previsibilidade tanto para os setores envolvidos quanto para os cidadãos”. Em cosméticos dez temas fazem parte da Agenda:

    1. Regularização de produtos de higiene pessoal, cosméticos e perfumes;

    2. Regularização de ingredientes empregados em alisamento capilar;

    3. Cosmetovigilância;

    4. Rotulagem de produtos de higiene pessoal, cosméticos e perfumes;

    5. Requisitos técnicos gerais para produtos de higiene pessoal, cosméticos e perfumes;

    6. Regularização de protetores solares;

    7. Regularização de substâncias em produtos de higiene pessoal, cosméticos e perfumes;

    8. Parâmetros para controle microbiológico de produtos de higiene pessoal, cosméticos e perfumes;

    9. Regularização de repelentes de insetos;

    10.Regularização de produtos de higiene pessoal descartáveis destinados ao asseio corporal.

    Ingredientes – Duas novas matérias-primas da flora brasileira poderão ser incorporadas, em breve, pela indústria. Pesquisas do Departamento de Farmácia da Universidade Federal do Rio Grande do Norte (UFRN) descobriram que a fibra do sisal e o fruto da algaroba podem ser utilizados em produtos hidratantes para a pele e na prevenção de rugas.

    A fibra do sisal tem sido utilizada na produção de cordas, tapetes e outros produtos artesanais. Apenas 4% da planta são usados nesses processos produtivos. O restante é rejeitado. Desenvolveu-se com o rejeito um hidratante por meio de um procedimento chamado de nanoemulsão, no qual se diminui o tamanho das gotículas, ou do ativo da partícula, com o objetivo de que ele penetre mais na pele e resulte, também, numa melhor experiência sensorial. Na algaroba, constatou-se a presença de alguns tipos de polissacarídeos. Essas moléculas têm grande capacidade de retenção de água.

    Os dois estudos foram premiados. O do sisal foi considerado o melhor trabalho do XXIII Congresso Latino-americano e Ibérico de Químicos Cosméticos. Já o da algaroba, recebeu o troféu de melhor pesquisa no Congresso Brasileiro de Cosmetologia. O professor do Departamento de Farmácia da UFRN, Márcio Ferrari, ressalta que as duas pesquisas foram patenteadas e possuem eficácia e segurança comprovadas. “Agora precisamos de mais parcerias das empresas, tanto para investimento na pesquisa, quanto para colocar os produtos no comércio”, disse.



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