Compósitos – Programas do governo ajudam a elevar a demanda do setor

Demanda impulsionada pelo avanço da energia eólica, dos agronegócios e outros mercados

Cautelosos

Embora o gerente de desenvolvimento de mercado da Reichhold, Rogério Lucci, preveja momentos melhores no próximo ano, o desempenho dos compósitos e os resultados para sua empresa neste ano destoam dos dados apurados pela Abmaco.

“O mercado está bastante instável e as incertezas sobre a economia”, explica, “interferem diretamente nas decisões sobre investimentos e podem afetar o plano de crescimento da empresa.” De qualquer modo, a revisão de metas ainda se baseia em boas perspectivas para 2013.

O gerente de marketing e vendas da Ashland, Rodrigo Oliveira, também sentiu neste ano a maré baixa e sua avaliação difere da apresentada pela Abmaco. “Com o tradicional aumento da demanda no último trimestre, a queda deve ficar em torno de 11%.

Sua análise também aponta queda no faturamento do setor, em oposição aos dados aferidos pela entidade de classe. Na opinião de Oliveira, as várias elevações nos preços das matérias-primas ao longo do ano amorteceram a retração, estimada por ele para o ano em cerca de 5%.

Tudo isso reflexo do desempenho ruim de alguns setores, caso da infraestrutura e do mercado de caminhões. A propósito, as vendas desses veículos despencaram neste ano por conta da entrada em vigor da nova lei de emissões (Euro 5), o que provocou a antecipação das compras para o final do ano passado. Oliveira observa, porém, o inverso no setor de ônibus, beneficiado pelo programa do governo Caminho da Escola. Aí as opiniões dos especialistas em matérias-primas e da Abmaco convergem.

Novos desenvolvimentos para os mercados náuticos, automotivo e de aplicações industriais ajudaram a movimentar os negócios da Reichhold neste ano, mas a construção civil mantém a tradição de maior consumidora e, nos dizeres de Lucci: “Tem puxado o volume de produção dos nossos reatores.”

Náutico

O mercado náutico também turbinou os negócios da Ashland, que, como ressalta Oliveira, marca presença relevante nos principais estaleiros do país. Ele comemora a boa fase dos estaleiros nacionais e também a chegada de empresas internacionais, como Beneteau e Brunswick.

Além de cultivar novas aplicações, a indústria de matérias-primas também aposta no desenvolvimento de produtos mais amigáveis ao meio ambiente e inseridos no conceito de sustentabilidade.

A busca se concentra em formulações baseadas em insumos derivados de fontes renováveis e menos agressoras em emissões de voláteis, em resposta a solicitações da transformação, igualmente empurrada em um movimento sem volta de produções mais limpas, sinônimo de menos emissões no meio ambiente e migração de moldagem aberta para moldes fechados, mais produtivos e menos poluentes.

Desses esforços empreendidos nos laboratórios da Reichhold, nasceu uma linha completa de resinas “verdes”, que embutem em boa parte de sua composição química insumos de fontes renováveis ou recicláveis. Resinas com baixo teor de voláteis e até nenhum teor de voláteis mereceram disposição especial nos labores da empresa, que reivindica o posto de pioneira na tecnologia de 100% monomer free resins, ou nenhum teor de voláteis.

São resinas já disponíveis no mercado, que incluem as éster vinílicas. O próximo passo anunciado por Lucci fica por conta de gelcoats do gênero, já em fase avançada de desenvolvimento. “Um grande trunfo ambiental.” Entre outras aplicações, as resinas “verdes” atualmente são usadas na fabricação de novas cabines e capôs para tratores do segmento agropecuário.

Até para comprovar preocupação antiga com a boa saúde do meio ambiente, ele ressalta que há muitos anos a empresa adotou pigmentos isentos de metais pesados para compor suas formulações de pastas e gelcoats. Conta ponto a favor a ampla rede internacional à sua disposição: 20 unidades produtivas distribuídas em 13 países (Brasil inclusive), com cinco centros de pesquisa e desenvolvimento (um deles na fábrica de Mogi das Cruzes-SP). Assim, sobram opções ao transformador, servido por menu farto em resinas e gelcoats específicos para todos os processos de moldes fechados.

Divulgação
Oliveira disponibiliza mais de 50 formulações para moldes fechados

A Ashland igualmente oferece amplo cardápio de resinas para todos os processos de moldagem fechada. “Disponibilizamos mais de 50 formulações de resinas para esses processos, como RTM, SMC, BMC e infusão, tanto de base ortoftálica como tereftálica, isoftálica, acrílica e éster-vinílica”, declara Oliveira.

E também fornece produtos de baixa emissão de estireno e resinas derivadas parcialmente de fontes renováveis e recicladas. Aliás, a Ashland reivindica o posto de primeira empresa da indústria global de compósitos a produzir polímeros que não têm sua origem exclusiva no petróleo.

Sem relatar pormenores a respeito dessas fontes renováveis, Oliveira informa que a inicial foi a soja, ainda hoje presente nessa família de resinas (Envirez), mas compartilhada com outras matérias-primas renováveis.

Disponíveis nos EUA há dez anos, no mercado brasileiro essas resinas já são adotadas principalmente por montadoras de veículos agrícolas.

O portfólio da Ashland igualmente inclui gelcoat com baixa emissão, a propósito, uma das últimas novidades da empresa, introduzida no país neste ano. De acordo com o gerente, a linha Maxguard LE (de low emission) emite 50% menos estireno na atmosfera, em comparação com os gelcoats tradicionais.

Nos EUA e Europa, diz Oliveira, os gelcoats Maxguard são referências em setores como o náutico e o sanitário, por assegurarem repetibilidade de cor e baixa emissão de estireno, além de possuírem elevados índices de resistência a intempéries, hidrólise, corrosão e abrasão. “No momento, estamos trabalhando no desenvolvimento de resinas sem estireno, ou seja, sem solventes”, revela.

Outra novidade da Ashland lançada no mercado nacional neste ano foi a linha de adesivos estruturais Pliogrip, para colagem de peças de compósitos em diversos tipos de substratos. A fabricante garante vantagens estéticas e de desempenho em comparação aos sistemas tradicionais de fixação, como parafusos e rebites. Tem por endereço os setores automotivo, náutico e industrial.

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