Brasilplast 2011 – Transformação – Clima favorável para geração de negócios traz otimismo ao setor

Com o aquecimento da economia brasileira a partir do segundo semestre do ano passado, o clima para novos negócios na Brasilplast 2011 é de puro otimismo se comparado à edição anterior, ocorrida em plena crise mundial.

“O Brasil sobressaiu mesmo nos momentos difíceis. Porém, não só o setor de transformação, mas a economia como um todo obteve um baixo desempenho. Mas, desta vez, temos uma perspectiva de crescimento de 10%, o que é bastante satisfatório”, avalia José Ricardo Roriz Coelho, presidente da Associação Brasileira da Indústria do Plástico (Abiplast).

Depois do período crítico, a boa expectativa do setor de transformação se apoia no aumento da renda da população, que vem estimulando o consumo de bens em setores nos quais o plástico tem reinado — de embalagens para diversas finalidades à indústria automotiva, passando pela construção civil. Além disso, o país tem recebido investimentos em infraestrutura por conta de megaeventos como a Olimpíada e a Copa do Mundo, agitando diversos segmentos da economia. No setor do plástico não é diferente. De acordo com a Abiplast, em 2010, estima-se um consumo interno em torno de 5,7 milhões de toneladas, confirmando sinais da recuperação em 2011, que espera crescimento de 10% e uma expansão ainda maior em 2012. As exportações, para este ano, também devem ter crescimento de 8%, chegando a 330 mil toneladas.

Apesar dos números do mercado interno e do clima favorável, o setor ainda se preocupa com o número das importações: em 2010 foi registrado um aumento de 30% em relação ao período anterior. E isso deve crescer em torno de 15% neste ano em virtude dos negócios com a China e com os Estados Unidos, especialmente no segmento de laminados autoadesivos e filmes para várias aplicações. “Com exceção de 2009, as taxas de importação crescem de 30% a 35% ao ano. Esse crescimento é preocupante e assinala os gargalos de competitividade que precisam ser fortemente atacados, sob pena de esses setores terem participação cada vez maior de produtos importados”, explica Roriz.

Plástico moderno, Brasilplast 2011 - Transformação - Clima favorável para geração de negócios traz otimismo ao setor

Mesmo com a Política de Desenvolvimento Produtivo, por meio do Programa de Apoio ao Desenvolvimento da Cadeia Produtiva do Plástico (Proplástico), que visa à modernização das empresas, o setor aponta fatores que emperram a competitividade na hora de exportar, como o alto custo de produção, a matéria-prima com preço elevado, o excesso de cargas tributárias e as altas taxas de juros. “Em uma segunda fase da PDP, da qual muito tem se falado, o objetivo é aumentar a competitividade do setor”, comenta Roriz.

Plástico moderno, José Ricardo Roriz Coelho, Presidente da Abiplast, Brasilplast 2011 - Transformação - Clima favorável para geração de negócios traz otimismo ao setor
Roriz: momento é propício para desengavetar projetos

Além disso, as indústrias de plástico têm dificuldade de se financiar porque o mercado é muito pulverizado e as empresas — especialmente as pequenas e médias — têm pouco acesso ao mercado financeiro. “Mesmo com as linhas de financiamento, não conseguem alavancar seu crescimento por conta da morosidade dos processos burocráticos e das garantias exigidas. São muitas etapas para transpor e isso afasta muitas empresas dos processos de financiamento. O ideal seria que o Finame fosse um programa permanente, especialmente com juros mais baixos para que as indústrias pudessem se modernizar com equipamentos de última geração.”

Nesta edição da Brasilplast, a nova gestão da Abiplast pretende fazer do evento, por si só, uma vitrine, uma oportunidade para alavancar e acelerar projetos para o setor. “Mais do que negócios fechados e a possibilidade de estar com empresários do mundo inteiro, a feira nos traz as principais tendências do setor”, avalia o presidente. “O Brasil também sai na frente com os produtos ecofriendly. Mesmo com a produção ainda pequena, os itens fabricados com fontes renováveis têm excelente aceitação no mercado externo. Os bioplásticos precisam ser incentivados e devem ganhar espaço, especialmente porque o consumidor está também cada vez mais exigente.”

De acordo com Roriz, essa é a hora de desengavetar projetos que estavam à espera de melhoras na economia. “Essa perspectiva é muito clara e o número de negócios deve ser compatível com o otimismo dos empresários do setor. Como grandes produtores de petróleo e autossuficientes, temos um mercado potencial de alimentos e toda uma gama de produtos que impulsionam a indústria do plástico. Precisamos sustentar a demanda interna, combater a importação com preços e qualidade, além de exportar competindo em igualdade com as empresas estrangeiras.”

Mais incentivo às exportações – O programa Export Plastic promove desde 2005 durante a Brasilplast o Projeto Comprador, com rodadas de negócios entre seus associados, uma das muitas ações da entidade para incentivar as exportações. O programa é uma parceria entre a cadeia do plástico e o governo federal por meio da Agência Brasileira de Promoção de Exportações e Investimentos (Apex-Brasil), vinculada ao Ministério do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior (MDIC). Criado em 2003 e coordenado pelo Instituto Nacional do Plástico (INP), conta com a participação de 74 empresas de transformados plásticos de dez estados. O programa tem apoio institucional da Abiplast, Abiquim, Abief e Afipol e patrocínio da Petrobras e da Braskem.

Plástico moderno, Brasilplast 2011 - Transformação - Clima favorável para geração de negócios traz otimismo ao setor

Nesta quarta edição, a rodada promovida pelo Export Plastic acontecerá apenas no primeiro dia da feira e contará com cinco compradores dos Estados Unidos e do México. “A Brasilplast serve como um evento âncora: reúne muitos de nossos associados como visitantes e potenciais compradores de equipamentos, porém não conta com muitos associados ao programa expondo”, explica Marco Wydra, gerente executivo do Export Plastic. “Convidamos compradores internacionais para não só visitar a feira, mas principalmente para estreitar os laços com os nossos associados por meio de visitas técnicas.”

Plástico moderno, Brasilplast 2011 - Transformação - Clima favorável para geração de negócios traz otimismo ao setor

Para o representante do programa, o evento deve trazer excelentes oportunidades, uma vez que há a retomada de negócios pós-crise e as exportações brasileiras no plástico estão crescendo. “Vivemos um momento de grande dinamismo em alguns mercados, especialmente em relação ao bioplástico e às embalagens inteligentes. Não dá para dormir no ponto diante das oportunidades”, avalia Wydra.

Plástico moderno, Marco Wydra, Gerente executivo da Export Plastic, Brasilplast 2011 - Transformação - Clima favorável para geração de negócios traz otimismo ao setor
Wydra: empresários devem agregar valor aos produtos

Em 2008, os associados enviaram 88 mil toneladas de produtos transformados ao mercado externo, enquanto o setor exportou 332 mil toneladas. No ano seguinte, os números foram praticamente os mesmos, considerados razoáveis levando-se em conta a crise econômica. Em 2010, as 74 empresas associadas destinaram seus produtos para mais de 30 países e fecharam o ano com um aumento de 24% em relação ao ano anterior: de 87 mil para 114 mil toneladas, gerando uma receita de US$ 317 milhões e aumento de 63%.

O programa não trabalha com perspectivas, mas sim com metas estabelecidas por meio de convênios de dois anos com os patrocinadores, celebrados sempre em maio. O atual convênio (maio de 2010 a maio de 2012) tem meta para o primeiro ano de 115 mil toneladas e, para o segundo ano, de 140 mil toneladas.

Na Brasilplast, o Export Plastic ainda promove palestras internacionais para posicionar mercados ou segmentos específicos, apontar tendências e outras particularidades da dinâmica das exportações. A ação faz parte de um dos eixos estratégicos do Programa Export Plastic, a inteligência competitiva. Nessa linha de atuação, o objetivo é disseminar conhecimento fornecendo ferramentais sobre cultura, demandas, expectativas, exigências, tendências de design, tecnologia e benchmarking no mercado externo. “Não queremos que os associados se aventurem, mas que mergulhem em todas essas questões a fim de agregar valor ao produto criando diferenciais competitivos. Igualmente importantes também são as várias fases de atendimentos pós-venda, como assistência técnica, confiabilidade e entrega do produto”, explica Wydra.

Além das rodadas e palestras, a atuação do Export Plastic na Brasilplast contará com o Projeto Imagem, que promove o setor e o país entre jornalistas e veículos especializados, convidados para a cobertura do evento.

Desde o primeiro convênio entre os patrocinadores, firmado em 2003, Wydra destaca o aprimoramento de várias dinâmicas para entender melhor as necessidades dos associados e dos compradores internacionais. “Um dos diferenciais é a integração dos patrocinadores, o que nos dá uma sinergia muito grande e garante a boa imagem no exterior por meio de empresas âncoras mundialmente conhecidas. Isso aumenta o poder de barganha.”

Plástico moderno, Brasilplast 2011 - Transformação - Clima favorável para geração de negócios traz otimismo ao setor

As ações de incentivo às exportações não acontecem apenas na Brasilplast, mas também em todas as feiras em que o setor plástico vem conquistando espaço, nacionais e internacionais. Nos mesmos moldes, o Programa Export Plastic também promoverá rodadas de negócios durante as feiras Fispal Tecnologia (7 a 10 de junho), Plastech (16 a 19 de agosto) e House & Gift (27 a 30 de agosto) e participa com seus associados, por meio do Projeto Vendedor, de feiras internacionais, como a Interpack (Alemanha), Saitex (África do Sul) e Andina Pack (Colômbia). “Temos um calendário bem denso, de acordo com cada perfil de produto, com os associados expondo no nosso estande.”

[toggle_simple title=”De olho na capacitação e na competitividade” width=”Width of toggle box”]

Muito mais que rodadas de negócios ou participações em feiras, o programa Export Plastic desenvolve suas ações visando o mercado externo baseadas em três eixos de atuação: desenvolvimento empresarial; promoção comercial e comunicação; e inteligência e estratégia competitiva. Também são comuns as parcerias com institutos tecnológicos para adequação de produtos, treinamentos em procedimentos para comercialização internacional, pesquisas de mercado, prospecção de oportunidades de negócios e branding internacional. “Nosso objetivo é desenvolver a cultura exportadora nas empresas, tanto para as iniciantes nesse processo como também oferecendo soluções para as já internacionalizadas, como o apoio de um escritório avançado no exterior, promoções em pontos de venda, parcerias com seguradoras, escritórios de design e outras facilidades”, explica Marco Wydra, gerente executivo do Export Plastic. “Estamos ocupados com o bom uso de todas as ferramentas existentes no Brasil, adequadas a cada segmento de atuação e ao perfil exportador. Como o portfólio é bastante amplo, muitas vezes o empreendedor desconhece a diversidade de serviços.”

Para as empresas que almejam a entrada (e a permanência) no mercado externo, o Export Plastic possui um programa de capacitação, realizado por meio de palestras, cursos e seminários nacionais e internacionais. “Alguns critérios precisam ser preenchidos. Em conjunto e de acordo com o perfil da associada, direcionamos ações de capacitação para que cada empresa possa evoluir, até mesmo dentro da nossa segmentação”, adianta Wydra. “Não capacitamos para o mercado nacional, mas como a exportação tem dinâmica bastante diferente temos que fornecer ferramentas para alinhar o planejamento estratégico.”

De acordo com o gerente, a exportação pode ser entendida como uma ferramenta de aprimoramento. “Quando incentivamos a empresa nacional a definir um plano de negócios internacionais, ela reavalia todos os processos. A exportação influencia todos os setores de uma empresa, da contabilidade à logística. É um trabalho de formiguinha.”

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