Compósitos

Compósitos – Demanda aquecida põe setor na rota da sustentabilidade

Renata Pachione
15 de agosto de 2010
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    Plástico Moderno, Gilmar Lima, Compósitos - Demanda aquecida põe setor na rota da sustentabilidade

    Lima: falta conhecimento sobre o compósito

    Há alguns anos, o setor tenta fazer do material compósito mais do que uma promessa de bons negócios. Desde a época em que seu órgão representante se chamava Associação do Plástico Reforçado (Asplar), busca-se traçar uma rota rumo à excelência da qualidade técnica do produto final. Um marco deu o tom ao início dessa trajetória: a inauguração do Centro Tecnológico de Compósitos (Cetecom), em 2002, como resultado da parceria entre o Instituto de Pesquisas Tecnológicas do Estado de São Paulo (IPT) e a então Asplar (hoje Abmaco).

    Antonio Perez Gamero, hoje responsável pelas áreas industrial/engenharia técnica e desenvolvimento de produtos e qualidade da Fibralit, é um entusiasta pelo centro, mas admite um longo caminho pela frente. O que se fez de efetivo até o momento se deu nos âmbitos da formação e capacitação da mão de obra operacional e técnica. “Mais de mil participantes já passaram pelo Cetecom”, orgulha-se. O próximo passo é desenvolver dentro da instituição o Centro de Pesquisa, Desenvolvimento de Produtos e Mercados, em paralelo ao Centro de Normalização, Certificação e a Conformidade de Produtos. Dessa forma, a Abmaco começa a esboçar o que será, no futuro, o Centro de Referência em Compósitos, projeto para os próximos anos, que abrigará também uma nova sede da associação, independente do IPT (hoje a Abmaco está localizada dentro do instituto).

    Em curto prazo, o Cetecom receberá investimentos da ordem de R$ 200 mil reais em equipamentos, para torná-lo apto a realizar testes de certificação até outubro. Na opinião de Gamero, o uso de laboratórios de ensaios independentes custa alto e, embora sejam competentes, eles não dominam a matéria-prima, como o próprio setor. “Não conhecem produtos de poliéster reforçado e muitas vezes fazem um diagnóstico que não representa a realidade”, argumenta.

    Plástico Moderno, Compósitos - Demanda aquecida põe setor na rota da sustentabilidade

    Programa da Abmaco fornece selo para telhas de qualidade

    Para Oliveira, da Ashland, o trabalho do Cetecom tem sido muito bem feito, mas não é suficiente. “Acredito que precisa haver uma evolução cultural das empresas”, afirma. Essa observação sugere um outro problema: o mercado é pulverizado, no qual muitas companhias são de médio e pequeno porte e, algumas vezes, um pouco amadoras.

    Apesar do cenário ainda não ser o ideal, melhorias estão ocorrendo. Em agosto, será implantado o primeiro selo de qualidade da Abmaco. No caso, irá contemplar o segmento de telhas. Trata-se do PAQ Telhas, programa responsável por uma certificação conforme a norma ABNT NBR 140115. O objetivo é elevar a qualidade do produto, com a implantação do selo.

    A Fibralit, produtora de laminados planos e ondulados (telhas) feitos de resinas de poliéster reforçadas com fibra de vidro desde 1993, tem feito a sua parte. O mercado de telhas em compósito conta com cerca de 40 fabricantes, o que gera um excesso de oferta, conforme diagnostica a diretoria da empresa. Na regra do mercado, os preços passam a ser moeda de barganha, com reflexos negativos na qualidade das telhas, o que coloca em risco a sobrevivência do produto e do próprio fabricante.

    Para reverter esse quadro, a companhia resolveu fazer a lição de casa. Montou um laboratório de controle de qualidade, no qual efetua os ensaios exigidos pelas normas atuais do segmento, como ASTM, ISO e ABNT, e, além disso, se preocupa com o controle do teor de estireno residual dos laminados, por meio de processo de pós-cura.

    Plástico Moderno, Rodrigo Oliveira, Gerente de marketing e vendas da Ashland, Compósitos - Demanda aquecida põe setor na rota da sustentabilidade

    Oliveira: migração de molde aberto para fechado será gradual

    Segundo Daelli, as fabricantes de resinas têm de participar também e trabalhar com matérias-primas de primeira linha. A Royal Polímeros, segundo o executivo, é líder no mercado de laminados contínuos e fabrica resinas de poliéster (seu principal negócio), gelcoats e complementos automotivos (sobretudo massas). A companhia é nacional e pertence aos grupos Atka e Formitex; sua história está ligada à antiga Cersa, que foi vendida para a Denver, hoje pertencente à Atka.

    Processos – Entre as recentes conquistas do mercado de compósitos está a adoção, cada vez maior, de processos mais limpos. Em termos de transformação, as tecnologias manuais perderam um pouco de espaço, apesar de ainda manterem a supremacia. Hoje os processos de moldes abertos representam 49% do total; há cinco anos o índice era de 58%. Mas essa evolução não é o bastante para acompanhar as novas exigências ambientais do setor. Segundo Lima, o objetivo é de nos próximos cinco anos reduzir a taxa para 35%. “Com o aumento da quantidade de peças produzidas, será natural a migração para moldes fechados”, diagnostica.

    Entretanto, segundo Oliveira, esse movimento será gradual, por conta dos investimentos exigidos. E, quando as mudanças ocorrerem, talvez um outro fenômeno se dê simultaneamente: espera-se um enxugamento do mercado. “Com a necessidade da adoção de processos fechados, muitas empresas serão eliminadas, naturalmente”, antevê Lima.

    Os processos de infusão e RTM (Resin Transfer Molding) light têm se mostrado os principais aliados para concluir essa fase de transição, sobretudo porque os dois tipos reduzem significativamente a emissão de VOC no ar. “São processos mais controlados e mais limpos, com menos desperdício de material e mais qualidade da peça”, explica Paulo Camatta, gerente-executivo da Abmaco. Além disso, o RTM light, por exemplo, exige baixo investimento em equipamentos e oferece alta qualidade no acabamento.



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