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Compra da Solvay Indupa faz da Braskem a líder em PVC na região

Marcelo Fairbanks
15 de Janeiro de 2014
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    A Braskem anunciou em 17 de dezembro a compra de 70,59% do capital da Solvay Indupa, produtora de soda/cloro e PVC na Argentina e no Brasil, por US$ 204 milhões. Com isso, a companhia adicionará 540 mil t/ano às 710 mil t/ano de capacidade de produção de PVC, além de receber mais 350 mil t/ano de capacidade de soda cáustica, da qual já possuía 540 mil t/ano. A aquisição formará a maior produtora de PVC da América Latina e a quarta das Américas. O negócio depende de aprovação dos órgãos de defesa da concorrência no Brasil e na Argentina.

    Os quase 30% restantes do capital social da Solvay Indupa são negociados na Bolsa de Valores de Buenos Aires e seus detentores receberão uma oferta pública por parte da compradora, nos termos da legislação argentina.

    Plástico Moderno, Fadigas ratifica continuidade de produção em Santo André

    Fadigas ratifica continuidade de produção em Santo André

    Carlos Fadigas, presidente da Braskem, acredita na aprovação do negócio pelos órgãos oficiais, com base em precedentes que tomaram por justificativa o fato de a atividade petroquímica ser globalizada e o mercado local aberto para a entrada de produtos concorrentes. “A importação de PVC representa quase um terço do mercado brasileiro”, afirmou.

    Quando integrados os negócios, Fadigas espera obter sinergias importantes. No Brasil, a produção da Solvay Indupa está localizada em Santo André-SP, sendo abastecida com eteno da Braskem (antiga Petroquímica União), mediante um contrato de cerca de 120 mil t/ano firmado nos anos 1990. Essa unidade tem capacidade para produzir 300 mil t/ano de PVC, mas isso é conseguido com a importação complementar de monômero (MVC) da unidade instalada em Bahía Blanca (Argentina).

    Analistas várias vezes opinaram pelo encerramento da produção do monômero em Santo André, liberando eteno para se fazer mais polietilenos na região. Isso ainda não teria sido feito pela inconstância do suprimento de gás natural para a atividade petroquímica na Argentina. Lá, a Solvay Indupa compra eteno da Dow, que o produz com base em gás natural de Neuquén (antigo Projeto Mega). Durante o inverno, uma parte desse gás precisa ser desviada para o aquecimento de residências.

    Fadigas nega, enfaticamente, a possibilidade de fechamento da produção em Santo André. “O consumo de eteno está bem balanceado na região do polo paulista, não há necessidade de fechar uma unidade para abastecer outra. A central de matérias-primas paulista tem capacidade para mais de 700 mil t/ano de eteno, não há escassez”, afirmou.

    Além disso, Fadigas ressaltou que o projeto de expansão de 50 mil t/ano na produção de PVC, que havia sido elaborado pela Solvay Indupa, poderá ser executado. “Parte dos equipamentos já fora comprada, o investimento é baixo, nessas condições, e há mercado para tanto”, avaliou. Será determinante para esse investimento a revisão dos preços de venda de nafta petroquímica da Petrobras, em fase de negociação. No entanto, a própria vendedora já havia sepultado o plano de fazer eteno de álcool em Santo André. E esse projeto não será retomado.

    Fadigas espera que o custo da eletricidade para consumidores industriais seja reduzido nos próximos anos, pois o Brasil possui um dos preços mais elevados do mundo desse insumo. “Na Argentina, a Solvay Indupa se abastece com eletricidade gerada com gás natural pela Solaban, uma empresa com participação paritária com a Albaneze”, explicou.

    Ele também ressaltou que as variações sazonais no suprimento de gás natural e eteno para os processos petroquímicos na Argentina já são conhecidas e foram consideradas na avaliação da Solvay Indupa, que atingiu o valor total de US$ 290 milhões. “Em uma análise de longo prazo, a operação é rentável”, afirmou. O faturamento anual da adquirida chega a US$ 750 milhões.

    Segundo o presidente da Braskem, os ativos adquiridos, embora já tenham longo tempo de serviço – Santo André começou a operar nos anos 1970 –, estão em excelentes condições, compatíveis com os padrões da própria Braskem. A empresa só herdará passivos ambientais situados embaixo das unidades de produção adquiridas, ficando o restante sob responsabilidade da vendedora. “Esses passivos, dentro e fora da Solvay Indupa, já estão mapeados e os processos de remediação são acompanhados pela Cetesb”, comentou.

    Além de receber quatro novas plantas, com as respectivas capacidades, a Braskem comemora a aquisição pelo fato de ela representar a entrada da companhia na Argentina, como produtora petroquímica. Além disso, a localização geográfica das linhas de produção favorece o atendimento da Região Sul do Brasil, com boa integração logística com os negócios da companhia. Essa aquisição representará pequeno desembolso de caixa para a Braskem, cerca de US$ 25 milhões, pois a maior parte do acordo envolveu a assunção de dívidas.



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