Brasilplast 2011 – Petroquímica – Fenômeno do shale gas altera o panorama do gás natural no mundo

Plástico moderno, Roberto Ramos, VIce-presidente de negócios internacionais, Brasilplast 2011 - Petroquímica - Fenômeno do shale gas altera o panorama do gás natural no mundo
Para Ramos, preço do gás e derivados será revisto

Passos do gigante – A Braskem mantém uma carteira de projetos de investimentos em todo o continente americano. “O shale gas está mudando o jogo petroquímico, quem for investir em unidades alimentadas a gás precisará refazer os cálculos comparando com a oferta de gás nos EUA, tomando a mesma base de preços”, recomendou Roberto Ramos, vice-presidente de negócios internacionais da companhia.

Ele citou dados do Cambridge Energy Research Associates (Cera) que indicam reservas de 900 TCFs de shale gas nos Estados Unidos, volume próximo ao do Irã. “Sem dúvida, isso vai mexer com o preço do gás e seus derivados em toda a região do Atlântico”, avaliou. Ramos salientou alguns problemas a serem vencidos por essa fonte de suprimento, entre eles, o alto teor de gás carbônico, a falta de comprovação de todas as reservas e a instabilidade do teor de etano presente no gás ao longo do tempo.

A produção de petróleo do pré-sal, a ser efetivada até 2020, aumentará a oferta de gás natural. Segundo Ramos, essa região conta com óleo leve de boa qualidade, porém associado a grande volume de gás, na relação de 35 m³ por barril de óleo produzido. Na Bacia de Campos-RJ, essa relação varia entre 7 e 10 m³/barril. “Para se produzir 1,8 milhão de barris de óleo por dia, como se espera para 2020, serão obtidos 600 milhões de m³/dia de gás”, calculou. Isso é duas vezes a produção atual da estatal.

O gás do pré-sal é rico em etano, porém carrega alto teor dos gases sulfídrico e carbônico, além de exigir um esforço logístico descomunal. “Nessas condições, esse gás não poderia custar menos de US$ 4,5 por milhão de BTU, sem a incidência de tributos, ou seja, esse gás será caro em relação aos concorrentes”, avaliou.

Para a petroquímica nacional, são mais interessantes as produções de nafta nas refinarias premium do Nordeste, no Ceará e no Maranhão. “Elas representam um aporte de sete milhões de t/ano de nafta petroquímica, que serão muito bem-vindas”, disse Ramos. Os resultados atuais mostram que os operadores de crackers de cargas líquidas estão alcançando melhores índices de rentabilidade que os crackers meramente olefínicos, alimentados a etano. Isso se explica pela variedade de produtos e subprodutos gerados, atualmente valorizados pela baixa oferta mundial.

No caso específico dos investimentos no país, o presidente Carlos Fadigas comentou que a companhia aguarda algumas definições por parte da Petrobras para decidir o formato da sua participação no conjunto petroquímico de Suape-PE. Quanto ao Comperj, ele considera a parceria fundamental tanto para a companhia como para a Petrobras, em atendimento à futura demanda do mercado doméstico. “A configuração do projeto está sendo estabelecida e estamos definindo a participação da Braskem.”

No momento, os estudos envolvem a disponibilidade de petróleo e gás, os volumes de capacidades e matérias-primas, entre outros aspectos relevantes, a fim de chegar a um desenho definitivo para contrato de engenharia de projeto. “Teremos uma percepção mais clara de volumes por volta do final do ano”, estimou. O investimento material começa só em 2012.

O Comperj teve seu escopo alterado desde que foi aberta a possibilidade de contar com óleos leves do pré-sal que deveriam ser aproveitados em vez dos extrapesados de Campos. “A Petrobras vai montar duas linhas de refino convencional, cada uma para 165 mil barris diários, priorizando a produção de combustíveis, especialmente a de querosene de aviação”, disse Roberto Ramos. “Essa configuração não favorece muito a atividade petroquímica”, disse.

O advento do shale gas colocou as perspectivas petroquímicas globais de cabeça para baixo. Há uma década ninguém imaginaria a instalação de novas capacidades para produção de polietileno nos Estados Unidos, fato que pode vir a ocorrer em breve. Da mesma forma, com eteno barato, o polietileno poderá “dar o troco” no polipropileno, recuperando algumas aplicações nas quais foi destronado nas últimas décadas. Sem correntes C3 de refino disponíveis, o propeno está ficando caro.

O investimento feito há alguns anos na compra da antiga divisão petroquímica da Sunoco (hoje Braskem America) trouxe para a companhia capacidades produtivas de propeno e polipropileno (mais de 800 mil t/ano), com sede na Filadélfia. Exatamente em cima da área de Marcellus, a maior reserva de shale gas. Uma boa oportunidade para aproveitar essa situação.

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