Feiras e Eventos

Brasilplast 2011 – Máquinas e ferramentarias – Evento estimula projeções positivas para o mercado

Jose Paulo Sant Anna
4 de abril de 2011
    -(reset)+

    Plástico moderno, Luiz Albert Neto, Presidente da Abimaq, Brasilplast 2011 - Máquinas e ferramentarias - Evento estimula projeções positivas para o mercado

    Para Neto, aquecimento da economia mascara problemas

    À primeira vista, os números do setor de máquinas e equipamentos neste início de ano parecem positivos. Para Aubert, no entanto, o aquecimento econômico mascara problemas sérios. “Quando comparamos os resultados de 2011 com os de 2008, antes da crise econômica mundial, notamos que o faturamento do setor está 7,2% inferior. No ano passado, ficamos quase 13% abaixo de 2008. Estamos nos recuperando, mas nosso desempenho é ruim em relação aos índices alcançados no passado”, lamenta.

    Um dos grandes problemas, de acordo com o dirigente da entidade, encontra-se na “invasão asiática” ocorrida nos últimos tempos. Concorrem para o cenário vários fatores. O dirigente também aponta a desvalorização do dólar como um dos mais sérios. Para agravar o problema do câmbio, o preço demasiadamente reduzido praticado pelos fabricantes orientais de equipamentos, em especial os da China e da Coreia do Sul, prejudica os produtos nacionais. “Algumas máquinas chegam aqui por preços que não pagam o custo do aço”, acusa. Sem falar nos ingredientes do chamado “custo Brasil” – juros elevados, carga tributária extorsiva, falta de estrutura de transportes e outros quesitos sempre presentes nas reclamações dos empresários.

    “A consequência mais perversa do crescimento da importação é a desindustrialização do setor”, acusa o presidente da Abimaq. O aumento do déficit da balança comercial do setor reforça a tese. De acordo com estimativas da entidade, o déficit pode chegar aos US$ 30 bilhões este ano, o dobro do verificado em 2010. Entre 2004 e 2011, ficou na casa dos US$ 47,6 bilhões. “O crescimento da economia no período não está sendo aproveitado como deveria pelos fabricantes do setor. No passado, de cada dez máquinas vendidas por aqui, seis eram nacionais. Hoje, esse número caiu para quatro. Para piorar, os preços estão ficando aviltados. O número de máquinas produzidas aumentou de 2010 para cá, mas a rentabilidade de nossos fabricantes diminuiu”, acrescenta.

    O dirigente também cobra medidas do governo para que sejam elevadas as taxas de investimento. “Se o Brasil quiser crescer entre 4% e 6% ao ano, a taxa de investimento precisa ir para 23% do PIB, nos últimos tempos vem ‘patinando’ entre 18% e 19%.” Para ele, o Brasil é o único país do mundo que tributa quem quer investir. “Se você vai comprar uma máquina aqui precisa pagar ICMS, PIS/Cofins e toda a carga tributária que estamos cansados de saber. Quanto mais longa for a cadeia produtiva, quanto mais inovação o equipamento tiver, haverá mais carga tributária, ela pode onerar o negócio em de 30% a 35%”, explica.

    Plástico moderno, Alexandre Fix, Diretor da Câmara Setorial de Ferramentarias e Modelações(CSFM) da Abimaq, Brasilplast 2011 - Máquinas e ferramentarias - Evento estimula projeções positivas para o mercado

    Fix lamenta escassez de ferramentarias na feira

    Aubert adverte que não existe país desenvolvido sem um segmento de máquinas robusto. “O setor gera empregos, incentiva a inovação, agrega tecnologia. Necessita de mão de obra especializada, emprega com salários acima da média de outras áreas”, afirma. Esse capital precisa ser preservado. “Boa parte das exportações nacionais são de produtos primários, exportamos minério de ferro e importamos os equipamentos prontos”, reclama.

    O sumiço dos brasileiros – Por conta da economia aquecida, os fabricantes nacionais de moldes para transformação de plástico também vivem bom momento. Eles enfrentam, no entanto, problema semelhante ao dos fabricantes de máquinas, a concorrência das importações de produtos asiáticos. O dólar desvalorizado e os baixos preços praticados pelos produtores da China, Taiwan e Coreia do Sul atrapalham a evolução do número de encomendas nas empresas brasileiras. Para Alexandre Fix, diretor da Câmara Setorial de Ferramentarias e Modelações (CSFM) da Abimaq, o momento é excelente para as empresas participarem da Brasilplast. “É uma vitrine fantástica”, resume. O problema é a tímida aparição dos representantes do setor na mostra do Anhembi. “Outro dia estava numa reunião com uns trinta representantes de ferramentarias nacionais e levei um susto. Perguntei quantos iam participar da Brasilplast e só uns dois ou três levantaram a mão”, revela.

    Enquanto os brasileiros não ocupam o espaço desejado, o número de fabricantes de matrizes asiáticos cresce a cada edição do evento. Fix admite que essas empresas ganham incentivos dos governos de seus países para marcar presença no evento. Lamenta, no entanto, o desinteresse das nacionais. “A indústria nacional estará representada de forma adequada apenas pelos fornecedores de produtos para moldes, como os fabricantes de porta-moldes, câmaras quentes e outros componentes. Isso é um erro. Ao deixarmos vir para cá uma quantidade enorme de expositores estrangeiros estamos abrindo o mercado, dando um tiro no pé”, acusa.

    O comportamento, para Fix, é reflexo da falta de interesse dos empresários brasileiros do setor na participação dos problemas. “Poucas ferramentarias são associadas à Abimaq, elas não aparecem para discutir as nossas dificuldades”, lamenta. Isso gera oportunidade para o fortalecimento da concorrência predatória. “As matrizes chinesas chegam por aqui a preços incompatíveis, mal pagam o custo do aço usado para suas construções. É preciso combater essas práticas”, reclama.

    Apesar da falta de atitude de muitos de seus representantes, o setor obteve vitória importante ocorrida recentemente. Depois de muitas negociações, a CSFM comemora o aumento da alíquota de importação de 14% para 30% dos moldes usados no processo de injeção ou compressão. A resolução foi anunciada pelo Comitê Executivo de Gestão da Câmara de Comércio Exterior (Gecex). Foi publicada no Diário Oficial da União no dia 18 de fevereiro e entrou em vigor no dia 1º de março. “Essa foi uma vitória muito importante”, destaca Fix. A batalha, agora, é para aprovar outras medidas. Entre elas, a inspeção mais rigorosa dos preços praticados pelos fornecedores de moldes importados. O objetivo é barrar a entrada da ferramenta caso o valor seja incompatível com as suas características. “Estamos lutando no governo para conquistar essa medida”, revela.



    Recomendamos também:








    0 Comentários


    Seja o primeiro a comentar!


    Deixe uma resposta

    O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *