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Commodities – Demanda em alta, rearranjo petroquímico e mudanças globais alvoroçam o setor

Maria Aparecida de Sino Reto
27 de outubro de 2007
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    A Braskem consolidou as operações nas regiões Nordeste e Sul. Petrobrás e Unipar estudam, agora, a estrutura societária da Petroquímica do Sudeste. Além disso, deve se integrar a esse pólo o Complexo Petroquímico do Rio de Janeiro, o Comperj, um projeto de 8,3 bilhões de dólares, empreendido pela Petrobrás em parceria com o grupo Ultra e o BNDES, que contemplará a produção de 800 mil toneladas de polietileno e 850 mil t de polipropileno, além de outros insumos de primeira e segunda geração (eteno, propeno, estireno etc.), com previsão de entrar em operação em 2012. Segundo o presidente da Petroquisa, a terraplenagem está programada para começar em março do próximo ano.

    O projeto prevê uma nova rota para a produção das resinas: craquear óleo pesado para produzir eteno e propeno, insumos básicos para a síntese de polietilenos e polipropileno. De acordo com Andrade, a idéia é ter na primeira geração uma refinaria petroquímica que produzirá essencialmente eteno e propeno, ao lado de unidades de segunda geração, para produção de polietileno e polipropileno.

    Plástico Moderno, Walmir Soller, diretor de mercados internacionais da Braskem, Commodities - Demanda em alta, rearranjo petroquímico e mudanças globais alvoroçam o setor

    Soller prevê oferta e demanda equilibradas nos próximos anos

    Reestruturação global – O rearranjo da petroquímica brasileira equivale a apenas uma pequena ponta de um iceberg gigante. Grandes produtores de petróleo, os países do Oriente Médio caminham rumo à liderança mundial em petroquímicos. Com matéria-prima a custos extremamente competitivos a seu favor, os projetos empreendidos no Oriente Médio são integrados e devem despejar 12 milhões de toneladas de polietilenos no mercado dentro de cerca de dois anos. Roriz ressalta que a região da Arábia Saudita e o Irã terão pólos petroquímicos enormes, que aproveitarão matérias-primas até então sem valor comercial, como gás natural abundante, que permitirá a produção de resina muito competitiva em nível mundial. O mercado global deve se preparar, ainda, para mais 15 milhões de toneladas previstas para entrar em operação mais adiante.

    O tamanho das novas capacidades assusta num primeiro momento. Mas, para o diretor de mercados internacionais da Braskem, Walmir Soller, a tendência é de equilíbrio, se o quadro for avaliado no longo prazo. Ele acredita que, apesar do aumento considerável das capacidades, não haverá uma recessão mundial.

    As taxas de crescimento das poliolefinas, da ordem de 5% a 6% ao ano, se mantêm, e isso representa algo entre 5 e 6 milhões de toneladas por ano. “Assim, o excesso de oferta quase se anula com a demanda que haverá dos países em crescimento”, declarou para a platéia do seminário promovido pelo IBC.

    O presidente do Siresp compartilha a opinião. “Há dois ou três anos se previa que o mundo sofreria uma recessão, mas a China vai crescer 12% neste ano e se falava que ela cresceria 8,5%. Então, é bom mesmo que venha boa parcela dessa capacidade nova para atender à demanda, que estará bem mais balanceada do que se esperava”, pondera Roriz.

    O diretor da Braskem prevê que, tanto para os polietilenos como para o polipropileno, haverá, nos próximos anos, uma forte demanda de resinas nas regiões adjacentes ao Oriente Médio. O mercado natural para os novos projetos do Oriente Médio deverá ser essa região. De qualquer modo, vale lembrar que o mercado hoje é globalizado e produtos commodities circulam em todo o mundo, o que pode afetar, sim, o mercado brasileiro.

    Na opinião de Soller, também os investimentos levados a cabo na Ásia não são preocupantes. A demanda nessa região cresce mais rápido do que a capacidade de novas unidades fabris e a tendência é de seguir como importador relevante nos próximos anos, tendo a China como a locomotiva dessa região, alimentada pelo Oriente Médio, principalmente.
    A América do Sul assume papel importante nesse novo contexto. Nas projeções do diretor da Braskem, a região entra no mapa como alternativa competitiva fora do eixo Oriente Médio-Ásia, como fonte de abastecimento dos déficits dos continentes americano, africano e europeu.

    Construção e PVC – Punido por um persistente baixo consumo nos últimos anos, o policloreto de vinila parece finalmente entrar em um período de vacas gordas. A construção civil se reergueu e segue de vento em popa. A resina está vendendo muito bem, posicionando-se com grande destaque no período de janeiro a agosto deste ano: sua demanda somou 545,7 mil toneladas, equivalente a um aumento de 11,3% sobre 2006. Vale lembrar que 65% das vendas de PVC para o mercado brasileiro se destinam à construção civil, segundo informações da Solvay, fabricante da resina. “É muito positiva essa volta do PVC”, comemora Roriz.

    Plástico Moderno, Gibran Tarantino, gerente-comercial, Commodities - Demanda em alta, rearranjo petroquímico e mudanças globais alvoroçam o setor

    Tarantino acredita em alta crescente na construção civil

    Além da construção civil, a indústria automotiva também passa por um dos seus melhores momentos, a agricultura deve bater recorde de produção e a linha branca deslanchou, impulsionada pela construção civil. A linha branca contou com dois aspectos positivos: os juros mais baixos e os lançamentos da construção civil.

    Esses segmentos são muito atrelados, a mudança para novos imóveis impulsiona a compra de artigos como geladeiras e fogões novos. “Uma coisa puxa a outra”, diz Roriz. Os produtos eletrônicos (linha marrom), porém, sofreram por conta das importações. “No máximo, os produtos são montados aqui”, lamenta.

    A fabricante Solvay Indupa colhe frutos do bom momento do PVC. Para seu gerente-comercial, Gibran Tarantino, existe um cenário muito positivo para a cadeia de construção civil no País. Ele prevê que o setor imobiliário deverá crescer fortemente em relação ao ano passado, sustentado em dados divulgados pelo IBGE recentemente, que apostam em 9,6%, ante 4,6% de 2006.



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