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Brasilplast 2011 – Resinas – Cenário internacional pressiona o setor por novas estratégias

Maria Aparecida de Sino Reto
4 de abril de 2011
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    Os investimentos totais da empresa (considerando Quattor, Braskem America e Projeto México) no ano passado montaram R$ 1,8 bilhão, com parte substancial direcionada à modernização de ativos, expansão de capacidade e aquisições. A unidade de eteno verde e a construção de nova planta de PVC em Alagoas, com capacidade de 200 mil toneladas/ano, prevista para entrada em operação no primeiro semestre de 2012, receberam outro tanto desses recursos.

    Plástico moderno, Carlos Fadigas, Presidente da Braskem, Brasilplast 2011 - Resinas - Cenário internacional pressiona o setor por novas estratégias

    Fadigas: plataforma de fontes renováveis deve ser ampla

    Implantada a unidade de 200 mil t/ano do polietileno derivado do eteno da cana-de-açúcar, em Triunfo-RS, a Braskem volta agora suas atenções para a construção de uma fábrica de propeno, igualmente derivado de fontes naturais, para produção de polipropileno verde. O local de instalação do biopropeno ainda não foi definido, mas o presidente da Braskem revelou que a ideia é utilizar unidade já existente de polipropileno convencional para polimerizar o PP verde.

    Os projetos preveem capacidade da ordem de 30 mil toneladas anuais da resina. Como explica Fadigas, esse volume é para começar a desenvolver o mercado. Os investimentos prosseguirão no longo prazo. Esses aportes iniciais retratam o esforço da Braskem para mapear as necessidades dos clientes e estudar o que pode ser implementado. Além disso, a petroquímica avalia novas rotas de matérias-primas de fontes renováveis. “A plataforma deve ser ampla.”

    E por falar em polipropileno, a empresa estuda a possibilidade de expandir a capacidade de Paulínia, complexo atualmente habilitado a produzir da ordem de 300 mil toneladas anuais. Rumores no mercado cogitavam ampliação para 450 mil t, a partir de 2012. O vice-presidente de polímeros da empresa, Rui Chammas, admite a existência do plano, mas desmente os números cogitados. “Prazo e escopo do projeto ainda não foram definidos e, quando maduro, ainda terá de ser aprovado pelo Conselho de Administração da Braskem e estará condicionado à disponibilidade de propeno.”

    A propósito, os negócios de polipropileno fechados com a Sunoco Chemicals, há pouco mais de um ano, elevaram a Braskem à posição de terceira maior produtora mundial dessa resina. A aquisição incrementou 950 mil toneladas anuais de PP na América do Norte e elevou para 2,9 milhões de t/ano a capacidade, somadas todas as unidades produtivas.

    A Braskem agora toca seu projeto México – Etileno XXI. Em parceria com a estatal local Pemex (Pemex Gas y Petroquímica Básica), erguerá um complexo integrado em Coatzacoalcos, no estado de Veracruz, com capacidade produtiva anual de mais de um milhão de toneladas de polietileno baseado em etano. O aporte estimado em US$ 2,5 bilhões assegura o fornecimento do gás por vinte anos e a construção de dois trens de polietileno de alta densidade (polimerização conjunta em torno de 750 mil toneladas anuais) e um de 300 mil toneladas anuais de polietileno de baixa densidade convencional, de alta pressão.

    A joint venture escolheu a Technip como fornecedora de tecnologia para o cracker de eteno, com capacidade para produzir anualmente 1,05 milhão de toneladas. A empresa também será a gestora principal do projeto de engenharia básica do cracker e das duas unidades de PEAD. A planta de PEBD tem a Tecnimont como responsável pela engenharia básica.

    Licenciamento tecnológico com a Ineos permitirá a utilização de tecnologia de última geração em produção e catálise nas duas plantas de PEAD. Decidida recentemente, a tecnologia Lupotech T para a alta pressão, da holandesa LyondellBasell, agregará uma extensa gama de PEBDs com diversos índices de fluidez e excelentes propriedades ópticas e mecânicas. O início da construção é previsto para 2012 e a entrada em operação, 2015.

    Os projetos para a Bolívia (outro complexo petroquímico à base de etano) e Venezuela (um de polipropileno e outro de produção integrada de eteno e polietileno), protelados por contratempos, continuam em compasso de espera. No Peru, onde planeja construir um complexo de um milhão de toneladas anuais de polietilenos, a Braskem prevê inaugurar um escritório na capital Lima, a fim de dar suporte à equipe envolvida no projeto e à área comercial, já atuante naquele país.

    Crescimento consistente – Reforçada pela aquisição da Quattor e favorecida pela demanda aquecida ao longo de todo o ano passado – o consumo brasileiro atingiu 4,9 milhões de toneladas de resinas termoplásticas, volume 15% maior em comparação com 2009 –, a Braskem comercializou internamente 12% mais polietilenos e 10% mais polipropileno. Limitadas por restrições de capacidade produtiva, as vendas domésticas de PVC cresceram 10%.

    Os dados produtivos de resinas indicam um total de 5,4 milhões de toneladas no ano passado, volume 6% acima do obtido em 2009, como resultado do bom desempenho do mercado brasileiro, de oportunidades no comércio exterior e da recuperação gradativa das taxas de operação dos ativos da Quattor. Destaque para a produção de polietileno no Rio Grande do Sul, que registrou recordes em outubro e dezembro de 2010.

    Plástico moderno, Brasilplast 2011 - Resinas - Cenário internacional pressiona o setor por novas estratégias

    O olhar do presidente da Braskem sobre o mercado brasileiro de resinas neste ano sinaliza um crescimento entre 9% e 10%. As previsões também são alentadoras no horizonte internacional, com indicativos de alta nos preços e melhora na rentabilidade da petroquímica mundial.

    O ciclo de baixa parece ter sido um pouco mais curto do que o previsto, segundo explicações de Chammas: “As taxas mundiais de operação das plantas têm se mantido em patamares acima do esperado e mostram tendência de elevação, em razão de a demanda por produtos petroquímicos se manter alta, sobretudo na Ásia e em países emergentes, como o Brasil.”



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