Commodities – Demanda em alta, rearranjo petroquímico e mudanças globais alvoroçam o setor

A julgar pelos resultados preliminares de janeiro a agosto deste ano, o desempenho brasileiro das resinas termoplásticas mais usadas na transformação promete um final de ano memorável para os executivos do setor. Segundo levantamento da Comissão Setorial de Resinas Termoplásticas da Associação Brasileira da Indústria Química (Coplast/Abiquim), a demanda das commodities (polietilenos, polipropileno, poliestireno, policloreto de vinila e copolímero de etileno acetato de vinila) aumentou 4,8%, em comparação a idêntico período de 2006. Coordenador do Coplast e presidente do Sindicato da Indústria de Resinas Plásticas (Siresp), José Ricardo Roriz Coelho desfia bons motivos para a segunda geração petroquímica desfrutar o atual momento do setor: “Diferentemente de anos anteriores, pegamos a indústria de transformação com estoque muito baixo.

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O segundo semestre será bom de vendas, ainda, por várias razões: crescimento econômico do mercado brasileiro maior do que o previsto no início do ano, queda da taxa de juros e estabilidade da economia.”

Só o mês de agosto cravou alta de quase 18% em relação a julho. “Estamos entrando numa sazonalidade boa”, avalia Roriz. O quadro desenhado revela fortes possibilidades de a indústria chegar ao final do ano com crescimento da ordem de 8%, de acordo com as estimativas do presidente do Siresp.

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Plástico Moderno, José Ricardo Roriz Coelho, Coordenador do Coplast e presidente do Sindicato da Indústria de Resinas Plásticas (Siresp), Commodities - Demanda em alta, rearranjo petroquímico e mudanças globais alvoroçam o setor
Roriz vê a indústria fortalecida para enfrentar o novo ciclo

As vendas no mercado internacional também pesaram favoravelmente na balança do setor. O volume exportado de resinas de janeiro a agosto deste ano computou acréscimo de 18,9% sobre o mesmo período de 2006.

Mesmo com tantos motivos para comemorar, o petróleo capitaneia uma das principais dificuldades da segunda geração petroquímica: os preços do óleo continuam em franco processo de alta, com reflexos nos seus derivados, a nafta em particular, insumo básico para a produção das resinas. “A matéria-prima atingiu patamares nunca antes alcançados”, informa Roriz. A moeda nacional fortalecida pelo câmbio também pesou nas costas dos produtores petroquímicos, reduzindo sua competitividade perante a importação de produtos asiáticos, como embalagens e outros itens prontos que poderiam ser fabricados no Brasil.

Escala globalizada – Sem ganhos de escala, será impossível à indústria brasileira de resinas competir no mercado mundial e enfrentar o tsunami de resinas que se forma no Oriente Médio. Nesse contexto, a questão do rearranjo da petroquímica nacional deve ter seu desfecho provavelmente até o final do ano. A compra do grupo Ipiranga, no início de 2007, por Petrobrás, Braskem e grupo Ultra, acelerou o processo e desencadeou discussões acaloradas sobre as ações necessárias para a sua consolidação, definindo a estrutura do pólo petroquímico do Sudeste. A aquisição da Suzano Petroquímica pela Petrobrás, anunciada em agosto último, por montante que supera a casa dos 3,5 bilhões de reais (ver PM 394, agosto de 2007, página 3), delineou os contornos finais desse novo mapa, mas incitou grande polêmica sobre o retorno portentoso da Petrobrás à segunda geração.

O presidente da Petrobrás, José Sérgio Gabrielli, nega qualquer intenção da estatal de controlar o setor petroquímico no Brasil. Ele declarou à imprensa que as aquisições seguem uma tendência mundial de integração da petroquímica com o refino e que a estratégia da empresa é ter participação minoritária relevante associada ao setor privado, que deve liderar os empreendimentos.
A entrada da Petrobrás no setor foi anunciada há algum tempo e suas ações mostraram se tratar de rota sem volta. O presidente do Siresp entende que a petroquímica é uma área estratégica e a Petrobrás planeja estar mais presente nesse setor. Ele não vê problemas no quadro que se desenha agora, em um jogo comandado por dois grandes grupos, mantendo a concorrência em bom nível. “É saudável para o mercado e em condições iguais”, opina.

Os atuais movimentos da petroquímica brasileira favorecem os produtores locais de resinas perante a eminente entrada agressiva do grande volume de produção do Oriente Médio. A indústria brasileira, até então, muito regional, em oposição à petroquímica internacional, com as mudanças empreendidas no setor, se contextualizou no panorama global, o qual entrará num ciclo de alta competitividade. “O cenário que se monta no mercado nacional facilitará competir nessas condições mais adversas que teremos nos próximos anos”, avalia Roriz.

Em palestra realizada no evento “Ameaças e Oportunidades para o Setor Petroquímico e Indústria do Plástico”, promovido pelo International Business Communications (IBC), o presidente da Petroquisa, José Lima de Andrade Neto, justificou a posição da Petrobrás: “No mundo, a petroquímica e o refino de petróleo têm uma interligação forte, mas no Brasil esse nível de integração começou a crescer agora, partindo quase do zero.” As plantas que estão sendo projetadas são de escala mundial e contemplam basicamente polietilenos e polipropileno, com vantagens competitivas pela integração com refino, em locais onde são obtidas matérias-primas com preços mais baixos – grande diferencial competitivo no mundo. “O modelo brasileiro ficou em descompasso com a realidade mundial. É preciso ter escala, porte e capacidade de investir para fazer frente à concorrência externa”, opina Andrade.

A Braskem consolidou as operações nas regiões Nordeste e Sul. Petrobrás e Unipar estudam, agora, a estrutura societária da Petroquímica do Sudeste. Além disso, deve se integrar a esse pólo o Complexo Petroquímico do Rio de Janeiro, o Comperj, um projeto de 8,3 bilhões de dólares, empreendido pela Petrobrás em parceria com o grupo Ultra e o BNDES, que contemplará a produção de 800 mil toneladas de polietileno e 850 mil t de polipropileno, além de outros insumos de primeira e segunda geração (eteno, propeno, estireno etc.), com previsão de entrar em operação em 2012. Segundo o presidente da Petroquisa, a terraplenagem está programada para começar em março do próximo ano.

O projeto prevê uma nova rota para a produção das resinas: craquear óleo pesado para produzir eteno e propeno, insumos básicos para a síntese de polietilenos e polipropileno. De acordo com Andrade, a idéia é ter na primeira geração uma refinaria petroquímica que produzirá essencialmente eteno e propeno, ao lado de unidades de segunda geração, para produção de polietileno e polipropileno.

Plástico Moderno, Walmir Soller, diretor de mercados internacionais da Braskem, Commodities - Demanda em alta, rearranjo petroquímico e mudanças globais alvoroçam o setor
Soller prevê oferta e demanda equilibradas nos próximos anos

Reestruturação global – O rearranjo da petroquímica brasileira equivale a apenas uma pequena ponta de um iceberg gigante. Grandes produtores de petróleo, os países do Oriente Médio caminham rumo à liderança mundial em petroquímicos. Com matéria-prima a custos extremamente competitivos a seu favor, os projetos empreendidos no Oriente Médio são integrados e devem despejar 12 milhões de toneladas de polietilenos no mercado dentro de cerca de dois anos. Roriz ressalta que a região da Arábia Saudita e o Irã terão pólos petroquímicos enormes, que aproveitarão matérias-primas até então sem valor comercial, como gás natural abundante, que permitirá a produção de resina muito competitiva em nível mundial. O mercado global deve se preparar, ainda, para mais 15 milhões de toneladas previstas para entrar em operação mais adiante.

O tamanho das novas capacidades assusta num primeiro momento. Mas, para o diretor de mercados internacionais da Braskem, Walmir Soller, a tendência é de equilíbrio, se o quadro for avaliado no longo prazo. Ele acredita que, apesar do aumento considerável das capacidades, não haverá uma recessão mundial.

As taxas de crescimento das poliolefinas, da ordem de 5% a 6% ao ano, se mantêm, e isso representa algo entre 5 e 6 milhões de toneladas por ano. “Assim, o excesso de oferta quase se anula com a demanda que haverá dos países em crescimento”, declarou para a platéia do seminário promovido pelo IBC.

O presidente do Siresp compartilha a opinião. “Há dois ou três anos se previa que o mundo sofreria uma recessão, mas a China vai crescer 12% neste ano e se falava que ela cresceria 8,5%. Então, é bom mesmo que venha boa parcela dessa capacidade nova para atender à demanda, que estará bem mais balanceada do que se esperava”, pondera Roriz.

O diretor da Braskem prevê que, tanto para os polietilenos como para o polipropileno, haverá, nos próximos anos, uma forte demanda de resinas nas regiões adjacentes ao Oriente Médio. O mercado natural para os novos projetos do Oriente Médio deverá ser essa região. De qualquer modo, vale lembrar que o mercado hoje é globalizado e produtos commodities circulam em todo o mundo, o que pode afetar, sim, o mercado brasileiro.

Na opinião de Soller, também os investimentos levados a cabo na Ásia não são preocupantes. A demanda nessa região cresce mais rápido do que a capacidade de novas unidades fabris e a tendência é de seguir como importador relevante nos próximos anos, tendo a China como a locomotiva dessa região, alimentada pelo Oriente Médio, principalmente.
A América do Sul assume papel importante nesse novo contexto. Nas projeções do diretor da Braskem, a região entra no mapa como alternativa competitiva fora do eixo Oriente Médio-Ásia, como fonte de abastecimento dos déficits dos continentes americano, africano e europeu.

Construção e PVC – Punido por um persistente baixo consumo nos últimos anos, o policloreto de vinila parece finalmente entrar em um período de vacas gordas. A construção civil se reergueu e segue de vento em popa. A resina está vendendo muito bem, posicionando-se com grande destaque no período de janeiro a agosto deste ano: sua demanda somou 545,7 mil toneladas, equivalente a um aumento de 11,3% sobre 2006. Vale lembrar que 65% das vendas de PVC para o mercado brasileiro se destinam à construção civil, segundo informações da Solvay, fabricante da resina. “É muito positiva essa volta do PVC”, comemora Roriz.

Plástico Moderno, Gibran Tarantino, gerente-comercial, Commodities - Demanda em alta, rearranjo petroquímico e mudanças globais alvoroçam o setor
Tarantino acredita em alta crescente na construção civil

Além da construção civil, a indústria automotiva também passa por um dos seus melhores momentos, a agricultura deve bater recorde de produção e a linha branca deslanchou, impulsionada pela construção civil. A linha branca contou com dois aspectos positivos: os juros mais baixos e os lançamentos da construção civil.

Esses segmentos são muito atrelados, a mudança para novos imóveis impulsiona a compra de artigos como geladeiras e fogões novos. “Uma coisa puxa a outra”, diz Roriz. Os produtos eletrônicos (linha marrom), porém, sofreram por conta das importações. “No máximo, os produtos são montados aqui”, lamenta.

A fabricante Solvay Indupa colhe frutos do bom momento do PVC. Para seu gerente-comercial, Gibran Tarantino, existe um cenário muito positivo para a cadeia de construção civil no País. Ele prevê que o setor imobiliário deverá crescer fortemente em relação ao ano passado, sustentado em dados divulgados pelo IBGE recentemente, que apostam em 9,6%, ante 4,6% de 2006.

Segundo informações dele, outro fator importante reside nos financiamentos imobiliários, cujos recursos acumulados até agosto deste ano atingiram 10 bilhões de reais, montante que ultrapassa o acumulado de todo o ano de 2006. “A previsão é de que chegue em 16 bilhões de reais, o que dará um cenário de crescimento sustentável para os próximos anos. Temos como expectativa crescer 5% ao ano até 2012.”

As boas perspectivas, no entanto, vão além da construção civil. Tarantino prevê crescimento ao longo deste e dos próximos anos também para outros setores relevantes no portfólio da empresa, como calçados, laminados e filmes para embalagens, baseado nos investimentos que os clientes vem realizando com constância, para desgargalar suas capacidades produtivas. Ele também espera colher os frutos das ações do Programa de Aceleração do Crescimento (PAC), na área de saneamento básico. “O Governo Federal tem demonstrado interesse e divulgado a importância de investir nesse setor, o que representará forte demanda de PVC.”

Sustentado nessas avaliações promissoras, Tarantino projeta para a Solvay crescimento de 5% ao ano até 2012. No ano passado, a empresa vendeu 280 mil toneladas de PVC. “Para 2007, nossa expectativa é de crescer entre 6% e 8%.” A fábrica da empresa, em Santo André-SP, tem capacidade para produzir até 270 mil toneladas anuais da resina. A da outra unidade na América do Sul, em Bahía Blanca, Argentina, alcança 240 mil toneladas.

Com a proposta de seguir de perto o crescimento da demanda e também fortalecer sua competitividade, a Solvay recebeu aval do BNDES para um financiamento de R$ 313,7 milhões destinado a projetos de modernização e ampliação da produção de soda-cloro, de 100 mil toneladas para 170 mil toneladas anuais, e de PVC, de 270 mil toneladas para 320 mil toneladas anuais. Segundo Tarantino, os investimentos têm por objetivo incrementar as capacidades produtivas e converter as fábricas em unidades com tecnologia de última geração e alta competitividade, a fim de acompanhar a evolução prevista para o mercado sul-americano, principalmente o Mercosul. A proposta é de também expandir o mix de produtos.

Se cumpridos os cronogramas, as novas unidades produtivas de Santo André entram em operação no último trimestre de 2008. Concluído o projeto, a capacidade anual instalada será de 560 mil toneladas de PVC e 350 mil toneladas de soda cáustica, considerando as unidades brasileiras e argentinas.
As resinas ofertadas pela Solvay abastecem diversos setores, entre os quais brinquedos e artigos médicos.

Fazem parte desse leque as seguintes resinas: a SolVin 258 RG, voltada para a injeção de peças rígidas e conexões; a 263 RB para a extrusão de perfis rígidos em geral, portas sanfonadas e forros; a 266 RC, indicada para extrusão de tubos rígidos e perfis de janelas; e a 265 PY, direcionada aos mercados de revestimentos de fios e cabos, geomembranas e laminados para piscinas e pisos. Tarantino considera o atual mix de resinas adequado e atualizado para todos os segmentos de atuação. “Atende plenamente às necessidades dos nossos clientes.”

PP em forma – Uma conquista freqüente, o crescimento na demanda do polipropileno se justifica por ser uma das resinas mais versáteis entre as termoplásticas, assumindo até mesmo papel correlato ao de plástico de engenharia, na forma de composto, sobretudo na indústria automotiva. De janeiro a agosto deste ano, o mercado brasileiro demandou 812,6 mil toneladas de PP, contra 764,1 mil t, no comparativo com 2006, com alta de 6,4%.

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Plástico Moderno, Sinclair Fittipaldi, gerente de marketing e comunicação da Suzano Petroquímica, Commodities - Demanda em alta, rearranjo petroquímico e mudanças globais alvoroçam o setor
Fittipaldi: pressão americana dificultou melhor desempenho

Mesmo assim, o desempenho dos produtores brasileiros poderia ter sido melhor, não fossem as importações de resina e manufaturados. De janeiro a agosto deste ano, a indústria brasileira importou quase 108 mil toneladas de polipropileno, equivalentes a mais de 13% da demanda.

“Houve uma pressão muito forte dos excedentes norte-americanos, colocados no mercado a preços muito competitivos.Eles exportaram mais de um milhão de toneladas nos primeiros seis meses deste ano e a América do Sul acabou sendo um destino importante”, relata Sinclair Fittipaldi, gerente de marketing e comunicação da Suzano Petroquímica.O desempenho da empresa no primeiro semestre de 2007 seguiu em linha com o mercado, na avaliação dele.

Somados os volumes comercializados no País e os que atravessaram as fronteiras, o crescimento ficou ao redor de 5%. Nesse período, as vendas totais atingiram ao redor de 290 mil toneladas, das quais 225 mil t foram internadas, contra a soma de 272 mil toneladas, e 217 mil t direcionadas ao mercado doméstico, no ano passado.

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No País, a indústria alimentícia comandou as vendas de polipropileno, seguida de perto pelos setores automotivo e de agronegócio. Na avaliação de Fittipaldi, também os segmentos de higiene e limpeza, utilidades domésticas e de produtos eletroeletrônicos impulsionaram os negócios. Embora com participação menor, a construção civil representou filão interessante para a Suzano, que está disputando o mercado de tubos.

O quadro de equilíbrio na oferta e demanda de resina em âmbito mundial criou uma situação bastante propícia para os fabricantes pleitearem a recuperação de margens, afetadas pelo maior custo das matérias-primas como reflexo da alta nos preços do petróleo. “A magnitude desse aumento deve ser ao redor de 11% para recomposição das margens”, diz. A porcentagem está sendo discutida com os clientes.

A Suzano Petroquímica deve concluir dois projetos de desgargalamentos produtivos até o final de 2008: a fábrica de Mauá-SP, que terá sua capacidade elevada das atuais 360 mil toneladas para 450 mil toneladas; e a de Duque de Caxias-RJ, contemplada com mais 100 mil t, sobe para 300 mil t. A empresa ainda dispõe de outra unidade em Camaçari-BA, de 125 mil t. Concluídas as expansões, a capacidade total atingirá 875 mil t. de PP. O terminal marítimo também deve ser finalizado em 2008.

Em termos de desenvolvimentos, as últimas novidades da Suzano foram apresentadas na Brasilplast, realizada em maio deste ano, favorecendo diversos segmentos (ver PM 391, maio de 2007, pág. 26). O fabricante parte, agora, para o desenvolvimento de nanocompósitos estruturados com argila nacional. A empresa assinou um acordo com a Financiadora de Estudos e Projetos (Finep) e recebeu aporte de R$ 508 mil destinado à execução do projeto, que visa a desenvolver um polipropileno com características elevadas de barreira física, química e resistência mecânica para aplicação em embalagens capazes de prolongar a conservação dos produtos e também em autopeças.

“Por meio desse estudo, esperamos viabilizar a aplicação de uma técnica de polimerização via incorporação de argila, o que representará um aumento significativo nas propriedades finais de barreira física e química, principalmente ao oxigênio e ao dióxido de carbono”, explicou Cláudio Marcondes, gerente de desenvolvimento de novos produtos. A contrapartida da Suzano será de R$ 1,2 milhão, destinado em especial à compra de equipamentos.

PS em abundância – O excesso de oferta de poliestireno – 40% maior que a demanda, na avaliação de Eide Garcia, gerente de produto e mercado para poliestireno para a América Latina da Dow – está na base da maior dificuldade enfrentada atualmente pelo setor. “O grande desafio para os produtores brasileiros de poliestireno é a rentabilidade, que tem promovido uma competição acirrada de preços”, informa Garcia.

Segundo dados da Associação Brasileira da Indústria Química (Abiquim), somadas as capacidades instaladas dos quatro fabricantes brasileiros (Basf, Dow, Innova e Videolar), a oferta chega a 635 mil toneladas anuais, enquanto a demanda doméstica da resina somou 229,2 mil toneladas de janeiro a agosto deste ano (alta de 3,6% sobre 2006).

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Plástico Moderno, Eide Garcia, gerente de produto e mercado para poliestireno para a América Latina da Dow, Commodities - Demanda em alta, rearranjo petroquímico e mudanças globais alvoroçam o setor
Garcia enfrenta competição acirrada e briga por preços

A Dow conseguiu crescer 5% no mercado de poliestireno no primeiro semestre deste ano, em relação ao mesmo período de 2006, desempenho puxado especialmente pelo mercado de linha branca.

Em contrapartida, os eletroeletrônicos apresentaram o comportamento mais tímido no período. A empresa carrega o título de maior produtora mundial de poliestireno, com destaque para a oferta de três tipos de PS: cristal, alto impacto, e resistentes à ignição.

Outra fabricante renomada de poliestireno, a Innova considera este ano positivo em todas as áreas. “Dada a sazonalidade característica de cada segmento, temos uma concentração maior de vendas em distintos períodos do ano”, pondera Fernanda Schoenardie Schuck, gerente de planejamento comercial e marketing, que destaca as embalagens entre as áreas de melhor desempenho.

Plástico Moderno, Fernanda Schoenardie Schuck, gerente de planejamento comercial e marketing, Commodities - Demanda em alta, rearranjo petroquímico e mudanças globais alvoroçam o setor
Fernanda comemora aumento das vendas entre 15% e 17%

Na avaliação da gerente, o mercado brasileiro de PS sinaliza crescimento em linha com o PIB, com previsão de desempenho inferior ao crescimento verificado em 2006, que alcançou 13%. No entender de Fernanda, a alta no custo do leite interferiu e freou o ótimo desempenho do primeiro semestre, que chegou a ser três vezes maior que o PIB. Ela prevê aumentar a produção da empresa entre 7% e 8% e as vendas domésticas, de 15% a 17%. As exportações, no entanto, devem encolher cerca de 30%. A capacidade atual da Innova atinge 135 mil toneladas anuais de poliestireno: 58 mil t do tipo cristal e 77 mil de alto impacto. A empresa também produz seus insumos principais. De estireno, a capacidade chega a 255 mil toneladas.

De etilbenzeno, 190 mil t. O volume de estireno deve ser duplicado até o final do primeiro semestre de 2008, quando Fernanda prevê a conclusão da nova planta que elevará para 540 mil t a capacidade instalada de etilbenzeno.

No quesito novos produtos, os projetos de desenvolvimento se concentram na ampliação da linha de poliestireno de alto impacto, derivada da tecnologia da variedade R 870 E, patenteada pela Innova; e também no desenvolvimento de um PS de alto impacto com alta transparência. Segundo Fernanda, a nova resina de alta transparência segue em testes e se destina em especial ao mercado de embalagens termoformadas. A empresa ainda busca novas aplicações para as especialidades, como o poliestireno de alto impacto de alto brilho e o de alta resistência química.

Plástico Moderno, Alberto Ulriksen, diretor de produtos da linha de polietilenos lineares de baixa densidade para a América Latina da Dow para o Brasil, Commodities - Demanda em alta, rearranjo petroquímico e mudanças globais alvoroçam o setor
Ulriksen ressalta a integração do novo projeto alcoolquímico

PE na lanterninha – “A demanda de polietileno tem sido consistente, porém, crescendo aquém do esperado por nós para esse ano”, comenta Alberto Ulriksen, diretor de produtos da linha de polietilenos lineares de baixa densidade para a América Latina da Dow para o Brasil. Na opinião dele, parte desse quadro pode ser creditada ao efeito de estoques no final de 2006. Ele acredita que até o fim de 2007 a demanda de polietileno em geral se manterá forte, na casa dos 5% aos 10%, dependendo do segmento.

Os dados divulgados pelo Siresp indicam crescimento na demanda de 3,3% no de baixa densidade convencional, 2,4% no de baixa densidade linear e queda de 0,9% no de alta densidade. As exportações do linear e do de alta densidade, no entanto, só perderam em crescimento para o polipropileno. O PEAD avançou 30,4% e o linear 26,2%. Apenas o PEBD encolheu as vendas ao mercado externo (13,3%), afinal os negócios avançaram no País.“O mercado está melhor neste ano; tudo aponta para atingir a meta de 8% ao ano”, diz Maria Regina Pina Rodrigues da Silva, diretora-comercial da Petroquímica Triunfo. A restrição na oferta de PEBD no mercado provocada pelos problemas na Argentina, aliados a algumas paradas de plantas, favoreceu os negócios.

Plástico Moderno, Maria Regina Pina Rodrigues da Silva, diretora-comercial da Petroquímica Triunfo, Commodities - Demanda em alta, rearranjo petroquímico e mudanças globais alvoroçam o setor
Regina classifica como boas as vendas, porém,irregulares

Segundo Regina, o desempenho da empresa no primeiro semestre foi bom, porém irregular mês a mês, em razão de uma queda de braço entre os elos da cadeia provocada pelo excedente na oferta de produto e a oscilação nos preços de petróleo. Nas contas dela, as vendas de polietilenos no mercado interno cresceram cerca de 13% e as de EVA, 34%, em comparação com os primeiros seis meses de 2006.

Graças ao bom desempenho do setor agrícola, a produtora de PEBD percebeu bom crescimento da resina nas sacarias industriais. A indústria alimentícia também puxou os negócios, avalia Regina. “Alguns mercados que desenvolvemos em EVA, como as aplicações em filme térmico e stretch hood, estão indo muito bem.”

As exportações, considerados PEBD e EVA juntos, encolheram de 35% da produção para 29%. No ano passado, as vendas ao mercado externo foram fortemente influenciadas pelo EVA. “Mantivemos, porém, mercados como Argentina e Uruguai e, no caso do EVA, também a Espanha”, diz a diretora da Triunfo.

Operando no limite de sua capacidade, de 160 mil toneladas anuais (PEBD e EVA), a Triunfo vende tudo o que produz, assegura Regina. Neste ano, as estimativas apontam para 157 mil toneladas. “Investimos o possível em processos de otimização para usar todo o eteno disponível.”

Nos rastros do bom desempenho do EVA, os desenvolvimentos da empresa focaram essa resina: os grades TN 2006 e CN 2080. Desenhado para o segmento de filmes térmicos, stretch hood e embalagens multicamadas, o primeiro se destaca por se tratar de uma inovação no mercado nacional. O produto apresenta índice de fluidez bastante baixo, permitindo boas características mecânicas. Sua alta estabilidade de processo possibilita o uso em estruturas que incorporam camadas de barreira, como náilon.

O CN 2080 consiste em um EVA específico para a indústria alimentícia, também em filmes de múltiplas camadas. Nesse caso, porém, a resina entra como camada destinada a promover maior soldabilidade.

“Se a necessidade é produzir uma estrutura multicamada com barreira, a indicação é o TN 2006, que é uma das camadas e ajuda nas propriedades de barreira, principalmente ao vapor; e se for melhorar a soldabilidade, o CN 2080 entra como camada interna”, explica Nicolino Panebianco, coordenador de desenvolvimento de mercado e produtos. De acordo com ele, o EVA melhora a resistência mecânica de embalagens submetidas a baixas temperaturas. O mercado transformador pode aguardar em breve novos projetos de polietileno, no segmento de termoencolhíveis, e de EVA, no de stretch hood.

PE retorna à alcoolquímica – Pouco depois de se desfazer da sua fábrica de PEBD de Cubatão (adquirida da antiga Union Carbide), negociada com o grupo Unipar, a Dow anunciou, em julho, a assinatura de um acordo com o grupo nacional sucroalcooleiro Crystalsev para a criação de uma sociedade compartilhada que resultará no primeiro pólo alcoolquímico integrado do mundo, com escala industrial para produção de 350 mil toneladas anuais de polietileno linear de baixa densidade, com etileno obtido do etanol a partir da cana-de-açúcar (ver PM 394, agosto de 2007, página 66).

“O projeto está alinhado de diversas maneiras com a estratégia da Dow de fortalecer o portfólio, investir em geografias de crescimento como o Brasil, buscando utilizar matérias-primas renováveis”, disse Ulriksen. A nova fábrica produzirá a conhecida linha Dowlex. O acordo assinado com a Crystalsev estabelece prazo de um ano para os estudos necessários e a previsão é de formalizar a joint venture em 2008, com início da produção em 2011. Segundo o diretor, o local para a instalação do pólo só será definido após a conclusão dos estudos. Ele considera como grande inovação desse projeto a integração das duas empresas em todo o processo, do plantio da cana até a fabricação e a comercialização do plástico.

A Dow atua no mercado brasileiro com todas as variedades de polietilenos, fabricados em unidades na Argentina, Chile, Estados Unidos e Europa. As principais constituem os polietilenos de ultrabaixa densidade da família Attane, destinados a mercados com requisitos de excelente resistência à perfuração e ao rasgo e alta flexibilidade sob baixas temperaturas; e os polietilenos da linha Dowlex, resistentes à perfuração e ao rasgo e excelente processabilidade, atendem o mercado de embalagens, entre outras aplicações.

A empresa também destaca os polietilenos de alto desempenho da linha Elite, desenvolvida com a tecnologia Insite. Esses produtos combinam alta resistência na solda a quente, à perfuração e ao impacto e são indicados para ampla variedade de uso. O portfólio ainda inclui polietileno de alta densidade e de baixa densidade convencional.

Antes de a Dow anunciar seu projeto alcoolquímico, a Braskem comemorava a obtenção do primeiro certificado internacional para a fabricação de polietileno de alta densidade (PEAD) pela rota eteno-álcool derivado de cana-de-açúcar. “A Braskem efetivamente produziu a resina”, ressaltou Soller. Ele não vê riscos de a empreitada fracassar, como na década de 70, quando a indústria brasileira utilizou a alcoolquímica como alternativa para a obtenção de resinas (ver PM 394, agosto de 2007, pág. 68).

Na opinião do diretor da Braskem, alguns fatores levam a crer que hoje não será como no passado, quando a empresa produzia PVC por esse caminho, inviabilizado pelos baixos preços do petróleo, o que ele não acredita que volte a ocorrer. “Os analistas de energia dizem que os países da Opep terão uma representatividade maior sobre a oferta de petróleo no mundo e controle eficiente da precificação do produto. Além disso, existe uma conscientização global para usar fontes renováveis de matérias-primas.”

À mesma época programada para a entrada em operação do Comperj, a Braskem pretende estar entre as dez principais petroquímicas globais em termos de valores de mercado. “O objetivo não é só faturamento ou volume de vendas, é o valor agregado efetivamente e o valor da empresa. O direcionamento estratégico é consolidar a posição de mercado em produtos-chave na América Latina e garantir fontes competitivas de matéria-prima”, declarou.

A indústria petroquímica brasileira sinaliza ter fôlego o bastante para enfrentar o novo ciclo que se desenha no mercado mundial nos próximos anos, com disposição para a inovação tecnológica e aportes de peso. Também está preparado o terreno para acompanhar o grande potencial de crescimento da demanda doméstica. Afinal, o brasileiro ainda consome menos de 30 quilos per capita.

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