Extrusoras – Com o parque renovado, moldador adia projetos de expansão perante o baixo crescimento econômico

Adeus ano velho, feliz ano novo. Os versos da canção, tantas vezes repetidos nas festas de réveillon, de certa forma representam bem o sentimento dos fornecedores de extrusoras. O ano em curso está terminando e não vai deixar saudades para a maioria dos representantes do setor. Os negócios melhoraram no segundo semestre, mas os primeiros seis meses foram um dos piores. A perspectiva para 2013 é de otimismo moderado e lembra outro verso da música: que tudo se realize no ano que vai nascer.

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Extrusora da SML

A explicação para os resultados de 2012 se baseia em alguns aspectos. No biênio 2010/11, as vendas foram excelentes e a indústria de transformação se capacitou para atender à demanda do mercado brasileiro de peças extrudadas. Este ano o crescimento da economia deixou a desejar e, com a capacidade ociosa, muitos clientes engavetaram os projetos de ampliação. Os fortes rumores da crise internacional também atrapalharam. Some-se a esse cenário os velhos problemas resultantes do chamado “custo Brasil”.

Um fato colaborou para a recuperação no último quadrimestre. O Programa de Sustentação do Investimento (PSI), criado pelo governo federal em 2009, é uma ação do BNDES destinada a financiar a aquisição de bens de capital, entre outros itens. Algumas condições especiais desse programa, previstas para acabar em 31/08 passado, foram prorrogadas até o final do ano. Também foram criadas novas linhas de crédito, com redução de juros de 5,5% para 2,5% ao ano para financiamentos voltados para a aquisição de equipamentos nacionais.

O resultado da medida tem contribuído para o aumento no número de pedidos e consultas de setembro para cá. Uma boa parte das encomendas fechadas ou a caminho até o final do ano deve reduzir a capacidade ociosa das empresas de bens de capital nos próximos meses. Pelo menos no primeiro semestre do próximo ano, as fábricas vão trabalhar para atender às encomendas atuais.

Em paralelo, há torcida para o crescimento mais vigoroso da economia, o que forçará os transformadores a investir na ampliação de suas linhas de produção. A redução da taxa de juros Selic, ocorrida nos últimos meses, aparece como o principal fator de esperança para a concretização dessa expectativa. Também o arrefecimento dos rumores sobre a crise internacional melhorou o humor dos compradores. O cenário parece melhor para as empresas brasileiras, como Carnevalli, Rulli-Standard, Miotto, Bausano e Extrusão Brasil, e para os importadores, como KraussMaffei, Ematec e BY Engenharia.

A batalha entre os fabricantes nacionais e os chineses no caso das extrusoras ainda não atingiu o mesmo patamar dos fabricantes de injetoras, em que a competição é para lá de acirrada. De acordo com os representantes brasileiros do ramo, a qualidade das máquinas chinesas deixa muito a desejar. Isso afasta a clientela, apesar dos preços oferecidos pelos fabricantes de “olhos puxados” serem bastante reduzidos. Caso a indústria asiática evolua em termos de tecnologia, a situação pode se agravar muito para a brasileira nos próximos anos.

No curto prazo, preocupa mais a competição das extrusoras norte-americanas e europeias, presentes no mercado dos modelos mais sofisticados. A crise econômica vivida por esses países, em especial pelos europeus, fez com que eles passassem a prestar atenção no desempenho positivo da economia brasileira nos últimos anos. O dólar desvalorizado facilita esse processo. Muitos equipamentos com tecnologia de ponta passaram a ser oferecidos por aqui com preços convidativos.

Os compradores procuram, a cada dia mais, equipamentos mais produtivos. É cobrada da indústria a oferta de extrusoras capazes de transformar maior quantidade de resinas por hora. Em paralelo, os equipamentos precisam ser duradouros e economizar energia elétrica. Além disso, há a eterna cobrança por preços “camaradas”.

Para atender aos pedidos, os fornecedores de equipamentos investem de forma constante no aperfeiçoamento de seus modelos. Eles prometem lançar muitas novidades na próxima Feira Internacional do Plástico, a Feiplastic (novo nome da Brasilplast), principal evento do setor no Hemisfério Sul, que será realizado no próximo ano, em São Paulo. Detalhes sobre os novos modelos ainda são guardados a sete chaves.

Feliz ano velho – A Carnevalli, um dos mais tradicionais nomes do mercado no nicho de filmes, é exceção entre as empresas do ramo. “Conseguimos atingir nossas metas, nossa previsão é de crescimento de 30% a 40% em relação a 2011”, informa o diretor comercial Wilson Carnevalli Filho. A evolução das vendas acompanhou o desempenho do setor. O ano começou em ritmo normal, mas a procura enfraqueceu e o primeiro semestre não foi dos melhores.

A recuperação superou a média. No segundo semestre, as vendas atingiram níveis excelentes. “Com a redução das taxas de juros, o

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Carnevalli Filho: redução dos juros favoreceu o segundo semestre

resultado foi imediato, houve investimentos de fábricas pequenas, médias e grandes. Grandes projetos foram colocados em prática”, comemora. Para ele, o maior efeito da medida governamental foi o aumento da competitividade dos equipamentos brasileiros perante os europeus e norte-americanos. “Muitas vezes os importados se destacam pelo financiamento internacional a juros baixos; e pela primeira vez houve esta mudança no Brasil.”
Em relação à concorrência dos asiáticos, o diretor não demonstra muita preocupação. Ele sabe que, com o câmbio desvalorizado, os preços praticados pelos chineses são imbatíveis. Mesmo assim, lembra que a procura não é correspondente.

“Os importados vindos da Ásia têm preços mais interessantes, mas não agregam qualidade e as taxas de importação nos protegem”, diz. As perspectivas para o próximo ano são otimistas. “Com as vendas do final de 2012 já teremos produção para boa parte do primeiro semestre. Acreditamos que será um ano de grandes investimentos e de retomada de consumo.”

O carro-chefe da Carnevalli é a linha de extrusoras monocamada Polaris Plus 65, com rosca de diâmetro de 65 mm. Ela produz até 240 kg/h de filmes de alta ou baixa densidade e baixa densidade linear de até 1.800 mm. “O equipamento proporciona baixo consumo de energia e excelente plastificação”, afirma. Entre as máquinas de coextrusão, o destaque fica por conta do modelo de três camadas Polaris Plus 2500. “A linha conta com um dos mais avançados sistemas de automação do mundo, como dosadores gravimétricos e controladores de espessura integrados.” Em agosto, a empresa lançou a linha E 40, máquina de 40 mm voltada para os mercados de filmes estreitos e de sacos do tipo fundo estrela, muito usados nos supermercados.

Para Carnevalli Filho, o mercado vem procurando cada vez mais novas tecnologias, como controles de espessura, geometrias de roscas avançadas e novos sistemas eletrônicos; além de redução do consumo de energia, facilidade de operação pela automatização e assistência técnica. “Tudo para garantir produtividade, menor variação de espessura e maior qualidade dos filmes”, resume.

Nem tanto – Para a Rulli-Standard, outra empresa nacional bastante conhecida, o ano não deixará saudades. A empresa fabrica equipamentos de extrusão para filmes rígidos e flexíveis, com roscas de diâmetros entre 50 mm e 150 mm. “Foi um dos piores anos para a venda de equipamentos. O simples fato de se falar em crise faz com que os empresários pisem fundo no freio e cancelem todos os investimentos programados”, avalia o diretor comercial Paulo Leal.

Para o executivo, o desempenho dá sequência a um período difícil. “O ano de 2011 começou bem, reflexo dos equipamentos adquiridos em 2010. Mas as vendas do ano passado também foram abaixo das expectativas”, conta. Os resultados das medidas de incentivo tomadas pelo governo federal são vistos com cautela. “O volume de consultas vem crescendo, isso é um bom sinal.” A expectativa para o próximo ano é de otimismo moderado. “Vamos torcer por resultados positivos, para que a indústria nacional possa ser alavancada a patamares anteriores”, diz.

Leal reclama da concorrência dos importados. Para ele, os equipamentos chineses incomodam: “A importação atrapalha bastante. O principal fornecedor é a China, que oferece equipamentos com qualidade bem aquém dos produzidos no Brasil.” Ele pensa que se o governo brasileiro não coibir a chegada dos chineses, as empresas brasileiras tradicionais vão sofrer com os preços “desleais” nos próximos tempos.

A cobrança constante dos compradores por preço aborrece o diretor da Rulli-Standard: “Infelizmente o cliente sempre faz reivindicações, compara nossos produtos aos importados.” Outra demanda comum, esta vista com naturalidade, situa-se nos campos da produtividade e da segurança dos equipamentos. Entre os itens solicitados, ele cita a redução do custo por kg de matéria-prima extrudada e facilidade de set-up.

Entre os destaques da empresa, Leal aponta a extrusora 2 ½, voltada para o segmento flexível. “É um equipamento versátil e de fácil manuseio, com custo de energia baixo e preço acessível”, garante. No nicho dos rígidos, ele cita a extrusora 130 x 2 ½. “Permite grande volume de produção em inúmeras aplicações.”

Jogando pelo empate – Uma das principais empresas fabricantes nacionais de extrusoras voltadas para os segmentos de tubos, perfis e chapas, a Miotto se dará por satisfeita se conseguir repetir os resultados obtidos no ano passado. A meta não será atingida com facilidade. Depois do carnaval, as vendas se estagnaram por um longo período e a situação ficou delicada.

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Modelo Miotto para laboratório produz grânulos, tubetes e fitas

As coisas começaram a melhorar com as medidas do governo. “Com a redução dos juros houve uma melhora, mas o ano está sendo muito difícil”, analisa o presidente da empresa, Enrico Miotto. Ele lembra que nos tempos de vacas gordas vende cem linhas por ano. Neste, esse número caiu para entre quarenta e cinquenta.

Para ele, a importação de máquinas atrapalha, mas não foi o principal fator do fraco desempenho. Ele credita o momento negativo ao freio dos investimentos por parte das empresas transformadoras. “Para os importadores, o mercado também não está bom, os clientes deixaram de comprar extrusoras. Acho que eles estão com capacidade ociosa”, ressalta.

Entre os países concorrentes, os que mais preocupam são os europeus. Para o dirigente, a crise econômica vivida no velho continente fez os fabricantes de lá embarcarem para o mercado nacional de forma agressiva. “As extrusoras oferecidas por eles contam com ótima tecnologia e estão chegando aqui com preços 30% inferiores aos cobrados há algum tempo”, compara.

Em relação aos chineses, a qualidade dos equipamentos ajuda os fornecedores brasileiros. “O preço deles é menos da metade do nosso, mas nem assim fazem muito sucesso.” Para exemplificar, Miotto lembra um pedido curioso feito por um amigo. “Um cliente nosso disse que não tinha dinheiro para comprar uma máquina nossa e que iria adquirir uma chinesa e perguntou se eu poderia ajudá-lo a fazer o equipamento funcionar”, conta. Ele tem receio sobre o futuro. Cita o caso das injetoras, mercado no qual os brasileiros vêm sofrendo muito com os produtos asiáticos. “No começo as injetoras chinesas eram muito ruins, mas com o tempo melhoraram e hoje são muito competitivas.”

Para fazer frente a essa realidade, a Miotto tem investido bastante na redução de custos realizada em paralelo com a melhoria do desempenho das máquinas. “Temos feito constantes reuniões de nosso departamento de engenharia para conseguir esse objetivo. Na primeira, conseguimos reunir oitenta sugestões de alterações, das quais muitas foram adotadas”, garante.

Graças a esse esforço, a empresa não pratica reajustes de preços há três anos. O presidente admite, no entanto, que suas máquinas não se encontram entre as mais baratas do mercado. Mas ressalta a excelente relação custo/benefício. Um dos diferenciais se encontra no constante aperfeiçoamento das roscas e cilindros, oferecidos em versões bimetálicas ou nitretadas. “A geometria das roscas, em especial, garante melhor plastificação, maior produtividade e produto final de qualidade.”

A linha de máquinas da empresa é bastante completa. Entre as mais vendidas estão as de monorrosca ou dupla rosca para PVC e as de granulação de dupla rosca, com capacidades de até 2,5 mil quilogramas por hora. “Um mercado no qual somos muito fortes é o de máquinas para isolamento de fios e cabos elétricos. Elas apresentam desempenho igual ao das europeias”, orgulha-se.

Um novo modelo será lançado na Feiplastic. “Será uma máquina para o mercado de perfis e tubos. Não posso adiantar nada ainda, mas teremos boas notícias”, diz Miotto. Uma novidade recente da empresa foi um equipamento indicado para laboratórios e escolas de ensino superior. Trata-se da extrusora 3 por 1, voltada para a produção de grânulos, tubetes ou fitas. “Ela é monorrosca, tem um único motor e sistema de troca de ferramentas rápido”, explica.

Bola na rede – Em 2012, a Bausano, empresa de origem italiana com fábrica no Brasil há doze anos, com atuação no segmento de tubos e perfis, esteve longe de atingir sua meta de vendas. Seu desempenho é similar ao da maioria dos demais fornecedores. No primeiro semestre, sofreu com retração dos negócios em torno dos 30%. Depois do anúncio da queda dos juros, os negócios se recuperaram. “O mercado está reagindo, mas não vamos atingir o desempenho de 2011, que foi um ano excelente”, informa Chrystalino Branco Filho, diretor comercial.

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Extrusora construída no país tem a mesma tecnologia das italianas

Para o próximo ano a expectativa é positiva. “Estamos passando para a Itália uma previsão otimista”, diz. O futebol tem parcela significativa nesse sentimento. “Com a aproximação da Copa do Mundo acredito na realização de várias obras.” A melhora no ambiente da construção civil será muito bem-vinda. Explica-se: a venda de extrusoras para perfis usados nesse setor representa metade das vendas da empresa.

O bom resultado se deve, em especial, à utilização de forros. “Os forros de plástico estão substituindo a madeira. Eles tornam a construção mais ágil, são imunes ao fogo e deixam os ambientes mais bonitos”, diz. A venda de máquinas para tubos também é importante, responde por 30% do faturamento. A empresa oferece unidades para a fabricação de tubos de PVC ou de polipropileno com até 600 milímetros de diâmetro.

Outro aspecto favorável, na opinião de Branco Filho, encontra-se na melhora do humor em relação à crise econômica internacional. “Os empresários brasileiros, com esses rumores, colocam o pé no freio. Depois eles veem que a vida segue e voltam a investir.” O diretor lembra que a indústria de base é a primeira a sofrer com a falta de investimentos e a última a sentir os benefícios da retomada. Quando o mercado se aquece, outro fator preocupa. “Todos querem que eu entregue as máquinas logo, pensam que somos uma pastelaria”, reclama.

De acordo com o executivo, as máquinas construídas no Brasil contam com tecnologia idêntica à das fabricadas na Itália. Como destaque dos equipamentos, ele cita o sistema multidrive, usado em modelos de dupla rosca contrarrotantes, acionados por dois ou quatro motores de baixa potência. “O sistema permite menor esforço sobre as engrenagens, aumenta a potência das roscas, permite maior produtividade e até 30% de economia de energia”, explica.

Para a Feiplastic, a Bausano prepara o lançamento de um modelo voltado para a fabricação de telhas de PVC. “Visualizamos excelente potencial para esse mercado”, avalia. O otimismo cresce com as primeiras experiências do gênero realizadas no Brasil. “Um cálculo da Braskem fala sobre a necessidade de milhões de metros quadrados desse tipo de telha nos próximos anos”, revela.

Aquém das expectativas – O ano não foi dos melhores para a Extrusão Brasil. No mercado desde 1996, ela é especializada em extrusoras de monorroscas, dupla roscas contrarrotantes e dupla roscas corrotantes para tubos rígidos e flexíveis, mangueiras, perfis rígidos e flexíveis e laminados, além de equipamentos para granulação e tingimento. Entre os mercados atendidos pela Extrusão Brasil, os mais ativos são os de perfis, como os forros de PVC usados na construção civil. Depois vêm os de tubos de PVC e laminados voltados para termoformagem, bastante usados nas empresas de embalagens para alimentos.

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Com dupla rosca contrarrotante, a linha DR 67 é a mais procurada

“Foi abaixo do esperado”, resume Leonardo Rocha Borges, diretor comercial. A expectativa era de comercializar entre catorze e vinte linhas completas, mas as encomendas devem ficar entre oito e dez linhas. A redução de juros ajudou. “O segundo semestre aqueceu, houve um número maior de consultas”, reconhece. A esperança é de melhora para o exercício de 2013.

A Extrusão Brasil estuda lançar novos modelos, mas o cenário das vendas não permite estipular datas. “Estamos aguardando o reaquecimento da economia”, diz. Talvez alguma novidade venha a público por ocasião da realização da Feiplastic. Por enquanto, a empresa realiza alguns aperfeiçoamentos nas linhas existentes. “Promovemos mudança na parte estética na extrusora de dupla rosca modelo 6722”, revela. Nada importante para o desempenho da máquina, considerado pelo diretor como compatível com as exigências do mercado. Outras linhas passarão por uma remodelação de seu design nos próximos meses.

Borges lembra que o mercado procura máquinas produtivas, automáticas e que causem poucos problemas de manutenção. O diretor destaca, como diferencial da empresa, a qualidade dos painéis de comando, fabricados pela Gefran ou pela ABB. “A linha DR 67, de dupla rosca contrarrotante, é a mais procurada”, ressalta. Muitos são os pedidos de equipamentos fabricados por encomenda, de acordo com as necessidades dos clientes.
Pela metade – A insatisfação com os resultados obtidos com as vendas de máquinas não é exclusividade da maioria dos fabricantes nacionais. Os importadores também se queixam. É o caso da BY Engenharia, representante no Brasil desde 1999 da norte-americana Davis-Standard, gigante mundial do ramo. A fabricante de máquinas fornece modelos para todos os nichos de mercado.

“Este ano ficou bem abaixo de nossas expectativas”, comenta Marco Antonio Gianese, diretor comercial. Ele lembra com saudades de 2010, um dos melhores anos da empresa. Em 2011 os resultados não foram tão bons, mas não decepcionaram muito. “Este ano as vendas caíram 50% em relação ao ano passado”, conta. Além do crescimento econômico no Brasil ter ficado aquém do estimado pelo mercado, um dos problemas enfrentados pela empresa tem sido a crescente concorrência de fabricantes europeus. O imposto de importação também atrapalha, especialmente nos casos de modelos com similar nacional.

“Hoje em dia os clientes querem produtividades maiores e economia de energia elétrica”, explica. Essa demanda provoca situações inusitadas. “Em alguns casos, uma linha de equipamento novo é capaz de substituir duas ou três máquinas antigas, com economia de energia e mão de obra”, exemplifica.

A tecnologia avançada permite à empresa se tornar competitiva em nichos de mercado que exigem equipamentos sofisticados. Um deles é o de embalagens flexíveis. A BY também é bastante procurada para linhas completas de máquinas para produzir filmes termoencolhíveis, com gravações ou impressões em alto-relevo ou para materiais promocionais. Outros nichos interessantes são os de chapas para embalagens termoformadas, fios e cabos e tubos com grandes diâmetros.

O ano no Brasil não foi dos melhores. Os bons resultados obtidos no país nos últimos anos, no entanto, não passam despercebidos pela empresa norte-americana. Prova disso é o desenvolvimento de um modelo específico para nosso mercado, a ser lançado na Feiplastic. Trata-se de uma extrusora para filmes com de dez a 150 mícrons de espessura e dois metros de largura. “As máquinas vendidas nos Estados Unidos são para filmes de três metros de largura, não muito compatíveis com a realidade brasileira”, explica.

Mais ou menos – O ano não entusiasmou a alemã KraussMaffei, fabricante de máquinas para injeção e extrusão, entre outros equipamentos. A empresa conta com escritório próprio de representação no Brasil, de onde atende todo o mercado latino-americano. No campo da extrusão, atua nas áreas de tubos de PVC, polietileno e polipropileno.

“2012 não foi dos melhores”, resume Bruno Mathias Sommer, gerente da divisão de extrusão para o continente latino-americano. Entre as decepções, o pequeno número de obras de infraestrutura, em especial as voltadas para o saneamento básico. Explica-se: a empresa fabrica máquinas para tubos de grandes diâmetros até 1.600 mm, bastante usados nessa aplicação. Um alento vem dos transformadores. “Antes eram os clientes grandes, hoje também os pequenos e médios estão cada vez mais interessados em investir em equipamentos sofisticados, com grande produtividade. Esta é nossa especialidade”, diz.

O gerente não desanima. Para ele, em 2013, a procura por extrusoras estará mais aquecida. Nem por isso a KraussMaffei viverá dias tranquilos. Com a crise vivida na Europa, muitos concorrentes da empresa que até hoje não atuavam no mercado nacional passarão a competir por aqui. “Os fabricantes europeus estão de olho no Brasil. Temos um mercado já consolidado no país, mas vamos ter trabalho para nos mantermos em posição privilegiada”, analisa.

A empresa prepara novidades. “No próximo ano teremos a Feiplastic e a K, na Alemanha”, lembra. Maiores informações sobre os lançamentos ainda não são divulgadas, mas alguns detalhes foram revelados pelo gerente. “Estamos revisando os cabeçotes usados para transformar PVC e PE, para melhorar o rendimento dos equipamentos.” No caso do mercado para perfis, uma novidade. A empresa, que só vendia as extrusoras, agora está trazendo para o Brasil linhas completas. Ele acredita no aumento do mercado de perfis para janelas. “Deve crescer com o uso da coextrusão utilizando reciclados”, justifica.

Para poucos – A fabricante austríaca de linhas para extrusão SML é representada no Brasil pela Ematec desde 2000. Os equipamentos fornecidos são considerados muito sofisticados e têm preços um tanto “salgados”. “São equipamentos com ótima relação custo/benefício”, justifica Harold Weil, sócio da Ematec. As vendas têm sido crescentes desde 2010. “Temos atingido nossos objetivos”, afirma.

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Sem zona de aquecimento, extrusora da SML reduz o consumo de energia elétrica

Isso não significa um grande número de negócios fechados. Pelas características dos equipamentos, as possibilidades de vendas são restritas. “O meu ideal é vender de duas a três linhas por ano para clientes interessados em atingir elevadas produções”, diz. O processo de negociações é demorado. “São necessárias muitas conversas.” O pós-venda também exige cuidados. “Precisamos oferecer cursos de treinamento intensivo para os operadores e dar muita atenção aos clientes enquanto a máquina estiver em operação.”

Weil fala sobre algumas características diferenciadas das extrusoras da SML. Um exemplo: o projeto permite redução do consumo de energia elétrica. “Nossas máquinas não têm zonas de aquecimento. As roscas são velozes e o aquecimento se dá pelo atrito”, explica. Outro aspecto diferencial é o sistema de acúmulo de material, voltado para permitir a alteração do produto a ser fabricado sem a paralisação da produção.

Entre os mercados atendidos estão os de filmes de polietileno para embalagens industriais, empregados, por exemplo, para embrulhar caixas de produtos diversos em pallets usados para transporte. Também são oferecidos modelos para filmes CPP, concorrente mais econômico dos filmes de BOPP. “Os filmes de CPP são aproveitados em pacotes de macarrão, embalagens para balas, biscoitos, salgadinhos e outros produtos.”
Outro nicho é o de  chapas de PET, utilizadasna termoformagem de alimentos e displays. A empresa também é forte no segmento de filmes higiênicos – filme de PE acoplado a não tecidos. Esse equipamento é dirigido à fabricação de fraldas e absorventes.

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