Cadeia une forças para reduzir impacto do plástico nos oceanos

Economia Circular

Resíduos compondo enormes ilhas na superfície de mares e rios, sujando praias, prejudicando a vida de animais aquáticos: a cada dia mais comuns, imagens desse gênero ampliam os questionamentos à sustentabilidade da cadeia do plástico.

Questionamentos que se intensificam quando agregam às preocupações ecológicas estudos relatando micropartículas absorvidas por peixes e frutos do mar, potencialmente nocivas à saúde dos seres humanos.

E bastante destacados pela mídia, por exemplo, no projeto Voz dos Oceanos, no qual os conhecidos velejadores da família Schurmann percorrem os mares mostrando os efeitos da poluição plástica, exibido em grandes veículos de comunicação.

Anualmente, dizem as estimativas mais conservadoras, desembocam nos oceanos pelo menos 8 milhões de toneladas de resíduos plásticos (veja tabela adiante), quantidade superior a toda a produção brasileira de transformados, pouco superior a 7 milhões de t/ano, em 2018, segundo a Abiplast.

Na forma de aplicações como embalagens de alimentos e bebidas, descartáveis, utilidades domésticas e fragmentos de filmes, os plásticos, informam os estudos, preponderam amplamente entre os resíduos lançados nos mares e em outros corpos hídricos.

E em pelo menos 80% dos casos, eles provêm da terra firme, de onde seguem para os oceanos por meio dos rios ou pela ação de chuvas. Ou seja: a minimização desse problema exige uma gestão mais abrangente dos resíduos sólidos e o avanço em direção à economia circular.

Surgem, porém, tanto em governos e instituições quanto no setor privado inciativas focadas na redução da presença de resíduos em mares e rios. Um deles, o Plastic Bank, nascido no Canadá em 2013, já atua em países como Indonésia, Egito, Filipinas e Camarões, entre outros, além do Brasil, onde aportou em 2019.

Geralmente situado em regiões litorâneas, o Plastic Bank estabelece parcerias com coletores de materiais recicláveis – cooperativas de catadores e pequenos sucateiros –, aos quais proporciona uma receita adicional pelo material coletado em um raio de até 50 km dos corpos hídricos.

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Plastic Bank oferece receita adicional para coletores

Esse material é então enviado a recicladores cadastrados, cujo produto pode ser utilizado por marcas interessadas no apelo de usar um material que conjuga valor social (a remuneração adicional aos coletores) e a redução da presença de plásticos no mar, e que remuneram ao Plastic Bank. Gillette, Wella, Henkel e SC Johnson, estão entre as marcas que participam dessa iniciativa.

No Brasil, o Plastic Bank trabalha com quatro recicladores e cerca de 2,7 mil catadores que, além do valor normal de venda de sua produção, recebem R$ 0,35 por kg de material entregue nos trinta parceiros já cadastrados (que também recebem um adicional).

“Com esse bônus, os catadores incrementam suas rendas em 40% a 100%”, afirma Helena Pavese, diretora da operação brasileira do Plastic Bank, que atua nos estados do Rio de Janeiro e São Paulo, e está ingressando no Rio Grande do Sul.

“No ano passado, coletamos no Brasil cerca de mil toneladas de plástico”, acrescenta.

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Quadro 1 – Segundo estimativa da ONU, a cada ano, cerca de 8 milhões de t de resíduos plásticos chegam aos oceanos. No material de divulgação de sua recente Assembleia para o Meio Ambiente, a ONU cita estudo de 2020 da The Pew Charitable Trust, que estima esse volume em 11 milhões de t/ano, e pode triplicar até 2040. Estudo da International Solid Waste Association aponta que os resíduos provenientes das atividades marinhas respondem por apenas 20% dos resíduos presentes nos oceanos; os restantes 80% provêm da terra. Os plásticos representam pelo menos 50%, mas podem corresponder a até 80% do total desses resíduos. Segundo a Fundação Ellen MacArthur, “as melhores pesquisas atualmente disponíveis estimam que há mais de 150 milhões de t de plásticos no oceano”

Há cerca de um ano nasceu o projeto Blue Keepers, no âmbito da Rede Brasil do Pacto Global da ONU (que busca alinhar empresas, governos e entidades em torno dos princípios hoje definidos pela Organização das Nações Unidas em áreas como direitos humanos, trabalho e meio ambiente, entre outras).

Uma das primeiras ações desse projeto é um estudo, em finalização, conduzido em parceria com o Instituto Oceanográfico da Universidade de São Paulo (IO/USP), que visa entender e mapear o contexto da geração de resíduos plásticos no Brasil, e sua movimentação em direção a mares e outros corpos hídricos; perfis populacionais, lixões, sistemas de drenagem pluvial, rios e sistemas lagunares, estão entre as informações nele consideradas.

De acordo com Camila Valverde, diretora de impacto da Rede Brasil do Pacto Global, “em breve” serão divulgados os resultados desse estudo.

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Camila Valverde, diretora de impacto da Rede Brasil do Pacto Global

“Mas eles já mostram problemas estruturais de norte a sul do país”, diz.

“Agora iniciaremos uma nova fase, com ações executivas, para diagnósticos locais e construção de soluções para mitigar o problema”, acrescenta a profissional do Blue Keeper, que tem como principais patrocinadoras a Braskem e a Ocean Pact (empresa provedora de soluções ambientalmente sustentáveis em áreas como operações submarinas e engenharia, entre outras).

Entidades e governo – A Associação Brasileira de Empresas de Limpeza Pública e Resíduos Especiais (Abrelpe), iniciou em 2018 o programa Lixo Fora D´Água, na cidade de Santos, no litoral paulista, onde foram analisadas as fontes dos resíduos que migram para os mares.

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Fernanda Romero, coordenadora do departamento técnico da Abrelpe

“Identificamos três fontes principais: as palafitas localizadas nos mangues; os canais de drenagem, cujas comportas são abertas quando há risco de enchentes, e então conduzem resíduos para o mar; a própria orla, onde são deixados resíduos”, relata Fernanda Romero, coordenadora do departamento técnico da Abrelpe.

Esse diagnóstico já fundamentou algumas soluções; uma delas, a instalação de barreiras físicas, denominadas ecobarreiras, nos canais que cruzam Santos, para impedir o trânsito dos resíduos para o mar caso as comportas sejam abertas.

Outra, o projeto-piloto Areia Limpa, que forneceu taças retornáveis e canudos compostáveis para barracas que vendem alimentos e bebidas nas praias. Por sua vez, o projeto Beco Limpo instalou ganchos nos quais os moradores das palafitas podem pendurar sacos com resíduos, posteriormente retirados por agentes ambientais da própria comunidade e encaminhados para locais adequados.

“Esse programa se tornou política pública da prefeitura de Santos, e está sendo ampliado”, diz Fernanda.

Apoiado por governos e entidades de países como Suécia, Noruega e do Reino Unido, e com parcerias com as prefeituras locais, o programa da Abrelpe já abrange onze municípios da costa brasileira, onde vivem 14 milhões pessoas: Camboriú-SC, Bertioga-SP, Fortaleza-CE, Rio de Janeiro-RJ, são alguns deles.

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Tabela 1 – Itens mais coletados nas amostras do programa Lixo Fora D’Água (em unidades)

Os plásticos predominam entre os materiais das amostras coletadas pelo programa, como informa a Tabela 1 (os dados dessa tabela se referem a unidades, não a peso ou volume).

“Estamos agora com um edital aberto para municípios que desejam qualificação na gestão de resíduos, muito focada nos oceanos”, conta Fernanda.

A poluição de mares por resíduos atraiu a atenção também do governo paulista, que no início de 2021 lançou o Plano Estratégico de Monitoramento e Avaliação do Lixo no Mar do Estado de São Paulo, também em parceria com o Instituto Oceanográfico da USP. Por enquanto, afirma Gil Scartena, coordenador de Planejamento Ambiental da Secretaria de Infraestrutura e Meio Ambiente do Estado de São Paulo (Sima), seu foco inicial também recai nas análises e estudos sobre o tema, mas no próximo ano ocorrerão ações concretas.

Mas ele já gerou um projeto: o Mar Sem Lixo. Lançado em fevereiro último, remunerará pescadores que, ao invés de devolverem ao mar resíduos apanhados por suas redes, entreguem esses resíduos em postos de coleta; na forma de vale-alimentação, esses pescadores receberão R$ 100 por mês por 20 kg de resíduos, podendo elevar esse valor para R$ 600 mensais, dependendo da quantidade entregue.

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Gil Scartena, coordenador de Planejamento Ambiental da Secretaria de Infraestrutura e Meio Ambiente do Estado de São Paulo (Sima)

“Já temos acordo com aproximadamente 280 pescadores das cidades de Cananéia, Ubatuba e Itanhaém”, detalha Scartena.

“Além de realizar a coleta, essa ação também permitirá conhecer melhor quais resíduos poluem os mares”, acrescenta.

Iniciativas do setor – Como não poderia deixar de ocorrer, a cadeia do plástico também se mobiliza para atender a demanda por menos resíduos nos oceanos, com iniciativas como o Fórum Setorial dos Plásticos – Por um Mar Limpo, que busca fomentar discussões relacionadas a esse tema.

Eventos e um livro, são projetos já desenvolvidos por esse fórum, composto por petroquímicas e entidades como Plastivida e Abiplast, entre outras.

Também integra os esforços da cadeia o programa Pellet Zero, que visa reduzir perdas de pellets – e, assim, a quantidade deles que migra para os oceanos –, tanto em produtores de resinas, quanto em usuários e operadores logísticos.

Criado nos Estados Unidos, esse programa foi adaptado para a realidade brasileira, onde já está sendo implementado em quase cem unidades industriais e de logística de mais de quarenta empresas.

A maioria dessas empresas cumpre as quatro etapas básicas do Pellet Zero; mas uma delas, a Braskem, obteve para suas 32 unidades a certificação Blue, correspondente a uma quinta etapa, que pressupõe a divulgação das informações referentes a sua implementação.

Plástico Moderno - Avança a discussão mundial sobre o lixo nos mares - Plastivida ©QD Foto: iStockPhoto
Miguel Bahiense é graduado em Engª Química (UFRJ)

“A divulgação mostra o interesse da indústria em um processo transparente, auditável, rastreável”, ressalta Miguel Bahiense, presidente da Plastivida, uma das duas licenciadoras do programa no Brasil (a outra é a Abiplast).

A Sabic anunciou no início deste ano um projeto de reciclagem química de plásticos retirados de oceanos, que a empresa HHI, da Malásia, transformará em óleo de pirólise posteriormente empregado pela Sabic para substituir matérias-primas de origem fóssil na produção de poliolefinas, depois integradas a seu portfólio de soluções circulares Trucircle, no qual há também resinas recicladas e de origem renovável.

Os plásticos, anuncia a Sabic, são recuperados de cursos d’água de alimentação oceânica, e de áreas interiores em um raio de 50 km do oceano, e têm essa origem certificada pela Zero Plastic Oceans.

Caminhos e propostas – Cientes dos potenciais prejuízos para suas marcas caso elas apareçam em imagens de mares poluídos por resíduos plásticos, usuários de aplicações feitas com resinas também se engajam na mobilização em prol da solução desse problema.

Um desses usuários, a Coca-Cola, tornou-se parceira da ONG The Ocean Cleanup, que instala grandes barreiras flutuantes em rios e oceanos para recolher resíduos, depois retirados por navios e barcos.

A Coca-Cola se comprometeu a instalar quinze dessas barreiras até o final deste ano; duas já foram colocadas, no Vietnã e na República Dominicana.

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Rodrigo Brito, gerente de Sustentabilidade Cone Sul da Coca-Cola América Latina

“Desenvolvemos também projetos e campanhas como Mi playa Sin Resíduos, na Argentina, Uruguai e no México, e Igarapés sem Resíduos, uma série de mutirões de limpeza e ações de conscientização que em 2021 retirou 7,5 toneladas de materiais de rios e igarapés no Amazonas”, ressalta Rodrigo Brito, gerente de Sustentabilidade Cone Sul da Coca-Cola América Latina.

Além disso, observa Brito, 34% das vendas da Coca-Cola na América Latina já são feitas em embalagens retornáveis, e 99,4% das embalagens da empresa são recicláveis.

“Até 2025, temos a meta de que 50% delas sejam feitas com conteúdo reciclado; em 2021, chegamos a 20%”, relata.

“Quanto maiores as taxas de embalagens circulares, mais se desenvolve a cadeia de coleta e reciclagem, e menores as chances de elas se tornarem resíduos poluentes se descartadas incorretamente”, acrescenta o profissional da Coca-Cola.

Mas, sem uma boa gestão dos resíduos sólidos nos ambientes terrestres, é impossível evitar sua trajetória rumo aos oceanos, ressalta Bahiense, da Plastivida. “Quanto pior a gestão em terra, pior a qualidade dos mares”, enfatiza.

Camila, do Blue Keepers, recomenda que antes de tudo se busque entender a origem desse problema, bem como suas especificidades e dimensões locais, focando nas fontes de poluição.

“Ocupações irregulares à beira de corpos hídricos, falta de saneamento e drenagem, ausência de cobertura de coleta de resíduos sólidos, disposição final em locais inadequados, tudo isso deve ser observado e trabalhado”, detalha.

Fernanda, da Abrelpe, lembra que a solução do problema depende de um sistema que envolve poder público e cadeias produtivas, mas também os próprios consumidores, que devem reavaliar seus hábitos e atitudes. Algo que exige ações de comunicação.

“Sem comunicação eficiente, esse processo não avança. E é preciso elaborar comunicações específicas para os diferentes perfis de pessoas”, conclui.

Medidas – Mesmo apontando alguma evolução, estudiosos de mares e rios e representantes de entidades ambientalistas consideram extremamente preocupante o atual estágio de poluição de mares e rios por plásticos, vinculando sua solução a um conjunto amplo de medidas que conduza à economia circular, em todas as suas vertentes, do design dos produtos ao reaproveitamento das resinas.

Mas eles também pleiteiam medidas imediatas, entre as quais Alexander Turra, professor do IO/USP, coordenador da cátedra Unesco Para a Sustentabilidade do Oceano e integrante do programa Pellet Zero, cita a adoção da REP (Responsabilidade Estendida dos Produtores), que responsabiliza os integrantes das cadeias produtivas pela busca e pelo financiamento das soluções para minimização dos impactos ambientais de suas atividades.

Para Turra, na medida em que há maior conscientização sobre o problema, pode-se até falar em algum avanço no combate aos resíduos nos oceanos.

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Alexander Turra, professor do IO/USP, coordenador da cátedra Unesco

“Mas, em termos da qualidade do ambiente, não dá para falar em melhora, dados mostram que segue aumentando a quantidade de resíduos em mares e praias”, ressalta.

Gerente da Rede de Pacto do Plástico na Fundação Ellen MacArthur, Thaís Vojvodic também inclui a REP em um conjunto de medidas que deve fazer parte de uma estratégia abrangente de economia circular, única maneira, segundo ela, de efetivamente eliminar resíduos plásticos não apenas dos oceanos, mas de qualquer outro ambiente.

Houve, diz Thaís, um avanço importante nessa discussão na recente Assembleia de Meio Ambiente da ONU, realizada em março na África, que decidiu estruturar, até 2024, um acordo global abrangendo todas as etapas do ciclo dos plásticos, visando reduzir seus impactos ambientais.

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Thaís Vojvodic, gerente da Rede de Pacto do Plástico na Fundação Ellen MacArthur

“A resolução assinada ressalta a importância do design circular dos produtos e materiais”, destaca Thaís.

“Também reforça o papel do setor de coleta informal, os catadores e as cooperativas de reciclagem, que devem estar representados durante as negociações”, acrescenta.

Esse tratado, lembra Thaís, será “juridicamente vinculativo”. Ou seja: terá a força de uma legislação internacional à qual devem se submeter os países signatários.

“Exemplo de acordo juridicamente vinculativo é o Protocolo de Montreal, que passou a controlar as substâncias nocivas à camada de ozônio”, informa a especialista.

O Instituto Água Sustentável, em parceria com a Beegreen, listou iniciativas focadas na redução da presença de plásticos nos mares. Uma delas, a ecobarreira Arroio Dilúvio, estrutura flutuante feita de materiais reciclados e instalada no Lago Guaíba, no Rio Grande do Sul.

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Everton de Oliveira, professor do Instituto Água Sustentável e sócio-diretor da consultoria Hidroplan

“Desde a sua implementação, em 2016, ela já permitiu a retirada de mais de 500 t de resíduos plásticos”, relata Everton de Oliveira, professor do Instituto Água Sustentável e sócio-diretor da consultoria Hidroplan.

“No Rio há o projeto Ecoboat/Renove, que através de um barco com uma pá na proa recolhe resíduos sólidos da água”, acrescenta.

Existem também, prossegue Oliveira, sistemas que, mediante a instalação de redes nas saídas dos sistemas fluviais urbanos, impedem que os resíduos sigam para os oceanos; e, na Austrália, o Seabin Project desenvolveu uma espécie de lata de lixo flutuante – inspirada nas máquinas que retiram folhas de piscinas – que recolhe resíduos dos mares.

Ele também demanda a busca por uma economia mais circular; associada, porém, à intensificação do investimento em educação ambiental.

“Educar desde a infância é um ponto chave para a mitigação do problema”, enfatiza Oliveira.

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