Brasilplast 2011 – Extrusoras – Investimentos em alta favorecem as máquinas de maior eficiência

Esta edição da Brasilplast vem ratificar seu caráter comercial. A economia aquecida e o interesse dos investidores estrangeiros pelo país favorecem os projetos de expansão do mercado de extrusoras.

O cenário se mostra propício para os fabricantes de máquinas emplacarem modelos mais produtivos e econômicos, pois os investimentos parecem vir de todos os lados e têm privilegiado desenvolvimentos mais eficientes e confiáveis.

Plástico moderno, Paulo Leal, Engenheiro da Rulli Standard, Brasilplast 2011 - Extrusoras - Investimentos em alta favorecem as máquinas de maior eficiência
Leal: faturamento superou as expectativas do ano passado

Os incentivos propostos pelo programa de apoio ao financiamento à cadeia produtiva do plástico, o Proplástico, e a prorrogação do Finame-PSI – Programa de Sustentação do Investimento têm feito a diferença no desempenho dos fabricantes de máquinas. “Com os juros acessíveis e prazos coerentes, os clientes conseguem fazer seus investimentos e amortizá-los no longo prazo”, comenta o engenheiro Paulo Leal, da Rulli Standard, de Guarulhos-SP. Não por acaso, ele atribui a alta das vendas sobretudo a esse recurso. No ano passado, o faturamento da empresa superou as expectativas anunciadas previamente, possibilitando o aumento do quadro de funcionários e a flexibilização do turno de trabalho.

Nem a modificação do programa acabou com o otimismo da indústria nacional. Cada porte de empresa passou a ter juros e prazos diferenciados, mas mesmo assim os empresários não reclamam. “Sem isso, estamos mortos. Nenhuma empresa tem condições de comprar a curto prazo”, comenta Enrico Miotto, diretor da Miotto, de São Bernardo do Campo-SP.

A Acmack, de Itupeva-SP, fabricante da marca Ciola, também tem se fartado com esses incentivos. Para se ter uma ideia, 30% das suas vendas se deram via Finame-PSI. A propósito, o vento tem soprado a favor da empresa. No ano passado, cresceu 12% sobre 2009. Neste ano, o enredo muda um pouco. Com início retraído, 2011 inspira dúvidas, mas o diretor Aldo Ciola aposta em novo perfil de cliente: transformadores de grande e médio porte. “Eles pensam a longo prazo”, argumenta.

Plástico moderno, Aldo Ciola, Diretor, Brasilplast 2011 - Extrusoras - Investimentos em alta favorecem as máquinas de maior eficiência
Ciola prevê um novo perfil de clientes para este ano

Como os importados não foram convidados a participar dessa festa, eles recorrem a iniciativas próprias. Na estadunidense Milacron, os clientes optaram por financiamentos diretos ou linhas de crédito internacionais. A KraussMaffei escolheu essa segunda opção, com cobertura da Hermes (estatal da Alemanha que fomenta a exportação local). Os efeitos são positivos. Dos negócios realizados pela empresa alemã por aqui no ano passado, cerca de 65% se deram via essa linha de financiamento.

Para Bruno Sommer, responsável pela área de extrusão da KraussMaffei do Brasil, apesar da atratividade do Finame, existe uma demanda cativa para as máquinas estrangeiras. “As empresas que compram equipamentos de alta produtividade para concorrer com as maiores do setor continuam optando pelas importadas”, afirma. Marcelo Albernaz, gerente de vendas da Coperion Brasil, lamenta a falta de incentivos para os seus equipamentos, justamente por este motivo. Para ele, a indústria local ainda não abastece o mercado nacional com modelos similares aos trazidos de fora do país. “O governo deveria lembrar que o acesso à tecnologia de ponta torna as companhias brasileiras mais competitivas no mercado internacional”, reclama.

Plástico moderno, Bruno Sommer, Responsável pela área de extrusão da KrausMaffei, Brasilplast 2011 - Extrusoras - Investimentos em alta favorecem as máquinas de maior eficiência
Sommer: país tem demanda cativa para os importados

De qualquer forma, os investimentos estão chegando ao país de todos os lados. A economia aquecida e os olhos do mundo voltados para a indústria nacional fazem deste um momento bastante particular. Não por acaso, estudiosos internacionais anunciaram, recentemente, que os integrantes do Brics (Brasil, Rússia, Índia, China e África do Sul) estão deixando o estigma de emergentes, para despontarem com força no cenário internacional.

Por esses motivos, esta edição da Brasilplast vem mais ratificar seu caráter comercial do que exibir avanços tecnológicos e propor conceitos. Muitos expositores concordam: grande parte das novidades mais relevantes na área de extrusão já foi mostrada em outubro passado, durante a realização da K, na Alemanha. Mas, ainda assim, participar desta edição da feira se mantém na pauta do dia, pois o evento deve se consagrar como importante plataforma de negócios.

“A feira sempre aquece o mercado, gerando vendas e oportunidades”, diz Wilson Carnevalli Filho, diretor da Carnevalli, de Guarulhos-SP. No final do ano passado, a companhia operava no limite da sua capacidade, porém, para 2011, mesmo com previsão de aumento das vendas em torno de 20%, ele espera uma desaceleração do crescimento.

Seria redundante abordar os baixos índices de exportação das fabricantes nacionais. Mas vale o registro. A Carnevalli, acostumada a exportar cerca de 30% da sua produção, se esforça para atingir os dois dígitos. Na Acmack, atualmente, 25% da produção vai para fora do país. A taxa já foi o dobro disso.

Não é de hoje que os fabricantes nacionais se veem obrigados a buscar rotas alternativas para manter o saldo no azul. Os primeiros meses de 2009 foram derradeiros; a valorização do real perante o dólar e a crise econômica mundial da época deixaram suas marcas. No entanto, 2010 começou com aquecimento das vendas e a tendência é se manter assim, pois as projeções para este ano, de um modo geral, são positivas. Os segmentos de embalagens, automotivo, construção civil, linha branca e eletroeletrônico são fortes candidatos no fomento da demanda do mercado de extrusão.

Plástico moderno, Marcelo Albernaz, Gerente de vendas da Coperion Brasil, Brasilplast 2011 - Extrusoras - Investimentos em alta favorecem as máquinas de maior eficiência
Albernaz lamenta falta de incentivos governamentais

Por dentro do setor – O circo estará armado para os fabricantes de extrusoras se esbaldarem e emplacarem seus desenvolvimentos. Além da macroeconomia favorável, no ramo de extrusão de tubos, perfis e conexões há um detalhe a mais: os tais projetos em infraestrutura e construção civil anunciados à exaustão devem se efetivar. Nesse caso específico, o cenário embute outro fenômeno: novos investidores estão engordando as vendas dos fornecedores dessa tecnologia. Ou seja, além dos clientes já tradicionais se mostrarem interessados em aumentar sua capacidade produtiva, empresas que não são do ramo têm procurado este tipo de máquina. Sommer cita o exemplo da Fortlev. A empresa, fabricante de caixas-d’água por rotomoldagem, acaba de entrar no mercado de tubos.

A boa notícia não para por aí. Projetos de plásticos de engenharia despontam neste ano entre as consultas e há indicativos à vista de investimentos da indústria automotiva. Segundo os especialistas do mercado, as solicitações são as mais diversas, desde mangueiras e perfis especiais até pneus e compostos. Isso sem contar o segmento de linha branca. Por conta da redução dos impostos proposta pelo governo a esses equipamentos, muitas solicitações de máquinas extrusoras saíram das gavetas.

Esse avanço não parece ser circunstancial, pelo menos as estimativas apontam para a manutenção dessa fase frutífera. Todos os segmentos, cada um à sua maneira, mostram-se aquecidos. Como é o caso dos perfis de janela. A demanda desse produto tem aumentado de forma significativa, não somente em volume, mas também em valor agregado. “No momento, está sendo visto como produto diferenciado para residências de alto padrão”, avisa Sommer, da KraussMaffei.

Esse bom momento do mercado serve também para os fornecedores nacionais. As expectativas da Extrusão Brasil, de Diadema-SP, dão conta de aumento de cerca de 10% nas vendas desse ano em relação ao anterior. Leonardo Rocha Borges, da área de vendas técnicas da empresa, confessa que a base é fraca, mas mesmo assim se mantém confiante. Até por isso investe em constantes aprimoramentos voltados para o ramo de construção civil. Indicada para tubos e perfis de PVC (policloreto de vinila) rígido, a extrusora DR 77:28, apresentada na edição anterior da feira, conseguiu um feito.

Plástico moderno, Hércules Piazzo, Gerente comercial da unidade brasileira da Milacron, Brasilplast 2011 - Extrusoras - Investimentos em alta favorecem as máquinas de maior eficiência
Piazzo: comemora os resultados em 2010

Segundo Borges, o modelo conquistou uma fatia de mercado dos importados. Ele atribui o êxito às modificações, como o aumento da relação L/D para 32 e a adoção do multiacionamento por meio de motores, além do aumento de sua capacidade produtiva. Para este ano, a empresa seguirá o mesmo caminho: mostrará um conjunto completo de dupla rosca para perfis e tubos de PVC; o modelo é conhecido no mercado, mas Borges promete novidades.

Novas estratégias – Essa curva ascendente do setor de tubos e conexões motivou a KraussMaffei a levar uma máquina para o seu estande da Brasilplast. Pela primeira vez, após três edições do evento, haverá uma extrusora da fabricante alemã no Anhembi. O modelo escolhido, uma dupla rosca contrarrotante para tubos de PVC, foi apresentado na feira K em outubro passado, na Alemanha. Essa estratégia tem um porquê, em 2008 as vendas para a área de extrusão foram positivas, por causa da forte demanda dos mercados brasileiros, venezuelano, peruano, costa-riquense e chileno, a ponto de fazer a empresa dobrar o número de profissionais para atender à demanda. Desde aquela época, os negócios já fervilhavam no segmento de tubos de PVC, em todas as suas aplicações, sobretudo as prediais.

A Milacron também mudou sua estratégia, por causa do aquecimento das vendas no ramo de extrusão. “O ano de 2010 foi muito positivo para a Milacron no mercado brasileiro”, comenta Hércules Piazzo, gerente comercial da unidade brasileira da Milacron. Enquanto na edição anterior da feira a empresa se limitou a mostrar máquinas injetoras em seu estande, neste ano irá apresentar o modelo SPAK 150, uma extrusora que, segundo Piazzo, é de fácil penetração por aqui.

Plástico moderno, Brasilplast 2011 - Extrusoras - Investimentos em alta favorecem as máquinas de maior eficiência
Miotto mudou estratégia para se mais competitivo

As linhas de extrusão da companhia são fabricadas nos Estados Unidos e exportadas para Brasil, China, Alemanha, México, Argentina, Peru e Chile, entre outros. A empresa, em 2008, possuía uma fábrica, na Áustria, onde produzia os modelos Cincinnati Extrusion. Quando decidiu vender a unidade, ficou acordado que não seriam comercializadas extrusoras no mercado brasileiro por um período. Com o fim do contrato, voltou a abastecer o país com esses modelos.

A produção nacional também colhe os frutos desse aumento da demanda. O ano despontou de forma positiva para a Miotto. A fabricante comercializou nos dois primeiros meses de 2011 cerca de dez máquinas. “Isso já é mais do que a média mensal do ano passado”, comenta o diretor. E a base é forte. Apesar de o segundo semestre ter estado aquém das expectativas, 2010 representou um recorde de vendas para a companhia. “O faturamento foi o melhor dos últimos dez anos”, anuncia Miotto.

As vendas só não foram mais expressivas por causa da penetração das máquinas chinesas no país. Segundo Miotto, uma granuladora de origem asiática é vendida pela metade de uma fabricada por ele. A empresa tenta se armar de algumas formas. Mudou sua estratégia de atuação; redesenhou sua linha de extrusão e passou a fabricar lotes de máquinas em vez de modelos únicos, como sempre fez. “Se eu fabrico só uma máquina por mês, não consigo ser lucrativo como antigamente”, comenta o diretor.

Outra mudança diz respeito ao seu portfólio. Apesar de não ampliá-lo há dois anos, traz constantes aprimoramentos. Um foco é reduzir em 20% o custo da máquina. “Já conseguimos chegar a 12%, no caso de uma dupla rosca”, avisa. No entanto, faz questão de enfatizar que a qualidade se mantém como prioridade. Ele se inspira na produção europeia que também apostou na competitividade, com preços reduzidos.

Plástico moderno, Marco Antonio Gianesi, Brasilplast 2011 - Extrusoras - Investimentos em alta favorecem as máquinas de maior eficiência
Gianesi aposta em extrusoras de maior rendimento e econômicas

Nesta edição da Brasilplast, a fabricante Miotto comemorará bodas de ouro e, portanto, prepara uma apresentação em grande estilo. Apesar de não colocar nenhum modelo para funcionar no estande, pretende dar uma amostra da força da indústria nacional, com uma máquina que, segundo o diretor, “é de peso (sic!)”. Ele se refere a uma extrusora dupla rosca de 140 mm de diâmetro para granulação e tubos e perfis; a produção estimada é de até 2 mil kg/h. Haverá outras extrusoras em exposição.

A maior fabricante de linhas de extrusoras para chapas dos Estados Unidos, a Davis Standard, também se favorece das circunstâncias atuais. “Com o dólar baixo e o euro alto, conseguimos vender bem”, comenta o representante da marca no Brasil, Marco Antonio Gianesi. Ele é um dos sócios da BY Engenharia, que representa a companhia norte-americana no país desde 2000.

Considerando desde então, 2009 e 2010 foram os anos mais rentáveis para a empresa de Gianesi. No ano passado, foram comercializadas oito linhas. No geral, os modelos requisitados se voltam para empresas de grande porte, leia-se: para produções elevadas (de mais de 1,5 mil kg/hora). As máquinas em questão são dotadas de recursos diferenciados. “A ideia é garantir economia de matéria-prima e maior rendimento”, afirma Gianesi.

De acordo com estimativas do executivo, o mercado nacional tem potencial para consumir entre cinco e seis máquinas desse tipo por ano. Demanda que ele divide entre as fabricantes europeias e as norte-americanas, excluindo a concorrência chinesa. “A Ásia briga mais com o preço mesmo, uma top de linha de um chinês não é páreo para uma similar nossa”, orgulha-se Gianesi. As linhas planas para stretch são a preferência do cliente da BY Engenharia.

Em relação à representada italiana Maris (fabricante de extrusoras corrotantes), o enredo muda para a BY Engenharia. A empresa vendeu três linhas no ano passado. Em tempos áureos, no caso 2007, foram comercializadas doze linhas. “Eu atribuo essa queda às máquinas que vêm da China”, explica Gianesi. Para se ter uma ideia do tamanho da ameaça, na edição passada da Brasilplast, no estande da BY Engenharia os holofotes se voltaram para a extrusora dupla rosca corrotante TM 31 HS/48D; o modelo fabrica masterbatches à velocidade de 1.300 r.p.m. e sobressai justamente pelo alto torque. Como se vê, a máquina não emplacou por causa da tecnologia embutida, e sim pelo preço. Gianesi estima que uma máquina similar na China custe um terço da italiana.

Diante desse quadro, para Gianesi, a empresa precisa fabricar no Brasil o quanto antes. “Já houve a contratação de um profissional para atuar aqui”, revela. Para se fortalecer no país, a Maris também aposta em avanços tecnológicos. O mais recente lançamento da marca – exibido na K – diz respeito ao Filter Test. Trata-se de um recurso para controle de qualidade em tempo real do masterbatch.

Linha evolutiva – O cenário da extrusão no país veio se desenhando ao longo dos anos, e a Brasilplast testemunhou de perto essa evolução. Na edição passada da feira, os desenvolvimentos já privilegiavam tecnologias para a redução dos custos de fabricação e o aumento da capacidade produtiva. Algumas tendências foram se confirmando a cada ano, mas o comportamento do mercado não é linear ou cabe em categorias. A demanda no Brasil varia muito e tem se mostrado, muitas vezes, imprevisível.

Anunciada há algum tempo, a tendência de as estrangeiras emplacarem modelos para grandes produções não se confirmou. Ao contrário do esperado, o grupo alemão Coperion emplacou no ano passado modelos de pequeno porte, como a Advanced para até 200 kg/h e a Megacompounder para no máximo 350 kg/h. “Os clientes adequaram o tamanho da máquina para o tamanho do lote produzido, a fim de reduzir o set up e a perda de material durante a troca de formulações”, diz Albernaz, gerente de vendas da Coperion. A companhia apostava suas fichas numa dupla rosca corrotante de 800 r.p.m. de rotação de rosca com capacidade produtiva de até 1.600 kg/h.

Certezas também não permeiam os projetos de coextrusão. Na percepção da Rulli Standard essa tecnologia ainda patina, pelo menos no caso dos filmes. De acordo com o engenheiro Paulo Leal, um dos porta-vozes da companhia, trata-se de um mercado específico, com alto valor agregado ao produto final e, portanto, ainda restrito a algumas aplicações. Enquanto a responsável pelo desenvolvimento da primeira máquina de coextrusão de sete camadas (em 2004), a Carnevalli, tem outra perspectiva. A empresa prevê aumento das vendas justamente dessa tecnologia.

Segundo o diretor Wilson Carnevalli Filho, as coextrusoras são uma tendência mundial e têm chegado com força ao mercado nacional. Prova desse fenômeno se vê nos números da própria empresa: cerca de 20% das máquinas construídas na fábrica de Guarulhos embutem a tecnologia coex. “Nossa expectativa é a de aumentar este índice devido às necessidades de mercado e às novas tecnologias aprimoradas”, comenta Carnevalli Filho.

No ramo de chapas, a Rulli concorda com a concorrente, pois a maioria das suas vendas se refere a modelos coex. Nessa área, as máquinas de maior procura hoje são para chapas mais largas, por conta dos moldes que possuem muitas cavidades. O representante da Davis Standard no Brasil concorda com o aumento das vendas da tecnologia coex para chapas. Para ele, a indústria automotiva por aqui se configurou como sua principal consumidora, fomentando essa demanda de forma significativa.

Voltando aos filmes, que a coextrusão reflete o futuro das embalagens flexíveis não há dúvidas. A novidade do segmento está na sua abrangência. Para Aldo Ciola, diretor da Acmack, fabricante de extrusoras para polipropileno (PP), as principais tendências do mercado são a coextrusão tubular e de filmes planos. Aliás, as projeções da Acmack recaem sobre as linhas de coextrusão de PP com PE no sistema Quench, e nas linhas de filmes planos. “Essas novas máquinas são um diferencial para os clientes e apresentam uma tendência de maior consumo. Este é nosso principal processo”, comenta Ciola. Ele se refere ao Quench System, recurso adotado pela fabricante que utiliza água para realizar o resfriamento em vez de ar, na tentativa de garantir filmes com mais qualidade. A ideia, em suma, é associar as propriedades de barreira e transparência do PP à elasticidade do PE, com maior resistência e soldabilidade.

Nesta edição da Brasilplast, a fabricante irá mostrar uma linha de filmes para PP tradicional, mas divulgará uma cast-film Horizon, com tecnologia coex (em exposição na fábrica em Itupeva). “Só não levaremos a máquina para a feira porque ela é muito grande”, explica Ciola.

Independentemente do ramo, cada fabricante, à sua maneira, busca diferenciar seus desenvolvimentos. Não é de hoje que a Rulli Standard investe no sistema Fast Gap, de ajuste rápido de abertura do lábio do flat die. Lançado na edição passada da Brasilplast, o recurso assegura o processamento de vários tipos de materiais, mantendo a alta produtividade. A Carnevalli aposta no aumento da produtividade e no baixo consumo energético dos modelos. “Atenderemos às necessidades do mercado com máquinas eficientes, com alto custo/benefício aliado à tecnologia de ponta”, argumenta o diretor Carnevalli Filho. Em 2009, a companhia mostrou um duplo anel de ar que prometia, em algumas aplicações, elevar a produção em até 40%, sem aumentar os custos operacionais. Para este ano, o diretor promete aprimoramentos no acessório.

Evidências – Esses recursos só têm espaço no portfólio dos fabricantes porque o perfil do cliente mudou. A transformação nacional opera com margens cada vez mais espremidas. Os reflexos desse achatamento respingam na procura por máquinas de alto desempenho e confiabilidade. Por isso, de alguma maneira, o setor aposta que, cada vez mais, as características técnicas dos modelos vão passar a ser determinantes na hora da compra. O mercado brasileiro, no entanto, é imenso e esse fenômeno ainda não reflete a sua totalidade, hoje ele está restrito a um universo particular: o das empresas de grande porte.

Mas, divergências à parte, uma coisa é certa: minimizar as perdas e os riscos de possíveis paradas da extrusora tem sido uma questão de sobrevivência. Por isso, para atender a essa necessidade, os novos desenvolvimentos privilegiam o baixo custo operacional, priorizando não somente a economia de energia e de material, mas também o gasto com a manutenção.

Essa preocupação com o consumo energético chegou aos projetos de extrusoras antes dessa onda sustentável se tornar modismo por aqui. Há dois anos a Rulli Standard desenvolve com a empresa WEG, fornecedora de motores e acionamentos elétricos, um motor de corrente alternada de alto rendimento para oferecer essa economia. Assim como a nova geração de máquinas da fabricante Extrusão Brasil, que opera com motores e inversores de frequência de baixo consumo de energia.

As estrangeiras, obviamente, endossam essa categoria. A norte-americana Davis Standard projetou uma motorização para reduzir o consumo de energia elétrica destinada a todas as suas extrusoras. Essa linha “verde”, aliás, será um dos focos de sua participação na Brasilplast deste ano.

Esses são apenas alguns casos, pois lançamentos que não seguem essa premissa não têm mais espaço no mercado. Em geral, um sistema de extrusão obsoleto gasta cerca de 50% a mais de energia se comparado a um mais moderno, dependendo do processo. “Buscamos utilizar motores de corrente alternada mais eficientes, por exemplo”, comenta Sommer, da KraussMaffei. Esse enredo deve se manter daqui para frente. Com a limitação de capacidade de geração de energia e o crescimento do país, o valor cobrado pelo insumo tende a aumentar.

Por isso, o mercado tem se preparado. Como existe uma relação entre o rendimento da máquina e a energia necessária para transformar cada tipo de material, os fabricantes apostam também na oferta de modelos flexíveis, ou seja, capazes de transformar resinas diferentes de forma mais eficiente. A monorrosca da KraussMaffei Berstorff, da série N/R, ilustra essa proposta. A extrusora para tubos de polietileno de alta densidade (PEAD) tem condições de processar PP com um rendimento entre 5% e 10% menor. Numa máquina convencional esta diferença está entre 35% e 40%.

Os fabricantes de máquinas extrusoras sabem o caminho para ajudar a transformação nacional a ganhar competitividade. Eles apostam no aquecimento das vendas do mercado para assegurar que os investimentos saiam do plano das intenções e engordem o faturamento ainda neste ano.

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