Brasilplast 2011 – Ferramentaria – Custo elevado da feira deixa muitos fabricantes de fora

Já virou tradição. As ferramentarias brasileiras participam como expositoras da Brasilplast de forma muito discreta. O número de presentes entre as empresas do ramo na exposição talvez possa ser contado nos dedos das mãos. Os motivos alegados para a ausência desta vez são os mesmos apresentados pelos representantes do setor nas edições anteriores da feira. O mercado é pulverizado, formado em sua grande maioria por empresas de pequeno porte. Não são muitas as dispostas ou em condições de pagar o preço “salgado” cobrado para instalar um estande.

Colabora com o cenário, o fato de as ferramentarias não fabricarem produtos em série. A divulgação da marca delas na exposição se resume a ações institucionais, ao contrário das empresas que aproveitam a oportunidade para divulgar lançamentos. A estratégia dos participantes é tentar convencer clientes e possíveis compradores sobre a excelência dos serviços prestados. Em tempo: mesmo as interessadas em fazer parte da exposição nem sempre conseguem. Quem não garante presença com muita antecedência sofre, enfrenta missão árdua. A procura por espaços é maior do que a oferta e muitas empresas, mesmo as de outros nichos de negócios, não raro, amargam o “castigo” de ficar na fila de espera.

Uma curiosidade: não é de hoje que os fabricantes nacionais de matrizes reclamam da forte concorrência promovida pelas empresas asiáticas. Em relação à Brasilplast, as representantes de orientais, com incentivo ou não dos governos dos seus países de origem, têm adotado comportamento diferente das brasileiras. Elas veem com maior entusiasmo a oportunidade de aumentar sua participação no mercado com a ajuda da feira e estão ocupando espaço crescente no Anhembi nas últimas edições do evento. Neste ano, o fato deve se repetir.

O atual momento do mercado é positivo. No ano passado, a despeito das queixas resultantes da concorrência internacional, as vendas foram empurradas pelo bom momento da economia. Nos primeiros meses de 2011, prevalece o otimismo. Uma notícia sem nenhuma ligação com o evento do Anhembi fortaleceu o bom humor das empresas brasileiras. A Câmara Setorial de Ferramentarias e Modelações (CSFM) da Associação Brasileira da Indústria de Máquinas e Equipamentos (Abimaq) firmou acordo, depois de exaustivas negociações com o governo federal, para o aumento da alíquota de importação dos moldes de 14% para 30%. A resolução foi publicada no Diário Oficial da União no dia 18 de fevereiro e a alteração entrou em vigor no dia 1º de março. Com a medida, todos garantem ter aumentado a competitividade das matrizes made in Brasil.

Os ferramenteiros podem não comparecer de forma marcante como pessoas jurídicas, mas marcam presença na condição de visitantes. Esse é o motivo pelo qual os especialistas em vários produtos usados na confecção de moldes costumam montar estandes no evento. Podemos citar, por exemplo, os fornecedores de porta-moldes, câmaras quentes e acessórios como pinos, buchas e colunas, entre outros. Também montam estandes os fabricantes e distribuidores do aço usado na confecção das matrizes.

Plástico moderno, Eduardo Cunha, Diretor executivo, Brasilplast 2011 - Ferramentaria - Custo elevado da feira deixa muitos fabricantes de fora
Cunha apostou pesado em aprimoramento tecnológico

“Batendo o ponto” – Apesar da pouca representatividade do segmento, alguns nomes de expressão no meio costumam “bater o ponto” na exposição. Uma dessas empresas é a Moltec, fundada em 1971 e uma das mais conhecidas ferramentarias brasileiras. É especializada em matrizes para injeção e sopro. “Nessa Brasilplast queremos mostrar para o mercado nossos avanços tecnológicos. Fizemos investimentos pesados na aquisição de máquinas de usinagem, como equipamentos de furação profunda, e também de metrologia”, resume Eduardo Cunha, diretor executivo.

A tática a ser adotada na Brasilplast tem por objetivo, de maneira particular, a confraternização com clientes e amigos. “Durante a feira é difícil concluir negócios, embora isso acabe acontecendo vez por outra”, explica. A prioridade será divulgar os serviços oferecidos para a realização de projetos voltados para a fabricação de moldes de pré-formas para embalagens de PET. “Fixamos posição, estamos bem consolidados nesse segmento”, justifica. A Moltec também vai reforçar a divulgação de outros diferenciais. Entre eles, destaque para a excelência da equipe de projetistas e dos equipamentos de usinagem instalados em seu parque fabril. A utilização dos programas 3D para projetar moldes de sopro, especialidade da casa, é apontada como fato raro no mercado.

Em relação ao atual momento do mercado, Cunha demonstra satisfação. “O ano de 2010 foi excelente”, informa. O início de 2011, apesar das vendas terem se retraído um pouco em relação ao mesmo período do ano passado, não decepciona. “O momento atual está atendendo às nossas expectativas.” O aumento do imposto para os importados reforça a boa impressão. “Não enfrentamos apenas os moldes chineses. Com a crise econômica mundial, fabricantes da Europa e dos Estados Unidos também passaram a ficar de olho no nosso mercado e a medida nos ajuda a sermos mais competitivos”, diz.

“Nós consideramos as feiras como investimento. Para a maioria das ferramentarias, elas são vistas como despesas”, avalia Edson Hertenstein, diretor comercial da Herten, para explicar a participação tímida do segmento. O que atrapalha a presença de um número maior de empresas do gênero na exposição é o custo alto para a obtenção do espaço. “Muitos preferem investir em feiras regionais, como as realizadas em Joinville [SC] e Caxias do Sul [RS]”, diz. Ele também lembra as dificuldades para se conseguir um espaço na mostra, a cada edição mais concorrida. Para o dirigente, o evento é oportunidade única para conquistar novos clientes.

A Herten é a ferramentaria mais antiga de Joinville-SC. Acaba de completar trinta anos. É especializada na produção de moldes de plástico e alumínio. Dependendo da geometria da peça, a empresa está capacitada para fazer moldes de até 40 toneladas. “Cerca de 60% de nosso faturamento vem dos moldes para injeção de plástico e 40% para injeção de alumínio”, informa. Boa parte dos serviços prestados é voltada para a produção de matrizes de peças técnicas para as indústrias automobilísticas, de linha branca e de matrizes para ciclos rápidos.

O diretor comercial fala sobre a dificuldade de se gerir uma empresa voltada para o projeto e execução de ferramentas. “Precisamos pensar o tempo todo no treinamento do pessoal e na modernização de equipamentos”, resume. Com base nessa premissa, o atual momento pode ser considerado favorável. “O mercado está bem aquecido”, conta. As vendas dão fôlego financeiro à necessidade constante de investimentos. Nesse cenário, o aumento da alíquota de importação decretado recentemente é considerado positivo.

A excelência da qualidade dos moldes com elevado teor tecnológico construídos em Portugal é bastante conhecida. A boa imagem das empresas lusitanas e o potencial do mercado brasileiro contribuíram para a lisboeta Moldit montar uma filial em Camaçari-BA, em 2004. A iniciativa ganhou força na época com a instalação na região da fábrica da Ford. Mesmo antes de chegar ao Brasil, a empresa marca presença na Brasilplast. “Desde 2000, sempre participamos do evento”, informa o gerente de produção Ilídio Silva.

O bom momento da economia também é exaltado pelo executivo. A Moldit oferece aos clientes bastante experiência na fabricação de ferramentas de grande porte, com até 50 toneladas, e com elevada complexidade tecnológica. “Trabalhamos muito para a indústria automobilística e para a de mobiliário plástico”, diz o gerente. Além do processo de injeção tradicional, a empresa trabalha com projetos para injeção a gás, bi-injeção, matrizes de compressão e outras técnicas. Apontada como a maior ferramentaria das regiões Norte e Nordeste, atende aos pedidos de transformadores instalados em todo o país.

Porta-moldes – Os fornecedores de produtos padronizados estarão representados na Brasilplast. Entre as empresas do setor, um dos destaques é a Polimold, líder brasileira do mercado de porta-moldes, nicho para o qual oferece mais de 900 mil combinações de medidas aos projetistas. Com sede em São Bernardo do Campo-SP, tem quase 400 colaboradores, mais de cinquenta máquinas de usinagem CNC e processa, em média, mais de 350 toneladas de aço por mês. Outra linha de destaque da empresa é a de câmaras quentes, vendidas com sucesso no Brasil e no exterior. Além disso, oferece sistemas valvulados, indicados para peças nas quais existam mais de um ponto de injeção, além de componentes variados para matrizes.

Nesta edição da feira, a Polimold promete repetir a fórmula adotada nas edições anteriores. A estratégia é montar um amplo estande, onde clientes e prospects possam conversar sem maiores compromissos. “Nós procuramos caracterizar nossa participação oferecendo um local de confraternização, não queremos ficar ‘malhando’ a venda de produtos aos visitantes”, explica o diretor Alexandre Fix. Para o dirigente, o evento não é local para fechar negócios. “Seu papel é institucional”, resume. Entre os produtos divulgados, devem aparecer novidades, em especial no nicho de câmaras quentes. “Vamos apresentar alguns conceitos novos”, revela.

Plástico moderno, Wilson Teixeira, Diretor técnico da Tecnoserv, Brasilplast 2011 - Ferramentaria - Custo elevado da feira deixa muitos fabricantes de fora
Teixeira: mostra também é oportunidade de compra

A expectativa de não concretizar vendas durante a realização da exposição não tira o otimismo de Fix em relação às perspectivas para o ano de 2011. “O ano até agora está fantástico, muito bom”, comemora. Poderia ser melhor. Velhos problemas, como o “custo Brasil” e o dólar desvalorizado, motivos de reclamação de dez em cada dez empresários nacionais nos últimos tempos, são lembrados como indesejáveis. “O dólar barato ajuda os concorrentes internacionais a participarem da feira”, diz. Outra coisa o incomoda: “Acho que meus concorrentes estão vendendo barato demais.”

“Para mim é uma oportunidade de divulgar produtos, vender e até comprar”, revela Wilson Teixeira, diretor técnico da Tecnoserv, de Diadema-SP. A empresa fabrica porta-moldes e outros componentes e também representa no Brasil vários fabricantes internacionais de produtos para ferramentaria. Entre as novidades oferecidas na edição de 2011, encontram-se os acessórios da empresa alemã Strack-Normalien. A parceria foi fechada durante a visita feita pelo dirigente nacional à feira K, realizada no ano passado em Düsseldorf. “Nós conversamos e estou trazendo esse material para o Brasil”, conta. A empresa alemã oferece mais de 80 mil itens, entre eles puxadores, minigavetas, buchas e colunas. Outra marca representada no Brasil e destacada pela Tecnoserv é a Mastip, fabricante neozelandesa de câmaras quentes. “As câmaras são projetadas na Nova Zelândia. Os manifolds, conforme o caso, são produzidos no Brasil”, explica.

Para Teixeira, o mercado brasileiro está cada vez mais adepto das soluções padronizadas. “No passado as ferramentarias queriam fazer tudo. Hoje perceberam a economia de tempo e o menor custo dos produtos oferecidos nas prateleiras.” Outro fato que colabora com as empresas nacionais, na opinião do gerente, tem sido a decepção dos transformadores com a qualidade dos moldes importados da China. O aumento do imposto de importação prejudica ainda mais a imagem dos produtos asiáticos. Esse cenário, aliado ao bom momento da economia, ajuda a explicar os resultados positivos obtidos pela empresa. “No ano passado, crescemos quase 15%. Este ano, se não houver surpresas, devemos manter esse mesmo patamar de evolução”, calcula.

Plástico moderno, Glaudir Sandro Mori, Gerente comercial, Brasilplast 2011 - Ferramentaria - Custo elevado da feira deixa muitos fabricantes de fora
Mori espera tornar seu produto mais conhecido

A Três-S, de Guarulhos-SP, está no mercado há mais de meio século. É bastante conhecida como fornecedora de molas, punções, pinos extratores e dezenas de outros componentes. Há pouco mais de seis anos passou a fabricar também porta-moldes. A empresa quer aproveitar a Brasilplast para divulgar sua linha de produtos mais recente. “Nossos porta-moldes têm tido uma boa aceitação no mercado, mas muitas empresas ainda não nos identificam com esse produto”, justifica Claudir Sandro Mori, gerente comercial.

Para tanto, a empresa vai ocupar um estande maior do que o da edição anterior. “Nosso espaço passou de 35 para 50 metros quadrados”, informa. O objetivo é aproveitar a boa presença dos ferramenteiros entre os visitantes da feira. O gerente está feliz com o atual momento do mercado e se mostra otimista, em especial com o aumento de imposto dos importados. “Isso vai ajudar o nosso setor”, avalia.

Câmaras quentes – As vantagens proporcionadas pela presença de câmaras quentes nos moldes voltados para o processo de injeção, entre as quais a ausência de galhos e o aumento da produtividade dos ciclos, estão cada vez mais convencendo os transformadores a adotar esse componente. Felizes com o bom momento da economia, representantes desse nicho de mercado prometem usar a Brasilplast para divulgar suas marcas. Uma dessas empresas é a Husky. Fundada em 1953 na cidade de Toronto, no Canadá, a empresa se transformou em uma das líderes mundiais em câmaras quentes e controladores de temperatura, além de oferecer soluções completas para os sistemas para a área médica e de transformação de embalagens de PET e tampas.

No Brasil, conta com escritório próprio de representação. “No evento, mostraremos ao mercado brasileiro nossas tecnologias atuais, produtos e serviços”, revela Paulo Carmo, gerente de negócios – embalagens. Uma das novidades da empresa tem a ver com ferramentas, mas não se refere às câmaras quentes. Trata-se da aquisição pela multinacional da fabricante de moldes austríaca KTW, empresa com excelência em matrizes voltadas para o mercado de tampas. “Por meio dessa parceria, podemos agora oferecer aos clientes sistemas inteiramente integrados, incluindo máquina, molde e equipamentos auxiliares, a fim de fornecer soluções completas e personalizadas”, diz. Carmo se mostra otimista em relação ao mercado nacional de câmaras quentes. De acordo com o executivo, o ano de 2011 começou aquecido, com evolução de negócios semelhante à do ano passado.

Outra multinacional do ramo com atuação de destaque por aqui é a Incoe, de origem norte-americana e com sede própria de representação no Brasil instalada em Itatiba-SP. “Vamos aproveitar a feira para nos confraternizarmos com os clientes atuais e prospectar novos clientes”, explica Willian dos Santos, gerente de engenharia da empresa, repetindo o discurso de outros expositores do setor. Entre os produtos a serem divulgados, o executivo destaca a linha de câmaras quentes DF, um dos sucessos da empresa. “A linha DF acaba de ganhar novos ponteiros e controles de temperatura”, revela. Com a novidade, os produtos da série passam a oferecer maior flexibilidade aos projetistas. “Os controladores são simples e confiáveis, estão aptos a trabalhar em ambientes bem hostis”, ressalta.

Para Santos, o mercado se encontra em momento bastante positivo. As vendas no ano passado foram muito boas e o início de 2011 está ótimo. “Estamos vivendo boas oportunidades para fechar negócios”, resume. Os esforços do governo para combater a inflação, porém, trazem certa preocupação, pois eles podem causar algum reflexo no avanço da economia. “Espero que não ocorra nenhuma freada”, diz.

Plástico moderno, Dante Ribeiro, Gerente do departamento de engenharia de materiais, Brasilplast 2011 - Ferramentaria - Custo elevado da feira deixa muitos fabricantes de fora
Ribeiro comemora a alta nas taxas de importação

Matéria-prima – Fornecedora de aços, a Açoespecial procurará reforçar sua marca durante a exposição do Anhembi. “Todas as edições da feira, no nosso caso, têm caráter institucional, é difícil fecharmos pedidos”, informa Dante Ribeiro, gerente do departamento de engenharia de materiais. A empresa, criada há trinta anos e com sede em São Paulo, encontra-se entre as principais distribuidoras nacionais da matéria-prima. Negocia produtos nacionais e importados.

Entre eles, duas linhas de aço apontadas como “ecológicas”: a 1045 Ecofast e a Superplast. A Superplast é composta pelos aços SP300 e SP400 e tem o lançamento previsto para este ano dos HP370 e HP Super. “Tanto a linha Ecofast quanto a família Superplast primam pela baixa quantidade de liga aliada à alta resistência e a uma altíssima usinabilidade. A Superplast ainda permite soldabilidade ímpar”, garante. As novas ligas HP têm como diferencial a resistência mecânica superior à dos demais produtos Superplast.

De acordo com Ribeiro, o mercado está aquecido, voltou aos níveis do ano de 2008. O gerente exalta como muito importante o aumento nas taxas de importação dos moldes e sonha com um cenário no qual o governo desonerasse completamente o segmento produtivo de ferramentas. Para ele, se isso ocorresse, o incremento paralelo de arrecadação provocado pelo aumento das vendas compensaria as perdas fiscais da medida. “Um exemplo recente foi o da desoneração da indústria automobilística, que gerou recordes de arrecadação por meio do aquecimento do mercado”, analisa. Ele faz questão de lembrar que não está legislando em causa própria. “Não estamos advogando benefícios fiscais para os distribuidores ou fabricantes de aço, e sim para os fabricantes de ferramenta nacionais.”

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