Brasilplast 2011 – Sopradoras – Fabricantes apostam na retomada do setor e preveem crescimento

De um lado, mais produtividade com menor consumo de energia e redução de mão de obra. Do outro, máquinas não tão novas, concorrência e dificuldades financeiras para investir em melhorias que garantam produtos mais competitivos.

A realidade do mercado de sopradoras não difere do que acontece com a maioria das indústrias do país. Porém, às vésperas da 13ª Brasilplast, os poucos fornecedores do setor apontam uma crescente retomada dos negócios desde o final do ano passado e arriscam uma expectativa de crescimento de 10% a 15% em relação ao período anterior — condição excelente para quem compara com o cenário de 2009. “A última edição da feira foi um marco para a virada pós-crise mundial e o mercado de sopradoras reagiu”, avalia Newton Zanetti, diretor comercial da líder Pavan Zanetti, de Americana-SP, acreditando no potencial da feira neste ano para gerar grandes negócios.

Para o diretor, essa reação está diretamente ligada ao programa de financiamento lançado pelo governo federal com juros iniciais a 4,5% ao ano, possibilitando grande movimentação para a renovação de equipamentos, em todos os setores, e alavancando bastante as vendas. “Houve grande procura pelo programa por parte das empresas em dia com os impostos federais e estaduais, a fim de obter acesso a esse tipo de financiamento.”

Zanetti conta que a modalidade mais utilizada pelos clientes, a do Banco Nacional do Desenvolvimento (BNDES) por meio do Finame-PSI, começou oferecendo juros fixos de 4,5% ao ano, com carência de doze meses e até dez anos para pagar. “Hoje com taxa de 5,5%, deve subir para 6,5% para médias e pequenas empresas.” Sem citar números, o diretor comercial comemora recordes de vendas em 2010. “Não tivemos nada a reclamar até a data de hoje.”

Plástico moderno, Hermes Lago, Diretor de comercialização, Brasilplast 2011 - Sopradoras - Fabricantes apostam na retomada do setor e preveem crescimento
Lago: atribui boa fase do setor ao aumento do poder aquisitivo

Há apenas três anos no segmento de sopro com a aquisição da JAC, a Romi, de Santa Bárbara d’Oeste-SP, também não se queixa. Segunda colocada em um mercado que gira entre 200 e 250 máquinas, conforme estimativas dos próprios fornecedores, a empresa concentra suas vendas em equipamentos com volume de sopro para até 5 litros, destinados principalmente a embalagens de cosméticos, produtos de limpeza e bebidas. “O aumento de poder aquisitivo favoreceu a ascensão de classes, impulsionando a venda de produtos finais cujos frascos estão diretamente ligados ao mercado de sopro”, comenta Hermes Lago, diretor de comercialização.

Mesmo com a forte possibilidade de o governo conter a onda de consumo para driblar a inflação, a perspectiva para 2011 na Romi segue bastante otimista, com crescimento estimado em torno de 10%. “Os bons números devem continuar, pois o consumidor que entrou nesse mercado não deixará de comprar e isso aquece a venda de máquinas para esses nichos em expansão.”

Apesar das constantes queixas dos clientes quanto ao acesso ao financiamento das máquinas, o diretor da Romi destaca a importância do programa do governo, fundamental para manter o setor na época da crise – e que deve ser estendido a partir de abril, com novas condições. “Foi um canal importante e extremamente positivo. Medimos os resultados não só em relação às vendas e à qualidade do produto final com as novas máquinas, mas também para a geração e manutenção de empregos.”

Dificuldades e concorrência – O programa do governo garantiu maiores facilidades para a compra das máquinas nacionais, mas o mesmo não pode ser dito em relação às importadas. Hans Lüters, da Kal Internacional, de Bragança Paulista-SP, que representa a norte-americana Jomar no Brasil desde 1997, explica ser muito difícil para os clientes conseguirem esses benefícios. “Alguns bancos oferecem linhas de financiamento, mas as exigências são tantas e o processo é muito demorado. Chegamos a ter casos em que as regras dos bancos mudaram após três meses, inviabilizando o projeto do cliente”, desabafa. Mesmo assim, a empresa – que não compete com as grandes sopradoras – garante estar bem posicionada no mercado, atendendo nichos específicos, especialmente os frascos farmacêuticos e cosméticos de até 200 ml. No ano passado, a Kal Internacional registrou crescimento de 50% em relação a 2009 e a expectativa para este ano gira em torno de 25%.

Para o empresário, o que mais pesou no último biênio foi a concorrência das máquinas asiáticas. “Apesar de custar a metade do preço, elas não garantem processo competitivo e seguro em grandes escalas, tendo produtividade abaixo de 90%, enquanto as nossas alcançam 98%”, compara. Segundo Lüters, clientes do Peru, da Colômbia e da Argentina que adquiriram esses exemplares em menos de dois anos acabaram voltando para as máquinas norte-americanas. “Problemas com reposição de peças e assistência técnica também não compensavam em relação ao investimento inicial.”

Aliás, competir com o preço das máquinas asiáticas está entre as principais dificuldades enfrentadas pelo setor. Em geral, elas estão relacionadas aos altos custos de fabricação que encarecem os produtos nacionais em termos mundiais – especialmente se comparadas aos equipamentos chineses. “Tivemos aumento de custo de mão de obra bem acima da inflação. Embora tal fato tenha contribuído para o aumento do consumo, isso influencia bastante no preço do produto final”, explica Zanetti. “Com o dólar também baixo, as exportações que chegavam a 20% de nossa produção hoje mal atingem 5%, mesmo trabalhando bastante o cliente.”

Plástico moderno, Sérgio Pintarelli, Diretor da Pintarelli Industrial, Brasilplast 2011 - Sopradoras - Fabricantes apostam na retomada do setor e preveem crescimento
Pintarelli: reengenharia dos modelos garantiu boas vendas

Para o representante da Romi, Hermes Lago, a concorrência existe, mas as máquinas nacionais sobressaem. “Tem a questão do câmbio, o que pode baratear ou não o produto importado. Mas nós temos melhor produtividade, assistência técnica, investimos em pesquisa e desenvolvimento. Temos um compromisso com o cliente e isso pesa na decisão de compra.”

Sérgio Pintarelli, diretor da Pintarelli Industrial, de Blumenau-SC, também reforça essa análise. “Mesmo com o assédio dos chineses em todos os segmentos da indústria, a concorrência no sopro é menor: aparecem muitos vendedores, com custo infinitamente baixo, mas eles não sobrevivem”, avalia. Segundo o diretor, os transformadores preferem esperar mais tempo pela entrega de um produto nacional a se arriscarem com máquinas estrangeiras. “Quem se aventura não oferece um projeto completo ao cliente. Não raro, temos que fazer adaptações de periféricos nesses modelos.”

A Pintarelli realiza soluções em automatização para a indústria transformadora de plástico por sopro em conjunto com a Blufer Tecnoplast. A parceria com a coligada, de acordo com Pintarelli, permite oferecer produtos de qualidade, com menor custo de produção e qualidade de revenda. “O diferencial é proporcionar ao cliente a aprovação do projeto ainda na nossa fábrica, e também, agilidade na entrega, instalação e assistência técnica.”

No final de 2009, a Pintarelli aproveitou o final da crise para fazer uma reengenharia e, entre suas ações, aprimorou o design de várias máquinas em 2010, como a Soprática, reestilizada e destaque da feira. Como resultado, a estimativa de crescimento de 10% no ano passado foi superada e a marca registrou aumento de 17% nas vendas e participação de 10% no mercado de sopro convencional. A expectativa é de fechar este ano com crescimento de 10% em relação a 2010.

Marcelo Pruaño, gerente comercial da Meggaplástico – divisão do grupo Megga, no segmento de sopro com máquinas asiáticas, desde 2006, com as linhas Invex (convencional) e Chumpower (estiramento), – concorda que existe o preconceito em relação aos equipamentos chineses. “Porém, nossa empresa superou esse estigma. Com vinte anos de existência, o grupo passou por diferentes crises, ganhou novas divisões e, mesmo assim, continuou a crescer. Competimos de igual para igual em termos de assistência técnica e reposição de peças.”

Plástico moderno, Marcelo Pruaño, Gerente comercial da Meggaplástico, Brasilplast 2011 - Sopradoras - Fabricantes apostam na retomada do setor e preveem crescimento
Pruaño: aumentou a procura por peças com menos rebarbas

De acordo com o gerente, de 2008 a 2010, a empresa apresentou crescimento recorde no volume de faturamento – de quatro vezes mais –, aumentando sua participação e ocupando o terceiro lugar nesse mercado. A Meggaplástico atua com sopradoras de diversos tamanhos, concentrando sua comercialização no nicho de equipamentos destinados a volumes de 3 a 5 litros, que correspondem a 80% das vendas. O restante são máquinas para embalagens acima de 20 litros.

O bom desempenho da Meggaplástico, conforme o gerente, está no fato de a empresa se destacar no atendimento das novas exigências do mercado de sopro, entre elas a produção automatizada (como a retirada de peças) e a melhor qualidade do produto (menos rebarbas). “Nossas máquinas têm como referência a tecnologia europeia, com um preço menor que o produto nacional”, compara. Um bom exemplo, de acordo com Pruaño, é a convencional FT 70, com mesa dupla e esteiras automáticas – neste modelo, o rebarbamento retorna para a extrusora, economizando mão de obra. “Ela funciona com ciclos menores, garante melhor produtividade e frascos mais bem acabados, com paredes mais homogêneas.”

A Meggaplástico também se antecipou para atender a demandas específicas, com o lançamento das sopradoras multicamadas (até cinco) no ano passado, destinadas a bombonas de 200 litros para a agroindústria. Na feira, o destaque ficará por conta da HFBA75R, com mesa dupla com capacidade de produção de frascos e bombonas entre 10 e 5.000 ml de PP, PE, PVC, PC e outros materiais para produtos farmacêuticos, cosméticos, de higiene pessoal, produtos de limpeza, alimentícios, indústria química e peças automotivas. A série vem equipada com sistema hidráulico proporcional em todos os movimentos da máquina (fechamento, abertura, movimentação do cabeçote), produção em uma ou mais cavidades, por extrusão continua ou com acumulação, e permite a utilização de cabeçotes de múltiplas camadas (Coex).

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Plástico moderno, Hans Lüters, da Kal Internacional, Brasilplast 2011 - Sopradoras - Fabricantes apostam na retomada do setor e preveem crescimento
Lüters: empresa optou pela especialização em nichos

Quinze anos é a idade média das sopradoras em funcionamento no país. Longe de ser um sinal de juventude e pujança, os fabricantes enxergam tal situação como um grande parque industrial a ser modernizado. “Temos perspectivas de que os programas a serem lançados venham sucatear definitivamente máquinas acima de quinze anos”, almeja Newton Zanetti. De acordo com o empresário, a implantação de um programa nesses moldes – solicitado pela Associação Brasileira de Máquinas (Abimaq) – funcionaria como uma “complementação vitoriosa” após os incentivos do Finame.

Hans Lüters, da Kal Internacional, estima que o mercado brasileiro de sopro comportaria entre 500 e 600 máquinas, não fosse o alto grau de investimento de um equipamento novo. Com base nos números da Jomar, mercados menores, como México, Colômbia e Caribe, consomem mais máquinas novas que o Brasil. Ele também aponta que, desde 2009, o parque industrial vem absorvendo máquinas usadas de outros países, entre 3% e 5% do total das vendidas. “Além de tirar uma fatia dos fabricantes nacionais e importados, aumenta a média da idade das máquinas brasileiras. Os custos podem ser reduzidos, mas o país também está importando tecnologia obsoleta”, avalia.

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Mais investimentos em tecnologia – Máquinas menos poluidoras, com maior eficiência energética, maior controle dos processos e capacidade de produção. Este tem sido o principal desafio dos fabricantes nacionais, que investem em melhorias para acompanhar as necessidades dos transformadores. De olho na tendência das máquinas cada vez mais automatizadas, a Pintarelli Industrial, por exemplo, trará para esta edição da Brasilplast a sopradora Soprática 3600S, totalmente reestilizada, dotada de cortadora de cabeça perdida e equipada com enfardadeira automática. Fornecedora de máquinas para volumes de até 6 litros, a Pintarelli também vem desenvolvendo um modelo de 8 litros para 2012, almejando o mercado de sopro para capacidades maiores.

Plástico moderno, Newton Zanetti, Brasilplast 2011 - Sopradoras - Fabricantes apostam na retomada do setor e preveem crescimento
Zanetti: clientes têm buscado modernidade e automatização

Embora a Pavan Zanetti não tenha apresentado novidades nos últimos dois anos, a empresa reforça a preocupação em fornecer equipamentos com boa relação custo/benefício, com o menor Kw/hora por quilo de resina plástica processado. “Projetamos equipamentos para manter o melhor fator possível com os recursos atuais e temos obtido bom resultado”, garante Newton Zanetti. “Esse período foi ótimo e o mercado tem buscado inovação, tanto que as Bimatic nos seus diversos modelos e capacidades foram as mais vendidas pela modernidade e automatização oferecidas.” Para o sopro de PET, Zanetti destaca o modelo automático Petmatic 3C/2L de sopro e estiramento de pré-formas até 3.000 unidades/hora de 500 ml e 2.400 unidades/hora de frascos com volume de até 2 litros, lançado no ano passado e com boas vendas graças ao financiamento por meio do Finame. “Além da alimentação automática de pré-formas, tem saídas com esteiras e possibilidade de automatização em linha de teste de estanqueidade, etiquetagem e também na etapa de ensacamento.”

As máquinas de sopro convencional da Pavan Zanetti se destinam, em sua maioria, para embalagens plásticas nos segmentos de higiene e limpeza, cosméticos, alimentos e fármacos, além dos modelos de acumulação da série HDL, para a fabricação de bombonas de polipropileno de 20 litros para água mineral e embalagens para o setor automotivo. Por enquanto, a empresa não tem planos de máquinas elétricas em andamento. “Mas fazem parte de nossos estudos preliminares: aprender a engenharia do setor e encaminhar um projeto para o próximo ano”, adianta o diretor. Para a Brasilplast, a empresa de Americana deve lançar a série HPZ, de sopradoras voltadas ao mercado de 10 até 500 litros de volume soprado.

A Romi destina entre 4% e 5% de seu faturamento para investir em pesquisa e desenvolvimento, proporcionando alta taxa de renovação do portfólio, com máquinas de hidráulica mais avançada. “Cerca de 40% dos produtos vendidos são desenvolvidos com pelo menos três anos de antecedência, o que denota nossa preocupação em identificar tendências e demandas dos clientes, não só na construção da máquina, mas também na seleção dos controles”, explica Hermes Lago. Para acompanhar essas tendências, a Romi adianta, entre os planos para 2012, o protótipo de uma sopradora elétrica. Na Brasilplast, a empresa deve apresentar um modelo para PET, com maior capacidade e cadência de produção.

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