Sistema de Câmara Quente: Procura crescente estimula fornecedores

Ferramentaria moderna: Procura crescente estimula fornecedores de sistema de câmara quente a manter ritmo de inovação

A cada dia cresce a aceitação de sistemas de câmara quente nos moldes de injeção. As vantagens que elas proporcionam às matrizes proporcionam retorno muito satisfatório ao investimento feito pelos transformadores na sua aquisição, em aplicações as mais distintas.

Além de elevar a qualidade das peças obtidas, com elas é possível eliminar os indesejáveis “galhos”, o que proporciona ciclos de produção mais curtos, economia de matéria-prima e de energia.

Há duas décadas, as câmaras quentes equipavam apenas as ferramentas mais sofisticadas. Ano a ano, avançou um ciclo virtuoso, com sensível progresso tecnológico, e novos fornecedores surgiram no mercado.

Com o aumento da produção em escala, os preços ficaram mais acessíveis. Hoje são consideradas quase indispensáveis, a não ser em casos específicos, como os de moldes fabricados para baixa produção de peças, por exemplo.

Isso explica o bom momento das empresas fornecedoras nos últimos anos. Entre elas, podemos citar nomes como Polimold, Tecnoserv, Oerlikon, Yudo e Husky. A situação só não é perfeita pelas constantes oscilações no cenário da economia e pelos desafios que surgem de imprevisto e prejudicam os negócios em determinados momentos.

Câmaras quentes: Procura crescente estimula fornecedores ©QD Foto: Divulgação
Avanços da Polimold aumentam eficiência energética

No começo deste ano, por exemplo, a indústria sofreu com as dúvidas surgidas com a posse de um governo com orientações distintas das do anterior. Isso esfriou os negócios, apesar de muitas dessas marcas se mostrarem satisfeitas com os resultados obtidos até agora. Pouco tempo atrás, a pandemia causou variações de humor entre as empresas do ramo. Uma das consequências do coronavírus foi o grande aumento verificado no preço do aço, principal matéria-prima usada para a confecção do produto, o que até hoje causa reclamações sobre estragos feitos na rentabilidade.

Por outro lado, a pandemia gerou a adoção de regime rigoroso de controle da doença na China e forte crise logística em todo o mundo. Isso dificultou durante um período a importação dos moldes chineses, fortíssimos concorrentes das ferramentarias nacionais, e acabou ajudando os fornecedores locais de câmaras quentes. Apesar do final da pandemia, o nível de importação ainda não voltou aos índices de antes, mas a ameaça persiste. Com obstáculos ou não, os empresários do ramo se mostram muito otimistas com as perspectivas futuras.

Sistema de Câmara Quente: Coração

As câmaras quentes são projetadas caso a caso, cada uma para atender as características do molde ao qual será incorporada. O coração do componente é o manifold. Ele tem como função distribuir e conduzir o material plástico que vem do canhão da máquina injetora até as cavidades do molde. Eles são aquecidos por resistências elétricas reguladas por controladores de temperatura externos para garantir que o material plástico se mantenha nas condições ideais de operação até a finalização do ciclo.

Nas câmaras quentes convencionais, a vazão do plástico nos bicos de entrada do material nas cavidades dos moldes é constante. Nos últimos anos vêm ganhando força os sistemas valvulados, nos quais nos bicos por onde sai o material são instaladas agulhas móveis, capazes de controlar a vazão da matéria-prima que irá preencher o molde. A técnica proporciona maior eficiência aos ciclos de injeção com ganhos de produtividade, qualidade estética e economia de energia.

Em algumas aplicações, os sistemas valvulados se tornaram quase imprescindíveis. Peças de grande porte e geometria sofisticada, como painéis de automóveis ou para-choques, são exemplos. O mesmo ocorre com moldes que produzem peças com distribuição de massas muito diferentes, caso, por exemplo, dos baldes injetados ao mesmo tempo com suas tampas. Com eles, os ciclos podem se encerrar com a fabricação das duas peças de forma simultânea.

Os movimentos das agulhas são coordenados por êmbolos acionados por circuitos pneumáticos, hidráulicos ou a partir de servoválvulas. No Brasil, em quase 90% dos casos, de acordo com cálculo feitos por representantes das empresas fornecedoras, são usados êmbolos com acionamento pneumático, de menor custo, mais fáceis de serem instalados e limpos. O uso dos circuitos hidráulicos se restringe a um menor número de aplicações, quase sempre voltadas para a fabricação de peças de grande porte, como para-choques ou painéis de automóveis. Os com servoválvulas, com uso bem mais recente em todo o mundo, são apontados como mais eficientes, mas ainda apresentam maior custo.

Investimentos, exportações, pé na China

“Nesse ano, devido à incerteza com o novo governo, a indústria não está alcançando grandes resultados. Mas tenho convicção de que vamos melhorar muito nos próximos meses”, informa Alexandre Fix, diretor da Polimold, maior fabricante nacional de componentes padronizados para moldes, câmaras quentes e controladores de temperatura. Ele explica seu sentimento positivo.

Plástico Moderno, Fix: cresce a demanda técnica para peças complexas
Fix: fonte de otimismo vem das exportações de câmaras quentes feitas pela Polimold.

“Tenho muita fé na reforma tributária e em uma melhor distribuição de renda, o que deve incentivar o consumo”.

Outra fonte de otimismo vem das exportações de câmaras quentes feitas pela empresa. “Elas respondem por 20% de nosso faturamento, estamos vendendo para a Europa, Estados Unidos, Índia, Polônia e outros países”.

Fix garante que a temperatura abaixo do esperado até aqui no mercado interno não interrompeu os planos da empresa. “Temos tocado a vida”. Prova disso foi o anúncio feito durante a última edição da Plástico Brasil, em março, de que a empresa vai investir este ano US$ 4,5 milhões na compra de equipamentos para ampliar e modernizar sua capacidade de produção. Entre as aquisições, duas centrais de usinagem de cinco eixos e um forno para usinagem, todos com previsão de entrada em operação até março do próximo ano.

A Polimold conta com ampla linha de câmaras quentes, indicadas para aplicações as mais distintas. De modelos convencionais aos dotados com sistemas valvulados, com êmbolos acionados por dispositivos pneumáticos e hidráulicos. “Nossos produtos passam por constantes aperfeiçoamentos”. Uma das últimas novidades da empresa foi o lançamento de resistências de câmara quente blindadas. “Elas proporcionam maior eficiência energética com design que maximiza a transferência de calor”, explica Agenor Gualberto, gerente de desenvolvimento. Ele destaca que elas também são mais duráveis, projetadas para suportar condições rigorosas de operação.

Também fabricante nacional, a Tecnoserv não se queixa.

Câmaras quentes: Procura crescente estimula fornecedores ©QD Foto: Divulgação
Teixeira: queda na importação de moldes acelerou vendas

“As vendas para nós este ano estão boas, com bastante procura no mercado interno. No ano passado já obtivemos bom crescimento”, revela Wilson Teixeira, diretor técnico.

Para ele, um dos motivos para o bom desempenho foi a redução da importação de moldes chineses. “Eles ainda chegam em grande número no Brasil, mas com a pandemia a importação caiu um pouco”.

A empresa oferece modelos convencionais e dotados com sistemas valvulados acionados por componentes pneumáticos e hidráulicos. Na Plástico Brasil foi apresentado novo sistema valvulado, acionado por válvula única. “O sistema elimina o delay dos movimentos dos êmbolos, que pode ocorrer quando se utiliza mais de uma válvula”. Teixeira destaca que, com o projeto, o tamanho da câmara quente pode ser reduzido, pois se economiza o espaço utilizado para instalar válvulas, além de se tornar mais durável. A solução é indicada, em especial, para moldes com múltiplas cavidades.

Câmaras quentes: Procura crescente estimula fornecedores ©QD Foto: Divulgação
Câmara quente da Tecnoserv

Também durante a feira, a empresa lançou um serviço diferenciado e curioso, que tem como finalidade ajudar clientes interessados em adquirir moldes chineses. Quem adquirir uma ferramenta no país asiático agora pode contar com a empresa como fornecedora de câmaras quentes. “Nós fabricamos a câmara quente aqui, as enviamos para nossos representantes na China e eles cuidam da montagem e da operação de tryout do molde”.

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Sistema de Câmara Quente: Aquisição, servoválvulas

A fabricante de câmaras quentes HRS Flow foi incorporada à sueca Oerlikon, anúncio realizado durante a Plástico Brasil. Ela passou a ser uma divisão do Grupo INglass, empresa com presença mundial que projeta e produz câmaras quentes para moldagem por injeção. Com o novo momento, houve mudança na estratégia comercial da empresa. Antes com atuação concentrada na indústria automobilística, ela agora conta em seu portfólio com soluções para as indústrias eletrônica, de bebidas, utilidades domésticas e embalagens medicinais.

Um dos destaques é a série Flex Flow, câmaras quentes dotadas com acionamento elétrico das agulhas. De acordo com a empresa, tem tecnologia projetada para o ajuste independente de cada válvula, com controle preciso de curso e força durante as fases de abertura e fechamento. Conta com unidades de comandos oferecidos em nove configurações diferentes, com 4 a 24 motores.

A Yudo, de origem sul-coreana e há oito anos com fábrica no Brasil, tem conquistado participação no mercado desde que chegou ao país.

Câmaras quentes: Procura crescente estimula fornecedores ©QD Foto: Divulgação
Lourenço: demanda aquecida inclusive no setor automotivo

“Nos últimos cinco anos temos crescido de forma sustentada, em média, 10,61% ao ano”, informa João Paulo Lourenço, diretor geral para a América do Sul.

A tendência de crescimento prossegue com força. “Em 2023, o mercado está experimentando intensa atividade; nos primeiros oito meses registramos um aumento de 28%. Nossas projeções indicam que estamos a caminho de encerrar o ano de 2023 com crescimento de 30%, considerando os pedidos já confirmados em carteira”.

No Brasil, o setor automotivo permanece como o principal mercado da Yudo. “A indústria automotiva em 2023 está apresentando notável atividade, com inúmeros programas e projetos das principais montadoras do Brasil. Surpreendentemente, mesmo diante da crise política e econômica na Argentina, esse mercado também continua a impulsionar significativamente o nosso negócio”. Outro nicho merece destaque. “O ano de 2023 tem sido verdadeiramente excepcional no mercado de embalagens, com crescimento que já ultrapassou a marca dos três dígitos”.

Câmaras quentes: Procura crescente estimula fornecedores ©QD Foto: Divulgação
Modelo ecológico permite economizar 90% de energia

Lourenço se orgulha da empresa investir de forma constante em pesquisa e desenvolvimento. Uma novidade ele considera com potencial de se tornar em breve o carro-chefe da empresa no mercado brasileiro e global. Trata-se do sistema valvulado com servomotor ecológico Yudrive ECO. “Ele permite reduzir o consumo de energia do sistema de câmara quente em até 90% sem aumento de preço para o cliente, sem necessidade de equipamento de controle e com possibilidades de processo muito mais amplo do que o sistema valvulado convencional”, afirma. O Yudrive ECO vem pré-programado com quatro tipos de velocidades de abertura da agulha.

A multinacional de origem canadense Husky participa no mercado como fornecedora de serviços e equipamentos para injeção. Comercializa injetoras, moldes, câmaras quentes e controladores de temperatura.

Câmaras quentes: Procura crescente estimula fornecedores ©QD Foto: Divulgação
Souza: 85% dos valvulados da Husky têm movimento pneumático

“Projetamos e fabricamos câmaras quentes para toda a gama de peças plásticas, de microinjeção a embalagens, peças técnicas e outras”, informa Felipe Souza, gerente de contas.

Entre os projetos, câmaras com sistemas valvulados com êmbolos movidos por dispositivos pneumáticos, hidráulicos e servoválvulas. “Cerca de 85% dos valvulados que vendemos são com movimentos pneumáticos”.

As câmaras quentes da Husky comercializadas no Brasil são projetadas no Canadá e fabricadas nos Estados Unidos. O bom momento desse nicho de mercado fez com que a empresa passasse a investir de forma mais agressiva no Brasil nos últimos três anos. “Em dois anos, triplicamos a equipe que trabalha por aqui”. A estratégia tem se refletido nos resultados da empresa. “Nossas vendas tem sido crescentes”. Apesar de vender por aqui apenas importados, Souza garante que a empresa trabalha com preços competitivos. “Atendemos em especial empresas cujos moldes produzem peças técnicas, que exigem rigor de qualidade, ou em linhas de grande produção”.

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