Cipatex completa 50 anos com aumento de exportação

Ao completar seu primeiro cinquentenário, o grupo Cipatex registra aumento significativo nas exportações de seus revestimentos sintéticos para quase 20 países

Nos últimos anos, as empresas do grupo Cipatex concluíram um plano de investimentos avaliado em R$ 130 milhões para aumentar suas capacidades produtivas até um patamar adequado aos mercados atendidos, com espaço para vendas ao exterior.

William Marcelo Nicolau, diretor-presidente do grupo Cipatex Plástico Moderno, Nicolau: investimentos deixaram a companhia pronta para competir globalmente
William Marcelo Nicolau, diretor-presidente do grupo Cipatex

“Com esses investimentos, temos maquinário e pessoal capacitado suficiente, agora investiremos no aprimoramento da gestão interna, buscando aumentar ainda mais a produtividade e a competitividade”,

“Não podemos depender do governo, claro que se houver investimentos oficiais em infraestrutura e uma reforma tributária todos conseguiremos um avanço, mas podemos ser competitivos mesmo nas condições atuais”

Comentou o diretor-presidente William Marcelo Nicolau, diretor-presidente do grupo Cipatex.

Esse é o desafio atual do grupo, que é obrigado a conviver com os custos elevados de matérias-primas, energia e tributos e anda disputar mercado com produtos fabricados na Ásia.

Ele citou como exemplo de iniciativa empresarial a criação de um centro logístico de armazenagem, com avançado sistema de controle de mercadorias, capaz de alcançar ganhos operacionais e de melhorar o atendimento aos clientes.

O CD pode abrigar 4 milhões de metros lineares de produtos e deve chegar a 6 milhões em 2014.

Fundada em 1964 para produzir carneiras de chapéus de palha, confeccionadas com tecido impregnado com nitrocelulose, a Cipatex iniciou seus trabalhos com PVC em 1976, com uma linha de espalmagem. Em 1987, deu partida nas linhas de extrusão e de calandragem. Em 1999, ingressou no mercado de coagulação de PU, para produzir laminados usados em calçados e autopeças.

Além disso, a Cipatex controla a Petrom – Petroquímica de Mogi das Cruzes, maior produtora de anidrido ftálico da América Latina, também fabricante de plastificantes e de ácido fumárico.

O portfólio diversificado permite atuar em um grande número de segmentos de mercado, com alguma estabilidade.

Nicolau explica que a extrusão de PVC é um método de produção econômico e rápido, gerando revestimentos para o setor moveleiro com alta resistência e praticidade.

A empresa detém as marcas Corano, Cipatok e Facto, com variantes para uso em aplicações náuticas e médicas.

Nestas duas, são aplicados aditivos para aumentar a resistência ao intemperismo e à proliferação de bactérias e fungos (bolores). “Também podem ser feitos pisos laminados com base de borracha”, explicou.

A calandragem é indicada para os produtos que exigem espessura mais precisa e alta qualidade de filme, a exemplo de toalhas de mesa, toldos, itens de comunicação visual e piscinas.

“Também a usamos para produzir filmes transparentes para embalagens de produtos de cama, mesa e banho, além de capas de cadernos com bolsas”, afirmou Nicolau.

Também são calandrados os revestimentos laminados aplicados em comedouros infantis (os populares cadeirões) e trocadores de fraldas.

Em Cerquilho-SP, sede do grupo, as operações industriais incluem espalmagem, extrusão e calandragem de PVC em suspensão e emulsão. Na cidade, também sedia a unidade de adesivos hot melt e plastissóis.

O grupo mantém uma planta no Nordeste, em Bayeux-PB, para produzir o PU coagulado e os laminados acabados, usados na fabricação de cabedais e forros de calçados, bolsas e acessórios, além de revestir estofados e interiores de carros.

“Os laminados de PU são os que mais se aproximam das características sensoriais da pele, permitem até a transpiração, sendo mais confortáveis para o usuário”, explicou Nicolau. No entanto, o PVC ainda apresenta mais resistência às constantes flexões exigidas pelos sofás e poltronas. “O PU também pode sofrer hidrólise em algumas situações”, considerou.

A empresa mantém uma unidade no Vale dos Sinos, no Rio Grande do Sul, para desenvolvimento de produtos de PU, contando com laboratório e planta-piloto, na qual foram investidos R$ 10 milhões em 2013. Isso é necessário para acompanhar as constantes variações de demanda da indústria ligada à moda (vestuário e calçados).

Aliás, a demanda calçadista já representou entre 70% e 80% das vendas da companhia, há cerca de vinte anos.

A concorrência asiática afetou muito esse segmento e essa participação caiu para a faixa dos 40%, ainda muito relevante.

“Ainda temos muitos negócios com laminados de PVC para calçados, mas esse material sofre restrições em vários países pela presença de plastificantes ftálicos”, considerou.

Nos laminados do PU, no entanto, a concorrência com os chineses é muito acirrada.

Nicolau estima que os importados dominem quase 70% dessas aplicações, restando 30% para ser dividido pelos produtores nacionais.

A Cipatex possui produção integrada. “Partimos de um poliéster que é uretanizado com MDI, aplicando dimetilformamida como solvente”, explicou.

Como o DMF é caro no Brasil, assim como a eletricidade requerida no processo, fica difícil brigar com os asiáticos. “Somos mais competitivos no PVC”, admitiu.

A Cipatex usa resina em emulsão e suspensão preferencialmente fabricada no Brasil, embora recorra às importações de especialidades ou no caso de operações de draw back (para exportação subsequente de produtos).

Além desses negócios, a companhia participa da DuPont Cipatex, joint venture paritária entre essas empresas com o objetivo de produzir não-tecidos de poliéster no país.

Essa unidade produz agulhados, reagulhados e costurados, oferecendo alta qualidade e segurança para calçados e móveis.

“Temos também a produção pelo processo spunlaced (hidroentrelaçado), uma especialidade muito usada em produtos para limpeza da pele, como lenços umedecidos para bebês e demaquilantes, mas que também tem uso no setor calçadista”, explicou.

Mercado externo – A exportação de produtos representou 20% do faturamento de R$ 520 milhões da Cipatex em 2013. Um avanço sobre a média histórica, estimada ao redor de 15%.

“No ano passado, vencemos uma concorrência internacional para fornecer 8 mil toneladas de geomembranas de PVC para a chilena SQM, um negócio muito interessante”, informou.

Plástico Moderno, Geomembranas de PVC feitas no Brasil revestem lagoas de mineração no Deserto de Atacama, no Chile
Geomembranas de PVC feitas no Brasil revestem lagoas de mineração no Deserto de Atacama, no Chile

Esse projeto aplicou as geomembranas da marca Cipageo na impermeabilização de lagoas de evaporação e decantação em processos de mineração no Deserto do Atacama.

O material foi selecionado pela resistência mecânica e química requeridas.

Além desse projeto, a companhia montou uma estrutura compartilhada, com apoio da Apex BR (Agência Brasileira de Promoção de Exportações e Investimento), em Miami, na Flórida (EUA), em 2012.

“É um escritório com um depósito de uso comum, mas que nos ajudou a entrar no mercado desse país”, considerou.

Nos EUA, o principal mercado atendido pela Ciptaex é o de revestimento de estofados em hotéis, restaurantes, cinemas e cassinos, usando laminados de PVC. “Lá, o padrão dos laminados é bem superior, exigindo a aplicação de aditivos bactericidas, protetores contra UV e abrasão”, comentou.

“É uma boa escola para nós, por se tratar de um mercado normalizado, como deveria ser também no Brasil.” A Cipatex participa do grupo de trabalho da ABNT para desenvolver a norma oficial dessas aplicações.

Segundo Nicolau, como é típico do mercado americano, as grandes redes empresariais promovem alterações importantes da apresentação visual de seus pontos de venda, gerando grandes encomendas perfeitamente padronizadas.

“Algumas dessas cadeias tem pontos aqui no Brasil e seguem as mesmas especificações de materiais da matriz, isso abre boas possiblidades para nós.”

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