Brasilplast 2011 – Ferramentaria – Custo elevado da feira deixa muitos fabricantes de fora

Ele também lembra as dificuldades para se conseguir um espaço na mostra, a cada edição mais concorrida. Para o dirigente, o evento é oportunidade única para conquistar novos clientes.

A Herten é a ferramentaria mais antiga de Joinville-SC. Acaba de completar trinta anos. É especializada na produção de moldes de plástico e alumínio. Dependendo da geometria da peça, a empresa está capacitada para fazer moldes de até 40 toneladas. “Cerca de 60% de nosso faturamento vem dos moldes para injeção de plástico e 40% para injeção de alumínio”, informa. Boa parte dos serviços prestados é voltada para a produção de matrizes de peças técnicas para as indústrias automobilísticas, de linha branca e de matrizes para ciclos rápidos.

O diretor comercial fala sobre a dificuldade de se gerir uma empresa voltada para o projeto e execução de ferramentas. “Precisamos pensar o tempo todo no treinamento do pessoal e na modernização de equipamentos”, resume. Com base nessa premissa, o atual momento pode ser considerado favorável. “O mercado está bem aquecido”, conta. As vendas dão fôlego financeiro à necessidade constante de investimentos. Nesse cenário, o aumento da alíquota de importação decretado recentemente é considerado positivo.

A excelência da qualidade dos moldes com elevado teor tecnológico construídos em Portugal é bastante conhecida. A boa imagem das empresas lusitanas e o potencial do mercado brasileiro contribuíram para a lisboeta Moldit montar uma filial em Camaçari-BA, em 2004. A iniciativa ganhou força na época com a instalação na região da fábrica da Ford. Mesmo antes de chegar ao Brasil, a empresa marca presença na Brasilplast. “Desde 2000, sempre participamos do evento”, informa o gerente de produção Ilídio Silva.

O bom momento da economia também é exaltado pelo executivo. A Moldit oferece aos clientes bastante experiência na fabricação de ferramentas de grande porte, com até 50 toneladas, e com elevada complexidade tecnológica. “Trabalhamos muito para a indústria automobilística e para a de mobiliário plástico”, diz o gerente. Além do processo de injeção tradicional, a empresa trabalha com projetos para injeção a gás, bi-injeção, matrizes de compressão e outras técnicas. Apontada como a maior ferramentaria das regiões Norte e Nordeste, atende aos pedidos de transformadores instalados em todo o país.

Porta-moldes – Os fornecedores de produtos padronizados estarão representados na Brasilplast. Entre as empresas do setor, um dos destaques é a Polimold, líder brasileira do mercado de porta-moldes, nicho para o qual oferece mais de 900 mil combinações de medidas aos projetistas. Com sede em São Bernardo do Campo-SP, tem quase 400 colaboradores, mais de cinquenta máquinas de usinagem CNC e processa, em média, mais de 350 toneladas de aço por mês. Outra linha de destaque da empresa é a de câmaras quentes, vendidas com sucesso no Brasil e no exterior. Além disso, oferece sistemas valvulados, indicados para peças nas quais existam mais de um ponto de injeção, além de componentes variados para matrizes.

Nesta edição da feira, a Polimold promete repetir a fórmula adotada nas edições anteriores. A estratégia é montar um amplo estande, onde clientes e prospects possam conversar sem maiores compromissos. “Nós procuramos caracterizar nossa participação oferecendo um local de confraternização, não queremos ficar ‘malhando’ a venda de produtos aos visitantes”, explica o diretor Alexandre Fix. Para o dirigente, o evento não é local para fechar negócios. “Seu papel é institucional”, resume. Entre os produtos divulgados, devem aparecer novidades, em especial no nicho de câmaras quentes. “Vamos apresentar alguns conceitos novos”, revela.

Plástico moderno, Wilson Teixeira, Diretor técnico da Tecnoserv, Brasilplast 2011 - Ferramentaria - Custo elevado da feira deixa muitos fabricantes de fora
Teixeira: mostra também é oportunidade de compra

A expectativa de não concretizar vendas durante a realização da exposição não tira o otimismo de Fix em relação às perspectivas para o ano de 2011. “O ano até agora está fantástico, muito bom”, comemora. Poderia ser melhor. Velhos problemas, como o “custo Brasil” e o dólar desvalorizado, motivos de reclamação de dez em cada dez empresários nacionais nos últimos tempos, são lembrados como indesejáveis. “O dólar barato ajuda os concorrentes internacionais a participarem da feira”, diz. Outra coisa o incomoda: “Acho que meus concorrentes estão vendendo barato demais.”

“Para mim é uma oportunidade de divulgar produtos, vender e até comprar”, revela Wilson Teixeira, diretor técnico da Tecnoserv, de Diadema-SP. A empresa fabrica porta-moldes e outros componentes e também representa no Brasil vários fabricantes internacionais de produtos para ferramentaria. Entre as novidades oferecidas na edição de 2011, encontram-se os acessórios da empresa alemã Strack-Normalien. A parceria foi fechada durante a visita feita pelo dirigente nacional à feira K, realizada no ano passado em Düsseldorf. “Nós conversamos e estou trazendo esse material para o Brasil”, conta. A empresa alemã oferece mais de 80 mil itens, entre eles puxadores, minigavetas, buchas e colunas. Outra marca representada no Brasil e destacada pela Tecnoserv é a Mastip, fabricante neozelandesa de câmaras quentes. “As câmaras são projetadas na Nova Zelândia. Os manifolds, conforme o caso, são produzidos no Brasil”, explica.

Para Teixeira, o mercado brasileiro está cada vez mais adepto das soluções padronizadas. “No passado as ferramentarias queriam fazer tudo. Hoje perceberam a economia de tempo e o menor custo dos produtos oferecidos nas prateleiras.” Outro fato que colabora com as empresas nacionais, na opinião do gerente, tem sido a decepção dos transformadores com a qualidade dos moldes importados da China. O aumento do imposto de importação prejudica ainda mais a imagem dos produtos asiáticos. Esse cenário, aliado ao bom momento da economia, ajuda a explicar os resultados positivos obtidos pela empresa. “No ano passado, crescemos quase 15%. Este ano, se não houver surpresas, devemos manter esse mesmo patamar de evolução”, calcula.

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