Ferramentaria Moderna

Cores e materiais diversos são colocados na mesma peça

Jose Paulo Sant Anna
18 de fevereiro de 2019
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    Plástico Moderno, Cores e materiais diversos são colocados na mesma peça, com alta qualidade - Injeção Multimateriais

    Não no ritmo de há algumas décadas nos países desenvolvidos, onde a prática já é para lá de usual, aumenta no Brasil o interesse pela produção de peças plásticas coloridas mediante a tecnologia conhecida como injeção multicomponente ou multimateriais. As peças mais comuns são as fabricadas em duas cores. Há um bom número com três cores e a partir de quatro os casos são raros, mesmo no exterior. Esse nicho de mercado, com crescimento tímido por aqui nos últimos anos muito por conta da situação da economia, apresenta bom potencial para o futuro e chama a atenção dos principais fabricantes de injetoras, equipamentos periféricos e ferramentarias com tecnologia de ponta.

    Vários são os motivos para acreditar no desenvolvimento desse mercado. Começa pela possibilidade de obtenção de peças com características mais funcionais. São os casos, por exemplo, de itens que necessitam da união das propriedades de diferentes matérias-primas para atender a exigência de sua função. Tal união se obtém com maior economia e qualidade em uma estrutura única do que em um conjunto de peças montado a partir de itens fabricados em dois ou mais ciclos de injeção. Um caso típico é o da lanterna de automóvel, produzida com até três cores e materiais distintos em ciclo de injeção único. Ou de componentes também da indústria automobilística cujo funcionamento exija qualidades de vedação.

    Plástico Moderno, Peças técnicas feitas com Systec Multi

    Outro exemplo pode ser encontrado nos cabos de ferramentas como furadeiras, no qual a parte interior possui a resistência mecânica necessária para aguentar o esforço resultante da operação e a exterior permite melhor grip, maior firmeza ao operador enquanto a segura durante a execução do serviço. O uso de mais de uma cor também pode ser estratégia de marketing. Impossível negar o poder de atração de produtos coloridos em aplicações as mais variadas, casos dos aparelhos de barbear, escovas de dente ou em embalagens, nas quais a tecnologia é muito usada em tampas flip-top de shampoos e em outras aplicações.

    Apesar do investimento inicial para a implantação de uma linha de produção multicomponente ser mais elevada que a tradicional, a técnica pode ser adotada até por questão de economia. Em peças maciças, ela permite utilizar internamente material totalmente reciclado e na película externa material virgem, sem qualquer dano à aparência final do produto – as chamadas peças “sanduíches”. Tal aplicação pode ser vantajosa para a produção em grande escala de tampas de vasos sanitários, por exemplo.

    Plástico Moderno, Tiergarten: os moldes para essa tecnologia são mais caros

    Tiergarten: os moldes para essa tecnologia são mais caros

    Do design aos moldes – Os usos da injeção multicomponente são os mais distintos, a criatividade dos projetistas é o limite da utilização da tecnologia. Uma vez definido o desenho da peça a ser fabricada, começa um grande desafio, o de projetar o molde mais adequado para a implantação da linha de produção. No Brasil, poucas são as ferramentarias do ramo capacitadas para tanto. Entre elas podem ser citadas a Btomec, de Joinville-SC, e a Moltec, de São Paulo-SP, ambas com atuação bastante voltada para o ramo de embalagens. Alguns transformadores que trabalham com esse tipo de peça contam com ferramentaria própria capacitada para desenvolver esses projetos.

    Em termos de mercado, os dirigentes dessas empresas têm posição similar. O nicho tem muito a evoluir quando as condições econômicas ficarem mais favoráveis. Por enquanto, as encomendas se encontram prejudicadas. “Como esse mercado envolve ferramentas de maior valor agregado, são moldes mais caros, os clientes não têm investido tanto”, resume Wiland Tiergarten, diretor da Btomec. A grande maioria das encomendas para as duas empresas são para peças em duas cores.

    Os projetos dos moldes exigem tecnologia avançada. “Existem diferentes possibilidades de conceber o tipo de molde a ser adotado, precisamos avaliar as necessidades do cliente e o equipamento no qual a peça será fabricada para definir a melhor maneira de preencher as cavidades”, informa Bruno Chagas, diretor da Moltec. A escolha é tão importante que precisa levar em conta vários parâmetros, como as características das máquinas onde as peças serão fabricadas, quais os materiais utilizados, qual a quantidade de cada matéria-prima presente nas peças, o volume de peças desejado e outros. Os atributos necessários para o bom desempenho da ferramenta não param por aí. “É necessária enorme precisão dimensional de seus componentes, com rigor na casa dos milésimos de milímetros”, acrescenta Tiergarten. Qualquer desajuste pode significar problemas como o surgimento de rebarbas, entre outros.



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