Combinação de materiais amplia oportunidades em aplicações sofisticadas

Plástico Moderno, Polietileno tem vários grades para atender aos fabricantes de embalagens
Polietileno tem vários grades para atender aos fabricantes de embalagens

O mercado brasileiro de embalagens flexíveis movimenta R$ 20 bilhões por ano. Poderia ser maior, a crise econômica vivida pelo País nos últimos anos tem atrapalhado seu desempenho. Mesmo assim, é muito atraente. De olho nesse filão bilionário, grandes grupos fabricantes de matérias-primas oferecem formulações inovadoras, com as quais podem ser obtidos resultados a cada dia mais funcionais.

Além de novos materiais para filmes ou placas termoformadas monocamadas, as fornecedoras de materiais se mostram preocupadas com a grande tendência verificada no campo das embalagens flexíveis mais sofisticadas, a do uso cada vez maior de soluções multicamadas. São usadas, conforme a necessidade, combinações formadas por matérias-primas como poliamidas, poliestireno, polietileno, polipropileno, EVOH e outros.

Alvaro Azanha, engenheiro com 27 anos de experiência no desenvolvimento de embalagens para alimentos, proprietário da consultoria How to Pack, lembra que há grande pressão da sociedade por produtos mais saudáveis, em especial os oferecidos pela indústria alimentícia, um dos principais clientes desse nicho da indústria do plástico. “Os consumidores cobram por índices menores de gordura, açúcar e conservantes, reduções que afetam a durabilidade dos produtos”.

Também tem crescido a procura por soluções mais práticas, caso, por exemplo, dos pratos comercializados prontos nos pontos de venda, cujas embalagens os conservem por maior período e aguentem serem aquecidos em fornos de micro-ondas ou em fornos de fogões convencionais. Sem falar no apelo ecológico, é constante a cobrança por embalagens mais leves e, quando possível, fabricadas com materiais biodegradáveis.

Para atender tal demanda, a evolução da qualidade das embalagens flexíveis se torna indispensável. “Elas precisam se mostrar mais ativas, ganhar importância na conservação de carnes, verduras e outros alimentos”. Em outras palavras, necessitam possuir características diferenciadas, como maior resistência mecânica, ter funções antimicrobiais, permitir barreira a oxigênio e outros gases e por aí afora. Para cada tipo de produto final é necessária uma solução.

Polietileno e polipropileno – A brasileira Braskem afirma investir de maneira constante para atender as demandas do mercado. A estratégia vale para as duas matérias primas principais de seu portfólio, o polietileno e o polipropileno. A empresa oferece resinas indicadas para atender da produção de embalagens leves a outras que proporcionem durabilidade aos produtos, as que sejam sustentáveis ou as com excelente apelo visual para impressão e comunicação do produto no ponto de venda, entre outros atributos. Outra preocupação é a de desenvolver soluções voltadas para a sustentabilidade, caso da linha I’m Green, formada por grades de polietileno obtidos do etanol, uma fonte renovável.

No campo do polietileno, a Braskem aposta em seu portfólio de grades metalocênicos. Com constantes investimentos, tem ampliado as famílias Proxess e Flexus, disponibilizando alternativas em soluções para embalagens e filmes especiais. Um dos nichos que a empresa procura atingir é o das estruturas multicamadas, onde se se destacam os filmes de polietilenos para laminação e/ou coextrusão.

Uma das novidades, a ser disponibilizada ainda em 2018, é o Proxess1509XP, material voltado para proporcionar melhor desempenho em selagem, resistência ao rasgo e processabilidade com relação custo/benefício compensadora. Entre os produtos já no mercado, o destaque vai para o Flexus9212XP. De acordo com informações da empresa, o produto proporciona a produção de embalagens sustentáveis, recicláveis, resistentes, funcionais e de excelente apelo mercadológico. Além disso, promove alto rendimento no envase automático e coeficiente de fricção estável, possibilitando altas velocidades no empacotamento e menor número de paradas de máquina. Utilizado em embalagens secundárias, a Braskem apresenta o Flexus3600, indicado para o segmento de stretch film.

No campo do PP, a Braskem destaca a resina PF320, destinada à produção de filme biorientado pelo processo stenter. A empresa afirma que ele traz vantagens comprovadas de qualidade e maior índice de continuidade operacional, o que se traduz em produtividade e maior disponibilidade de máquina. Essa resina proporciona também melhor perfil de espessura do filme, comparado com o gerado com as resinas tradicionais, atingindo valores melhores em regularidade na espessura e possibilitando operar a máquina mais fria, na qual propriedades mecânicas superiores podem ser facilmente atingidas. A PF320 apresenta considerável redução no consumo de energia em todo o processo produtivo de filme BOPP.

Ainda para o segmento de filmes biorientados, a Braskem trabalha no desenvolvimento de um terpolímero que possibilite atingir menor temperatura de selagem com maior retenção de tratamento superficial. Essa resina está programada para ser lançada em 2019.

Plástico Moderno, Ultramid C37LC dispensa adição de poliamida amorfa
Ultramid C37LC dispensa adição de poliamida amorfa

Portfólio variado – Uma das gigantes mundiais da química preocupada em oferecer soluções para esse nicho de mercado é a Basf. “O mercado de embalagens flexíveis da América do Sul é extremamente estratégico para a empresa”, resume Henrique Fonseca de Oliveira, gerente de marketing de químicos industriais para a América do Sul. Há três áreas de negócios da multinacional que fornecem matérias-primas para o segmento de embalagens flexíveis, as de químicos industriais (poliamidas), aditivos para plásticos, e dispersões e resinas para embalagens.

No campo de químicos industriais, a empresa oferece extensa variedade de grades de poliamidas para atender os transformadores do segmento. A linha é formada por homopolímeros e copolímeros de diferentes viscosidades e/ou enriquecidas com aditivos. Nesse contexto estão as linhas Ultramid B, Ultramid C e a novíssima linha Ultramid F Flex. “São produtos aplicados na produção de filmes para embalagens de alimentos frescos e processados, que proporcionam resistência mecânica e barreira contra oxigênio e aromas, propriedades relevantes para o aumento da vida de prateleira dos produtos”, ressalta Oliveira.

Entre as formulações mais recentes, destaque para o Ultramid C37LC e o Ultramid Flex F38L, ambas copoliamidas voltadas para os mercados de termoformação e extrusão de filmes de alto desempenho. Por se tratar de um material de menor cristalinidade, maior maciez e menor ponto de fusão (o menor entre os copolímeros tradicionais), o Ultramid C37LC é indicado para filmes termoformados, por seu menor encanoamento, maior flexibilidade e melhores propriedades óticas. Ele elimina a tradicional adição de poliamida amorfa. Também pode ser aproveitado em embalagens termoencolhíveis, principalmente por sua maior razão de encolhimento. “O Ultramid Flex F38L proporciona alta razão de encolhimento e alta permeabilidade ao CO2, importante para a maturação de produtos específicos, como alguns tipos especiais de queijos”.

Nas linhas de aditivos, a Basf produz estabilizantes de processo e estabilizantes à luz com as marcas Chimassorb 2020, Tinuvin 783, Tinuvin 326, Irganox e Irgafos. “São produtos que oferecem proteção contra exposição prolongada à luz UV e variação de temperatura, entre outros fatores de desgaste, proporcionando resistência ao envelhecimento, durabilidade e proteção ao conteúdo da embalagem”, explica José Capozzi, gerente de negócios de aditivos para plástico. A Basf também conta com linhas de aditivos voltados para proteger o filme do amarelamento e do pinking, a coloração rosa que pode ocorrer quando as bobinas estão armazenadas no estoque.

No campo das dispersões e resinas para embalagens, as resinas base água Joncryl e Epotal surgem como opções mais sustentáveis para algumas aplicações. “A Joncryl FLX, indicada para a produção de tintas/vernizes, pode ser aplicada em impressões reversas ou de superfície, garantindo a mesma qualidade e produtividade do sistema convencional”, explica Bruna Inamassu Ruffo, gerente de marketing de dispersões para Packaging & Fiber Bonding para a América do Sul. Recém-lançado, o grade Joncryl FLX 5220 se baseia em dispersão híbrida de poliuretano e poliacrilato, e garante boa impressão em embalagens laminadas de médio e alto desempenho, como as de café, salgadinhos e molhos de tomate, por exemplo.

A linha Epotal CF é formada por adesivos de laminação aplicados em filmes flexíveis (PE, BOPP, PET e outros). “A linha entrega soluções que permitem a imediata laminação no sistema, não é necessário tempo de cura, o que aumenta a produtividade. É ideal para qualquer tipo de estrutura de embalagens de alto, médio e baixo desempenho”.

Com base solvente, os produtos Versamud PUR são resinas poliuretânicas voltadas para a produção de tintas e vernizes. Podem ser encontradas e aplicadas em bolsas, embalagens de salgadinhos, biscoitos, café e outras. Nessa linha, a grande novidade é formulação Versamid PUR 2110, resina poliuretânica em sistema 100%. “Ela não necessita ter compatibilidade com nitrocelulose. Sua principal aplicação é para embalagens retort com estruturas de polipropileno, poliéster e filmes de náilon”.

Poliamidas – Multinacional de origem japonesa, a UBE fornece produtos químicos para vários segmentos da indústria, entre eles poliamidas com aplicações nesse segmento do mercado. “Na América do Sul vemos um grande crescimento do setor de embalagens flexíveis, o que pode ser observado pelas aquisições de empresas locais por grandes conglomerados internacionais, casos da Amcor, empresa australiana que investiu na Argentina, Peru, Brasil e Chile”, informa Daniel Hernandes, executivo de vendas para América Latina.

Plástico Moderno, Hernandes: América do Sul registra avanço de flexíveis
Hernandes: América do Sul registra avanço de flexíveis

Nesse campo de trabalho, a UBE se especializou em soluções para o mercado de extrusão de filmes de média e alta barreira. De acordo com Hernandes, ela fornece diferentes grades de homopoliamidas, copoliamidas e terpoliamidas cujas características conferem propriedades importantes para determinadas aplicações. “Temos soluções para o mercado alimentício de pouches, tripas, termoencolhíveis, termoformados e bag-in-box, além de desenvolvimentos recentes em home care”.

São matérias-primas indicadas para produtos que necessitam de proteção contra agentes externos (manuseio, superfícies cortantes/perfurantes, oxigênio), para maior apelo estético nos pontos de venda (brilho e transparência) e em embalagens que necessitam de melhorias na profundidade de termoformagem, taxa de encolhimento ou taxas de respiração, entre diversas outras características possíveis.

Entre os lançamentos mais recentes, se encontra a terpoliamida 6434FD14, obtida a partir da polimerização de três diferentes monômeros, caprolactama, sal de náilon e laurolactama. Ela possibilita termoformados mais fundos, obtidos com menor gasto energético e maior resistência à perfuração, podendo ser usada, por exemplo, para bacon, carnes com ossos e frutos do mar. Outro produto recente e exclusivo no mercado é a copoliamida 5033FD8, resistente a altas temperaturas e umidade da autoclave. São ideais para produtos como molhos, papinhas de bebê, legumes e outros.

Plástico Moderno, Baruque: novos grades de PA oferecem resistência aumentada
Baruque: novos grades de PA oferecem resistência aumentada

Poliamidas, parte II – A italiana Radici é outra empresa com forte atuação no mercado de poliamidas. “O setor de embalagens flexíveis é de grande importância para nós, fica atrás apenas dos segmentos automotivo e eletroeletrônico. Fornecemos para diversos clientes do setor, em especial para os do ramo alimentício, que utilizam filmes para embutidos”, revela Luis Baruque, gerente de marketing e desenvolvimento.

A empresa oferece a família Radilon, especialmente desenvolvida para a fabricação e extrusão de filmes de embalagens alimentícias. Os produtos estão disponíveis em ampla variedade de viscosidade e velocidade de cristalização, inclusive na forma de copoliamidas com diferentes pontos de fusão. O objetivo é atender as diferentes necessidades do segmento. “Desenvolvemos produtos para clientes com requisições específicas de acordo com as propriedades do filme a ser extrudado ou coextrudado”. No caso dos coextrudados, as soluções estudadas levam em conta a fluidez dos outros polímeros presentes no processo.

Entre as matérias primas vendidas para esse nicho se encontra o Radilon S 40 F 100 NAT, PA6 de alta viscosidade com maior rigidez e dureza, indicado para a extrusão de filmes para embutidos e tripas. Os grades Radilon CS34FL 100 NT e Radilon CS 38 FL 100 NT são copoliamidas 6/66 de média viscosidade, usadas na extrusão mono e multicamadas para massas, queijos, carnes e linguiças ou outros produtos que exijam filmes mais flexíveis.

Entre os lançamentos mais recentes, destaques para as formulações Radilon CS 38TX 100 NT (copoliamida 6/66 de alta viscosidade para extrusão de filmes e coextrusão multicamadas com maior brilho e transparência), Radilon D 38 – PA 6.10 (extrusão e coextrusão de filmes com maior resistência ao rasgo, à punctura e menor absorção de umidade) e Radilon DT 38 (PA 6.12 de alta viscosidade, para filmes mono e multicamadas com maior resistência ao rasgo, à punctura e menor absorção de umidade). “Estes produtos são indicados embalagens onde existe necessidade de maior resistência ao rasgo”.

Milho – O filme com a marca Plantic apresenta uma série de inovações. Ele é uma novidade da japonesa Kuraray, empresa química especializada em desenvolver materiais com propriedades diferenciadas para aplicações diversas. Entre suas características, ele é um material biodegradável, obtido de matéria-prima renovável, o milho. Apresenta boas propriedades de barreira a gases e pode ser transformado nos mesmos equipamentos indicados para os materiais convencionais.

Outro lançamento recente da empresa é a resina Hybrar, que usada em filmes em combinação com o polipropileno surge como alternativa mais ecológica aos filmes de PVC. Os produtos com as marcas Hybrar e Septon, oferecidos pela empresa, são copolímeros em bloco de estireno hidrogenados (HSBC), formados pela combinação de blocos rígidos de estireno e um bloco flexível de polidieno hidrogenado. São usados como aditivos e modificadores de termoplásticos. Promovem maciez e elasticidade, em especial com as poliolefinas, com as quais possuem excelente compatibilidade. Também permitem filmes com alta transparência, adequados para contato com alimentos e medicamentos.

Ainda no nicho de embalagens flexíveis, vale lembrar que a Kuraray também fornece álcool vinílico de etileno (EVOH) sob a marca Eval e o filme de polivinil butiral (PVB) sob a marca Trofisol. Recentemente, a empresa passou a fornecer nova formulação da linha EVAL resistente à flexão. Além disso, trabalha em uma série de novos polímeros de alta barreira, indicados para a substituição de polímeros halogenados.

Plástico Moderno, Angela: plastificante aprovado pela Anvisa para filme de PVC
Angela: plastificante aprovado pela Anvisa para filme de PVC

Plastificantes – Empresas químicas fabricantes de aditivos os mais variados também têm bons clientes entre as fabricantes de embalagens flexíveis. Um exemplo ocorre com a multinacional Lanxess, que para esse nicho de mercado fornece linhas de plastificantes. Entre eles, destaque para o Unimoll AGF, mistura de glicerídeos acetilados muito utilizada em filmes estiráveis de PVC.

O produto está aprovado na lista positiva da Anvisa para contato com alimentos e não tem limites de migração especifica. “Ele proporciona eficiente plastificação, baixa emissão de fumaça no processamento e ótima produtividade, sem contar com todas as questões de segurança toxicológica”, afirma Angela Baccarin, coordenadora da unidade de negócios Additives.

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