Componentes para moldes – Fornecedor abastece os setores de manutenção e de ferramentas novas

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Colunas estão entre as peças do vasto portfólio da Polimold

 

O mercado de componentes para moldes de injeção, casos de pinos, buchas, lâminas extratoras, anéis centralizadores e molas, entre outros, conta com dois nichos. Um deles é o de produtos de moldes novos. O outro, de manutenção das matrizes. A análise das vendas dos fornecedores desses produtos precisa levar em conta as particularidades de cada um desses segmentos. Conforme o perfil de cada empresa, o desempenho varia. Não existem estatísticas sobre o quanto cada um desses segmentos responde pelas vendas do setor.

A fabricação de moldes novos nos últimos meses já passou por momentos mais felizes e hoje não favorece os fornecedores de componentes. A crise econômica mundial deu o ar da graça no último trimestre do ano passado e afetou a indústria. Muitos projetos de lançamentos de produtos foram engavetados e a suspensão dos investimentos esfriou as encomendas de ferramentas. Some-se a esse fato a forte concorrência dos asiáticos no mercado de moldes nos últimos anos. Ferramentarias dos países avançados, onde a crise foi mais grave, também espicharam o olho sobre o Brasil, oferecendo por aqui produtos com preços atrativos e acirrando ainda mais a competitividade desse mercado.

No caso do mercado de manutenção, as dificuldades proporcionadas pela economia geram problemas mais amenos. A diminuição do ritmo de produção resultante da crise pode reduzir operações de manutenção, mas não há como evitar reparos feitos em caráter de emergência ou revisões periódicas, situações em que a substituição de peças é imprescindível.

Os moldes voltados para grandes tiragens de peças são os principais responsáveis pela venda de avulsos. A explicação é simples: eles trabalham em condições difíceis, são submetidos a elevadas pressões, a constantes alterações de temperatura. Alguns itens, como buchas, colunas e centralizadores operam sob elevado atrito. A substituição de peças ocorre em períodos mais frequentes. O fenômeno se repete em menor escala nos moldes voltados para a geração de lotes menores de peças. Conforme a solicitação da ferramenta, os componentes acompanham a vida útil das matrizes e não precisam ser trocados.

Economia à parte, um outro aspecto precisa ser levado em consideração. Os componentes de ferramentas são produzidos em operações complexas. Eles exigem a aquisição de materiais especiais, a realização de operações de tratamentos térmicos de elevada excelência e precisam ser usinados em máquinas de alta precisão, capazes de operar com tolerâncias dimensionais rígidas. No caso da troca do componente, todos esses procedimentos precisam ser realizados novamente.

A agilidade e a redução de custos proporcionadas pela adoção de itens padronizados favorecem as ferramentarias a desistir da verticalização. Alguns projetistas ainda resistem, mas essa é uma cultura que tem se disseminado de forma consistente. Há uma década, o uso de normatizados era muito menor e ainda existe bom potencial de crescimento.

Não existem números confiáveis, mas acredita-se que entre 50% e 70% dos moldes produzidos no Brasil surjam com a aquisição de porta-moldes. Como os porta-moldes são comercializados com todos os itens incluídos, não é de se estranhar que alguns dos seus fabricantes tenham se transformado em nomes de destaque entre os produtores de componentes. Para essas empresas, manter em estoque algumas centenas de itens não representa apenas uma oportunidade de incrementar suas vendas. Também é estratégia de marketing, uma forma de atender bem os clientes e torná-los fiéis. Mas também existem produtores especializados.

Diversificação – O mercado de componentes é importante para a Polimold, líder na fabricação de porta-moldes no Brasil. Nos últimos seis anos, a empresa adotou a estratégia de diversificar sua linha de produtos como forma de agregar valor às vendas. Além dos produtos básicos, como buchas, guias, pinos extratores e outros que sempre integram os porta-moldes, passou a oferecer itens adotados de acordo com cada projeto.

Podem ser apontados postiços, gavetas, pinos extratores com extensão, pinças, insertos e outros. Para Cleber Silva,

Plástico, Cleber Silva, gerente de desenvolvimento e marketing, Componentes para moldes - Fornecedor abastece os setores de manutenção e de ferramentas novas
Silva: importação de produtos asiáticos prejudica toda a cadeia

gerente de desenvolvimento e marketing, no passado esses itens eram fabricados pelos próprios clientes. Para exemplificar, ele aponta o caso de uma pinça plana, feita de aço mola, voltada para a desmoldagem de pequenas zonas negativas por meio de sua flexão. Ela é acionada pela placa extratora como um extrator convencional.

“Ao optar por padronizados voltados para funções diferenciadas, as ferramentarias conseguem muitas vantagens. O projeto e a construção dos moldes ficam mais ágeis e econômicos. Os projetistas economizam tempo para desenvolver o desenho, a empresa não precisa usinar os materiais, fazer os tratamentos térmicos e demais operações”, avalia. No caso da necessidade de troca da peça, encontram o substituto com facilidade, diminuindo o tempo necessário para o reparo da ferramenta.

Silva não sabe calcular a proporção entre as peças vendidas em moldes novos e as voltadas para a manutenção, e diz que conforme a peça, o volume vendido para reparos varia. “Muitos componentes acompanham a vida útil do molde. Outros são substituídos com maior frequência”, justifica. Em geral, a procura depende da solicitação da ferramenta. Para explicar melhor, ele recorre de novo ao caso da pinça plana: “Essa é uma peça bastante resistente. Depois de um milhão e meio de ciclos, no entanto, o material da pinça fica sujeito ao rompimento pela fadiga.” Silva lembra que as vendas de porta-moldes não estão em patamar satisfatório.

“Vivemos um momento singular, com a crise forte vivida na Europa e nos Estados Unidos, e o Brasil se recuperando de forma mais rápida, empresas internacionais têm buscado novas oportunidades no mercado local. Elas estão agressivas e praticam preços mais baixos aqui do que em seus países de origem”, acusa. O executivo também lamenta a importação expressiva de ferramentas asiáticas. Para ele, o cenário é prejudicial para a cadeia produtiva de matrizes e componentes.

Vendas promissoras – Outro tradicional nome do ramo de porta-moldes, a Miranda está otimista com o mercado de componentes. Não por acaso, em maio, durante a realização da última edição da Brasilplast, maior vitrine da indústria do plástico realizada no Parque Anhembi, em São Paulo, a empresa promoveu o lançamento de uma série de itens, como pinos, lâminas e buchas de extração, gavetas e centralizadores.

“Estamos atendendo à necessidade dos clientes. Eles estão percebendo a vantagem do uso de padronizados”, explica o gerente-comercial José de Oliveira Miranda Neto. Apesar dessa constatação, o executivo acredita que o mercado ainda não está maduro o suficiente. “No caso dos extratores, o mercado já se conscientizou. Mas no de buchas e colunas,

Plástico, José de Oliveira Miranda Neto, gerente-comercial ,Componentes para moldes - Fornecedor abastece os setores de manutenção e de ferramentas novas
Para Miranda Neto, a venda de acessórios está indo muito bem

encontra-se o ‘calcanhar-de-aquiles’. Os projetistas ainda acham mais barato fazer as peças em casa”, revela. A falta de cultura produz prejuízos posteriores. “Quando precisam fazer uma troca, eles cobram entrega imediata. Só então descobrem que as peças a ser substituídas não atendem as medidas-padrão”, diz.

O mercado de manutenção é o principal para a Miranda quando o assunto é a venda de peças. “Não sei dizer o quanto vendemos de componentes para manutenção e em porta-moldes prontos, é um número difícil de calcular”, ressalta o gerente. Para atender este nicho, a empresa mantém estoque de milhares de itens. Além disso, conta com logística de entrega sofisticada, onde se incluem serviços de envio de peças por motoboys ou pelo serviço Sedex, dos Correios.

Essas preocupações têm como objetivo estreitar o relacionamento com o cliente. “Para nós, a margem de lucro com a venda de componentes é pequena, com frequência atendemos pedidos de R$ 500 e muitas vezes vendemos itens sem qualquer margem de lucro”, diz. A maior vantagem fica por conta da melhora da imagem da empresa. “Caso o cliente se sinta bem atendido, quando fizer uma compra maior vai se lembrar da gente”, conta.

Em relação ao momento atual, Miranda Neto está otimista. Depois de uma queda no final do ano passado, os negócios voltaram a se aquecer. “O mercado ainda não está 100%, mas a venda de acessórios está indo muito bem”, revela. A melhora também se reflete na procura por porta-moldes. “As vendas estão se recuperando e estamos com volume enorme de pedidos de cotações”, informa.

Peças grandes – Há dezoito anos no mercado, a MDL-Danly, empresa de origem norte-americana e hoje com capital nacional, conta com alguns trunfos. Talvez o principal seja o de produzir porta-moldes e componentes para moldes de tamanhos variados, dos menores até os de grandes dimensões – a empresa fornece peças para moldes com placas de até 2.500 mm x 2.000 mm. O diferencial se encontra no campo dos “gigantes”. “No passado, os transformadores produziam peças plásticas menores. Hoje, cada vez mais, são fabricados parachoques, painéis e outras de maior porte”, diz Estevam Horvate, gerente de vendas.

Outro diferencial da MDL-Danly: a empresa conta com uma fábrica exclusiva para a fabricação de componentes,

Plástico, Estevam Horvate, gerente de vendas, Componentes para moldes - Fornecedor abastece os setores de manutenção e de ferramentas novas
Horvate: mercado vive momento de forte recuperação

localizada em Sorocaba-SP. A produção é elevada e dirigida tanto para o mercado interno quanto para as exportações. “Fabricamos uma quantidade imensa de extratores, pinos e buchas”, conta o gerente. Entre as novidades, a empresa lançou este ano na Brasilplast buchas grafitadas para moldes grandes e colares de esferas para placas extratoras. “Nós fabricávamos esses colares apenas para exportação, mas o aumento da procura fez com que os colocássemos à disposição também no mercado interno”, informa.

Essas características, em paralelo com a disseminação da padronização, ajudaram a empresa a atravessar os piores momentos da economia. “Não sentimos tanto a crise”, afirma. Para ele, quando o assunto recai sobre a venda de peças, os ventos recessivos soprados pela economia até ajudaram um pouquinho. A explicação é simples: “O interesse por moldes novos diminui, mas aumenta o uso dos antigos e a procura por componentes avulsos”, justifica. O melhor, no entanto, tem sido o desempenho das últimas semanas. “O mercado está em processo forte de recuperação. Estamos com a produção acelerada, vamos correr atrás da contratação de funcionários”, revela Horvate.

Estoque – A venda de componentes não chega a atingir volumes financeiros expressivos para a Tecnoserv, empresa localizada em Diadema-SP, há dezesseis anos no mercado e que tem os porta-moldes como carro-chefe de seus negócios. De acordo com informações do diretor técnico

Plástico, Wilson Teixeira, dirigente, Componentes para moldes - Fornecedor abastece os setores de manutenção e de ferramentas novas
Teixeira: rápido atendimento melhora imagem da empresa

Wilson Teixeira, eles respondem por de 6% a 7% do faturamento, em média. Nem por isso, o nicho deixa de ser importante. O dirigente se lembra dos bons resultados proporcionados pelo atendimento rápido dos clientes ávidos por peças de reposição. “Eles passam a ter visão positiva da nossa empresa”, explica.

Não por acaso, a Tecnoserv investe na montagem de estoques de reposição completos. “Contamos com mais de 16 mil itens”, informa o técnico. Entre os componentes se encontra de tudo. “Temos buchas, colunas, pinos extratores, parafusos e outras peças”, revela. A iniciativa tem colaborado com o desempenho das vendas. “Não fomos afetados pela crise, até setembro apresentamos crescimento nas vendas de componentes de 10% em relação ao mesmo período do ano passado”, revela.

Teixeira acredita que a prática da padronização ainda não é adotada de maneira adequada pelos projetistas brasileiros. Para ele, um fator que tem colaborado com a disseminação dessa cultura é a acirrada concorrência proporcionada pela vinda dos moldes asiáticos. Os ferramenteiros nacionais precisam competir com os preços importados e perceberam as vantagens oferecidas pelos padronizados. Eles os ajudam a se tornarem mais competitivos. A educação é outra arma apontada como necessária para disseminar a prática. “Temos promovido cursos gratuitos para nossos clientes”, conta.

Investimentos – A Três-S, empresa localizada em Guarulhos e prestes a completar quarenta anos de existência, é bastante conhecida por sua participação no mercado de componentes para ferramentas. Há dois anos, passou a fabricar também porta-moldes, mercado no qual tem apostado bastante. Na última Brasilplast, por exemplo, a empresa ampliou para alguns milhares o número de combinações de placas oferecidas. “Hoje, o nosso carro-chefe é o mercado de porta-moldes”, diz Claudir Sandro Mori, gerente-comercial.

A mudança de prioridade não tornou o mercado de peças menos importante. Ele ainda representa fatia significativa do faturamento da empresa. Tanto que a entrega rápida de itens variados é considerada ponto de honra. A Três-S fabrica molas, punções, pinos e extratores, entre outros itens. Entre os componentes oferecidos, o destaque fica para os

Plástico, Claudir Sandro Mori, gerente-comercial, Componentes para moldes - Fornecedor abastece os setores de manutenção e de ferramentas novas
Mori: porta-moldes se tornaram o carro-chefe de seus negócios

extratores de longo comprimento – a empresa fabrica extratores desde quatro até 45 milímetros de diâmetro e comprimento até 1.700 milímetros.

 

“Nós não sentimos muito os efeitos da crise. De uns três meses para cá, o mercado voltou a melhorar. No momento, se encontra bastante aquecido”, informa Mori. Para ele, os bons resultados se devem aos investimentos realizados na fábrica no ano passado, pouco antes da economia passar por dificuldades. “Ficamos mais competitivos, pudemos melhorar nossos preços e prazos”, explica.

Dificuldades – A paulistana Motiwak, fundada em 1993, é especializada na fabricação de itens padronizados. Roberto Carlos Montá, supervisor de vendas da empresa, se queixa do momento atual do mercado. “Os negócios estão paralisados. A retração da indústria congelou os investimentos”, reclama. As vendas melhoraram um pouco no último mês, mas ainda estão distantes das verificadas antes da crise. “Nosso movimento caiu de 40% a 50%.” Para o supervisor, os produtos que vêm da Ásia aumentam as dificuldades. “Não são só os moldes, a importação de acessórios também tem ocorrido”, ressalta.

A Motiwak oferece ao mercado peças como extratores, molas de compressão, buchas e colunas, entre outras. O grande diferencial dos componentes produzidos, de acordo com Montá, se encontra na preocupação com a qualidade em todas as etapas da fabricação. “Ela já começa na aquisição das matérias-primas e prossegue nas etapas de usinagem e tratamento térmico”, garante.

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