Compósitos

Compósitos – Demanda aquecida põe setor na rota da sustentabilidade

Renata Pachione
15 de agosto de 2010
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    Ser sustentável – “A reciclagem é uma questão de sobrevivência”, ratifica Lima. Mas há outros caminhos para se inserir no hall da sustentabilidade. As propriedades do compósito por si só endossam os discursos da chamada “onda verde”. A leveza proporcionada pelo material tem sido o mote de muitas negociações. Por exemplo, caminhões, carros, trens, aviões e navios consomem menos combustível quando estão mais leves, ou seja, um forte argumento do mercado se traduz no fato de o compósito melhorar a eficiência da energia. Esse conceito, de alguma maneira, foi incorporado no segmento de transportes na sua totalidade, mas ainda precisa ser ampliado. “Os demais segmentos estão despertando agora para este tema”, explica Rodrigo Oliveira, gerente de marketing e vendas da Ashland.

    As empresas, cada uma à sua maneira e no seu ritmo, adotam práticas consideradas ecológicas. Segundo Daelli, no entanto, é preciso ter cautela, sobretudo porque o cliente ainda não está disposto a pagar pelos ganhos ambientais. Líder no mercado de resinas de poliéster insaturado, a Reichhold diz priorizar os investimentos em projetos verdes. Uma das iniciativas se refere à concretização do Projeto “Fábrica Verde”, que consiste na utilização da tecnologia do sistema RTO (Oxidador Térmico Regenerativo), para captação e incineração dos gases emitidos pelos equipamentos nos quais são produzidas as resinas. Foram investidos mais de R$ 10 milhões.

    Há alguns anos, a companhia comercializa resinas de baixa emissão de estireno e hoje foca nos produtos de fonte renováveis. “Estamos demonstrando aos nossos clientes as vantagens das resinas produzidas com óleos vegetais, como a soja, milho, linhaça, coco, canola e colza, ressaltando como características principais a ausência de toxicidade, biodegradabilidade e o envolvimento saudável desses produtos com o meio ambiente”, afirma Calvo Filho.

    Em abril deste ano, aconteceu um dos principais eventos do mercado de compósitos, a 45ª edição da JEC Paris 2010, realizada na França. Não por acaso, a Reichhold lançou a família Envirolite, de resinas de fonte renovável ou recicláveis, com propriedades para atender os segmentos de construção civil, industrial, náutico e lazer.  Embora a linha seja uma inovação desenvolvida na Europa, a unidade brasileira possui todo o suporte e equipamentos necessários para desenvolvimento e produção locais. Na ocasião, a companhia trouxe à tona a necessidade atual de a indústria, de forma geral, se adequar ao uso de matérias-primas consideradas sustentáveis, sejam elas de fonte renovável, recicladas ou livres de estireno e com baixa emissão de compostos orgânicos voláteis (VOC).

    Plástico Moderno, Compósitos - Demanda aquecida põe setor na rota da sustentabilidade

    Para Orro, as leis ambientais se impõem de forma irreversível

    A fabricante tem a proposta de emplacar no mercado produtos menos agressivos ao ambiente e, por isso, procura provar que estes possuem similares, iguais e com melhores propriedades, se comparados às resinas padrão já conhecidas. Um dos desenvolvimentos mais recentes da Reichhold trata-se da resina Polylite 32245, uma nova tecnologia 100% diciclopentadieno (DCPD), cujo principal atrativo é a significativa redução do teor de monômero de estireno, para fabricação de mármore sintético. “É um sucesso nos EUA que trouxemos rapidamente para o Brasil. Esta nova solução atende às legislações ambientais, sem perder a qualidade e superando a alta tecnologia das resinas de poliéster insaturado convencionais”, aponta Calvo Filho. A empresa também lançou, recentemente, o gelcoat Norpol SVG, cujo destaque está na baixa emissão de voláteis.

    Subsidiária da argentina Plaquimet, a Composites do Brasil traz em seu portfólio resinas de baixa contração e reduzida emissão de monômeros de estireno, além de resinas modificadas com DCPD de alto desempenho. “As leis do meio ambiente estão se impondo de maneira irreversível”, diz Orro. No entanto, é incipiente a demanda de soluções menos agressivas ao ambiente, como é o caso de resinas fabricadas com sínteses geradas por matérias-primas como mamona. Segundo o diretor, as peças ainda pecam no quesito qualidade. “Estimo entre oito e dez anos para estes produtos serem fabricados em escala industrial”, conta Orro. Lima se mostra mais otimista. Na opinião do presidente da Abmaco, essa resina há um ano tinha um preço inviável, mas já está um pouco mais competitiva.

    A Ashland destaca em seu portfólio o que chama de resina verde: a Envirez, linha à base de soja, desenhada para a fabricação de peças automotivas. “Estamos introduzindo essa família no mercado de forma bastante planejada”, afirma Oliveira. Não existe nenhum ganho de desempenho, ou seja, a resina apresenta as mesmas características dos termofixos derivados da nafta. Aliás, essa fabricante de resinas de poliéster e éster-vinílicas hoje tem um portfólio de produtos de fontes renováveis praticamente em igualdade com os convencionais.

    Velhos problemas – Segundo o presidente da Abmaco, em paralelo ao aumento dos volumes e às práticas sustentáveis, o setor precisa desatar alguns nós, já velhos conhecidos, como a falta de conhecimento sobre o material compósito. Por isso, há algum tempo, tentou-se implantar cursos de pós-graduação nas universidades. Do projeto inicial de emplacar a ideia em quatro instituições de ensino, apenas uma se concretizou, na Universidade de Caxias do Sul (UCS), da qual sairá a primeira turma com especialização lato sensu em compósitos do país. As aulas começarão em setembro (ao todo serão 360 horas). Além de disseminar as propriedades do produto, também é escassa a capacitação profissional. Por isso, a Abmaco promove uma série de seminários e cursos. “É um trabalho a longo prazo, o que fazemos hoje ainda é muito pouco”, lamenta Lima.



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