Brasilplast 2011 – Moldes – Presença de ferramenteiros é escassa

O mercado brasileiro de ferramentarias é bastante pulverizado. Não existem estatísticas corretas, mas estima-se a existência de centenas dessas empresas espalhadas pelo país. Diante desse cenário, quem esteve presente na Brasilplast ficou decepcionado ao encontrar poucos representantes do setor entre os expositores.

A justificativa para a ausência, na opinião dos profissionais do setor, encontra-se no fato de a grande maioria dessas empresas serem de pequeno porte. Falta fôlego financeiro para uma participação mais expressiva em um evento no qual o espaço disponível é caro. Importantes empresas do ramo, no entanto, com capacidade de tal tipo de investimento, não compareceram.

Os moldes não são produtos de prateleira. Seus projetos, muitas vezes, são produzidos a quatro mãos entre os ferramenteiros e seus clientes. Em uma feira como a Brasilplast, o mais importante é manter bom relacionamento com clientes ativos e realizar contatos que no futuro possam gerar bons negócios. Nessa edição, houve uma novidade. A Moltec, conhecida ferramentaria instalada na capital paulista, levou um molde pronto para vender durante a exposição.

Não é de hoje que os ferramenteiros nacionais reclamam da concorrência asiática – em especial da chinesa. Não à toa, os empresários brasileiros do ramo comemoram uma vitória importante, obtida recentemente. Depois de muitas negociações, representantes do setor conseguiram do governo federal o aumento da alíquota de importação dos moldes de 14% para 30%. A medida entrou em vigor no dia primeiro de março.

A nova taxa não desanimou os fabricantes de moldes da região oriental. Eles compareceram em bom número no Anhembi, na maioria dos casos em estandes minúsculos. Tiveram problemas de comunicação, é verdade. Os expositores daqueles países não falam o idioma português e tampouco contavam com tradutores. Eles se mostraram avessos a entrevistas para a imprensa. Mas marcaram presença, e certamente fizeram vários contatos com transformadores brasileiros interessados em adquirir matrizes.

Para os empresários de ferramentarias que passearam na mostra na condição de visitantes, havia bastante coisa para ver. Fabricantes de importantes componentes, como porta-moldes e câmaras quentes, entre outros acessórios, mostraram lançamentos. Também estiveram por lá fornecedores de matérias-primas.

Plástico Moderno, Eduardo Cunha, Diretor executivo, Brasilplast 2011 - Moldes - Presença de ferramenteiros é escassa
Cunha: participar do evento foi positivo e pode render negócios

“Gatos pingados” – Entre as poucas ferramentarias nacionais presentes, a Moltec inovou. Como fez nas últimas edições da feira, a empresa, especializada em matrizes para injeção e sopro, priorizou o evento para realizar ações de caráter institucional. Falou aos visitantes sobre os fortes investimentos feitos recentemente na aquisição de máquinas de usinagem e priorizou a divulgação de seus projetos voltados para a fabricação de moldes para todas as etapas de embalagens PET. Foi dada especial atenção ao seu know-how com moldes voltados para a produção de tampas fliptop dotados com sistema in mold close, pelo qual as tampas são extraídas fechadas.

Para o mercado do PET, veio o anúncio inédito. A empresa levou um molde pronto, de 24 cavidades, voltado para a produção de pré-formas de garrafas de água mineral. “É a primeira vez que trazemos um molde para ser vendido em uma exposição”, informou o diretor executivo Eduardo Cunha. O resultado da iniciativa foi considerado positivo. “Não vendemos o molde, mas fizemos tratativas que podem resultar na efetivação do negócio”, revelou. O atual momento do mercado é considerado positivo. “O ano de 2010 foi excelente e o início de 2011, apesar de pequena retração, está atendendo às nossas expectativas.”

Plástico Moderno, João Guilherme Godinho, Gerente de vendas, Brasilplast 2011 - Moldes - Presença de ferramenteiros é escassa
Godinho anunciou a compra de duas máquinas injetoras, por conta da expansão do mercado na Região Nordeste

A Moldit, ferramentaria tradicional em Portugal, tem fábrica em Camaçari-BA desde 2004. A chegada ao Brasil se deu para aproveitar o início do funcionamento da fábrica da Ford na Bahia. A empresa, especializada em moldes de grande porte, de seis toneladas para cima,  hoje, se transformou em uma das principais ferramentarias da Região Nordeste. “O mercado na região está em expansão”, informou João Guilherme Godinho, gerente de vendas. Um dos nichos de mercado que avançam por lá é o de móveis de plástico. “A Tramontina instalou uma fábrica em Pernambuco e a Ibap, no Ceará.” A indústria automobilística é outro exemplo. “A Fiat está instalando mais uma fábrica em Pernambuco”, contou.

Essa expansão do mercado gerou investimentos, divulgados durante a realização da feira. “Compramos duas injetoras KraussMaffei, que estarão em funcionamento até o final do ano. Uma tem 600 toneladas de força de fechamento e a outra 1.300”, revelou. O objetivo é realizar operações de tryout dos moldes fabricados e também injetar peças para terceiros. Em tempo: a empresa conta com escritório de venda em Santo André-SP, voltado para explorar a região mais industrializada do país.

Plástico Moderno, Edson Hertenstein, Diretor comercial, Brasilplast 2011 - Moldes - Presença de ferramenteiros é escassa
Hertenstein: expor no evento melhora imagem da ferramentaria

A Herten é a ferramentaria mais antiga de Joinville-SC. Está há trinta anos no mercado. É especializada na produção de moldes de injeção de plástico e alumínio. Boa parte dos serviços prestados é voltada para a produção de matrizes de peças técnicas. Os transformadores ligados às indústrias automobilísticas, de linha branca e de peças de ciclo rápido estão entre os principais clientes.

A empresa é habitué da Brasilplast. Edson Hertenstein, diretor comercial, definiu a presença na feira como um investimento importante para a imagem da ferramentaria. O dirigente acredita que o evento é uma excelente oportunidade para manter contatos descontraídos com os clientes ativos e alinhavar conversas promissoras. “No nosso segmento, para fazer um orçamento demoramos de dois a três dias. É difícil fechar negócio na feira, a não ser quando há alguma negociação prévia”, disse. Em relação à presença tímida da concorrência, ele tem uma explicação simples: “Muitos colegas não vêm porque acham o custo do estande elevado, olham a exposição como um gasto”, analisou.

Atender o mercado de moldes de pré-forma de garrafas PET. Esse é o principal objetivo da Qualicad, ferramentaria que fez sua estreia na Brasilplast este ano. “Comecei há cinco anos em parceria com a Pavan Zanetti. Na época, nós trazíamos moldes da China”, explicou o diretor Gilberto Moreira de Melo.

De acordo com o dirigente, com o tempo, a qualidade um tanto duvidosa das matrizes orientais acabou mudando o rumo do negócio. “Há dois anos resolvemos usar nosso know-how para fabricar os moldes no Brasil”, contou. O retorno comercial da iniciativa foi compensador. “Esse é um mercado com pouca concorrência, pouco abastecido. Hoje atendemos muitas empresas médias fabricantes de embalagens para refrigerantes, água mineral e outros produtos”, comentou. O cenário ajuda e novos investimentos estão previstos. “No próximo ano, dobro a capacidade de produção de moldes”, disse.

Lusitanas – As ferramentarias portuguesas são conhecidas pela excelência de seus serviços. Os preços pouco competitivos das matrizes lusitanas, no entanto, têm dificultado os negócios dessas empresas no Brasil, ainda mais depois do aumento dos impostos para os importados. Apesar das dificuldades, alguns representantes da “terrinha” marcaram presença na Brasilplast.

Plástico Moderno, José Metelo, Diretor comercial, Brasilplast 2011 - Moldes - Presença de ferramenteiros é escassa
Metelo: acordo com asiáticos garante preços menores

Uma dessas empresas, a JR Moldes, tem sede em Portugal e escritório na Ásia. Seus principais clientes, no entanto, estão na Alemanha e na Suíça. Especializada em projetos complexos, voltados para peças com design difícil, a JR Moldes tem na indústria automobilística seu principal cliente. Os segmentos de eletroeletrônica e médico-farmacêutico também são atendidos com frequência.

“No Brasil temos alguns clientes em Manaus e na Grande São Paulo”, informou José Metelo, diretor comercial. Apesar da distância da sede, o executivo garante o acompanhamento próximo de todo o processo de construção das matrizes, do projeto até o arranque da linha de produção. “Temos uma ferramentaria no Brasil com a qual mantemos parceria e que nos ajuda em casos de assistência técnica”, declarou, referindo-se à Imagem, instalada em Bauru-SP.

Para amenizar o problema do preço dos serviços prestados, a empresa fechou acordo com fabricantes asiáticas. “Conseguimos aliar o know-how português de fabricação do molde com os preços e os prazos de entrega de nossos parceiros chineses”, comentou. A presença no Anhembi teve caráter institucional. “Acreditamos que o Brasil apresenta grande potencial de negócios para nós”, resumiu.

A Geco é uma empresa familiar com sede em Portugal há quarenta anos no mercado. Está no Brasil desde 2000, em Joinville-SC. Também tem plantas industriais no México e na Inglaterra. A empresa é especializada em matrizes de injeção para peças técnicas, injeção a gás, peças bicomponentes e outras aplicações de tecnologia de ponta. “No Brasil trabalhamos mais com manutenção e reparação de moldes. Esses serviços representam 60% de nosso faturamento”, informou o gerente de vendas Carlos Febra Puidival.

A produção de moldes, por aqui, é pequena. “Em Portugal, temos 330 funcionários e fabricamos cerca de 150 moldes por ano. Aqui, temos 25 funcionários e produzimos quatro moldes por ano”, contou. A importação de matrizes fabricadas em Portugal é rara. “O nosso custo é elevado para os transformadores brasileiros”, diz. Em curto prazo, não há previsão de mudança nesse cenário. O perfil de funcionamento no Brasil não foi impeditivo para a participação da empresa no evento da Brasilplast. “É uma boa oportunidade para angariar contatos”, justificou.

Novidades – Alguns dos principais fabricantes de porta-moldes e outros componentes aproveitaram a exposição para apresentar lançamentos. A Polimold, de São Bernardo do Campo-SP, líder brasileira no mercado de porta-moldes e forte concorrente na área de câmaras quentes, repetiu a estratégia adotada em outras edições da exposição. Com amplo estande, procurou reunir, de maneira descontraída, clientes e prospects.

A tática de marketing correu em paralelo com o anúncio de novidades. Entre elas, a apresentação do software Polispeed, projetado para promover a rápida integração entre os projetos das matrizes e suas respectivas câmaras quentes. “É um produto inédito no mercado”, garantiu o gerente de vendas Maurício Brunelli. Os lançamentos não pararam por aí. A partir de agora, os porta-moldes da empresa são montados para receber câmaras quentes de qualquer marca. Antes eles só recebiam as da Polimold.

Plástico Moderno, Brasilplast 2011 - Moldes - Presença de ferramenteiros é escassa

No âmbito das câmaras quentes, dois produtos novos. O primeiro é uma microbucha valvulada, indicada para projetos com restrição de espaço e voltada para não deixar vestígios nas peças durante o processo de vazão do plástico. Também apresentou um kit de bucha, anel e controle de temperatura indicado para aplicações de injeção direta. “As peças não são lançamentos, mas é a primeira vez que as fornecemos no formato de kit; o prazo de entrega é super-rápido”, explicou. Para Brunelli, o mercado está muito bom. “As ferramentarias estão com de 70% a 80% de ocupação de suas capacidades”, comemorou.

Fabricante de porta-moldes e outros componentes, a Tecnoserv, de Diadema-SP, também representa no Brasil várias fornecedoras de produtos para ferramentaria. Uma parceria internacional foi a grande novidade apresentada na exposição. A empresa passa a comercializar no Brasil os acessórios da alemã Strack-Normalien. O acordo, firmado durante a realização da feira K, em Düsseldorf, no ano passado, permite a entrada no mercado de mais de 80 mil itens, como puxadores, gavetas, buchas e colunas. “Outra marca bem-sucedida por aqui é a das câmaras quentes Mastip, da Nova Zelândia”, informou o diretor técnico Wilson Teixeira. Os manifolds das câmaras podem ser produzidos no Brasil, conforme o caso.

Plástico Moderno, Brasilplast 2011 - Moldes - Presença de ferramenteiros é escassa

De acordo com Teixeira, a Brasilplast sempre proporciona boas perspectivas de negócios. Ainda mais no atual momento, favorável para as empresas do ramo. Alguns fatores colaboram com o otimismo. Em primeiro lugar, a desilusão de muitos transformadores com a qualidade dos moldes importados da China. O aumento de imposto dos moldes importados também ajuda. “O ano de 2011 está prometendo bastante”, avaliou.

A Três-S aproveitou a feira para fazer um anúncio. A empresa com sede em Guarulhos-SP passa a representar no mercado brasileiro a Volastic, fabricante de câmaras quentes tailandesa. No mercado há mais de meio século, a Três-S se tornou conhecida como fornecedora de molas, punções, pinos extratores, buchas e dezenas de outros produtos. Há seis anos passou a fabricar também porta-moldes. “Agora vamos oferecer uma linha completa de acessórios para os nossos clientes”, diz o gerente comercial Claudir Sandro Mori.

Multinacionais – As principais multinacionais fabricantes de componentes para matrizes presentes no mercado brasileiro contaram com estandes bastante movimentados na exposição do Anhembi. Uma delas foi a MoldMasters. A empresa oferece câmaras quentes, controladores de temperatura e porta-moldes especiais, com dimensões fora das especificações de outros fabricantes de porta-moldes. De origem canadense, conta com escritório próprio de representação no Brasil há dez anos. Por aqui, monta controladores de temperatura e fabrica placas das câmaras quentes. Os bicos, resistências e manifolds são feitos na matriz, no Canadá.

De acordo com o gerente geral Robson Gaspar, o destaque da empresa na Brasilplast foi o lançamento de produtos voltados para a transformação de pré-formas de embalagens de PET. Trata-se da linha denominada MPET, formada por sistemas de câmaras quentes e controladores de temperatura. “São produtos com características diferentes dos voltados para os moldes comuns. Estão no mercado mundial há seis meses”, revelou. Gaspar elogia o bom momento da economia. “O mercado está muito bom, temos planos de crescer 30% este ano”, disse.

Plástico Moderno, Brasilplast 2011 - Moldes - Presença de ferramenteiros é escassa

Com sede nos Estados Unidos, a Incoe mantém no Brasil escritório próprio com departamentos de engenharia, montagem, vendas e suporte técnico. Quando o cliente solicita, a multinacional mantém parceria com terceiros para a usinagem das placas voltadas para acondicionar manifolds, chamadas hothalfs. Essa solicitação é rara, em geral a ferramentaria faz esse serviço internamente. O pedido só ocorre se ela estiver com sua capacidade ociosa comprometida.

Michael Rollmann, gerente geral da empresa no Brasil, destaca entre os produtos apresentados na feira o novo controlador sequencial por tempo, voltado para o controle de aberturas e fechamentos dos bicos presentes em sistemas valvulados. Os sistemas valvulados são indicados para peças nas quais existam mais de um ponto de injeção. O controle pode ser feito por curso ou tempo. “O lançamento é mundial”, destacou.

A empresa também mostrou a linha de câmaras quentes DF, um dos seus sucessos no mercado nacional. O produto acaba de ganhar novos ponteiros e controles de temperatura. “O mercado está aquecido, mas esperava um movimento maior na Brasilplast, acho que o pessoal está com muito trabalho e não veio visitar a feira no número que pensávamos”, avaliou o gerente.

A canadense Husky é uma das principais participantes do mercado de câmaras quentes e controladores de temperatura. Com sede no Brasil em Jundiaí-SP, também fornece equipamentos completos para os sistemas de transformação de peças para a área médica e transformação de embalagens de PET e tampas. Na área de ferramentaria, a principal novidade da empresa foi a aquisição da austríaca KTW, empresa com excelência na confecção de matrizes voltadas para o mercado de tampas. Com a compra, sua linha de produtos se torna mais completa.

A HDB comercializa no Brasil produtos de vários fornecedores internacionais de equipamentos e componentes diversos. Uma de suas representadas é a alemã Hasco, com quem mantém acordo há três anos. A empresa alemã oferece mais de 60 mil itens para moldes, entre eles câmaras quentes e controladores de temperatura.

De acordo com Luís Antonio Pavezzi, gerente geral da HDB, a Hasco produz componentes mais sofisticados do que a média dos oferecidos pela concorrência. Por aqui, a maioria dos clientes é composta pelos interessados em trabalhar no regime de tecnologia top, muitos deles multinacionais clientes da empresa alemã no exterior. “O nicho em que mais atuamos no mercado nacional é o de pinos e buchas com tolerância muito justa”, disse. Ao participar da feira, uma das prioridades da empresa foi a de tornar a marca mais popular. “Vamos divulgar as vantagens de se investir em componentes com maior relação custo/benefício”, informou.

Matéria-prima – Fornecedores de matérias-primas para a confecção de moldes também estiveram presentes. A Villares Metals, com sede em Sumaré-SP, maior fabricante da América Latina de aços especiais não planos de alta liga, apresentou seu novo produto, o aço inoxidável Vimcor. De acordo com a empresa, o produto possui alta usinabilidade em operações como furação profunda e excelente soldabilidade e estabilidade dimensional.

O Vimcor é indicado para aplicações em produtos como câmaras quentes, porta-moldes e outras peças de matrizes de injeção que operam em ambientes de elevada umidade. É oferecido em formato redondo, quadrado, retangular ou em outras dimensões, sob consulta.

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