Máquinas e Equipamentos

Câmaras Quentes – Demanda aquecida assegura maior escala de produção e provoca queda nos preços

Jose Paulo Sant Anna
25 de setembro de 2009
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    O manifold, nome dado à placa central das câmaras quentes, apontado como o “coração” do conjunto, na maioria dos casos é usinado por aqui. Tanto aqueles com medidas padronizadas, fornecidos por algumas empresas, quanto os feitos por encomenda, para atender às necessidades especiais requeridas por determinadas peças. Um exemplo pode ser encontrado na Husky, empresa de origem canadense presente em mais de 40 países. Desde 2006 ela nacionaliza a produção de todos os manifolds vendidos no mercado nacional.

    Situação semelhante ocorre com a Tecnoserv. “Faço o manifold. Outros componentes eu trago de fora, é a maneira de me manter competitivo”, revela o diretor técnico Wilson Teixeira. Ele justifica a atitude. “Antes eu fabricava os bicos quentes usados nas câmaras quentes, em torno de trezentas unidades por mês. Hoje eu compro os bicos de uma empresa da Nova Zelândia que produz 400 bicos por turno. É impossível competir em preços com eles”, informa.

    Matemática – As vantagens oferecidas pelas câmaras quentes são bem conhecidas. Mas, quanto elas valem em termos de custo e benefício? Cada caso é um caso. Tudo depende do formato e da quantidade das peças a ser produzidas. Para os especialistas, em média, elas reduzem os tempos dos ciclos em torno de 30% a 60%. A inexistência dos galhos economiza matéria-prima e elimina as operações de reciclagem dos refugos. Cria condições ideais de fluidez da resina durante a operação de injeção, qualquer que seja o plástico utilizado.

    Cases são apontados como exemplos desse retorno. Teixeira, da Tecnoserv, apresenta o exemplo fictício de um molde com 32 cavidades, voltado para a fabricação de tampinhas de garrafas PET e utilizado em regime full time. A peça tem peso de 2,1 g. Na ferramenta com câmara quente, o ciclo fica na casa dos 6,2 segundos. Na sem câmara, em 14 segundos. “O ganho por dia pelo aumento do volume de produção, levando-se em conta os preços praticados pelo mercado, fica na casa dos R$ 3.470,00”, calcula. O ganho mensal fica próximo dos R$ 69 mil. “A câmara custa em torno de R$ 70 mil. Nesse exemplo, em um mês ela se paga”, calcula.

    Os lucros podem ser maiores. “Estamos desprezando o valor da matéria-prima economizada pela ausência de galhos e a redução do custo de operação de reciclagem desses galhos”, diz. Ele acrescenta outro fator importante: “Com a câmara,

    Plástico, Ney Kaiser, diretor de engenharia da Delkron Câmaras Quentes - Demanda aquecida assegura maior escala de produção e provoca queda nos preços

    Kaiser: custo da peça cai 30%, com câmara quente

    é possível trabalhar em injetoras com força de fechamento menor ou, se usarmos a mesma injetora, aplicamos pressões de fechamento de 20% a 30% menores, o que proporciona uma série de outras vantagens.” E ressalta: “Se a aplicação da peça permitir, nós podemos reduzir a largura da parede da tampinha, injetando peças com peso de 1,9 g, algo difícil de se obter em moldes comuns.”

    Um outro exemplo, este real, é apontado por Ney Kaiser, diretor de engenharia da Delkron, pequena empresa nacional que se autointitula pioneira na fabricação de câmaras quentes no Brasil. Ele lembra o caso de um molde dedicado à fabricação de talheres com espessura fina, dotado com 24 cavidades. Sem a câmara, a massa do canal correspondia a 33% da massa total da injeção. O ciclo era de 19,5 segundos e a máquina utilizada tinha 300 toneladas de força de fechamento. “Após a implantação do conjunto de câmara quente, os ciclos caíram para 5,4 segundos. O mesmo molde obteve redução de 72% no tempo da operação. O mesmo conjunto molde + máquina passou a produzir cerca de três vezes mais peças”, diz Kaiser. Cálculos feitos pelo diretor apontam redução de 30% do custo da peça moldada. “O custo da hora máquina/peça foi reduzido em 72%. A energia

    Plástico, Câmaras Quentes - Demanda aquecida assegura maior escala de produção e provoca queda nos preços

    Câmaras da Delkron garantem economia

    despendida caiu 20%. Os custos de moagem e recuperação do material do canal deixaram de existir. A movimentação e o armazenamento de canais dentro da fábrica desapareceram, o que permitiu a liberação de áreas e pessoas para outras atividades”, ressalta.

    O projeto contou com nova etapa. Em novos moldes, voltados para a fabricação de talheres, foi aumentada a quantidade de cavidades, medida facilitada com a utilização das câmaras quentes. “Com as câmaras, a resina chega às cavidades sem a perda de temperatura ocorrida nas ferramentas tradicionais. Fizemos moldes com 48 cavidades com uma superfície de fechamento e de 96 cavidades com duas superfícies, os chamados stack-molds”, explica. O ciclo de produção para moldes com 48 cavidades ficou na casa dos 5,5 segundos e para os de 96 cavidades, 6,7 segundos. “Houve incremento total da capacidade de produção da ordem de 11,6 vezes e redução de custos por peça moldada de 45%”, afirma.



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