Brasilplast 2011 – Máquinas e ferramentarias – Evento estimula projeções positivas para o mercado

A realização da Brasilplast sempre foi positiva para a indústria de máquinas e equipamentos, mesmo quando a economia passa por tempos de “vacas magras”. Em períodos de crescimento, como o vivido nos dias de hoje, o evento infla o otimismo dos representantes do setor.

Para os especialistas, é oportunidade excelente para promover lançamentos, se confraternizar com os clientes e realizar contatos para fechar no futuro bons negócios. Em alguns casos, a expectativa mais favorável se concretiza, ocorre o fechamento de negócios durante o transcorrer da feira.

A opinião de Luiz Aubert Neto, presidente da Associação Brasileira da Indústria de Máquinas e Equipamentos (Abimaq), resume o sentimento das empresas do segmento. “Considero a Brasilplast a maior e melhor feira do setor no Brasil e no Mercosul”, avalia. Para ele, qualquer fabricante de máquinas, equipamentos ou componentes, além de todas as empresas envolvidas na cadeia do plástico, precisam participar da exposição. O resultado é sempre positivo, em especial considerando o cenário da economia. “A Abimaq participa de quarenta feiras, nossos associados estão presentes em eventos em todo o mundo. De 2009 para cá, as feiras nacionais têm sido mais importantes, o mercado interno está muito aquecido”, resume.

Apesar do otimismo, o início do ano para os fabricantes nacionais de máquinas não foi dos melhores, se comparado com os resultados do mesmo período de 2010. O faturamento nominal do primeiro bimestre das empresas do setor ficou na casa dos R$ 144,13 milhões, valor 7,4% inferior aos R$ 155,57 milhões verificados no mesmo bimestre do ano passado. O resultado negativo merece uma ressalva. A comparação é feita depois de um ano muito positivo. Em 2010, o setor apresentou faturamento nominal de R$ 1,12 bilhão, 53,3% acima do resultado de 2009. A comparação mais importante: as vendas no ano passado cresceram 25% em relação a 2008, melhor ano nos últimos tempos.

“O segmento de máquinas e acessórios para a indústria do plástico tem apresentado recentemente bom desempenho, com crescimento em torno de 5% ao ano mais a variação do PIB”, resume Wilson Miguel Carnevalli, vice-presidente e responsável pela câmara setorial voltada para o plástico da Associação Brasileira da Indústria de Máquinas e Equipamentos (Abimaq). Para Carnevalli, o problema que mais prejudica o setor é o real supervalorizado. Ele tem incentivado a concorrência dos importados, em especial dos produtos asiáticos.

Plástico moderno, Wilson Miguel Carnevalli, Vice-presidente e responsável pela câmara setorial voltada para o plástico da Abimaq, Brasilplast 2011 - Máquinas e ferramentarias - Evento estimula projeções positivas para o mercado
Carnevalli: Proplástico trouxe benefícios ao setor

Os números da balança comercial comprovam a tese. No primeiro bimestre de 2011, as importações atingiram a soma de R$ 250,67 milhões, contra R$ 118,90 milhões no mesmo período do ano passado, e foram exportados R$ 2,51 milhões, contra R$ 19,05 milhões no primeiro bimestre de 2010. Nos 12 meses de 2010, as exportações ficaram em R$ 92,38 milhões e as importações em R$ 989,56 milhões. Em 2009, esses números foram R$ 86,96 milhões e R$ 769,28 milhões. Em 2008, alcançaram R$ 123,87 milhões e R$ 1,11 bilhão.

A despeito da concorrência internacional, o bom momento das empresas brasileiras se deve em grande parte, na opinião dos especialistas, ao Programa de Sustentação do Investimento (PSI). O PSI, lançado em meados de 2009, no auge da crise mundial, oferece financiamento com juros amigáveis para os compradores de máquinas nacionais e tornou os produtos brasileiros mais competitivos. Em relação ao PSI, uma boa notícia. O programa, cujo término estava previsto para o final de março, foi estendido até o dia 31 de dezembro de 2011. “O PSI começou com juros de 4,5% ao ano e hoje está em 6,5%. Apesar de os juros terem aumentado um pouco, isso ainda ajuda”, lembra Luiz Aubert Neto, presidente da Abimaq.

Carnevalli aponta outro programa do governo como muito benéfico para o setor. Trata-se do projeto Proplástico, do BNDES, anunciado em junho do ano passado. Ele tem em vista o financiamento da modernização das empresas do setor, com juros facilitados para os interessados em investir no aumento da produção de peças transformadas, em equipamentos e em moldes para o segmento. Oferece, entre outros incentivos, o apoio à troca de equipamentos antigos por novos, com “sucateamento” das máquinas usadas, de forma que impeça a sobrevida de equipamentos ineficientes, com baixa produtividade, reduzida segurança do trabalhador e alto consumo de energia. O projeto tem dotação orçamentária de R$ 700 milhões e prazo de vigência até 30 de setembro de 2011. O valor mínimo das operações a serem apoiadas no âmbito desse programa é de R$ 3 milhões.

Outra boa nova é a manutenção, feita por parte do governo do estado de São Paulo, da queda da alíquota de ICMS de 18% para 12% para máquinas e equipamentos. A redução, instituída em 1989 com o objetivo de estimular os investimentos e a produtividade da indústria, havia sido revogada no ano passado. Sua restauração foi consolidada em janeiro, depois de longa e exaustiva negociação entre Abimaq e autoridades paulistas.

Acima da média – De 2010 para cá, o setor de plástico apresentou resultados acima da média da indústria de base. A indústria fabricante de máquinas e equipamentos como um todo teve faturamento bruto deflacionado de R$ 5,81 bilhões em fevereiro. O valor representa aumento de 12% sobre janeiro e 11,8% de crescimento em relação ao mês de fevereiro de 2010. O acumulado do primeiro bimestre ficou na casa dos R$ 11 bilhões, valor 10,9% superior ao do mesmo período do ano passado. No ano de 2010, o faturamento bruto do setor foi de R$ 73,2 bilhões. Em 2009, havia sido de R$ 66,7 bilhões. No ano de 2008, o melhor dos últimos tempos, ficou em R$ 83,1 bilhões.

Plástico moderno, Luiz Albert Neto, Presidente da Abimaq, Brasilplast 2011 - Máquinas e ferramentarias - Evento estimula projeções positivas para o mercado
Para Neto, aquecimento da economia mascara problemas

À primeira vista, os números do setor de máquinas e equipamentos neste início de ano parecem positivos. Para Aubert, no entanto, o aquecimento econômico mascara problemas sérios. “Quando comparamos os resultados de 2011 com os de 2008, antes da crise econômica mundial, notamos que o faturamento do setor está 7,2% inferior. No ano passado, ficamos quase 13% abaixo de 2008. Estamos nos recuperando, mas nosso desempenho é ruim em relação aos índices alcançados no passado”, lamenta.

Um dos grandes problemas, de acordo com o dirigente da entidade, encontra-se na “invasão asiática” ocorrida nos últimos tempos. Concorrem para o cenário vários fatores. O dirigente também aponta a desvalorização do dólar como um dos mais sérios. Para agravar o problema do câmbio, o preço demasiadamente reduzido praticado pelos fabricantes orientais de equipamentos, em especial os da China e da Coreia do Sul, prejudica os produtos nacionais. “Algumas máquinas chegam aqui por preços que não pagam o custo do aço”, acusa. Sem falar nos ingredientes do chamado “custo Brasil” – juros elevados, carga tributária extorsiva, falta de estrutura de transportes e outros quesitos sempre presentes nas reclamações dos empresários.

“A consequência mais perversa do crescimento da importação é a desindustrialização do setor”, acusa o presidente da Abimaq. O aumento do déficit da balança comercial do setor reforça a tese. De acordo com estimativas da entidade, o déficit pode chegar aos US$ 30 bilhões este ano, o dobro do verificado em 2010. Entre 2004 e 2011, ficou na casa dos US$ 47,6 bilhões. “O crescimento da economia no período não está sendo aproveitado como deveria pelos fabricantes do setor. No passado, de cada dez máquinas vendidas por aqui, seis eram nacionais. Hoje, esse número caiu para quatro. Para piorar, os preços estão ficando aviltados. O número de máquinas produzidas aumentou de 2010 para cá, mas a rentabilidade de nossos fabricantes diminuiu”, acrescenta.

O dirigente também cobra medidas do governo para que sejam elevadas as taxas de investimento. “Se o Brasil quiser crescer entre 4% e 6% ao ano, a taxa de investimento precisa ir para 23% do PIB, nos últimos tempos vem ‘patinando’ entre 18% e 19%.” Para ele, o Brasil é o único país do mundo que tributa quem quer investir. “Se você vai comprar uma máquina aqui precisa pagar ICMS, PIS/Cofins e toda a carga tributária que estamos cansados de saber. Quanto mais longa for a cadeia produtiva, quanto mais inovação o equipamento tiver, haverá mais carga tributária, ela pode onerar o negócio em de 30% a 35%”, explica.

Plástico moderno, Alexandre Fix, Diretor da Câmara Setorial de Ferramentarias e Modelações(CSFM) da Abimaq, Brasilplast 2011 - Máquinas e ferramentarias - Evento estimula projeções positivas para o mercado
Fix lamenta escassez de ferramentarias na feira

Aubert adverte que não existe país desenvolvido sem um segmento de máquinas robusto. “O setor gera empregos, incentiva a inovação, agrega tecnologia. Necessita de mão de obra especializada, emprega com salários acima da média de outras áreas”, afirma. Esse capital precisa ser preservado. “Boa parte das exportações nacionais são de produtos primários, exportamos minério de ferro e importamos os equipamentos prontos”, reclama.

O sumiço dos brasileiros – Por conta da economia aquecida, os fabricantes nacionais de moldes para transformação de plástico também vivem bom momento. Eles enfrentam, no entanto, problema semelhante ao dos fabricantes de máquinas, a concorrência das importações de produtos asiáticos. O dólar desvalorizado e os baixos preços praticados pelos produtores da China, Taiwan e Coreia do Sul atrapalham a evolução do número de encomendas nas empresas brasileiras. Para Alexandre Fix, diretor da Câmara Setorial de Ferramentarias e Modelações (CSFM) da Abimaq, o momento é excelente para as empresas participarem da Brasilplast. “É uma vitrine fantástica”, resume. O problema é a tímida aparição dos representantes do setor na mostra do Anhembi. “Outro dia estava numa reunião com uns trinta representantes de ferramentarias nacionais e levei um susto. Perguntei quantos iam participar da Brasilplast e só uns dois ou três levantaram a mão”, revela.

Enquanto os brasileiros não ocupam o espaço desejado, o número de fabricantes de matrizes asiáticos cresce a cada edição do evento. Fix admite que essas empresas ganham incentivos dos governos de seus países para marcar presença no evento. Lamenta, no entanto, o desinteresse das nacionais. “A indústria nacional estará representada de forma adequada apenas pelos fornecedores de produtos para moldes, como os fabricantes de porta-moldes, câmaras quentes e outros componentes. Isso é um erro. Ao deixarmos vir para cá uma quantidade enorme de expositores estrangeiros estamos abrindo o mercado, dando um tiro no pé”, acusa.

O comportamento, para Fix, é reflexo da falta de interesse dos empresários brasileiros do setor na participação dos problemas. “Poucas ferramentarias são associadas à Abimaq, elas não aparecem para discutir as nossas dificuldades”, lamenta. Isso gera oportunidade para o fortalecimento da concorrência predatória. “As matrizes chinesas chegam por aqui a preços incompatíveis, mal pagam o custo do aço usado para suas construções. É preciso combater essas práticas”, reclama.

Apesar da falta de atitude de muitos de seus representantes, o setor obteve vitória importante ocorrida recentemente. Depois de muitas negociações, a CSFM comemora o aumento da alíquota de importação de 14% para 30% dos moldes usados no processo de injeção ou compressão. A resolução foi anunciada pelo Comitê Executivo de Gestão da Câmara de Comércio Exterior (Gecex). Foi publicada no Diário Oficial da União no dia 18 de fevereiro e entrou em vigor no dia 1º de março. “Essa foi uma vitória muito importante”, destaca Fix. A batalha, agora, é para aprovar outras medidas. Entre elas, a inspeção mais rigorosa dos preços praticados pelos fornecedores de moldes importados. O objetivo é barrar a entrada da ferramenta caso o valor seja incompatível com as suas características. “Estamos lutando no governo para conquistar essa medida”, revela.

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