Compósitos

Compósitos – Materiais e tecnologia avançam em resistência

Antonio Carlos Santomauro
21 de dezembro de 2018
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    Plástico Moderno, Degraus e guarda-corpos feitos por pultrusão

    Degraus e guarda-corpos feitos por pultrusão

    Peso menor, resistência a corrosão e a agentes químicos, flexibilidade para design, custo, esses diferenciais consolidam os compósitos em diversos setores, muitos deles demandantes de materiais com elevadas características de desempenho, casos das indústrias aeronáutica e automobilística, da produção de óleo e gás, dos postes de transmissão de eletricidade, da geração de energia eólica, e da siderurgia.

    Plástico Moderno, Patrícia: resina acrílica gera compósitos termoplásticos

    Patrícia: resina acrílica gera compósitos termoplásticos

    É certo que, mesmo disputando mais aplicações em novos mercados, a indústria brasileira de compósitos também sofre com os problemas da economia nacional (ver box). Mas ela conta com um portfólio crescentemente diversificado de produtos, com mais opções de resinas termoplásticas em um campo em que predominam amplamente as termofixas (especialmente poliéster, epóxi e PU). E, mesmo com novas tecnologias de reaproveitamento de compósitos com termofixos (ver nesta edição), os materiais termoplásticos, alardeiam seus fornecedores, são ambientalmente mais sustentáveis, pois integralmente recicláveis.

    É termoplástica, entre outras, a resina acrílica para compósitos Elium que a Arkema começa a oferecer no Brasil. “Ela é reciclável, reutilizável, termoformável e tem excelentes propriedades mecânicas, como rigidez, dureza e resistência, podendo até permitir a produção de peças mais leves que as fitas de epóxi ou poliéster”, enfatiza Patrícia Lanzarini, gerente de unidade de negócios dessa empresa. “Pode ser utilizada em qualquer um dos atuais processos de trabalho com compósitos.”

    Essa resina, afirma Patrícia, apresenta cura em baixas pressão e temperatura – em alguns casos, até na temperatura ambiente – e custo competitivo com o das resinas epóxi. “Pode-se fazer uma lateral completa de um ônibus com essa resina”, exemplifica. “Na Europa e nos Estados Unidos ela já aparece em aplicações aeronáuticas e automotivas, e começamos a apresentá-la para potenciais clientes brasileiros”, complementa a profissional da Arkema (empresa cujo portfólio para compósitos inclui ainda resinas PEKK e PVDF, entre outros itens).

    Por sua vez, a Covestro inaugurou em março último, na Alemanha, uma fábrica de compósitos feitos com policarbonato, TPU (poliuretano termoplástico) e outras resinas termoplásticas. Reforçados com fibra de vidro ou carbono, esses compósitos são fornecidos em fitas ou placas, já prontas para a termoformagem. “Esses compósitos começam a ser utilizados na Europa e certamente ganharão espaço no mercado”, prevê Luís Carlos Sohler, gerente da Unidade de Negócios de Policarbonatos para América Latina da Covestro.

    Plástico Moderno, Marques: PMI forma núcleo para sanduíches estruturais

    Marques: PMI forma núcleo para sanduíches estruturais

    Os compósitos produzidos nessa nova fábrica da Covestro com resinas recicláveis trazem a marca Makrolon, e têm atualmente carcaças de computadores, capas de notebooks e autopeças entre suas principais aplicações. “Eles apresentam elevada resistência com redução de peso e excelente acabamento, com brilho”, destaca Sérgio Navarro, da área comercial de policarbonatos da Covestro. “Há também compósitos feitos com blendas de PC, como PC + ABS + fibra de vidro, utilizado em peças estruturais de veículos, nas quais o ABS agrega melhor qualidade de acabamento”, ressalta.

    São termoplásticas também as resinas da família PAEK – como PEEK e PEKK, entre outras –, que a Victrex insere em compósitos para aplicações de alto desempenho, fornecidos na forma de fitas pré-impregnadas que mediante fusão se transformam nos produtos desejados (a empresa também realiza a sobremoldagem desse compósitos em peças nas quais eles estarão em insertos).

    Óleo e gás (O&G), indústria aeroespacial e implantes médicos são mercados que já demandam esses compósitos. Em O&G, por exemplo, compósitos com resinas PAEK servem para produzir, entre outras coisas, tubos que, de acordo com Ricardo Ehlke, gerente de negócios na Victrex para América Latina, são mais leves, resistentes e baratos do que os produzidos com trançados metálicos. “Já produzimos e está em uso no Mar do Norte uma tubulação de 3 km de extensão totalmente feita de compósitos PAEK”, diz Ehlke.

    “Na indústria aeronáutica atualmente focamos muito os suportes – por exemplo, de tanques e de assentos –, que normalmente são metálicos.”.

    Mas Ehlke olha com atenção também para a indústria automobilística, que devido ao custo mais elevado hoje utiliza compósitos com resinas PAEK basicamente em modelos de luxo. “Mas a expansão dos veículos elétricos ampliará esse uso, pois esses veículos precisam ganhar autonomia e, ao reduzir peso, compósitos contribuem com esse objetivo”, acrescenta.



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