Compósitos – Programas do governo ajudam a elevar a demanda do setor

Demanda impulsionada pelo avanço da energia eólica, dos agronegócios e outros mercados

Energia Eólica

Bons ventos – Embora a principal matriz energética do país seja a hidrelétrica, sopros fortes turbinam os negócios da energia eólica. Segundo informações da Abmaco, muitas aplicações nesse setor consomem compósitos especiais, como as pás e as nacelles (peças nas quais se acoplam as pás).

A produção das pás consome quase 100% compósito formulado com resina epóxi, mas outros componentes do equipamento, como as nacelles, também utilizam poliéster

insaturado com reforços especiais. Os levantamentos da associação apontam que só esse segmento de mercado absorveu no ano passado 44.700 toneladas do material e movimentou R$ 625 milhões.

“A energia eólica vem se destacando há cinco anos, com um boom nos últimos dois anos que deve ser mantido nos próximos”, observa Lima.

Ele próprio comprova esse bom desempenho, por intermédio da MVC, uma das usufrutuárias dos bons ventos que movimentam a energia eólica no país. A empresa, focada em inovações e tecnologia diferenciada, desenvolve nacelles.

Divulgação
Nacelles desenvolvidas pela MVC para usinas eólicas

O avanço da energia eólica e o seu potencial no mercado brasileiro atraiu para o país várias empresas especializadas na produção desses equipamentos, entre as quais a Wobben Wind Power, com fábricas em Sorocaba-SP, Pecém-CE e Parazinho-RN; a Tecsis, com instalações também em Sorocaba; a Impsa, em Suape-PE, entre outras.

No país há quase 17 anos, a Wobben é uma subsidiária da alemã Enercon, tradicional fabricante de aerogeradores completos (o conjunto dos aerogeradores forma a usina).

A empresa instala usinas eólicas e efetua manutenção. “O Brasil tem potencial eólico muito interessante. Seus ventos, em intensidade e constância, são tecnicamente muito bons para serem aproveitados”, pondera o diretor Eduardo Lopes.

O fato de a hidrelétrica constituir a atual matriz energética do país também favorece a disseminação das usinas eólicas, porque há uma complementação sazonal, como explica Lopes. Os períodos de água abundante favorecem as hidrelétricas, e os de seca, as eólicas.

O que poderia ser um aspecto negativo, a ocupação de área extensa, no entanto, revela-se igualmente positivo, porque, como informa o diretor da Wobben, embora a instalação das usinas eólicas utilize áreas amplas, estas continuam úteis. O funcionamento das usinas não impede outras atividades, como plantação, pasto etc.

Ainda não havia nenhum incentivo a esse tipo de energia no país, quando a Wobben decidiu estender um braço seu para cá. As sementes plantadas pela empresa levaram alguns anos para começar a germinar nas terras brasileiras.

Lopes lembra que o Programa de Incentivo a Fontes Alternativas de Energia só viria a ser lançado pelo governo em 2002. O cenário, então, mudou e a colheita começou. Os estímulos gerados pelo Pró-Info contribuíram para que a implantação da energia eólica começasse a deslanchar no Brasil.

Graças a esse impulso, conta Lopes, a energia eólica ganhou maturidade e começou a se inserir na matriz energética brasileira, porque auferiu competitividade com outras opções. Hoje, a Wobben possui 40 usinas

Divulgação
Qualidade dos ventos no país e seu potencial eólico empolgam Lopes

instaladas no país, com a geração de 1 GigaWatt. De acordo com o diretor, em junho deste ano, o Brasil atingiu 2 GW de energia eólica. Ou seja, a Wobben gera metade dela.

Na opinião dele, o mercado brasileiro convive hoje com a formação de uma indústria desses equipamentos cada vez mais competitiva.

O quadro reverteu a tal ponto que ele vislumbra a implantação de 2 GW por ano, nos próximos anos.

Ótimo para o país e para os produtores de compósitos, material empregado na fabricação das pás e carenagem. Como explica Lopes, a usina se constitui, resumidamente, de uma fundação, uma torre de concreto ou aço, uma nacelle (que acomoda o gerador e outros componentes) e pás – captadoras da energia (transferida para o gerador, essa energia cinética é transformada em elétrica).

O maior consumo de compósitos nesse segmento se concentra na produção das pás, com tamanho médio acima de 40 metros. Cada aerogerador, explica o diretor da Wobben, opera com três pás. Segundo informa, um aerogerador médio, em geral, fornece 2 MW. Para atingir um 1 GW são necessários pelo menos 500 aerogeradores de 2MW, demandantes de nada menos que 1.500 pás. Como informa, a maioria delas é moldada com formulações de epóxi e fibra de vidro. Daí é fácil calcular o potencial para os compósitos nesse setor.

Essas pás são moldadas na fábrica do Ceará e na de Sorocaba, que também produz os geradores. Do Rio Grande do Norte saem as torres de concreto.

Os pormenores do processo de fabricação das pás são sigilosos, mas ele dá uma ideia, grosso modo: pelo processo de infusão, em molde aberto, aplicam-se diferentes tecidos/mantas de fibra de vidro, em espessuras e tramas variadas, montadas em camadas com resinas. Primeiro, monta-se a estrutura da “casca” de um lado da pá, depois a sua outra metade. A “alma” dessas peças também constitui estrutura de material compósito.

Divulgação
Produção de pás eólicas na fábrica cearense da Wobben

O diretor da Wobben considera todos os estados da Região Nordeste como os de maior potencial eólico, além de particularmente o Rio Grande do Sul. A empresa possui usinas instaladas no Rio Grande do Sul, Ceará, Bahia e Rio Grande do Norte.

Atraída pela franca expansão da energia eólica no país, outra empresa de renome internacional acaba de anunciar investimentos locais.

De origem dinamarquesa, a LM Wind Power planeja começar a produzir pás para turbinas eólicas já em setembro do próximo ano, um empreendimento da ordem de R$ 100 milhões em fábrica que pretende construir em Suape-PE, em parceria com a Eolice, empresa brasileira que nasce junto com o projeto.

A sua produção atenderá o mercado brasileiro e também outros países da América do Sul. O bom ânimo se justifica no fato de já haver negociações avançadas com fabricantes de turbinas que demonstraram interesse por pás de grande porte, entre 40 e 70 metros de comprimento.

Página anterior 1 2 3 4Próxima página

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *

Adblock detectado

Por favor, considere apoiar-nos, desativando o seu bloqueador de anúncios