Compósitos

Compósitos

Maria Aparecida de Sino Reto
26 de outubro de 2012
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    A Pool Engenharia, de Manaus-SP, fabrica o produto, mas sua gerente comercial, Suanã Bezerra, é cautelosa nas informações. Comenta apenas que a produção começou neste ano, diante da necessidade de mercado da região. Ela ainda enumera como vantagens o transporte e a instalação; e promete lançar em breve cruzetas em compósito.

    No agronegócio, o plástico se beneficia tanto do cenário auspicioso da agricultura no país, com bom desempenho de grãos como soja e milho, favorecendo a demanda de máquinas e equipamentos agrícolas, como da substituição crescente do metal pelos polímeros em peças e componentes dessa indústria. “O agronegócio está expandindo e a tecnologia no campo precisa acompanhar. Os fabricantes de tratores, colheitadeiras e outros equipamentos começaram a usar plásticos de engenharia e compósitos, gostaram do material, e sua aplicação tem avançado”, diz Lima.

    Bons ventos – Embora a principal matriz energética do país seja a hidrelétrica, sopros fortes turbinam os negócios da energia eólica. Segundo informações da Abmaco, muitas aplicações nesse setor consomem compósitos especiais, como as pás e as nacelles (peças nas quais se acoplam as pás). A produção das pás consome quase 100% compósito formulado com resina epóxi, mas outros componentes do equipamento, como as nacelles, também utilizam poliéster insaturado com reforços especiais. Os levantamentos da associação apontam que só esse segmento de mercado absorveu no ano passado 44.700 toneladas do material e movimentou R$ 625 milhões.

    “A energia eólica vem se destacando há cinco anos, com um boom nos últimos dois anos que deve ser mantido nos próximos”, observa Lima. Ele próprio comprova esse bom desempenho, por intermédio da MVC, uma das usufrutuárias dos bons ventos que movimentam a energia eólica no país. A empresa, focada em inovações e tecnologia diferenciada, desenvolve nacelles.

    O avanço da energia eólica e o seu potencial no mercado brasileiro atraiu para o país várias empresas especializadas na produção desses equipamentos, entre as quais a Wobben Wind Power, com fábricas em Sorocaba-SP, Pecém-CE e Parazinho-RN; a Tecsis, com instalações também em Sorocaba; a Impsa, em Suape-PE, entre outras.

    No país há quase 17 anos, a Wobben é uma subsidiária da alemã Enercon, tradicional fabricante de aerogeradores completos (o conjunto dos aerogeradores forma a usina). A empresa instala usinas eólicas e efetua manutenção. “O Brasil tem potencial eólico muito interessante. Seus ventos, em intensidade e constância, são tecnicamente muito bons para serem aproveitados”, pondera o diretor Eduardo Lopes. O fato de a hidrelétrica constituir a atual matriz energética do país também favorece a disseminação das usinas eólicas, porque há uma complementação sazonal, como explica Lopes. Os períodos de água abundante favorecem as hidrelétricas, e os de seca, as eólicas.

    O que poderia ser um aspecto negativo, a ocupação de área extensa, no entanto, revela-se igualmente positivo, porque, como informa o diretor da Wobben, embora a instalação das usinas eólicas utilize áreas amplas, estas continuam úteis. O funcionamento das usinas não impede outras atividades, como plantação, pasto etc.

    Ainda não havia nenhum incentivo a esse tipo de energia no país, quando a Wobben decidiu estender um braço seu para cá. As sementes

    Plástico, Gilmar Lima, presidente da Abmaco e presidente da Almaco, Compósitos

    Lima quer processos em moldes abertos abaixo de 40% até 2015

    plantadas pela empresa levaram alguns anos para começar a germinar nas terras brasileiras. Lopes lembra que o Programa de Incentivo a Fontes Alternativas de Energia só viria a ser lançado pelo governo em 2002. O cenário, então, mudou e a colheita começou. Os estímulos gerados pelo Pró-Info contribuíram para que a implantação da energia eólica começasse a deslanchar no Brasil.

    Graças a esse impulso, conta Lopes, a energia eólica ganhou maturidade e começou a se inserir na matriz energética brasileira, porque auferiu competitividade com outras opções. Hoje, a Wobben possui 40 usinas  instaladas no país, com a geração de 1 GigaWatt. De acordo com o diretor, em junho deste ano, o Brasil atingiu 2 GW de energia eólica. Ou seja, a Wobben gera metade dela.

    Na opinião dele, o mercado brasileiro convive hoje com a formação de uma indústria desses equipamentos cada vez mais competitiva. O quadro reverteu a tal ponto que ele vislumbra a implantação de 2 GW por ano, nos próximos anos.

    Ótimo para o país e para os produtores de compósitos, material empregado na fabricação das pás e carenagem. Como explica Lopes, a usina se constitui, resumidamente, de uma fundação, uma torre de concreto ou aço, uma nacelle (que acomoda o gerador e outros componentes) e pás – captadoras da energia (transferida para o gerador, essa energia cinética é transformada em elétrica).



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