Plástico

Commodities – Demanda em alta, rearranjo petroquímico e mudanças globais alvoroçam o setor

Maria Aparecida de Sino Reto
27 de outubro de 2007
    -(reset)+

    Plástico Moderno, Maria Regina Pina Rodrigues da Silva, diretora-comercial da Petroquímica Triunfo, Commodities - Demanda em alta, rearranjo petroquímico e mudanças globais alvoroçam o setor

    Regina classifica como boas as vendas, porém,irregulares

    Segundo Regina, o desempenho da empresa no primeiro semestre foi bom, porém irregular mês a mês, em razão de uma queda de braço entre os elos da cadeia provocada pelo excedente na oferta de produto e a oscilação nos preços de petróleo. Nas contas dela, as vendas de polietilenos no mercado interno cresceram cerca de 13% e as de EVA, 34%, em comparação com os primeiros seis meses de 2006.

    Graças ao bom desempenho do setor agrícola, a produtora de PEBD percebeu bom crescimento da resina nas sacarias industriais. A indústria alimentícia também puxou os negócios, avalia Regina. “Alguns mercados que desenvolvemos em EVA, como as aplicações em filme térmico e stretch hood, estão indo muito bem.”

    As exportações, considerados PEBD e EVA juntos, encolheram de 35% da produção para 29%. No ano passado, as vendas ao mercado externo foram fortemente influenciadas pelo EVA. “Mantivemos, porém, mercados como Argentina e Uruguai e, no caso do EVA, também a Espanha”, diz a diretora da Triunfo.

    Operando no limite de sua capacidade, de 160 mil toneladas anuais (PEBD e EVA), a Triunfo vende tudo o que produz, assegura Regina. Neste ano, as estimativas apontam para 157 mil toneladas. “Investimos o possível em processos de otimização para usar todo o eteno disponível.”

    Nos rastros do bom desempenho do EVA, os desenvolvimentos da empresa focaram essa resina: os grades TN 2006 e CN 2080. Desenhado para o segmento de filmes térmicos, stretch hood e embalagens multicamadas, o primeiro se destaca por se tratar de uma inovação no mercado nacional. O produto apresenta índice de fluidez bastante baixo, permitindo boas características mecânicas. Sua alta estabilidade de processo possibilita o uso em estruturas que incorporam camadas de barreira, como náilon.

    O CN 2080 consiste em um EVA específico para a indústria alimentícia, também em filmes de múltiplas camadas. Nesse caso, porém, a resina entra como camada destinada a promover maior soldabilidade.

    “Se a necessidade é produzir uma estrutura multicamada com barreira, a indicação é o TN 2006, que é uma das camadas e ajuda nas propriedades de barreira, principalmente ao vapor; e se for melhorar a soldabilidade, o CN 2080 entra como camada interna”, explica Nicolino Panebianco, coordenador de desenvolvimento de mercado e produtos. De acordo com ele, o EVA melhora a resistência mecânica de embalagens submetidas a baixas temperaturas. O mercado transformador pode aguardar em breve novos projetos de polietileno, no segmento de termoencolhíveis, e de EVA, no de stretch hood.

    PE retorna à alcoolquímica – Pouco depois de se desfazer da sua fábrica de PEBD de Cubatão (adquirida da antiga Union Carbide), negociada com o grupo Unipar, a Dow anunciou, em julho, a assinatura de um acordo com o grupo nacional sucroalcooleiro Crystalsev para a criação de uma sociedade compartilhada que resultará no primeiro pólo alcoolquímico integrado do mundo, com escala industrial para produção de 350 mil toneladas anuais de polietileno linear de baixa densidade, com etileno obtido do etanol a partir da cana-de-açúcar (ver PM 394, agosto de 2007, página 66).

    “O projeto está alinhado de diversas maneiras com a estratégia da Dow de fortalecer o portfólio, investir em geografias de crescimento como o Brasil, buscando utilizar matérias-primas renováveis”, disse Ulriksen. A nova fábrica produzirá a conhecida linha Dowlex. O acordo assinado com a Crystalsev estabelece prazo de um ano para os estudos necessários e a previsão é de formalizar a joint venture em 2008, com início da produção em 2011. Segundo o diretor, o local para a instalação do pólo só será definido após a conclusão dos estudos. Ele considera como grande inovação desse projeto a integração das duas empresas em todo o processo, do plantio da cana até a fabricação e a comercialização do plástico.

    A Dow atua no mercado brasileiro com todas as variedades de polietilenos, fabricados em unidades na Argentina, Chile, Estados Unidos e Europa. As principais constituem os polietilenos de ultrabaixa densidade da família Attane, destinados a mercados com requisitos de excelente resistência à perfuração e ao rasgo e alta flexibilidade sob baixas temperaturas; e os polietilenos da linha Dowlex, resistentes à perfuração e ao rasgo e excelente processabilidade, atendem o mercado de embalagens, entre outras aplicações.

    A empresa também destaca os polietilenos de alto desempenho da linha Elite, desenvolvida com a tecnologia Insite. Esses produtos combinam alta resistência na solda a quente, à perfuração e ao impacto e são indicados para ampla variedade de uso. O portfólio ainda inclui polietileno de alta densidade e de baixa densidade convencional.

    Antes de a Dow anunciar seu projeto alcoolquímico, a Braskem comemorava a obtenção do primeiro certificado internacional para a fabricação de polietileno de alta densidade (PEAD) pela rota eteno-álcool derivado de cana-de-açúcar. “A Braskem efetivamente produziu a resina”, ressaltou Soller. Ele não vê riscos de a empreitada fracassar, como na década de 70, quando a indústria brasileira utilizou a alcoolquímica como alternativa para a obtenção de resinas (ver PM 394, agosto de 2007, pág. 68).



    Recomendamos também:








    0 Comentários


    Seja o primeiro a comentar!


    Deixe uma resposta

    O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *