Compósitos – Programas do governo ajudam a elevar a demanda do setor

Demanda impulsionada pelo avanço da energia eólica, dos agronegócios e outros mercados

Diante de uma economia retraída, crescer neste ano perto de 8% é uma vitória digna de comemoração. E o feito está prestes a ser conquistado pelo setor de materiais compósitos.

Os bons resultados consolidados no primeiro semestre sustentam as projeções alentadoras. Os seis primeiros meses de 2012 conferiram a essa indústria um faturamento de R$ 1,502 bilhão, 5,9% maior comparado ao registrado entre janeiro e julho passados.

A previsão para o ano da consultoria Maxiquim, responsável pelo levantamento, era de uma expansão de 9,5%, revista um pouco para baixo pelo presidente da Associação Brasileira de Materiais Compósitos (Abmaco) e também da Associação Latino-Americana de Materiais Compósitos (Almaco), Gilmar Lima, porque o estudo pressupunha uma retomada do setor de caminhões no último quadrimestre do ano, o que não deve se concretizar.

O setor aguarda resultados menos promissores em termos de volume. Estoques adquiridos pelos moldadores no final do ano passado provocaram um recuo de quase 9% na demanda de compósitos no primeiro trimestre, que deve refletir no desempenho do ano, ainda assim, com projeções de fechar no azul.

Pelas previsões divulgadas, o consumo de compósitos deve atingir neste ano 216 mil toneladas, um acréscimo de 3,8% sobre 2012.

A propósito, o consumo de matérias-primas tende a crescimentos menores também por conta da redução nos desperdícios da indústria à medida que avançam os processos de moldagem fechados e mais automatizados. “A relação de desperdício muda muito. No processo manual, a perda é da ordem de 18%, enquanto com moldes fechados a média é de 3%”, compara Lima.

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Lima quer processos em moldes abertos
abaixo de 40% até 2015

Segundo informa, a migração para moldes fechados tem sido contínua e ele espera que a moldagem manual perca mais 5% neste ano, baixando sua participação no mercado para 46% (contra 51% no ano passado e 55% em 2010).

“O objetivo é chegar em 2015 com essa porcentagem abaixo de 40%.” Além de menos desperdício, a mudança favorece o meio ambiente com menos emissão de voláteis na atmosfera.

E por falar em meio ambiente, Lima comemora a conclusão do programa de reciclagem da entidade, com a tecnologia disponível para breve. A ideia é criar empresas para coleta dos resíduos, posterior reciclagem e moldagem de novos produtos.

“O compósito precisa criar valor para esses resíduos.” E lembra que, além de preservar o meio ambiente, a indústria ainda deixa de gastar com a destinação desse passivo.

Novos paradigmas

Tradicional alavanca do setor, a construção civil mantém sua posição de mola propulsora da demanda desses materiais (45% do total transformado).

Outros aliados, no entanto, ganharam força nos últimos anos, com ótimo potencial de expansão, como a energia eólica, o agronegócio (tratores, colheitadeiras etc) e programas do governo (Minha Casa, Minha Vida; Luz para Todos; Caminho da Escola etc).

Embora represente o maior nicho de mercado, a construção civil ainda pode evoluir muito, na opinião do presidente da Abmaco. Bom exemplo são as casas e escolas modulares, que têm conquistado mais espaço com a sua homologação em programas governamentais.

O sistema construtivo projetado pela MVC Soluções em Plásticos, empresa de São José dos Pinhais-PR, pertencente aos grupos Artecola e Marcopolo, dispensa concreto, possui alta resistência mecânica e química e isolamento térmico e acústico.

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Modular, sistema baseado em compósito acelera a construção

As paredes, uma estrutura sanduíche formada basicamente por material compósito, possuem características autoextinguíveis e de baixa emissão de fumaça, em caso de incêndio.

Mentor do projeto, Gilmar Lima, também diretor da MVC, enumera diversas vantagens do sistema: é modular, elimina desperdícios, possibilita uma montagem rápida, dispensa o uso de ferramenta pesada (porém, requer profissional especializado) e pintura.

Há ainda muito a desbravar na construção civil, com inúmeras aplicações para os compósitos, porém o setor precisa romper conceitos antigos, como as telhas cerâmicas. Só para mencionar algumas vantagens de sua substituição pela resina: leveza, menos desperdício, durabilidade.

A mudança é lenta, mas profícua. Assim, uma nova aplicação mencionada por Lima resulta de desenvolvimento árduo e quebra de paradigma: em lugar do cimento, compósito. A fabricação de postes de energia e de telefonia, pelo processo de filament winding, assegura maior leveza, durabilidade e facilidade de instalação, entre outros benefícios.

O produto tem ganhado espaço nas novas redes elétricas do programa “Luz para Todos”. O presidente da associação reconhece seu custo mais elevado, mas acredita que com o aumento da demanda deva ficar mais competitivo. De qualquer modo, só a relação custo/benefício já pesa a favor do compósito.

A Pool Engenharia, de Manaus-SP, fabrica o produto, mas sua gerente comercial, Suanã Bezerra, é cautelosa nas informações. Comenta apenas que a produção começou neste ano, diante da necessidade de mercado da região. Ela ainda enumera como vantagens o transporte e a instalação; e promete lançar em breve cruzetas em compósito.

Agronegócio

No agronegócio, o plástico se beneficia tanto do cenário auspicioso da agricultura no país, com bom desempenho de grãos como soja e milho, favorecendo a demanda de máquinas e equipamentos agrícolas, como da substituição crescente do metal pelos polímeros em peças e componentes dessa indústria. “O agronegócio está expandindo e a tecnologia no campo precisa acompanhar. Os fabricantes de tratores, colheitadeiras e outros equipamentos começaram a usar plásticos de engenharia e compósitos, gostaram do material, e sua aplicação tem avançado”, diz Lima.

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