Compostos alcançam desempenho desejado para cada aplicação – PVC

O polímero de cloreto de vinila, mas conhecido pela sigla PVC, encontra uso intensivo na construção civil, na forma de tubos, conexões, fios, cabos, telhas, perfis, entre outros itens aos quais agrega propriedades favoráveis em quesitos como durabilidade e resistência à corrosão.

A versatilidade garante ao PVC espaço em diversos outros setores, como as indústrias de automóveis, calçados, embalagens, brinquedos e material hospitalar.

A adaptação do polímero aos usos finais depende da formulação de compostos, que carregam aditivos com funções diversas para alcançar os objetivos pretendidos.

Aplicações rígidas requerem compostos de PVC mais simples – basicamente com resina, estabilizante e eventualmente um pigmento –, geralmente produzidos pelos próprios transformadores, a exemplo dos fabricantes de tubos e conexões.

Mas os produtos flexíveis abrem um largo campo para os composteiros, como são chamados os fabricantes dos compostos formulados que agregam à resina plastificantes e aditivos, entre outros ingredientes.

No Brasil, a maior fabricante de compostos de PVC é a Karina, empresa sediada em Guarulhos-SP, com uma capacidade produtiva de 320 mil t/ano, aproximadamente, que lhe permitiria atender sozinha esse mercado, estimado em 300 mil t/ano, no Brasil, por Edson Penido, diretor de operações comerciais da companhia.

A Karina já desenvolveu cerca 30 mil formulações de compostos e, continuamente, é solicitada para promover variações pontuais nesse portfólio.

Por exemplo, para suprir uma nova tendência de cores na indústria de calçados. Eventualmente, lembra Penido, surgem também compostos realmente novos, como aqueles destinados às telhas de PVC, que a Karina começou a oferecer há cerca de quatro anos.

Plástico Moderno, Capstock protege as telhas plásticas contra intemperismo
Capstock protege as telhas plásticas contra intemperismo

Essas telhas exigem dois tipos de compostos: um deles, para a base, bastante simples e muitas vezes produzido pelos próprios fabricantes de telhas.

Mas o composto para o capstock, a película que recobre a parte superior, é fornecido por composteiros e contém aditivos destinados a conferir proteção contra fatores ambientais, a exemplo da radiação UV solar.

Em telhas, ressalta Penido, o PVC pode substituir materiais como cerâmica, outras resinas e amianto.

Plástico Moderno, Penido: capacidade chegará a 400 mil t/ano em 2019
Penido: capacidade chegará a 400 mil t/ano em 2019

“No Brasil, o mercado para essa aplicação ainda não cresceu como se esperava pelas dificuldades vividas pela construção civil, mas com certeza será um mercado significativo”, prevê.

Atualmente, especifica o diretor da Karina, o principal consumidor de compostos de PVC (quase 40% da demanda) é a indústria de fios e cabos; vem a seguir a indústria calçadista, para a qual Karina fornece tanto compostos de PVC compacto, quanto PVC expandido; inclusive, com o PVC expandido microcelular (além de borrachas termoplásticas, entre outras opções).

É exclusivamente com a tecnologia da expansão microcelular que monta seu portfólio de compostos de PVC expandido a PVC Sul, empresa instalada no polo calçadista da região de São Leopoldo-RS.

Plástico Moderno, Mônica: solados mais leves com PVC expandido microcelular
Mônica: solados mais leves com PVC expandido microcelular

“Pelas características de desempenho e custo, nos solados de calçados o PVC expandido microcelular substitui, em doses crescentes, materiais como PU expandido, borracha termoplástica, EVA, e até o PVC expandido tradicional”, explica Mônica Debarba, gerente de desenvolvimento da PVC Sul.

Diferentemente do processo convencional de expansão do PVC, explica Mônica, a expansão microcelular não requer ar na injeção e, por isso, gera peças mais homogêneas e sem bolhas.

Além disso, tem muito menos limitações de altura que o PVC expandido tradicional, podendo confeccionar tanto solados muito finos quanto outros bem grossos.

“Compostos de PVC expandido microcelular abrangem uma faixa de dureza bastante ampla, que vai de 35 Shore A até 60 Shore D, podendo ser aplicado nos solados dos mais diversos tipos de calçados, desde os infantis – cujos solados geralmente são mais macios – até os mais variados tipos de calçados adultos”, complementa.

Vipflex é a marca com a qual a PVC Sul comercializa seus compostos de PVC expandido microcelular.

O seu portfólio também inclui compostos com PVC compacto, nas modalidades cristal, naturais e nitrílicos.

“O PVC compacto é um produto de uso mais estabelecido e muito difundido.

Aparece nos calçados full plastic, em solados, em tiras de sandálias, enfeites, laminados para a produção de acessórios, como bolsas e cintos”, detalha Mônica.

Opções aos ftalatos – Desempenho e custos, obviamente, norteiam a demanda por ingredientes para compostos de PVC.

Mas ela hoje está associada também à preocupação com a saúde e o meio ambiente, que reduz o apelo dos plastificantes da linha dos ftalatos, alvos de restrições em diversas aplicações e em mercados, como a Europa.

Plastificantes flálicos, especialmente o DOP (dioctil ftalato), ainda são usados em escala massiva no Brasil e em escala mundial.

Mas mesmo por aqui eles parecem perder competitividade: “Especialmente para aplicação em produtos que serão exportados, cresce a demanda por plastificantes isentos de ftalatos”, relata Mônica, da PVC Sul.

Plástico Moderno, Laminados sintéticos revestem o interior dos automóveis
Laminados sintéticos revestem o interior dos automóveis

Colocados há algum tempo como opções aos ftálicos, os plastificantes poliméricos esbarravam na barreira do custo, que acabou por favorecer à alternativa dos plastificantes feitos de óleos vegetais epoxidados, que a Inbra fornece em duas variações.

Uma delas, com a marca Drapex, composta por óleos de soja e de linhaça epoxidados (geralmente são associados a outros plastificantes, reduzindo suas concentrações).

A outra, na forma de ésteres de óleos vegetais epoxidados, pode substituir integralmente os ftálicos, sendo comercializados com a marca Inbraflex.

Os plastificantes Inbraflex, compara Teodoro Canossa Filho, gerente comercial da Inbra, têm custo entre 8% e 10% inferior ao dos concorrentes ftálicos.

E, excetuando-se os compostos destinados a fios e cabos – nos quais eles reduzem a resistividade dielétrica –, seu desempenho é semelhante ao dos ftálicos.

“Não há exsudação, a perda de massa é menor, usa-se quantidade 3% menor para obter a mesma dureza Shore A, o produto tem densidade menor e maior resistência ao intemperismo”, detalha Canossa.

Também isentos de ftalatos, os plastificantes poliméricos constituem o foco da atual estratégia para o mercado brasileiro de PVC da Hallstar, multinacional de origem norte-americana que no final de 2015 adquiriu a Fortinbrás, com sede em Jaguariúna-SP.

Mais que plastificantes, esses produtos, destaca Silvana Lolatto, gerente de vendas de modificadores de polímeros da Hallstar na América do Sul, são “modificadores para PVC”, pois desempenham outras funções, além da plastificação.

“Eles ajudam a melhorar a impressão e a adesão, fusão rápida, resistência à migração e extração, ao fogging”, detalha.

São, porém, produtos mais focados em nichos que demandam desempenhos muito específicos, por exemplo, os laminados sintéticos para assentos de automóveis.

“Também apostamos no mercado de fios e cabos para empresas que querem conferir maior durabilidade a seus produtos, na produção de esteiras para transporte de produtos alimentícios, na indústria calçadista, especialmente nos produtos que precisam suportar temperaturas diferenciadas, como as botas para frigoríficos”, acrescenta Silvana.

Há plastificantes poliméricos também na linha de PVC da Lanxess, composta por mais de quarenta tipos de plastificantes, tanto monoméricos quanto poliméricos; alguns, com aprovação da FDA e da Anvisa, e portanto aptos ao contato direto com alimentos.

Plástico Moderno, Soraya: plastificantes sem ftalatos têm aprovação do FDA
Soraya: plastificantes sem ftalatos têm aprovação do FDA

E todos são isentos de ftalatos. “Estudos comprovam a necessidade de restrição do uso de ftalatos, mas ainda carecemos de uma medida regulatória que abranja as diversas aplicações desses produtos”, argumenta Soraya Jericó, gerente de vendas de aditivos da Lanxess.

“Apesar de haver alternativas, por questões de custos, no Brasil ainda se usa muito plastificante com ftalatos”, acrescenta.

O portfólio de PVC da Lanxess tem também promotores de adesão – aumentam a adesão entre um filme de PVC e um substrato – e agentes expansores, demandados por setores como a indústria calçadista, para permitir a produção de artigos mais leves (solados, por exemplo).

“Temos também uma vasta linha de retardantes de chamas à base de fósforo, e um à base de bromo”, complementa Soraya.

Na Chemtra, plastificantes que também atuam como retardantes de chamas constituem o portfólio de produtos para PVC.

Produzidos pela empresa israelense ICL-IP, eles têm como base os fosfatos ésteres, e levam a marca Phosflex.

“Temos notado forte tendência ao uso de substâncias mais amigáveis e seguras para o homem, e esses produtos são mais amigáveis que opções como o trifenil fosfato”, ressalta Selena Mendonça, gerente de negócios da Chemtra.

Lonas, pisos e couro sintético são aplicações de PVC que demandam os produtos Phosflex.

“Além de ótimos plastificantes, e de suas propriedades antichama, esses produtos mantêm a transparência sem atrapalhar o desenvolvimento de cores.

Podem também a reduzir o tempo de processamento e aceitam combinações com outros tipos de retardantes de chama”, acrescenta Selena.

Abandono dos metais – Metais pesados, como chumbo e cádmio, também desaparecem gradativamente dos compostos de PVC, aos quais chegavam dentro dos estabilizantes, indispensáveis para a transformação dessas resinas.

Na verdade, esses metais ainda chegam aos compostos, mas está muito avançado o processo de substituição por alternativas menos sujeitas a questionamentos ambientais, especialmente pelas combinações de cálcio e zinco.

De acordo com Miguel Mazzaro, assistente técnico comercial da Baerlocher, a indústria de tubos e conexões já trocou totalmente os produtos feitos com chumbo por estabilizantes de cálcio e zinco, que na produção de fios e cabos já atendem a mais de dois terços da demanda.

“Na indústria calçadista, há uma divisão mais ou menos igualitária entre estabilizantes com cálcio/zinco e com bário/zinco”, complementa.

Mazzaro também crê na expansão do uso dos plastificantes de origem vegetal, embora eles ainda sejam vistos com alguma desconfiança.

“As novas versões desses plastificantes apresentam bom desempenho, mas ainda são recentes e buscam a confiabilidade”, diz o profissional da Baerlocher, empresa que para a indústria do PVC fornece estabilizantes, plastificantes poliméricos, óleo de soja epoxidado, auxiliares de fluxo e impacto, lubrificantes, ácidos graxos e estearatos.

Em sua oferta de estabilizantes, a Baerlocher ainda mantém, com os produtos com cálcio e zinco, soluções nas quais há chumbo, cádmio ou bário.

“Praticamente não há mais diferença de preços entre essas opções, mas há transformadores menores, cujos processos são mais antigos, que necessitam das soluções mais tradicionais”, justifica Mazzaro.

Na BBC, o portfólio de estabilizantes é agora composto apenas por soluções com cálcio e zinco.

Plástico Moderno, Silva: óleos epoxidados são alternativa viável aos ftálicos
Silva: óleos epoxidados são alternativa viável aos ftálicos

“O uso dessas soluções já constitui realidade muito bem estabelecida”, ressalta Antonio Ramos da Silva, diretor dessa empresa, cuja oferta para aplicações de PVC inclui também lubrificantes e óleo de soja epoxidado.

Os óleos vegetais epoxidados, prevê Silva, serão crescentemente empregados como plastificantes, pois, além de conseguirem aliar sustentabilidade ambiental com custo inferior ao dos ftalatos, evoluíram a ponto de não serem mais utilizados apenas como plastificantes secundários (que precisam ser combinados com outros plastificantes, permitindo a redução de sua concentração).

“Algumas aplicações da indústria calçadista e alguns tipos de mangueiras já utilizam apenas óleo de soja epoxidado como plastificante”, destaca o profissional da BBC.

A expansão da demanda por plastificantes oriundos de óleos renováveis já obriga a Inbra a trabalhar na ampliação das capacidades de produção de suas linhas de óleos vegetais epoxidados e seus ésteres.

“No próximo ano, essas capacidades devem aumentar cerca de 50%”, adianta Canossa.

Para compostos de PVC a Inbra fornece também estabilizantes, estearatos metálicos, alvejantes ópticos, agentes expansores e aditivos da empresa japonesa Adeka: antioxidantes, nucleantes, absorvedores de radiação UV, retardantes de chamas, entre outros.

Perspectivas e projetos – As dificuldades da economia nacional não poderiam deixar de interferir negativamente nos negócios dos fabricantes de compostos de PVC e dos ingredientes necessários a sua produção.

Assim, a PVC Sul, por exemplo, realizará este ano um montante de negócios similar ao de 2017.

“Mas minhas perspectivas para 2019 são otimistas, até ouço falar de clientes projetando a compra de máquinas, algo importante para a expansão dos negócios com PVC microcelular, que exige máquinas de injeção rotativa”, observa Mônica.

Penido, da Karina, também visualiza um cenário mais favorável em 2019, mas projeta para este ano um volume de negócios ligeiramente inferior ao de 2017.

“Temos, porém, a vantagem da diversificação: cerca de 30% de nossos negócios atualmente são feitos com poliolefinas, por exemplo, em compostos para rotomoldagem”, destaca.

O atual trabalho da Karina com poliolefinas abrange mercados antes cativos do PVC, pois aplicações como fios e cabos destinados a locais com grande circulação de pessoas já não podem conter halogenados e, por isso, o PVC foi substituído por opções como a combinação entre PE e EVA.

Amplia-se também o uso do XLPE, um PE que com a adição de silanos assume caráter termofixo, em revestimentos de cabos de transmissão.

“Fios e cabos de PVC estão agora mais restritos à construção residencial e a transmissões em pequenas distâncias”, destaca Penido.

Plástico Moderno, Compostos alcançam desempenho desejado para cada aplicação - PVC

No próximo ano, ele comenta, a Karina reinaugurará, totalmente modernizada, uma das três torres de produção de sua fábrica, que havia sido desativada há dois anos, depois de sofrer um incêndio.

“Nossa capacidade chegará a 400 mil toneladas por ano”, adianta Penido.

Por sua vez, a Inbra pode até registrar este ano algum crescimento em determinados segmentos: entre eles, a indústria, setor no qual seus negócios podem crescer pelo menos 5%.

“No mercado de plastificantes o crescimento será bem maior, até porque a elevação dos preços internacionais do petróleo tornaram nossos plastificantes à base de óleos vegetais ainda mais competitivos”, ressalta Canossa.

A Baerlocher, diz Mazzaro, deverá encerrar 2018 com números próximos aos de 2017. O mercado calçadista até mantém um bom volume de demanda, pois se beneficia de restrições à chegada de concorrentes chineses.

“Para 2019 existe uma esperança grande, e expectativa maior ainda, principalmente em infraestrutura”, comenta. Silva, da BBC, projeta para este ano um crescimento de aproximadamente 10% (índice que pode se repetir em 2019).

“Já pudemos sentir uma retomada, ainda modesta, no mercado da construção, e melhoria mais acentuada nos demais segmentos”, ele pondera.

A Hallstar, afirma Silvana, desde que chegou ao Brasil, em 2015, já passou a produzir localmente produtos como o DOA e DOS (ésteres monoméricos com propriedades plastificantes, respectivamente, à base de adipatos e sebacatos).

“Temos planos para produzir aqui também plastificantes poliméricos”, finaliza.

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