Cosméticos: Cuidados com beleza masculina avançam

Cuidados crescem na América Latina e engordam as vendas setoriais

O setor de higiene pessoal, perfumaria e cosméticos (HPPC) vai continuar sorrindo em 2018.

Se no ano passado se pode comemorar o retorno do crescimento, agora é a hora do fortalecimento.

Confirmadas as previsões da Euromonitor, haverá um progresso de 3,8%, no faturamento em reais.

Empresa global de pesquisa de mercado e consultoria sobre o comércio de bens de consumo e serviços, com sede em Londres, a Euromonitor International considera que as receitas poderão chegar a R$ 108,938 bilhões, em 2018, após registrar um movimento da ordem de R$ 100,876 bilhões (0,2% em comparação com o exercício anterior) em 2016, e R$ 104,931 bilhões em 2017.

Nessas cifras estão computadas as vendas finais ao consumidor, taxas e impostos, assim como os mark-ups dos varejistas.

Por sua vez, 2018 promete melhores resultados ainda para as áreas de produtos de depilação (7,9%), fragrâncias (6,7%) e produtos masculinos (6,7%).

Relatório da consultoria aponta que a América Latina se tornará chave para os chamados men’s grooming.

Com perspectiva de avanço de 27% até 2021, a região deverá liderar as vendas de beleza masculina no planeta.

Esses negócios específicos geraram US$ 10 bilhões, em 2016.

As fragrâncias, desodorantes e produtos para barbear respondem por 96% das vendas.

“Os homens buscam conforto e praticidade, e estão dispostos a pagar mais por um produto de qualidade”, na opinião do analista sênior de pesquisa, Elton Morimitsu.

Calcula-se que, enquanto as mulheres gastam 42 minutos/dia com o consumo de 21 produtos, os homens dispendem 28 min/dia com 8 produtos.

“O desafio da América Latina consiste em quebrar estereótipos. Produtos voltados aos cuidados com a pele, por exemplo, ainda são muito associados à feminilidade. Para reverter essa percepção, as empresas estão explorando os benefícios dos produtos, como proteção solar. O objetivo é levar o homem a experimentar produtos multifuncionais”, adicionou.

Os produtos antipoluição também têm tendência de prosperidade, assim como os para proteção solar, antiestresse e contra a luz azul dos dispositivos eletrônicos.

Otimista, o presidente executivo da Associação Brasileira das Indústrias de Higiene Pessoal, Perfumaria e Cosméticos (Abihpec), João Carlos Basílio, cogita uma expansão setorial equivalente ao dobro do PIB em 2018, ano em que o país poderá galgar ao posto de 3º maior mercado consumidor de HPPC do mundo, ultrapassando o Japão e ficando atrás, somente, dos Estados Unidos e da China.

Com a nação em ritmo de recuperação econômica, o Governo espera que o PIB aumente 3% em 2018 em um cenário de inflação baixa (4%) e taxa Selic estável (ao redor de 7% ao ano).

As projeções do Banco Safra não são muito diferentes: PIB, 2,5%; IPCA, 4,1%; Selic, 6,75%; e câmbio, R$ 3,30/dólar.

O cenário positivo começou a ser delineado já no primeiro semestre de 2017 pelos indicadores macroeconômicos.

A inflação começou a mostrar sinais de declínio (fechou o ano em 2,9%) e o câmbio ficou mais estável, no patamar de R$ 3,50.

Assim, deixou de existir perspectiva de aumento dos custos relacionados às matérias-primas importadas.

Além disso, os juros também mostraram tendência de retração, aumentando a confiança dos agentes econômicos em relação às decisões de investimento.

Basílio apontou o controle da inflação e a liberação do saldo inativo do Fundo de Garantia do Tempo de Serviço (FGTS) como fatores que contribuíram para o desempenho em 2017, além da melhora real dos salários.

Plástico Moderno, Cosméticos: Cuidados com beleza masculina avançam na América Latina e engordam as vendas setoriais - Perspectivas 2018 ©QD Foto: iStockPhoto

Bom 2017 – Após dois anos de declive nas vendas ex factory (sem imposto sobre vendas), registrou-se uma evolução real entre 1,5% e 2,5%, no ano passado, em relação ao exercício anterior.

“Apesar de um início de ano difícil, em 2017 o setor de HPPC foi evoluindo e acompanhando os indicadores econômicos”, segundo as estimativas da Abihpec.

A retomada do desenvolvimento coincidiu com a reativação da economia nacional, que, pelos indicadores governamentais, fechou o ano com uma subida do PIB (Produto Interno Bruto) em torno de 1%.

De acordo com os estudos da Euromonitor, os consumidores de baixos honorários que, durante a crise, procuraram alternativas de produtos mais baratos, poderão continuar com essa prática.

Por outro lado, o período de enfraquecimento nos negócios ofereceu a oportunidade para introduzir inovações.

Com um horizonte mais favorável, a tendência é de maior sofisticação nos gastos, principalmente entre os de renda média.

Alavancado constantemente por inovações de produtos, HPPC vem se destacando das demais ramificações da indústria por registrar maiores percentuais de incremento.

Em um período de 20 anos, obteve valores próximos a 11% ao ano pulando de um faturamento ex-factory de R$ 4,9 bilhões, em 1996, para R$ 42,6 bilhões, em 2015. Até 2014, a riqueza setorial foi mais vigorosa que o restante da indústria.

Ponto fora da curva – Em 2015, o giro da roda mudou. As estatísticas da associação indicaram uma queda real no ex factory de 9% em 2015.

Foi a primeira vez, em 23 anos, que a indústria brasileira de HPPC retraiu e não despontou como líder em categorias importantes para a manutenção da saúde e bem-estar, cenário que não se modificou em 2016, quando registrou nova queda, então de 6%.

Nesses dois amargos anos, devido à elevação da carga tributária, tanto no IPI como no ICMS, em 22 Estados e o Distrito Federal, aliado à crise econômica, com desemprego e menor dispêndio, o bloco apresentou perdas muito próximas às da indústria em geral (-8,3% e -6,6%, respectivamente).

No caso do desdobramento do IPI da indústria para a distribuidora, a Abihpec já detém algumas sentenças e liminares favoráveis.

Não faltaram alertas por parte dos industriais:

“O risco de medidas consecutivas e indiscriminadas (IPI e ICMS), a pretexto de adição de recursos aos cofres públicos, vem derrubando as vendas e, por consequência, reduzindo as curvas de arrecadação, num efeito contrário ao pretendido pelos governantes”.

Basílio sempre protestou: “Deveríamos ter uma carga tributária mais lógica. Produtos antipoluição e para pele e cabelo são itens essenciais”.

Em 2016, após os preços terem apresentado índice inferior à inflação e ao IPCA (índice de preços ao consumidor), o indicador de preços de HPPC ficou superior ao geral, principalmente devido à dilatação da carga tributária.

Naquele ano, o déficit da balança comercial foi menor do que em 2015, pela valorização da moeda brasileira.

A exportação sofreu redução de 13,7% e a importação, -27,3%, esta pela compressão na despesa de importados, dada à diminuição do poder aquisitivo e pela menor importação de desodorantes da Argentina (-US$ 87 milhões).

A Argentina vem liderando as compras brasileiras de HPPC (US$ 147 milhões FOB em 2016), seguida do Chile (US$ 65 milhões), da Colômbia (US$ 64 milhões), do México (US$ 63 milhões) e do Paraguai (US$ 50 milhões). O país exportou US$ 619 milhões em 2016.

Pelo lado das importações, a liderança também é da Argentina: US$ 147 milhões, em 2016. Depois, aparecem os Estados Unidos (US$ 104 milhões), a França (US$ 76 milhões), a China (US$ 75 milhões) e o México (US$ 48 milhões). Essas compras somaram US$ 666 milhões em 2016.

Na América Latina, o Brasil é responsável por cerca de 60% da produção de HPPC.

É seguido pelo México (14,1%), Argentina (8,3%), Colômbia (5,2%) e Chile (4,8%).

A participação do continente no planeta é de 13,4%.

Com o comportamento do ano considerado “ponto fora da curva”, em 2015, a representatividade do Brasil no globo caiu de 7,1% para 6,6%, em 2016.

Em nível latino-americano, a contração foi de 50,2% para 49,1%.

Perfil – Com mais de 420 empresas associadas, configurando 94% do ramo, a Abihpec encomendou, no ano passado, estudo de percepção à FSB Pesquisa, que concluiu que os produtos de HPPC são “essenciais e indispensáveis para os cuidados básicos com a saúde, bem-estar e qualidade de vida” para 95% dos entrevistados.

O país abrigava, em 2017, 2.650 indústrias, a grande maioria (1.614) sediada no Sudeste. As 20 de grande porte, com arrecadação líquida de impostos acima de R$ 200 milhões/ano, refletiam 75% do rendimento total.

HPPC é o 2º segmento industrial que mais investe em inovação (R$ 1,7 bilhão em 2015, em pesquisa e desenvolvimento) e o que mais investe em publicidade (R$ 9,3 bilhões, em igual espaço de tempo) – ficando atrás somente do comércio varejista e serviços ao consumidor, conforme dados do Ibope.

Em 2017, os investimentos realizados somaram mais de US$ 800 milhões, de acordo com dados da Abihpec.

O mercado de serviços de beleza, considerando cabeleireiros, manicures, pedicuros e outras atividades estéticas cresceu acentuadamente desde 2009, quando havia por volta de 27,4 mil empresas, até 2014, com quase 700 mil estabelecimentos.

Agenda – No final de novembro, a Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) aprovou, na reunião pública da Diretoria Colegiada, a Agenda Regulatória 2017/2020.

A AR é um instrumento de gestão que seleciona quais temas são prioritários e merecem ser pauta de regulamentação em um determinado período, “promovendo a transparência e a previsibilidade tanto para os setores envolvidos quanto para os cidadãos”.

Em cosméticos dez temas fazem parte da Agenda:

1. Regularização de produtos de higiene pessoal, cosméticos e perfumes;

2. Regularização de ingredientes empregados em alisamento capilar;

3. Cosmetovigilância;

4. Rotulagem de produtos de higiene pessoal, cosméticos e perfumes;

5. Requisitos técnicos gerais para produtos de higiene pessoal, cosméticos e perfumes;

6. Regularização de protetores solares;

7. Regularização de substâncias em produtos de higiene pessoal, cosméticos e perfumes;

8. Parâmetros para controle microbiológico de produtos de higiene pessoal, cosméticos e perfumes;

9. Regularização de repelentes de insetos;

10.Regularização de produtos de higiene pessoal descartáveis destinados ao asseio corporal.

Ingredientes – Duas novas matérias-primas da flora brasileira poderão ser incorporadas, em breve, pela indústria.

Pesquisas do Departamento de Farmácia da Universidade Federal do Rio Grande do Norte (UFRN) descobriram que a fibra do sisal e o fruto da algaroba podem ser utilizados em produtos hidratantes para a pele e na prevenção de rugas.

A fibra do sisal tem sido utilizada na produção de cordas, tapetes e outros produtos artesanais.

Apenas 4% da planta são usados nesses processos produtivos.

O restante é rejeitado. Desenvolveu-se com o rejeito um hidratante por meio de um procedimento chamado de nanoemulsão, no qual se diminui o tamanho das gotículas, ou do ativo da partícula, com o objetivo de que ele penetre mais na pele e resulte, também, numa melhor experiência sensorial.

Na algaroba, constatou-se a presença de alguns tipos de polissacarídeos.

Essas moléculas têm grande capacidade de retenção de água.

Os dois estudos foram premiados.

O do sisal foi considerado o melhor trabalho do XXIII Congresso Latino-americano e Ibérico de Químicos Cosméticos.

Já o da algaroba, recebeu o troféu de melhor pesquisa no Congresso Brasileiro de Cosmetologia.

O professor do Departamento de Farmácia da UFRN, Márcio Ferrari, ressalta que as duas pesquisas foram patenteadas e possuem eficácia e segurança comprovadas.

“Agora precisamos de mais parcerias das empresas, tanto para investimento na pesquisa, quanto para colocar os produtos no comércio”, disse.

Leia Mais:

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado.

Adblock detectado

Por favor, considere apoiar-nos, desativando o seu bloqueador de anúncios