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Commodities – Demanda em alta, rearranjo petroquímico e mudanças globais alvoroçam o setor

Maria Aparecida de Sino Reto
27 de outubro de 2007
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    Segundo informações dele, outro fator importante reside nos financiamentos imobiliários, cujos recursos acumulados até agosto deste ano atingiram 10 bilhões de reais, montante que ultrapassa o acumulado de todo o ano de 2006. “A previsão é de que chegue em 16 bilhões de reais, o que dará um cenário de crescimento sustentável para os próximos anos. Temos como expectativa crescer 5% ao ano até 2012.”

    As boas perspectivas, no entanto, vão além da construção civil. Tarantino prevê crescimento ao longo deste e dos próximos anos também para outros setores relevantes no portfólio da empresa, como calçados, laminados e filmes para embalagens, baseado nos investimentos que os clientes vem realizando com constância, para desgargalar suas capacidades produtivas. Ele também espera colher os frutos das ações do Programa de Aceleração do Crescimento (PAC), na área de saneamento básico. “O Governo Federal tem demonstrado interesse e divulgado a importância de investir nesse setor, o que representará forte demanda de PVC.”

    Sustentado nessas avaliações promissoras, Tarantino projeta para a Solvay crescimento de 5% ao ano até 2012. No ano passado, a empresa vendeu 280 mil toneladas de PVC. “Para 2007, nossa expectativa é de crescer entre 6% e 8%.” A fábrica da empresa, em Santo André-SP, tem capacidade para produzir até 270 mil toneladas anuais da resina. A da outra unidade na América do Sul, em Bahía Blanca, Argentina, alcança 240 mil toneladas.

    Com a proposta de seguir de perto o crescimento da demanda e também fortalecer sua competitividade, a Solvay recebeu aval do BNDES para um financiamento de R$ 313,7 milhões destinado a projetos de modernização e ampliação da produção de soda-cloro, de 100 mil toneladas para 170 mil toneladas anuais, e de PVC, de 270 mil toneladas para 320 mil toneladas anuais. Segundo Tarantino, os investimentos têm por objetivo incrementar as capacidades produtivas e converter as fábricas em unidades com tecnologia de última geração e alta competitividade, a fim de acompanhar a evolução prevista para o mercado sul-americano, principalmente o Mercosul. A proposta é de também expandir o mix de produtos.

    Se cumpridos os cronogramas, as novas unidades produtivas de Santo André entram em operação no último trimestre de 2008. Concluído o projeto, a capacidade anual instalada será de 560 mil toneladas de PVC e 350 mil toneladas de soda cáustica, considerando as unidades brasileiras e argentinas.
    As resinas ofertadas pela Solvay abastecem diversos setores, entre os quais brinquedos e artigos médicos.

    Fazem parte desse leque as seguintes resinas: a SolVin 258 RG, voltada para a injeção de peças rígidas e conexões; a 263 RB para a extrusão de perfis rígidos em geral, portas sanfonadas e forros; a 266 RC, indicada para extrusão de tubos rígidos e perfis de janelas; e a 265 PY, direcionada aos mercados de revestimentos de fios e cabos, geomembranas e laminados para piscinas e pisos. Tarantino considera o atual mix de resinas adequado e atualizado para todos os segmentos de atuação. “Atende plenamente às necessidades dos nossos clientes.”

    PP em forma – Uma conquista freqüente, o crescimento na demanda do polipropileno se justifica por ser uma das resinas mais versáteis entre as termoplásticas, assumindo até mesmo papel correlato ao de plástico de engenharia, na forma de composto, sobretudo na indústria automotiva. De janeiro a agosto deste ano, o mercado brasileiro demandou 812,6 mil toneladas de PP, contra 764,1 mil t, no comparativo com 2006, com alta de 6,4%.

    Plástico Moderno, Commodities - Demanda em alta, rearranjo petroquímico e mudanças globais alvoroçam o setor

    Plástico Moderno, Sinclair Fittipaldi, gerente de marketing e comunicação da Suzano Petroquímica, Commodities - Demanda em alta, rearranjo petroquímico e mudanças globais alvoroçam o setor

    Fittipaldi: pressão americana dificultou melhor desempenho

    Mesmo assim, o desempenho dos produtores brasileiros poderia ter sido melhor, não fossem as importações de resina e manufaturados. De janeiro a agosto deste ano, a indústria brasileira importou quase 108 mil toneladas de polipropileno, equivalentes a mais de 13% da demanda.

    “Houve uma pressão muito forte dos excedentes norte-americanos, colocados no mercado a preços muito competitivos.Eles exportaram mais de um milhão de toneladas nos primeiros seis meses deste ano e a América do Sul acabou sendo um destino importante”, relata Sinclair Fittipaldi, gerente de marketing e comunicação da Suzano Petroquímica.O desempenho da empresa no primeiro semestre de 2007 seguiu em linha com o mercado, na avaliação dele.

    Somados os volumes comercializados no País e os que atravessaram as fronteiras, o crescimento ficou ao redor de 5%. Nesse período, as vendas totais atingiram ao redor de 290 mil toneladas, das quais 225 mil t foram internadas, contra a soma de 272 mil toneladas, e 217 mil t direcionadas ao mercado doméstico, no ano passado.

    Plástico Moderno, Commodities - Demanda em alta, rearranjo petroquímico e mudanças globais alvoroçam o setor

    No País, a indústria alimentícia comandou as vendas de polipropileno, seguida de perto pelos setores automotivo e de agronegócio. Na avaliação de Fittipaldi, também os segmentos de higiene e limpeza, utilidades domésticas e de produtos eletroeletrônicos impulsionaram os negócios. Embora com participação menor, a construção civil representou filão interessante para a Suzano, que está disputando o mercado de tubos.

    O quadro de equilíbrio na oferta e demanda de resina em âmbito mundial criou uma situação bastante propícia para os fabricantes pleitearem a recuperação de margens, afetadas pelo maior custo das matérias-primas como reflexo da alta nos preços do petróleo. “A magnitude desse aumento deve ser ao redor de 11% para recomposição das margens”, diz. A porcentagem está sendo discutida com os clientes.

    A Suzano Petroquímica deve concluir dois projetos de desgargalamentos produtivos até o final de 2008: a fábrica de Mauá-SP, que terá sua capacidade elevada das atuais 360 mil toneladas para 450 mil toneladas; e a de Duque de Caxias-RJ, contemplada com mais 100 mil t, sobe para 300 mil t. A empresa ainda dispõe de outra unidade em Camaçari-BA, de 125 mil t. Concluídas as expansões, a capacidade total atingirá 875 mil t. de PP. O terminal marítimo também deve ser finalizado em 2008.



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