CAD/CAM – Ferramenteiros avaliam vantagens e pontos fracos desses softwares

Mas tudo isso tem um custo. E alto. Não bastam softwares de última geração, também é preciso investir em máquinas. Só em CAD/CAM/CAE os recursos necessários representam milhares de dólares para cada licença, além de manutenção de software e hardware, como bem ressalta Monteiro.

O gerente da Husky explica que CAD, CAM e CAE estão interligados e um depende do outro. O primeiro auxilia na execução do projeto, na obtenção de um desenho rápido e de fácil visualização. “Mesmo com superfícies mais complexas.” O CAM é necessário para reproduzir para um produto real o que foi feito no CAD; enquanto o CAE é utilizado para garantir o melhor desempenho possível durante a produção. Segundo Geremonte, o CAE reduz o número de try-outs e ajuda a obter um produto fidedigno com o molde finalizado.

Existem muitos benefícios associados ao uso desses módulos, considerados pelo gerente instrumentos na obtenção de produtos confiáveis de alta qualidade. “Com esses softwares é possível simplificar usinagens, verificar como a peça ficará após ser usinada, mesmo sem usinar, identificar pontos fracos em um produto, obter uma distribuição térmica adequada etc.”, pondera.

No CAD, o projetista consegue agilidade na montagem de componentes, assim como em alterações do desenho, efetuadas rapidamente e sem complicações. Com o 3D é possível realizar vistas de corte por todos os lados e verificar facilmente interferências em um conjunto de peças.

Embora a utilização do CAD, do CAM e do CAE pelos projetistas da Husky esteja interligada, pois um depende do outro, a operação não é simultânea. O que pode ocorrer, explica Geremonte, é ter um projeto em início no CAD, com a definição da geometria do produto desejado; passar para o CAE para verificar se a peça plástica terá algum tipo de problema de preenchimento; e voltar para o CAD para projetar o molde completo.

Também existe a possibilidade de o projeto ir para o CAE para avaliar estruturas e distribuições térmicas. Após a finalização CAD/CAE, o projeto segue para o CAM, para que sejam feitos os programas para posterior usinagem.

Quanto maior e mais complexa a geometria do molde a ser analisado, mais tempo o software precisará para efetuar todos os cálculos. Por isso, Geremonte opta em algumas ocasiões por analisar partes separadas, a fim de reduzir o tempo de análise. Também na Moltec existe uma integração entre os softwares. Por conta disso, eventuais alterações durante a elaboração do projeto são realizadas com facilidade, repassadas de um módulo para outro. A base de dados é integrada entre eles, que conversam entre si.

Superando pontos críticos – Para o gerente da Husky, a saída de gases, a refrigeração das placas e cavidades, a localização do ponto de injeção e o balanceamento de cavidades estão entre os pontos críticos do molde que podem ter problemas evitados com o uso desses softwares. “Com a utilização do CAE e o auxílio do CAD, podemos prever um determinado ponto de queima do produto, prevenir empenamentos e preenchimentos desbalanceados, localizar a linha de emenda em um produto com mais de um ponto de injeção ou com geometria complexa”, comenta Geremonte.

Plástico Moderno, CAD/CAM - Ferramenteiros avaliam vantagens e pontos fracos desses softwares
Oliveira contribui na avaliação das atualizações dos programas

Como disse um especialista, o molde é o coração do processo. “Se não for bem dimensionado e construído, o processo não atingirá o máximo de eficiência durante sua produção”, infere Geremonte. Falhas como acabamento inadequado das cavidades, refrigeração ineficiente, saídas de gases mal dimensionadas ou distribuídas, entre outras, comprometem a peça e até mesmo interferem na vida útil da ferramenta. “O uso dos sistemas CAD/CAM/CAE pode auxiliar e muito na prevenção de alguns desses problemas, entre outros mais”, compartilha.

As linhas de divisão, a perfeita usinagem, os movimentos do molde, a refrigeração, aspectos críticos do molde, são avaliados virtualmente na Moltec e eliminam os problemas antes de eles acontecerem. “O CAM garante o mesmo perfil do desenho para o aço”, assegura também Chagas.

Além disso, os programas são salvos e armazenados eletronicamente, gerando uma biblioteca, ou banco de dados. Fácil de acessar, sempre que necessário.

Os nós dos softwares – Não há só ganhos. Para Monteiro, a desvantagem do mundo virtual fica por conta da utilização de vários tipos de software. No entender dele, é preferível optar por um que agregue o maior número de soluções, com ganho de tempo e qualidade da informação. “Para utilizar o melhor software do mercado para cada solução, as empresas acabam tendo dificuldades na ‘conversação’ desses softwares”, opina.

Os serviços oferecidos pelas fornecedoras desses aplicativos também podem melhorar, entre os quais os chamados pacotes específicos para cada tipo de trabalho. A Simoldes utiliza um pacote chamado Moldwizard da Unigraphics, módulo com ferramentas específicas para a execução de projetos. O problema, explica Monteiro, é que as ferramentas são muito simples, muitas delas mal elaboradas e geralmente pensadas para pequenas ferramentas. “Acabamos por não utilizar a maioria por se tratar de ferramentas que não se tornam viáveis para os nossos tipos de moldes.”

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