Câmara quente – Fabricante investe em inovação para se tornar mais competitivo

Plástico Moderno, Câmara quente - Fabricante investe em inovação para se tornar mais competitivo
Novo sistema valvulado sequenciado, da Polimold

Os fabricantes de câmaras quentes estão em compasso de espera. Apesar de o setor manter um ritmo constante de crescimento em vendas, a ferramentaria nacional ainda não absorve como deveria o amadurecimento tecnológico alcançado pelos sistemas. A economia aquecida e o reconhecimento sobre os inúmeros benefícios do equipamento asseguram saldos positivos, mas muita indefinição ainda assola o mercado. O reflexo da penetração dos moldes importados da China não assusta tanto como no passado, trata-se de um monstro conhecido, porém mesmo assim atropela os planos dos industriais. O cenário é um pouco nebuloso, e talvez por isso não faltem novos desenvolvimentos e estratégias voltadas para a fidelização dos clientes.

Sobre as vantagens dos sistemas de câmara quente quando comparados aos convencionais de canal a frio não há dúvidas. A qualidade do produto com menos tensões internas, a estabilidade dimensional maior e a estrutura mais homogênea são temas que permeiam o discurso de praticamente todos os industriais do ramo. Além, obviamente, do mote da vez: a possibilidade de reduzir os custos de produção. A adoção dessa tecnologia, se esmiuçada na ponta do lápis, dá lucros.

Plástico Moderno, Rainer Wihelm Holdschmidt, Engenheiro da CQB, Câmara quente - Fabricante investe em inovação para se tornar mais competitivo
Holdschmidt: produção asiática não concorre com os sistemas de câmara quente que fabrica

Basta considerar a eliminação do processamento e da recuperação da resina que se destinaria aos canais frios (os galhos), e a diminuição do gasto energético (a energia despendida com a elevação da temperatura da resina destinada aos canais até sua fusão, e depois a energia da retirada desse calor do molde, pelo sistema de refrigeração).

Não faltam pontos positivos, no entanto, alguma cautela se faz necessária. “Não é um remédio para resolver todos os problemas do projetista, do ferramenteiro e do transformador”, comenta Rainer Wilhelm Holdschmidt, engenheiro da CQB, fornecedora de produtos para moldes de injeção e estampos. Claro que não. Na verdade, trata-se de mais um recurso capaz de facilitar todo o processo, apesar de ser imprescindível em algumas aplicações, como a de peças grandes, a de moldes para múltiplas cavidades e stack-moldes.

Plástico Moderno, Câmara quente - Fabricante investe em inovação para se tornar mais competitivo - Foto: Divulgação

Se apenas esse conceito fosse incorporado por todas as ferramentarias, talvez já fosse o suficiente para o setor se expandir. Mas não é bem assim. Muitos ainda priorizam o preço e abdicam dessa facilidade. “Os clientes se assustam com os custos elevados do conjunto câmara quente mais controlador de temperatura, quando o primeiro sistema deve ser instalado. Não se considera que este é um investimento único para produções futuras”, comenta Holdschmidt. Na opinião de Luis Antonio Pavezzi, gerente geral da HDB Representações, por mais que haja tecnologia disponível no país (e há), a maior parte da clientela não a exige, pois o preço ainda tem sido um fator limitador para a indústria nacional. Segundo estimativas, o valor de um sistema em um molde pode chegar a 50% do total, em certos casos.

Mas a indústria não pode encarar esse investimento como um gasto, sobretudo nos dias atuais. Para Robson Gonçalves, gerente de operações da Mold-Masters Brasil, em uma economia globalizada não cabe a utilização de equipamentos incapazes de oferecer produtividade e qualidade. “É praticamente inconcebível um molde sem sistemas de câmara quente”, argumenta. No entanto, ao que parece, a ferramentaria nacional ainda não entendeu o recado. De acordo com Wilson Teixeira, diretor técnico da Tecnoserv, a existência por aqui de moldes de múltiplas cavidades, para operar com grandes quantidades, processando resina com canal frio por si só já prova o longo caminho que os fabricantes de câmaras quentes ainda precisam percorrer.

Plástico Moderno, Luis Antonio Pavezzi, Gerente geral da HDB Representações, Câmara quente - Fabricante investe em inovação para se tornar mais competitivo
Pavezzi: maior aceitação dos equipamentos esbarra no preço

Aprimoramentos – Na verdade, o percurso é longo somente sob a ótica comercial, pois em relação à tecnologia embutida nos equipamentos comercializados no país a indústria estáem dia. Exemplos de desenvolvimentos inovadores não faltam.

A canadense Mold-Masters destaca os sistemas e acionamentos de bicos valvulados elétricos ou através de servomotores E-Drive para peças e sistemas de alta precisão. Ressalta ainda sua linha Sprint, que permite injeção com menor pressão e troca de cor mais eficiente. Segundo Gonçalves, chega a ser até dez vezes mais rápido, se comparado a similares do mercado. Desenvolvido para aplicações de parede fina, tampas, embalagens, e moldes de talheres, o produto apresenta alta aplicabilidade de descompressão da injetora, o que reduz a formação de fiapos e gates altos.

Para mercados específicos, a fabricante aponta os bicos Melt Disk para injeção lateral de peças. O equipamento opera com poliolefinas e materiais de engenharia com extrema qualidade no vestígio. “Foi desenvolvido para a indústria médica de seringas, tubetes, tampas e peças técnicas” comenta o gerente.

O SoftGate Incoe também se destaca no quesito inovação no portfólio da Incoe International Brasil. Trata-se de um controle de velocidade do pino válvula do sistema. Com abertura controlada dos bicos valvulados, o processo garante, segundo Michael Rollmann, gerente geral da Incoe International Brasil, confiabilidade para a qualidade da superfície na moldagem por injeção sequencial.

Plástico Moderno, Robson Gonçalves, Gerente de operações da Mold-Masters Brasil, Câmara quente - Fabricante investe em inovação para se tornar mais competitivo
Gonçalves: produtos dotados de tecnologia de ponta devem garantir o aumento das vendas

A fabricante também desenvolveu o Direct-Flo Gold Incoe. São resistências de bico com maior comprimento e proteção axial da fiação. “O design reduz o espaço necessário para acomodar a ligação elétrica ao longo do comprimento do bico no molde”, explica Rollmann.

A linha de controladores Altanium, da canadense Husky, é mais um produto a se inserir nesse hall tecnológico. O equipamento utiliza um algoritmo de alta precisão e garante maior repetibilidade no controle de temperatura entre cavidades e ciclos de injeção, segundo Paulo Carmo, gerente de Embalagens da Husky do Brasil Sistemas de Injeção.

A interface é simples e de fácil operação, e conta com entradas de termopares totalmente isoladas e placas de circuito intercambiáveis, entre outras características. “Fabricamos localmente controladores Altanium da família Neo 2 (o lançamento da linha) com até 24 zonas de controle”, ressalta Carmo.Plástico Moderno, Câmara quente - Fabricante investe em inovação para se tornar mais competitivo

A linha de bicos da Série Ultra da fabricante canadense também se aprimorou e merece destaque. A Husky introduziu a tecnologia Ultra Side Gating, que permite a injeção lateral de peças, minimizando o vestígio em superfícies críticas. Há ainda a Ultra-Sync para acionamento sincronizado de uma série de bicos valvulados em um molde. Segundo Carmo, dessa forma, garantem-se o preenchimento consistente das cavidades e a excelente qualidade do vestígio, além da possibilidade de uso em moldes com cavidades muito próximas.

Mais inovação– A Thermoplay Brasil Sistemas de Injeção aposta no desenvolvimento de sistemas valvulados. O novo equipamento da fabricante é sequencial, pré-ligado, com bicos roscados, compensadores de dilatações e sensores de movimento nas agulhas. “Em um mesmo sistema, podemos aplicar bicos com56 mm de comprimento e no outro extremo um bico de800 mm, considerando um manifold de1,5 m, por exemplo, onde há uma expansão térmica linear considerável”, explica Ricardo Augusto Lima Ulrich, gerente geral da Thermoplay Brasil. Ele também destaca em seu portfólio ponteiras para inclinações críticas e materiais específicos, além de um novo controlador sequencial, bicos para injeção direta na lateral de seringas e sistemas valvulados para múltiplas cavidades com atuação simultânea.

Plástico Moderno, Michael Rollmann, Gerente geral da Incoe International Brasil, Câmara quente - Fabricante investe em inovação para se tornar mais competitivo
Rollmann prevê baixa no consumo durante este segundo semestre

A Hasco, gigante da área de porta-moldes e acessórios para moldes plásticos, também faz sua parte e oferece novidades ao mercado. Na última edição da Brasilplast, apresentou câmaras quentes com sistema de controle elétrico. Destinado para uso em injetoras elétricas, o equipamento se diferencia por ser uma tecnologia limpa.

No Brasil ainda não houve interesse, mas na Alemanha as vendas estão indo muito bem, informa Pavezzi.

Em solo nacional, a HDB representa a Hasco (empresa pertencente ao grupo austríaco Berndorf) há três anos, e seu reconhecimento no mercado de câmara quente se dá mais por conta da sua representação, por mais de 15 anos, da alemã Ewikon. Em tempo: apesar de ainda atender os clientes dessa fabricante, a HDB, estrategicamente, mudou o foco, porque os custos das câmaras quentes da Ewikon deixaram de ser competitivos no país.

Por isso, o segmento de câmara quente não é um dos negócios mais importantes da HDB hoje (entre as outras representadas há fabricantes de injetoras e de periféricos). Mas não por falta de estrutura da Hasco, e sim de tradição por aqui. No mercado de câmaras quentes, a companhia tem forte atuação no ramo de equipamentos para peças técnicas de pequeno porte, sobretudo para as indústrias medicinal e cosmética, e possui mais de 70 mil itens, a maioria em estoque imediato, destinados somente à ferramentaria de moldes.

Configuração atual – Esses são só alguns exemplos de como a indústria tem abastecido o setor à altura de suas necessidades. Mas nem sempre foi assim. “Muitos experimentaram utilizar esta tecnologia no passado e não tiveram sucesso”, comenta Teixeira, da Tecnoserv. Antigamente, os sistemas de câmara quente vendidos no país tinham limitações nas aplicações em moldes de injeção, o que de alguma maneira comprometeu a confiança dos ferramenteiros locais. Segundo Pavezzi, hoje, muitos nem questionam se o equipamento dará problema ou não, mas querem saber quando a falha aparecerá. Daí a importância de as companhias, nos dias atuais, manterem um bom estoque de produtos.

Também nesse início a clientela brasileira se restringia a empresas multinacionais. Por se tratar de um produto importado, o preço era alto para os padrões nacionais e, portanto, as empresas tinham dificuldade de amortizar o investimento com a baixa demanda de produção. Ao longo dos anos, a fabricação de peças moldadas em plástico aumentou e a chegada de mais transformadores internacionais ao Brasil estimulou os investimentos, dando um novo contorno à configuração do setor.

Plástico Moderno, Paulo Carmo, Gerente de embalagens da Husky do Brasil Sistemas de Injeção, Câmara quente - Fabricante investe em inovação para se tornar mais competitivo
Carmo diagnostica novo perfil de consumidor dos equipamentos

Apesar de não ser possível especificar o tamanho do mercado de câmaras quentes no país, sabe-se que existem dois grandes blocos: o das companhias nacionais e o das estrangeiras (essa última categoria é a maior e se subdivide entre as empresas com fabricação local e as representações). Trata-se de um setor que se expande, historicamente, 10% ao ano, e tem produção estimada entre 160 e 200 sistemas de câmaras quentes por mês.

O crescimento do setor, segundo Pavezzi, é evidente. Há quinze anos, a venda de cada dez moldes representava uma câmara quente comercializada; hoje esse índice saltou para cerca de quatro a seis, e não apenas uma. “Não existe mais um consumidor especial para câmara quente”, completa Holdschmidt. Também não há segmentos específicos para o setor.

De acordo com Carmo, por tradição, as indústrias de embalagens e tampas configuram a mais importante usuária dessa tecnologia. Mas essa utilização se estende para novas áreas como a médica, a de utilidades domésticas, linha branca, cosméticos e brinquedos, entre outras.

Perigo asiático – Para o avanço do setor, o nó continua sendo a penetração dos moldes chineses. Apesar de não ser uma novidade, o seu crescimento tem gerado apreensão. “Esse consumo, em vez de estacionar, aumenta”, aponta Agenor Gualberto, gerente de produto da Polimold Industrial. Segundo ele, os moldes feitos no Brasil para indústrias de pequeno porte não sentem muito esse efeito, no entanto, as ferramentas para empresas de grande porte já são, em sua maioria, importadas, sobretudo da China.

Plástico Moderno, Ney Kaiser, Diretor de engenharia da Delkron, Câmara quente - Fabricante investe em inovação para se tornar mais competitivo
Segundo expectativas de Kaiser vendas irão aumentar em 2011

Com o câmbio do dólar baixo e a facilidade de aquisição das ferramentas asiáticas, cada vez mais, os clientes compram moldes fora do Brasil para os seus lançamentos locais. “Normalmente os bicos e a câmara quente fazem parte do novo molde”, lamenta Rollmann, da Incoe. Para Ney Kaiser, diretor de engenharia da Delkron, a situação é alarmante, pois existem muitas empresas nacionais importando o produto em partes ou até totalmente acabado da Ásia, para revenda aqui, impedindo a construção dos moldes desses produtos no Brasil. “As perdas de vendas de moldes para os asiáticos ainda são muito significativas. Hoje o problema que temos em relação aos asiáticos é muito maior e mais profundo”, comenta Kaiser.

O mercado, de alguma maneira, aprendeu a não subestimar a capacidade tecnológica das ferramentarias asiáticas. “Muitos fornecedores são capazes de oferecer ferramentas de boa qualidade”, comenta Carmo.

Mas há um outro extremo também: uma grande parcela de moldes de baixo preço, e durabilidade e qualidade questionáveis. Aí está o problema, pois, segundo ele, salvo em condições muito específicas, essa aquisição obviamente é danosa para toda a cadeia. Sobretudo porque a indústria nacional tende a preferir o equipamento mais barato.

Para conter esse movimento, foi criada uma resolução que altera a alíquota de importação dos moldes utilizados para moldagem por injeção de 14% para 30%. A publicação foi feita no Diário Oficial da União em 18 de fevereiro e passou a vigorar em primeiro de março deste ano. A medida deu um certo fôlego às ferramentarias, aumentando o volume de vendas de moldes produzidos no Brasil, mas nem por isso tranquilizou os fabricantes de câmaras quentes.

Segundo Carmo, as barreiras, sejam tarifárias ou burocráticas, resolvem no curto prazo e são falsamente benéficas para alguns elos da cadeia. Ele explica: “Cria-se um efeito negativo sobre a competitividade de toda a indústria no médio e longo prazo, na estagnação tecnológica e no aumento dos custos ao longo da cadeia.” Kaiser lembra que existem importações de moldes que vêm junto com as injetoras asiáticas e estes entram no Brasil sem alíquotas.

Economia aquecida– Que no país a mão de obra e os custos de produção são altos (comparados aos praticados na China) e tornam a importação muito atraente todos já sabem, assim como não é novidade que o mercado precisa atuar com margens cada vez mais apertadas. Por isso, cada um à sua maneira busca uma vantagem competitiva. A venda dos sistemas de câmaras quentes por definição é técnica, impossível fugir disso, mas hoje os fabricantes entendem que precisam ir além.

Plástico Moderno, Ricardo Augusto Lima Ulrich, Gerente geral da Thermoplay Brasil, Câmara quente - Fabricante investe em inovação para se tornar mais competitivo
Ulrich: projetos engavetados em 2010 foram reativados neste ano

Os industriais investem em novos desenvolvimentos – os portfólios são atualizados constantemente – e apelam para a venda personalizada, a fim de fidelizar o cliente. Essa tem sido uma estratégia adotada para garantir a preferência nesse mercado cada dia mais competitivo. No geral, apostar na confiabilidade e na proximidade com o ferramenteiro tem dado certo. Pelo menos, os faturamentos têm sido positivos.

Um crescimento nas vendas de 30% no primeiro semestre deste ano em relação ao mesmo período de 2010 surpreendeu Ulrich, gerente geral da Thermoplay Brasil. Segundo ele, projetos engavetados foram concretizados, e novos surgiram nas áreas de múltiplas cavidades, linha branca e da indústria automotiva. A Thermoplay no Brasil tem unidade em Itatiba-SP, onde produz desde 2006 controladores de temperatura THBR de uma a 13 zonas de aquecimento e, mais recentemente, os controladores THM6, de seis e 12 zonas.

No portfólio conta com uma gama de bicos de vários tipos, desde o monobico até sistemas mais complexos.

As previsões da Mold-Masters para este ano também endossam esse cenário positivo. A companhia projeta um crescimento expressivo: entre 20% e 25%. Gonçalves atribui esse aumento à tecnologia (de ponta, no caso) oferecida pela empresa, e não somente ao aquecimento da economia (ele estima que o crescimento médio do mercado de sistemas de câmaras quentes chegue a 18% ao ano – para outros fabricantes esse índice gira em torno de 10%).

Não por acaso, os carros-chefes dessa tradicional fabricante de câmaras quentes (a empresa foi fundada em 1963) são produtos para setores de alta cavitação, pré-formas de PET e peças técnicas com fornecimentos de hot halves completos e controladores de temperatura. Aliás, em 2009, adquiriu a PMS, fabricante inglesa desse tipo de periférico, e a ABBA, empresa referência na produção de componentes para molde de pré-forma de PET, no Canadá. “Controlar a câmara com um sistema que gere o mínimo de variações peça a peça e ciclo a ciclo é um grande diferencial”, aposta Gonçalves.

A Mold-Masters tem planta brasileira há dez anos,em Sumaré-SP. Aunidade conta com quatro centros de usinagem de grande porte CNC, máquinas de furação profunda de alta precisão, e departamento de engenharia de projeto (engenheiros treinados no Canadá desenham localmente os sistemas de câmaras quentes). No país fabrica manifolds, hot halves e toda a estrutura de controladores de temperatura; os módulos computadorizados são canadenses, assim como os bicos, resistências, torpedos e outros componentes. Também há fábricas nos Estados Unidos, Cingapura, Japão e Alemanha. Inaugurou planta na Índia (em 2010) e no México, mais recentemente. Além disso, conta com unidade na China e Oceania para abastecer o mercado asiático.

A Incoe também apresenta desempenho animador. No ano passado e neste, a companhia registrou crescimento médio entre 10% e 15%em vendas. Isso por causa da demanda de bicos, sistemas de câmaras quentes, filtros e controladores. Até o meio de 2011, esse ritmo se manteve. No entanto, por conta dos contratempos sofridos pelos Estados Unidos e pela Europa, a empresa prevê uma baixa nos próximos meses. “Temos observado queda na solicitação de orçamentos”, comenta Rollmann.

Plástico Moderno, Alexandre Fix, Diretor da Polimold Industrial, Câmara quente - Fabricante investe em inovação para se tornar mais competitivo
Fix: fábrica poderia dobrar produção se houvesse mais demanda

Em 1997 a Incoe iniciou a produção das buchas e dos sistemas de câmara quente na sua fábrica em Itatiba-SP. Componentes padrões, como peças eletrônicas, resistências, termopares, cilindros hidráulicos e pneumáticos são importados das fábricas dos EUA, Alemanha ou Ásia, e são estocados localmente. Sua trajetória começou há muitos anos. Desde 1958 a companhia produz sistemas de câmara quente e é reconhecida como portadora da patente original da primeira bucha quente comercializada.

Os bons ventos também sopram entre as nacionais. As exportações são um dos pontos fortes da Polimold Industrial. Apesar do índice exportado hoje ser de 10% da produção, o que representa a metade do habitual, ter clientes na Europa e nos Estados Unidos garante para a fabricante o status de fornecedora internacional. Alexandre Fix, diretor dessa tradicional companhia brasileira, admite que mesmo atuando com as margens esmagadas, esse tipo de negócio é importante porque mantém o reconhecimento da indústria nacional fora do país.

“Nós vivemos uma fase boa, o problema é o futuro. Se deixarem, vamos voltar a ser um país agrícola”, anuncia Fix. Ele teme a chamada “desindustrialização” (sic!) do país, apesar de os volumes comercializados neste ano pela Polimold não comprometerem o faturamento.

Os índices estão satisfatórios, no entanto, Fix espera mais do mercado. Com sua estrutura de empresa líder entre as nacionais, sobra tecnologia e a fabricante acaba operando com certa ociosidade na planta de São Bernardo do Campo-SP. “Eu poderia produzir praticamente o dobro de câmaras quentes que faço hoje”, comenta Fix.

De todas as maneiras, o saldo está positivo; nos seis primeiros meses de 2011 já recuperou a retração dos anos anteriores, superando os índices de 2008. “Agora estamos brigando para manter o faturamento de 2010”, comunica Gualberto, gerente de produto da Polimold. O segmento de porta-moldes, é bem verdade, tem sustentado as vendas, pois o de câmaras quentes sofreu uma queda, atribuída, no caso, à importação dos moldes chineses. Segundo estimativas, as vendas dos sistemas caíram 20% neste ano em relação a 2010.

Plástico Moderno, Gualberto, Gerente de produto da Polimold, Câmara quente - Fabricante investe em inovação para se tornar mais competitivo
Gualberto: importação de molde chinês prejudica o faturamento

Mas os investimentos não param. A empresa orgulha-se de ter adquirido um torno de última geração de nove eixos e mais recentemente uma máquina de furação profunda. O reflexo dessa postura se dá nos novos desenvolvimentos da empresa, como uma minibucha valvulada, indicada para o mercado de embalagens. A atual menina dos olhos da Polimold é um sistema valvulado sequenciado para injeção de para-choque. A peça destina-se ao novo carro de uma montadora nacional. “É um sistema grande, a injeção se dá em dez pontos e o controle do fluxo é feito dentro da cavidade”, explica Gualberto.

Outra empresa nacional com motivos para se orgulhar de seu desempenho é a Delkron. No ano passado, a fabricante cresceu cerca de 50%em faturamento. Ataxa representou o maior índice registrado pela empresa desde a sua fundação. Para este ano, a curva continuará ascendente. Kaiser prevê aumentar o faturamento na ordem de 35% comparado a 2010. “Temos equipamentos bastante competitivos em qualidade e em custos, fruto do desenvolvimento contínuo de quase trinta anos de nossa engenharia, e do pioneirismo que temos na fabricação destes itens no Brasil”, justifica. O negócio de câmaras quentes e seus acessórios corresponde a 100% do faturamento da Delkron. A empresa, localizada em Mairiporã-SP, começou a fabricar no país no início dos anos 80, quando registrou as respectivas patentes.

Para acompanhar esse crescimento, a Delkron ampliou suas instalações e a equipe, mas sobretudo investiu no portfólio. Um destaque é a linha de equipamentos multi-gate. São constituídos de até vinte torpedos em cada bucha quente, injetando diversas peças, a fim de simplificar o número de vias do manifold e reduzir a quantidade de zonas de controle. Ele também aponta os equipamentos para resinas de engenharia com cargas abrasivas. Com novos sensores e torpedos revestidos, as linhas apresentam durabilidade e desempenhos superiores. “Temos também equipado nossas câmaras quentes com sensores de pressão intracavitária, os quais são utilizados para monitorar de forma gráfica o preenchimento das cavidades, em tempo real”, comenta. Outro destaque da marca são os sistemas valvulados e valvulados sequenciais por conta do alto desempenho em relação à redução de ciclos.

A direção da Tecnoserv, localizada em Diadema-SP, também não pode reclamar das vendas. A fabricante mantém desde 2006 média anual de crescimento de 14,5%. Para Teixeira, diretor técnico da empresa, os consumidores perceberam ser vantajoso investir em moldes com câmara quente, estimulando assim uma demanda contínua. Quanto ao câmbio, ele aponta que a desvalorização do dólar não é de todo mal para a indústria brasileira, porque praticamente todos os componentes de câmara quente e a matéria-prima para sua fabricação vêm de fora. “Aços, ligas de torpedos, resistências e termopares são importados. Com isso, a desvalorização favorece”, reforça.

A empresa é especializada em diversos segmentos, como o de porta-moldes, componentes normalizados para moldes de injeção, sistemas de câmara quente e acessórios para ferramentaria. A Tecnoserv tem parceria com a Mastip, fabricante de sistemas de câmara quente, com unidade de produção na Nova Zelândia, desde 2007.

A empresa atua em mais de 40 países, e a companhia brasileira funciona como base do estoque para a América Latina. “Qualquer molde construído em outros países com câmara quente Mastip e todo pós-vendas são de responsabilidade da Tecnoserv, caso este molde venha para o Brasil”, explica Teixeira.

Plástico Moderno, Luciano Cavalcanti, Do depto de vendas da Fator Indústria e Comércio, Câmara quente - Fabricante investe em inovação para se tornar mais competitivo
Cavalcanti: diversificação do negócio garantirá saldo positivo

Entre as brasileiras, a CQB – Componentes para Moldes e Estampos também tem se destacado, e não registrou perdas. “Não sentimos a pressão asiática”, diz Holdschmidt. Para o engenheiro, essa proteção se dá porque atua em aplicações especiais, e arrisca prever um aumento dos pedidos de câmaras quentes, sobretudo por parte de indústrias para as quais os componentes standards não são os mais indicados. Aliás, a companhia tem atuado de forma expressiva no setor de brinquedos, com a oferta de sistemas com bicos compridos de 340 mm, com resistências blindadas e pré-montadas, testadas e prontas para uso.

A matriz da CQB está localizada em Pinhais-PR, onde as câmaras quentes são fabricadas. Há mais duas filiais que funcionam como pontos de distribuição dos componentes das outras linhas. Somente as resistências e o material para as ponteiras são importados. Também vem de fora o aço inox utilizado nos manifolds, bicos quentes, tubo de material e base. “As resistências são da Hotset, marca internacionalmente reconhecida pelo preço e qualidade”, ressalta Holdschmidt. No portfólio, o engenheiro ressalta os sistemas para injetar engrenagens de POM (polioximetileno ou poliacetal), com peso de0,3 g, molde com oito cavidades, e com mais de três anos em produção.

Entre as companhias nacionais, esse entusiasmo não se aplica à Fator Indústria e Comércio. Segundo Luciano Cavalcanti, do departamento de vendas da empresa, é difícil ser competitivoem preço. Nema realização da Copa do Mundo e da Olimpíada sustenta planos otimistas de investimentos no país. Para piorar, há a iminente crise norte-americana. “Tenho um cliente que parou em trinta dias os projetos por ordem da matriz nos Estados Unidos,” comenta Cavalcanti. O faturamento da empresa para 2011 deverá ser igual ao do ano passado. “Vamos trabalhar para não ter queda”, completa.

Uma alternativa adotada pela Fator tem sido oferecer sistemas considerados inteligentes e funcionais. “Temos de fazer mais, com menos”, finaliza. Enquanto o cenário não muda, de imediato a proposta tem sido também diversificar o negócio. A ideia é desenvolver um produto inovador e produzi-lo localmente. “Na Fator nunca injetamos, mas temos conhecimento para injetar”, argumenta Cavalcanti. Na opinião dele, os fabricantes de câmaras quentes, no futuro, poderão se tornar meramente empresas de assistência técnica. “Caberá às empresas nacionais corrigir o que é feito lá fora”, diagnostica.

A Fator está localizadaem São Paulo, mas também tem uma empresa de componentes de câmaras quentesem Joinville-SC. Umdestaque do portfólio é a linha +Fácil, um sistema autovedante, que dispensa parafusos no bloco de aquecimento e é de fácil montagem e desmontagem (como o nome sugere), entre outras características, como a precisão e o baixo consumo energético. A linha Isoflex também se diferencia. Possui os recursos da +Fácil, porém com um acumulador térmico. “Reduz em até 50% o consumo de energia e em até 60% a quantidade de zonas de controle de temperatura”, explica Cavalcanti.

A postura dessa fabricante de câmaras quentes reflete, em alguma medida, o posicionamento de todo o mercado. Apesar de diagnosticar um cenário adverso, por conta da importação de moldes asiáticos, não deixa de investir e buscar estratégias para se manter competitivo.

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