Compósitos

Compósitos – Materiais e tecnologia avançam em resistência

Antonio Carlos Santomauro
21 de dezembro de 2018
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    Mas a Basf atua no mercado automobilístico com outras soluções, além da Elastolit: entre elas, a linha Elastoflex, também de sistemas de PU. Nesse mercado, ressalta Feltran, é amplo o espaço para a expansão do uso de compósitos, até pela possibilidade de sua inserção em peças compostas com núcleos estruturais de baixo custo, como os chamados honeycombs (estruturas de papelão no formato de colméias).

    Na Europa, já foram desenvolvidas autopeças com a tecnologia honeycomb e soluções Elastoflex: caso de um teto retrátil cujo módulo é uma colmeia de papel revestida por duas mantas de fibra de vidro, depois revestidas com o sistema Elastoflex, sendo esse conjunto prensado com um filme classe A no quesito segurança ao fogo. “Em uma única operação, produz-se assim um módulo de teto cerca de 30% mais leve que o teto do modelo anterior, com a mesma resistência e rigidez à flexão”, ressalta Feltran.

    Plástico Moderno, Macaúbas: PU de origem vegetal pode ser aplicado a compósitos

    Macaúbas: PU de origem vegetal pode ser aplicado a compósitos

    Fontes vegetais e desmoldagem – Além de mais termoplásticos, o rol de resinas para compósitos busca se posicionar como ambientalmente mais salutar e inclui também o PU de origem vegetal da empresa paulista CPA Brasil (cuja formulação patenteada, entre outros ingredientes, inclui óleo de mamona). “Desenvolvemos inicialmente formulações com esse PU vegetal para revestimentos, coatings e adesivos, e no final do ano passado lançamos uma formulação para compósitos e laminação”, conta Paulo Macaúbas, responsável pelo desenvolvimento de produtos da CPA.

    Segundo ele, esse PU vegetal pode ser utilizado com todos os reforços e em todos os processos aos quais são submetidos os compósitos, e tem alta resistência química e à abrasão, interessantes propriedades de resistência à falha na elongação e alta molhabilidade (em linhas gerais, molhabilidade é a capacidade de um líquido de umectar uma superfície com a qual tem contato). “Seu preço é similar ao das resinas epóxi éster-vinílicas, e ele é menos denso que poliéster e epóxi, contribuindo para a leveza dos compósitos”, ressalta Macaúbas.

    Por enquanto, essa resina de fonte vegetal não está sendo utilizada em compósitos. “Mas ela já aparece em nossos revestimentos e é vendida para fabricantes de coatings, inclusive de outros países, e de adesivos de alto desempenho”, relata o profissional da CPA.

    Acirra-se a concorrência no mercado dos desmoldantes para compósitos, onde um nome forte é a Chem-Trend, que nele atua com a marca Chemlease. “Recomendados para diversas aplicações e processos de transformação de compósitos, os produtos dessa linha têm solventes mais amigáveis ao meio ambiente e aos usuários”, destaca Eduardo Colacio, gerente nacional de vendas da Chem-Trend.

    Há cerca de dois anos, o portfólio de desmoldantes da Chem-Trend passou a incluir também a linha Chemlease Flex, cujos integrantes, afirma Colacio, propiciam excelente acabamento, com alto brilho, dispensam a necessidade de remoção posterior à aplicação do desmoldante, e podem ser aplicados por spray, nas mais diversas resinas e nos vários processos de transformação de compósitos (as linhas Chemlease e Flex já são integralmente fabricadas no Brasil). “Temos também a linha Zyvax, com sistemas de desmoldagem desenvolvidos para as exigências do segmento aeronáutico e de compósitos avançados, como menor tempo de preparação, maior ciclo de utilização e facilidade na limpeza dos moldes e das peças. Essa linha também é majoritariamente base água”, acrescenta Colacio.

    Mas a distribuidora Redelease, que anteriormente oferecia os desmoldantes da Chem-Trend, agora disputa esse mercado com uma linha própria, produzida em joint-venture com a empresa inglesa Marbocoats: denominada Ycon, ela inclui produtos para desmoldagem de resinas poliéster, éster-vinílicas, epóxi e fenólicas.

    Para pultrusão de resinas poliéster e fenólicas, sem adição de cargas minerais, a nova linha da Redelease tem o desmoldante interno Ycon 100, isento de silicones, estearatos e ceras. “Com aplicação entre 0,5 a 1,5%, esse produto permite excelente deslize do perfil”, diz Rubens Cruz, sócio-diretor da Redelease. “Para pultrusão de resinas epóxi temos o Ycon 344, que, com adição de 0,5 a 1%, permite obter perfis com excelente acabamento”, acrescenta.

    A Redelease hoje enfatiza também a disponibilidade de adesivos estruturais capazes de substituir rebites, soldas e parafusos como elementos de fixação em peças/equipamentos de compósitos. Produzidos pela empresa Lord, esses adesivos, afirma Roberto Iacovella, também sócio-diretor da empresa, já são comuns em outros mercados, e começam a se consolidar no Brasil. “Além de terem uso rápido, eles são extremamente fortes”, comenta.

    Compósitos, observa Iacovella, seguem ganhando espaço como substitutos de outros materiais, até em condições bastante agressivas. “Por exemplo, em ambientes de siderúrgicas, onde há muitos vapores, eles começam a substituir o aço em painéis e em outras aplicações”, especifica o diretor da Redelease.



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