Compósitos

Compósitos – Materiais e tecnologia avançam em resistência

Antonio Carlos Santomauro
21 de dezembro de 2018
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    Plástico Moderno, França: novo epóxi oferece aumento de tenacidade

    França: novo epóxi oferece aumento de tenacidade

    Termofixos se movimentam – Fornecedores de resinas termofixas investem, porém para manter, e mesmo expandir, sua posição hegemônica no mercado de compósitos. É o caso da Olin, que no ano passado lançou uma linha de sistemas epóxidos, denominada Lifestone. “Esses sistemas somam o que há de melhor em tecnologia de resinas epóxi, incluindo vários tipos de tenacificantes, aditivos de umectação e catalisadores para garantir o melhor desempenho mecânico e de processo”, relata Marcos França, líder de P&D na América Latina da Olin (empresa cujo portfólio inclui também, entre diversos itens, outras resinas epóxi na linha DER, por exemplo, e os endurecedores DEH).

    Com a linha Lifestone, a Olin busca atender a demanda de segmentos como produção de veículos e indústria aeroespacial por materiais que proporcionem redução de peso, eficiência energética, sustentabilidade e flexibilidade de fabricação. “Crescem atualmente os sistemas de resinas tenacificados, que elevam a resistência mecânica e ao impacto dos compósitos”, especifica França (sistemas tenacificados contêm aditivo tenacificante, que aumenta a tenacidade, ou resistência a impactos; a própria Olin fornece esses aditivos com a marca Fortegra).

    Já no mercado da energia eólica, prossegue França, o aumento do tamanho das pás das turbinas – hoje com mais de 70 metros – demanda sistemas epóxi especiais de baixa viscosidade e baixa exotermia, capazes de suportar processos mais longos de infusão. Para esse mercado, a Olin disponibiliza uma linha específica, denominada Airstone.

    Plástico Moderno, Benko: opção mais acessível de endurecedor que não amarela

    Benko: opção mais acessível de endurecedor que não amarela

    Além disso, avanços significativos em processos de produção mais sofisticados, como ATL (Automated Tape Laying), AFP (Automated Fiber Placement) e a impressão 3D, requerem sistemas de resinas diferenciados, mais adequados para produção de peças complexas e mais capazes de atender exigências rigorosas. “Cresce também o uso de nanotecnologia – com grafeno, nanocelulose, nanosilica – para possibilitar níveis de resistência e durabilidade nunca antes atingidos”, salienta. “Pelo aspecto da sustentabilidade, despontam as fibras naturais como reforços”, complementa França.

    Essas fibras naturais têm origem em fontes diversas, como cana-de-açúcar e coco, vêm sendo estudadas também pela Huntsman, empresa cujo portfólio de resinas para compósitos também toma o epóxi como base, e leva a marca Araldite.

    Há poucas semanas, a Huntsman agregou a esse portoflio um endurecedor que confere grande resistência ao amarelamento (endurecedores são os chamados ‘componentes B’ das resinas epóxi, e na Hunstman têm a marca Araldur). “Já havia endurecedores que evitavam amarelamento, mas eles tinham custo muito elevado. O nosso tem custo acessível, e pode ser utilizado em aplicações que exigem melhor aspecto visual, como artigos náuticos e raquetes esportivas”, destaca Rodrigo Benko, promotor industrial da Huntsman.

    A Huntsman também lançou adesivos estruturais para a fixação de componentes dos mais diversos materiais – metal, madeira, outros plásticos – nas peças feitas de compósitos, “Esses adesivos têm baixo custo e além de realizar a fixação promovem a vedação, dispensando a necessidade de aplicação posterior de silicone”, acrescenta.

    Plástico Moderno, Blyde: infusão bate laminação em produtividade e acabamento

    Blyde: infusão bate laminação em produtividade e acabamento

    O epóxi, afirma Benko, vem avançando em aplicações de compósitos que antes privilegiavam o poliéster, que é menos resistente, porém mais barato. “O custo do epóxi se tornou mais competitivo e a maioria das pás eólicas, antes feitas de poliéster, agora são de epóxi”, detalha o profissional da Huntsman. “Além de não conter estireno, o epóxi também permite trabalhar com altas espessuras, com ganhos de performance”, ele pondera.

    Mas o maior fabricante mundial de pás eólicas, a LM, recentemente adquirida pela GE, tem o poliéster como matéria-prima, ressalta Juan Márquez Blyde, diretor-geral da Novapol, empresa sediada na cidade capixaba de Serra hoje integrante do grupo colombiano Orbis e que com a marca Cristalan fornece resinas de poliéster insaturada para compósitos utilizados em diversos mercados, além das pás eólicas: setor automobilístico, mármores sintéticos, telhas para tetos de galpões, piscinas, entre outros.

    Blyde cita, como processo mais novo de transformação de compósitos que utiliza crescentemente essas resinas, a infusão, que produz, por exemplo, cascos de embarcações até 100 pés. “Pode-se fazer esses cascos pelos processos tradicionais de laminação, mas a infusão, que utiliza resinas especiais, é feita com moldes fechados, aumenta a produtividade e propicia melhor acabamento”, argumenta. Amplia-se também a demanda pelos SMC (sheet moulding compounds): compostos de resinas, fibras e catalisadores já prontos para a termoformagem, que a Novapol hoje fornece para empresas produtoras de carrocerias de veículos utilitários, entre outras aplicações.



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