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Commodities – Demanda em alta, rearranjo petroquímico e mudanças globais alvoroçam o setor

Maria Aparecida de Sino Reto
27 de outubro de 2007
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    Em termos de desenvolvimentos, as últimas novidades da Suzano foram apresentadas na Brasilplast, realizada em maio deste ano, favorecendo diversos segmentos (ver PM 391, maio de 2007, pág. 26). O fabricante parte, agora, para o desenvolvimento de nanocompósitos estruturados com argila nacional. A empresa assinou um acordo com a Financiadora de Estudos e Projetos (Finep) e recebeu aporte de R$ 508 mil destinado à execução do projeto, que visa a desenvolver um polipropileno com características elevadas de barreira física, química e resistência mecânica para aplicação em embalagens capazes de prolongar a conservação dos produtos e também em autopeças.

    “Por meio desse estudo, esperamos viabilizar a aplicação de uma técnica de polimerização via incorporação de argila, o que representará um aumento significativo nas propriedades finais de barreira física e química, principalmente ao oxigênio e ao dióxido de carbono”, explicou Cláudio Marcondes, gerente de desenvolvimento de novos produtos. A contrapartida da Suzano será de R$ 1,2 milhão, destinado em especial à compra de equipamentos.

    PS em abundância – O excesso de oferta de poliestireno – 40% maior que a demanda, na avaliação de Eide Garcia, gerente de produto e mercado para poliestireno para a América Latina da Dow – está na base da maior dificuldade enfrentada atualmente pelo setor. “O grande desafio para os produtores brasileiros de poliestireno é a rentabilidade, que tem promovido uma competição acirrada de preços”, informa Garcia.

    Segundo dados da Associação Brasileira da Indústria Química (Abiquim), somadas as capacidades instaladas dos quatro fabricantes brasileiros (Basf, Dow, Innova e Videolar), a oferta chega a 635 mil toneladas anuais, enquanto a demanda doméstica da resina somou 229,2 mil toneladas de janeiro a agosto deste ano (alta de 3,6% sobre 2006).

    Plástico Moderno, Commodities - Demanda em alta, rearranjo petroquímico e mudanças globais alvoroçam o setor

    Plástico Moderno, Eide Garcia, gerente de produto e mercado para poliestireno para a América Latina da Dow, Commodities - Demanda em alta, rearranjo petroquímico e mudanças globais alvoroçam o setor

    Garcia enfrenta competição acirrada e briga por preços

    A Dow conseguiu crescer 5% no mercado de poliestireno no primeiro semestre deste ano, em relação ao mesmo período de 2006, desempenho puxado especialmente pelo mercado de linha branca.

    Em contrapartida, os eletroeletrônicos apresentaram o comportamento mais tímido no período. A empresa carrega o título de maior produtora mundial de poliestireno, com destaque para a oferta de três tipos de PS: cristal, alto impacto, e resistentes à ignição.

    Outra fabricante renomada de poliestireno, a Innova considera este ano positivo em todas as áreas. “Dada a sazonalidade característica de cada segmento, temos uma concentração maior de vendas em distintos períodos do ano”, pondera Fernanda Schoenardie Schuck, gerente de planejamento comercial e marketing, que destaca as embalagens entre as áreas de melhor desempenho.

    Plástico Moderno, Fernanda Schoenardie Schuck, gerente de planejamento comercial e marketing, Commodities - Demanda em alta, rearranjo petroquímico e mudanças globais alvoroçam o setor

    Fernanda comemora aumento das vendas entre 15% e 17%

    Na avaliação da gerente, o mercado brasileiro de PS sinaliza crescimento em linha com o PIB, com previsão de desempenho inferior ao crescimento verificado em 2006, que alcançou 13%. No entender de Fernanda, a alta no custo do leite interferiu e freou o ótimo desempenho do primeiro semestre, que chegou a ser três vezes maior que o PIB. Ela prevê aumentar a produção da empresa entre 7% e 8% e as vendas domésticas, de 15% a 17%. As exportações, no entanto, devem encolher cerca de 30%. A capacidade atual da Innova atinge 135 mil toneladas anuais de poliestireno: 58 mil t do tipo cristal e 77 mil de alto impacto. A empresa também produz seus insumos principais. De estireno, a capacidade chega a 255 mil toneladas.

    De etilbenzeno, 190 mil t. O volume de estireno deve ser duplicado até o final do primeiro semestre de 2008, quando Fernanda prevê a conclusão da nova planta que elevará para 540 mil t a capacidade instalada de etilbenzeno.

    No quesito novos produtos, os projetos de desenvolvimento se concentram na ampliação da linha de poliestireno de alto impacto, derivada da tecnologia da variedade R 870 E, patenteada pela Innova; e também no desenvolvimento de um PS de alto impacto com alta transparência. Segundo Fernanda, a nova resina de alta transparência segue em testes e se destina em especial ao mercado de embalagens termoformadas. A empresa ainda busca novas aplicações para as especialidades, como o poliestireno de alto impacto de alto brilho e o de alta resistência química.

    Plástico Moderno, Alberto Ulriksen, diretor de produtos da linha de polietilenos lineares de baixa densidade para a América Latina da Dow para o Brasil, Commodities - Demanda em alta, rearranjo petroquímico e mudanças globais alvoroçam o setor

    Ulriksen ressalta a integração do novo projeto alcoolquímico

    PE na lanterninha – “A demanda de polietileno tem sido consistente, porém, crescendo aquém do esperado por nós para esse ano”, comenta Alberto Ulriksen, diretor de produtos da linha de polietilenos lineares de baixa densidade para a América Latina da Dow para o Brasil. Na opinião dele, parte desse quadro pode ser creditada ao efeito de estoques no final de 2006. Ele acredita que até o fim de 2007 a demanda de polietileno em geral se manterá forte, na casa dos 5% aos 10%, dependendo do segmento.

    Os dados divulgados pelo Siresp indicam crescimento na demanda de 3,3% no de baixa densidade convencional, 2,4% no de baixa densidade linear e queda de 0,9% no de alta densidade. As exportações do linear e do de alta densidade, no entanto, só perderam em crescimento para o polipropileno. O PEAD avançou 30,4% e o linear 26,2%. Apenas o PEBD encolheu as vendas ao mercado externo (13,3%), afinal os negócios avançaram no País.“O mercado está melhor neste ano; tudo aponta para atingir a meta de 8% ao ano”, diz Maria Regina Pina Rodrigues da Silva, diretora-comercial da Petroquímica Triunfo. A restrição na oferta de PEBD no mercado provocada pelos problemas na Argentina, aliados a algumas paradas de plantas, favoreceu os negócios.



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