Compósitos

Compósitos

Maria Aparecida de Sino Reto
26 de outubro de 2012
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    O maior consumo de compósitos nesse segmento se concentra na produção das pás, com tamanho médio acima de 40 metros. Cada aerogerador, explica o diretor da Wobben, opera com três pás. Segundo informa, um aerogerador médio, em geral, fornece 2 MW. Para atingir um 1 GW são necessários pelo menos 500 aerogeradores de 2MW, demandantes de nada menos que 1.500 pás. Como informa, a maioria delas é moldada com formulações de epóxi e fibra de vidro. Daí é fácil calcular o potencial para os compósitos nesse setor.

    Essas pás são moldadas na fábrica do Ceará e na de Sorocaba, que também produz os geradores. Do Rio Grande do Norte saem as torres de

    Plástico, Compósito

    Produção de pás eólicas na fábrica cearense da Wobben

    concreto. Os pormenores do processo de fabricação das pás são sigilosos, mas ele dá uma ideia, grosso modo: pelo processo de infusão, em molde aberto, aplicam-se diferentes tecidos/mantas de fibra de vidro, em espessuras e tramas variadas, montadas em camadas com resinas. Primeiro, monta-se a estrutura da “casca” de um lado da pá, depois a sua outra metade. A “alma” dessas peças também constitui estrutura de material compósito.

    O diretor da Wobben considera todos os estados da Região Nordeste como os de maior potencial eólico, além de particularmente o Rio Grande do Sul. A empresa possui usinas instaladas no Rio Grande do Sul, Ceará, Bahia e Rio Grande do Norte.

    Atraída pela franca expansão da energia eólica no país, outra empresa de renome internacional acaba de anunciar investimentos locais. De origem dinamarquesa, a LM Wind Power planeja começar a produzir pás para turbinas eólicas já em setembro do próximo ano, um empreendimento da ordem de R$ 100 milhões em fábrica que pretende construir em Suape-PE, em parceria com a Eolice, empresa brasileira que nasce junto com o projeto. A sua produção atenderá o mercado brasileiro e também outros países da América do Sul. O bom ânimo se justifica no fato de já haver negociações avançadas com fabricantes de turbinas que demonstraram interesse por pás de grande porte, entre 40 e 70 metros de comprimento.

    Cautelosos – Embora o gerente de desenvolvimento de mercado da Reichhold, Rogério Lucci, preveja momentos melhores no próximo ano, o desempenho dos compósitos e os resultados para sua empresa neste ano destoam dos dados apurados pela Abmaco. “O mercado está bastante instável e as incertezas sobre a economia”, explica, “interferem diretamente nas decisões sobre investimentos e podem afetar o plano de crescimento da empresa.” De qualquer modo, a revisão de metas ainda se baseia em boas perspectivas para 2013.

    O gerente de marketing e vendas da Ashland, Rodrigo Oliveira, também sentiu neste ano a maré baixa e sua avaliação difere da apresentada pela Abmaco. “Com o tradicional aumento da demanda no último trimestre, a queda deve ficar em torno de 11%.

    Sua análise também aponta queda no faturamento do setor, em oposição aos dados aferidos pela entidade de classe. Na opinião de Oliveira, as várias elevações nos preços das matérias-primas ao longo do ano amorteceram a retração, estimada por ele para o ano em cerca de 5%.

    Tudo isso reflexo do desempenho ruim de alguns setores, caso da infraestrutura e do mercado de caminhões. A propósito, as vendas desses veículos despencaram neste ano por conta da entrada em vigor da nova lei de emissões (Euro 5), o que provocou a antecipação das compras para o final do ano passado. Oliveira observa, porém, o inverso no setor de ônibus, beneficiado pelo programa do governo Caminho da Escola. Aí as opiniões dos especialistas em matérias-primas e da Abmaco convergem.

    Novos desenvolvimentos para os mercados náuticos, automotivo e de aplicações industriais ajudaram a movimentar os negócios da Reichhold neste ano, mas a construção civil mantém a tradição de maior consumidora e, nos dizeres de Lucci: “Tem puxado o volume de produção dos nossos reatores.”

    O mercado náutico também turbinou os negócios da Ashland, que, como ressalta Oliveira, marca presença relevante nos principais estaleiros do país. Ele comemora a boa fase dos estaleiros nacionais e também a chegada de empresas internacionais, como Beneteau e Brunswick.

    Além de cultivar novas aplicações, a indústria de matérias-primas também aposta no desenvolvimento de produtos mais amigáveis ao meio ambiente e inseridos no conceito de sustentabilidade. A busca se concentra em formulações baseadas em insumos derivados de fontes renováveis e menos agressoras em emissões de voláteis, em resposta a solicitações da transformação, igualmente empurrada em um movimento sem volta de produções mais limpas, sinônimo de menos emissões no meio ambiente e migração de moldagem aberta para moldes fechados, mais produtivos e menos poluentes.



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