Máquinas e Equipamentos

Conceito 4.0 exige automatizar operações desde o estoque de insumos

Antonio Carlos Santomauro
29 de junho de 2018
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    Para Daniel Ebel, diretor-presidente da Plast-Equip, “em qualquer empresa com alguma importância, de qualquer segmento da transformação, esse processo de manuseio e preparo das matérias-primas hoje está automatizado”. E os equipamentos da Plast-Equip são produzidos com ferramentas que fornecem informações para softwares com os quais é possível gerenciar de maneira centralizada e remota todo o processo.

    Mas Ebel visualiza espaço para melhorias: por exemplo, na recepção de resinas e demais itens, que idealmente deveria ser realizada no sistema ainda pouco usual de caminhões descarregando materiais a granel em silos externos, pois isso eliminaria custos relacionados à abertura de big bags e outros gêneros de embalagens. “Os silos podem ser também integrados ao processo de automatização, com sensores de nível, ou mesmo gravimétricos, ainda mais precisos”, diz o diretor da Plast-Equip (empresa cujo portfólio inclui dosadores, alimentadores e centrais de distribuição, entre outros).

    Menos espaço, mais precisão – Equipamentos mais compactos também fazem parte das atuais estratégias dos provedores de sistemas de manuseio e preparação de resinas e demais matérias-primas: caso da Maguire, fabricante de equipamentos como alimentadores, dosadores gravimétricos e sistemas de desumidificação, que no ano passado lançou, com a marca LoPro, alimentadores para seus dosadores gravimétricos e outros sistemas com altura 80% inferior à média dos concorrentes. “Isso é importante porque normalmente o alimentador fica no topo do funil da máquina injetora ou extrusora, e quanto mais alto mais difícil o manuseio”, destaca Hercules Piazzo, diretor da Hercx (distribuidora no Brasil da Maguire e de outras marcas de equipamentos e insumos para a indústria do plástico).

    Segundo ele, entre outras características, esses novos alimentadores da Maguire têm também motor mono fase, sem escovas, e sistema automático de limpeza do filtro a cada ciclo. Mas essa empresa, prossegue Piazzo, também é muito forte no mercado de dosadores. “Foi a Maguire quem inventou o dosador gravimétrico e em todo o mundo ela já instalou mais de 50 mil de seus dosadores WSB”, enfatiza o diretor da Hercx.

    Na Wittman Battenfeld, afirma Mercuri, o padrão de precisão dos dosadores gravimétricos hoje está em 0,001%. “Esse grau de precisão é importante especialmente para peças técnicas, que precisam conter as quantidades exatas de materiais. Mas também contribui para reduzir custos: por exemplo, com aditivos, que devem ser dosados de maneira precisa para não haver desperdício”, explica.

    A Plast-Equip lançou no final do ano passado a nova linha RDG, de dosadores gravimétricos aptos a aceitar até seis ingredientes (antes, os dosadores dessa empresa trabalhavam com um máximo de quatro componentes). “A linha RDG é modular, aceita expansão, por exemplo, de quatro para seis componentes, e traz o software standard de comunicação”, relata Ebel.

    Novos dosadores gravimétricos foram recentemente agregados ao portfólio da Piovan. Com a marca Quantum, esses equipamentos, afirma Prado, propiciam redução de 5% a 20% no uso de masterbatches e aditivos. “Esta redução decorre da maior precisão de dosagem e sobretudo do desenho único do misturador, que permite alto grau de homogeneidade da mistura, gerando menor consumo do aditivo”, explica. “Temos também o Quantum E, para extrusão, que controla o peso por metro linear das chapas ou dos filmes, melhorando a qualidade do produto final e reduzindo o consumo de matéria-prima”, complementa Prado.

    Customização e negócios – Cada dia mais sofisticados, os dosadores gravimétricos também têm preços crescentemente competitivos com os volumétricos, menos precisos, como aponta Caio Prado, sócio e diretor da AutomaQ. “Por isso, cresce a demanda por dosadores gravimétricos”, afirma.

    Um dosador da AutomaQ tem precisão de 0,1%, enquanto nos volumétricos esse índice varia entre 0,5% e 1%. Mas não necessariamente o mais preciso é a melhor opção: “Tudo depende da aplicação: se for para apenas um masterbatch, talvez um volumétrico – cujo preço é ainda bem inferior – seja suficiente. Mas quando se trabalha com aditivos, ou com quantidades muito grandes, um gravimétrico pode constituir ferramenta de economia bastante interessante”, pondera o diretor da empresa.

    Além de dosadores gravimétricos e volumétricos, a AutomaQ produz alimentadores individuais e centralizados, entre outros equipamentos. Também representa no mercado brasileiro a marca norte-americana ACS (que fabrica os mesmos gêneros de produtos, porém disponibiliza um portfólio mais diversificado). “Trabalhamos principalmente com soluções customizadas”, afirma Prado.

    Segundo ele, a customização das soluções de manuseio e preparo das matérias-primas é importante, por exemplo, para quem trabalha com plástico reciclado, que no Brasil pode conter grandes quantidades de pó. “Além do entupimento do filtro, que aumenta o desgaste da motorização do equipamento, há a possibilidade desse material não escoar dentro do funil do dosador e, assim, inviabilizar a dosagem”, observa.



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