Corte e Solda – Aumento da demanda por embalagens plásticas anima fabricante de máquinas nacionais

Os fabricantes de máquinas de corte e solda compareceram aos corredores do Anhembi animados pelo aquecimento da demanda por alguns tipos de embalagens plásticas e preocupados com um possível aumento da concorrência com fabricantes internacionais de máquinas.

Em reflexo à atividade em ritmo acelerado nos frigoríficos, em particular nas vendas de frango congelado, alguns dos expositores do segmento deAdicionar Novo corte e solda apresentaram máquinas para a produção de embalagens com fundo redondo, adequadas para esse tipo de alimento congelado. Todos vêem aquecimento na atividade.

Diferentemente do que acontece em outros setores de fabricantes de máquinas, no campo do corte e solda as importadas possuem pequena penetração. As principais produtoras mundiais são européias e a cotação de preços em euros assusta potenciais clientes nacionais. O mercado brasileiro reconhece que máquinas concorrentes da Europa possuem maior conteúdo tecnológico, em particular nos quesitos automação e controle, mas a diferença de preço, na comparação com equipamentos nacionais, é muito maior que a diferença no desempenho, na opinião de vários dos expositores brasileiros presentes no Anhembi.

Plástico Moderno, Ciro Lafaiete Saad, diretor-industrial, Corte e Solda - Aumento da demanda por embalagens plásticas anima fabricante de máquinas nacionais
Saad destaca preocupação em reduzir consumo de energia

Mesmo as máquinas chinesas, cujos preços assustam qualquer fabricante não-asiático, ainda não constituem real ameaça aos brasileiros. Seus preços, quando internadas, não são tão díspares em relação aos nacionais, e como nenhum produtor chinês estabeleceu uma boa infra-estrutura de atendimento pós-vendas no Brasil, a clientela tem preferido comprar de quem reconhecidamente está apto a fornecer assistência técnica ágil. Tudo isso sem mencionar a qualidade inferior desses equipamentos asiá­ticos em relação aos produzidos localmente, a ponto de serem tachados de descartáveis por um dos expositores presentes na Brasilplast.

Logicamente, é difícil reconhecer os pontos fortes da concorrência, mas, em relação às máquinas de corte e solda chinesas, há consenso, entre produtores nacionais, acerca de seu desempenho inferior. A Maqplas foi uma das expositoras que apresentou máquina para embalagem de fundo redondo.

Trata-se do modelo SSW 700 FR, que já está sendo fabricado há cerca de um ano, mas apareceu para o público pela primeira vez. Segundo o diretor-industrial Ciro Lafaiete Saad, a presença do equipamento no estande da Maqplas reflete não apenas o franco desenvolvimento do segmento de frango congelado, mas o fato de as máquinas disponíveis no mercado não atingirem a mesma velocidade de operação e desempenho que o modelo exposto. A SSW 700 FR pode manufaturar até 320 embalagens por minuto, e os modelos anteriores, segunda Saad, operavam em torno de 160 embalagens por minuto.

A nova tecnologia aplicada no equipamento, responsável pela elevação da sua produtividade, é baseada em um software que a própria Maqplas produz, com base na experiência adquirida em automação, servoacionamentos e controle de posição desde o início das atividades da empresa, em meados da década de 90.

Mas produções maiores não são o único foco de inovação tecnológica da fabricante. O mundo entendeu que o consumo de energia deve ser reduzido, e há grande preocupação com máquinas perdulárias. Saad aponta essa característica como uma das fraquezas de concorrentes chineses. A energia na China ainda é barata, e mesmo que os equipamentos também o sejam, possuem consumo de energia alto.

O diretor-industrial compara uma linha de máquinas stand up, fabricada pela Maqplas. O consumo do equipamento, para uma produtividade normal de mercado, fica em torno de 14 kWh a 15 kWh, mas Saad atesta haver concorrentes da China com consumo entre 70 e 80 kWh. Essa preocupação com a demanda por energia está presente nos desenvolvimentos da empresa, a ponto de ter se tornado uma ferramenta de marketing, pois as máquinas que consomem menos energia, obviamente, se pagam com maior rapidez.

Outro ponto importante para novos desenvolvimentos é a interface homem-máquina. Algumas empresas produtoras de embalagens chegam a contratar pessoas responsáveis por treinamento da força de trabalho, pois máquinas mais modernas precisam de operadores com maior conhecimento técnico. A Maqplas, por sua vez, aposta em interfaces de comunicação homem-máquina bastante simples, que facilitam a contratação de operadores sem tamanha especialização.

Plástico Moderno, Luiz Antônio Reis, diretor, Corte e Solda - Aumento da demanda por embalagens plásticas anima fabricante de máquinas nacionais
Para Reis, equipamento nacional supera chinês

Mais em menor espaço – A Máquinas Santoro expôs a máquina de corte e solda CS 600, lançamento compacto e de menor tamanho em comparação às linhas convencionais, mas que integra todos os sistemas dos modelos mais completos, como mesa empilhadeira, desbobinamento automático e sistema pneumático.

Conforme explicou o engenheiro de aplicação Hermes Rossi, trata-se de um equipamento pequeno, mas capaz de fabricar diversos tipos de sacos utilizando espaço físico pequeno, fato que ele reputa como muito importante para grande parte dos clientes.

A diminuição de tamanho também afetou o preço. A produtividade, no entanto, foi elevada. A CS 600 possui produtividade 50% maior que as máquinas maiores, atingindo a produção de 450 sacos por minuto.

Rossi confirma a baixa penetração de concorrentes importadas no segmento de corte e solda, tanto pelo preço das européias quanto pela cultura dos clientes brasileiros, que ainda não aponta para a preferência por maquinário chinês. Já houve entrada de equipamentos da China, mas dificuldades no momento de manutenção e assistência técnica contribuíram para frear as vendas dos chineses por aqui, pois ainda não há estrutura para dar suporte ao mercado local.

Plástico Moderno, Hermes Rossi, engenheiro de aplicação, Corte e Solda - Aumento da demanda por embalagens plásticas anima fabricante de máquinas nacionais
Modelo CS 600 é 50% mais produtivo, de acordo com Rossi

Mais preocupante é o mercado de segunda mão, muito forte entre clientes de tamanho pequeno e médio, exatamente a porção do mercado atendida com maior ênfase pela Máquinas Santoro. O tamanho desse mercado de equipamentos usados é enorme, segundo Rossi, e há máquinas de vinte anos em atividade, com um preço mais atrativo que as eventuais desvantagens em desempenho. A atualização de máquinas antigas, o chamado retrofit, também reforça a atividade do mercado de segunda mão, com efeitos bastante danosos aos produtores de equipamento original.

Para quem foi à Brasilplast atrás de máquinas novas, outra opção foram os produtos da Macam, uma das caçulas do mercado, fundada em 2004. Conforme o diretor Luiz Antônio Reis, a empresa levou ao Anhembi modelos já produzidos há algum tempo, e destinados à manufatura de embalagens plásticas em geral.

Os modelos atendem os clientes com alto volume de produção, e operam à cadência de 380 e 500 golpes por minuto, mas com consumo de energia bastante baixo, girando em torno de 2,5 kVAh. Reis também acredita que o maquinário brasileiro é melhor que o chinês, em quesitos como manutenção, nível de ruídos e produção.

A Polimáquinas, outra das famosas do setor, lançou um equipamento de corte e solda wicket, para a produção de sacos de pão e sacos de fundo redondo para embalagem, mais uma vez, de frango congelado. Segundo as informações do gerente-comercial Clóvis Barbosa, o modelo exposto produz 350 unidades por minuto, no caso dos sacos para pão de forma, e 250, se rodando para manufaturar sacos para frango.

Plástico Moderno, Corte e Solda - Aumento da demanda por embalagens plásticas anima fabricante de máquinas nacionais
Polimáquinas mostra equipamento para saco de frango e pão

Na opinião de Barbosa, uma das características do segmento de corte e solda é que mesmo os clientes pequenos estão voltados para a aquisição de equipamentos de maior produtividade – acelerar a produtividade não é pauta apenas entre os maiores do ramo.

Essa peculiaridade é um dos motivos pelos quais equipamentos chineses ainda não causam enxaqueca aos produtores nacionais, pois o gerente considera que a vida útil dos equipamentos fabricados no gigante asiático é o seu maior problema.

Esse cenário de calmaria na concorrência, entretanto, pode estar se modificando. Com o real valorizado, a distância entre as cotações de preços do maquinário nacional e o estrangeiro diminui. Barbosa, que sentiu uma Brasilplast mais movimentada na última edição, e muitos visitantes apenas especulando, em 2007, acredita que a máquina nacional mais cara favoreceu o movimento dos clientes na direção de outros fornecedores.

Embora não se tenham ouvido na feira lamentações infindáveis em razão de uma invasão estrangeira qualquer, todos os fabricantes do segmento demonstram preocupação com o futuro. O conteúdo tecnológico das máquinas nacionais experimenta um crescendo, e por isso seus preços também sobem. Conforme os brasileiros passem a oferecer produtos de maior valor agregado, a diferença do custo em relação a concorrentes importados cairá, e poderá chegar a um ponto em que a competição se tornará mais acirrada.

O momento, porém, é de aproveitar a pouca concorrência e municiar o mercado nacional com mais opções. É o que fez a Hece, principal fornecedora para clientes do segmento de frango congelado, segundo seu gerente-industrial Luiz Fernando Sverzut.

A empresa reforçou durante a Brasilplast um equipamento de corte e solda da linha HSC lançado no ano passado e destinado a todos os tipos de sacos feitos por corte e solda. Para cada tipo específico de saco, utiliza-se um acessório adequado, a fim de adaptar a máquina ao tipo de embalagem desejado. O modelo é todo digital e possui construção mais reforçada e robusta que os antecessores. A Hece também expôs um lançamento, a sacoleira da linha CS, equipada com dois servomotores, e caracterizada pela alta produtividade e robustez, que possui, segundo Sverzut, uma única concorrente nacional do mesmo tipo.

3 Comentários

  1. Gostei do artigo, pois procuro uma maquina que corte e solde as borrachas das geleiras e nao encontro.

    Sera que podem dar uma ajuda?

    Obrigado e cumprimentos

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