Brasilplast 2011 – Extrusoras – Cresce a oferta de alta tecnologia

A participação dos fabricantes de máquinas extrusoras nesta 13ª edição da Brasilplast, realizada de 9 a 13 de maio, no Pavilhão de Exposições do Anhembi, em São Paulo, confirmou a abertura do mercado para absorver desenvolvimentos altamente qualificados. Os expositores apostaram em tecnologias de ponta, capazes de tornar as máquinas mais eficientes e produtivas. Além disso, a economia aquecida e os olhos do mundo voltados para a indústria nacional intensificaram o interesse dos estrangeiros em investir no país, favorecendo a penetração dos importados por aqui.

Plástico Moderno, Flavio Ribeiro da Silva, Diretor de vendas da Battenfeld-Cincinnati, Brasilplast 2011 - Extrusoras - Cresce a oferta de alta tecnologia
Para Silva, Battenfeld e Cincinnati mostraram o melhor de cada empresa

A exposição serviu de via de acesso para grandes companhias estrangeiras aportarem no mercado brasileiro. Algumas simplesmente retornaram, como a austríaca Cincinnati Extrusion e a alemã Battenfeld, que se fundiram para juntas voltarem a ser referência no setor. A turbulência vivida na Europa deixou sequelas, mas nem todas negativas, segundo Flavio Ribeiro da Silva, diretor de vendas para América Latina da nova empresa Battenfeld-Cincinnati. “A fusão veio por causa da crise, mas trouxe benefícios, pois assim pudemos oferecer o que há de melhor de cada empresa, e sermos mais competitivos”, explicou.

Fundada em abril do ano passado, a companhia atua em três divisões: infraestrutura, para o mercado de tubos; construção civil, com máquinas para fabricação de perfis e compostos, incluindo o WPC (composto de plástico com madeira) e chapas de PVC; e embalagens, para filmes planos e chapas. Todas as máquinas dupla rosca são fabricadas na Áustria e as monorroscas, na Alemanha. “Com essa estratégia, otimizamos os custos”, comentou Silva. Há unidades produtivas também na China, Estados Unidos e Japão.

Apesar de não ter máquinas no estande, a Battenfeld-Cincinnati divulgou duas linhas lançadas na edição da K, realizada no ano passado na Alemanha: a solEx (monorrosca para produção de tubos de poliolefinas) e a TwinEx 34D (dupla rosca para tubos e perfis de PVC). Segundo Silva, os dois desenvolvimentos privilegiaram o aumento da produtividade e a economia de energia. “Em relação às máquinas convencionais, reduzem o consumo energético em 15%”, exemplificou.

A fim de otimizar a produção de poliolefinas, a companhia apresentou um novo sistema de resfriamento interno da tubulação durante o processo de extrusão. “Com isso reduzo o comprimento da linha de produção em até 40%, produzindo assim em uma área menor”, explicou Silva. Essa tecnologia pode ser aplicada a tubos de 110 mm até 2.500 mm, e assegura, segundo o diretor, a qualidade técnica do produto.

Outra velha conhecida do mercado, a Reifenhäuser, também não tinha máquina no Anhembi, mas nem por isso mostrou-se de forma modesta. Após ter encerrado suas atividades localmente no início de 2000, essa tradicional fabricante alemã de máquinas extrusoras, no ano em que completa cem anos de fundação, aportou por aqui com uma nova representação. Durante o evento, anunciou que a ML Viviani no Brasil assumiu as divisões Reifenhäuser Extrusion (tecnologia cast e sheet) e Reifenhäuser-Kiefel Extrusion (blow), a fim de emplacar entre os transformadores brasileiros seus equipamentos produzidos em Troisdorf, Alemanha. Em tempo, a Gutenberg detém a representação da divisão Reicofil.

A companhia, segundo Márcio Luiz Viviani, responsável pelas vendas da marca no país, apesar de ser referência na oferta de extrusoras para filmes de multicamadas, pretende comercializar modelos para monocamadas e coex menos sofisticados, no caso de três camadas. “O nosso objetivo é atender empresas que queiram aliar tecnologia, produtividade e durabilidade também em máquinas conceitualmente mais simples, mas com todo o conhecimento Reifenhäuser embarcado”, afirmou Viviani.

Plástico Moderno, Brasilplast 2011 - Extrusoras - Cresce a oferta de alta tecnologia
Modelo da Liansu para tubo carregado opera 24 h ininterruptas

Essa estratégia não significa que o transformador brasileiro não tenha poder de fogo ou interesse em máquinas mais caras. Aliás, a empresa vendeu por aqui um modelo de nove camadas, apresentado em outubro passado, durante a K, na Alemanha. “Trata-se da ‘joia’ da extrusão”, ressaltou.

Por falar em gigantes, a Liansu, maior fabricante chinesa de linhas e peças de extrusão, também estava presente na feira, reforçando seu interesse em fazer negócios por aqui. A divisão Meggaplástico, do grupo Megga, anunciou com ineditismo que, além dos mercados de injeção e sopro, agora atua na extrusão. Para ter força nesse segmento, já consolidado entre tantos fabricantes europeus e brasileiros, o gerente comercial da Meggaplástico, Marcelo Pruaño, disse que só poderia fazê-lo com uma das maiores da área; e, por isso, escolheu a Liansu.

Fundada em 1986, a empresa conta com quatorze fábricas espalhadas na Ásia e possui seiscentas linhas de extrusão em suas unidades. “A Liansu já fornece seus produtos para os principais fabricantes de tubos do Brasil, só não tinha representação local”, afirmou Pruaño. São mais de sessenta linhas em operação na América Latina atualmente.

O portfólio é vasto: são sistemas de extrusão para tubos duplos com dimensões de 16 mm a  110 mm, linhas completas para tubos de PEAD para água pressurizada e tubos para gás e tubos corrugados com dupla camada de PEAD e PVC, além de extrusoras para peletizar PP/PVC/PPR, para fabricar WPC e chapas, entre outras. Na feira, estava em funcionamento a LSBP-50PE, uma máquina para fazer tubos corrugados. Com capacidade para extrudar 150 kg/h, a linha produz tubos de 20 mm a 50 mm. “Ela consegue operar 24 horas, sem nenhuma parada”, afirmou Pruaño. O modelo conta com motores de alto rendimento e, segundo o gerente, oferece segurança operacional e uma ótima relação custo/benefício. “É possível amortizar o investimento rapidamente”, comentou.

A empresa promete movimentar o mercado. Para Pruaño, a Liansu vem para concorrer de igual para igual em tecnologia com as extrusoras europeias, com a vantagem do custo bem atrativo. Ele atribui essa baixa nos valores à escala. “A fábrica tem um alto volume de produção, por isso, dá para ter preços competitivos, além de ser verticalizada”, explicou. O estande da Meggaplástico anunciou ainda, mesmo que timidamente, sua entrada no segmento de filme balão. A parceira, também uma das maiores fabricantes de máquinas da China, trata-se da Jinming. Mas essa novidade não era o foco da exposição na área de extrusão, pois o negócio ainda é embrionário. “Estamos em treinamento, essa foi só uma primeira divulgação”, argumentou Pruaño, insinuando dedicar-se ao tema em um próximo evento.

Pavilhão italiano – A Itália fez questão de deixar evidente seu interesse pelo país: um pavilhão inteiro foi dedicado para as empresas italianas. O espaço era 40% maior do que o da edição anterior da feira, e abrigava 38% a mais de expositores. A explicação para esse avanço é simples: o Brasil se tornou o quinto maior consumidor de máquinas italianas para plástico e borracha, atrás da Alemanha, China, França e Estados Unidos, nessa ordem. “Em 2008, era o sétimo mercado, hoje saltou duas posições”, afirmou Giorgio Colombo, presidente da Associação Italiana dos Fabricantes de Máquinas e Moldes para Matérias Plásticas e Borracha (Assocomaplast).

Plástico Moderno, Brasilplast 2011 - Extrusoras - Cresce a oferta de alta tecnologia

De acordo com a Assocomaplast, do total exportado pela indústria nacional italiana para cá, as extrusoras representaram 18%. As termoformadoras responderam por 35% do total; as sopradoras, 19%; e as impressoras, 17%. “Temos boa penetração no Brasil, porque nossas máquinas são produtivas e apresentam baixo consumo de energia”, argumentou Colombo. Em faturamento, o dado significa que fabricantes de extrusoras italianos lucraram com o mercado brasileiro pouco mais de 10 milhões de euros em 2010. Para se ter uma ideia do estreitamento rápido dessa relação, vale dizer que quatro anos antes esse valor era de cerca de 4 milhões de euros.

O dado embute outro viés, além do financeiro. No ano passado, boa parte das exportações era de linhas completas de extrusão ou instalações de alto valor agregado. “O Brasil está aberto a novas tecnologias e busca respostas ecológicas”, explicou Colombo. Talvez por isso, a ICMA San Giorgio, empresa da qual Colombo é diretor, aproveitou a Brasilplast para divulgar linhas completas para a produção de compostos e masterbatches, com destaque para o sistema de extrusão direta de perfis e chapas de WPC e NFPC (composto de plástico com fibra natural). Essa tecnologia permite a eliminação da fase de pré-mistura e aglutinação da matéria-prima. Segundo a fabricante, o equipamento conta com um mecanismo de desgaseificação especial capaz de extrair a umidade do material antes da fase de extrusão, favorecendo a economia de energia.

Outra italiana participou da feira para reforçar seu interesse pelo mercado brasileiro de extrusão. Mas neste caso a estratégia foi mais agressiva: a CGM, de Milão, Itália, abriu em março do ano passado uma unidade fabril por aqui, em Indaiatuba-SP, e promete se tornar uma das maiores do setor. Segundo Natan Alves, diretor comercial da CMG do Brasil, em 2012 a empresa deve fabricar em média seis máquinas por mês. A ideia é produzir monocamadas e coextrusoras compactas, num primeiro momento; para, numa segunda fase, desenvolver modelos de grande porte. “Queremos trazer alta tecnologia em extrusão para cá”, afirmou Alves. A companhia possui duas plantas em Milão e 3.900 máquinas instaladas no mundo.

Essa primeira aparição na Brasilplast foi tímida. A empresa tinha um estande dentro do pavilhão italiano e sem máquina. No entanto, na próxima edição, Alves pretende ocupar espaço semelhante aos dos grandes fabricantes de máquinas, como Carnevalli e Rulli Standard. A estratégia reflete a intenção de figurar nesse hall, já em 2012, quando prevê emplacar entre os transformadores brasileiros sua linha Innoex, de coextrusoras de três a sete camadas. Segundo o diretor, um dos diferenciais da fabricante são as roscas e camisas feitas de uma liga de material especial, Molibdni, com alta resistência ao desgaste. “A troca de rosca e camisa se dá a cada cinco anos, a da concorrência, a cada dois”, afirmou. A planta brasileira conta com quatorze funcionários, assistência técnica local, e a produção será 80% nacionalizada, o que permite financiamento via BNDES.

Plástico Moderno, Geraldo Constantino Junior, Gerente geral da Carnevalli, Brasilplast 2011 - Extrusoras - Cresce a oferta de alta tecnologia
Constantino Junior: tecnologia coex continuará em crescimento no país

Apesar de ter interesse pelo Brasil, a também italiana Macchi participou da feira por outro motivo: o seu alvo eram os visitantes sul-americanos. A empresa no ano passado não conseguiu vender nenhum modelo por aqui, aliás, há seis anos essa história se repete. O empecilho são as altas taxas cobradas aos produtos importados.

De qualquer forma, a intenção é sempre vender, não importa muito a quem. Por isso, a Macchi apresentou em seu estande uma coextrusora para três camadas capaz de fabricar de 300 kg/h a 550 kg/h. Trata-se de um modelo para pequenas e médias produções, denominado Coex Flex 3.4. Um destaque se refere ao redutor. Segundo a fabricante, este reduz em 20% o consumo energético.

O poder das nacionais – As europeias terão muito trabalho para entrar com força no mercado nacional de extrusão de filmes. A líder do segmento, a Carnevalli, de Guarulhos-SP, como faz em todas as edições da Brasilplast, mostrou o seu gigantismo. Uma das grandes atrações (literalmente) do estande se tratava da Coex Polaris 3 Plus, coextrusora capaz de produzir até 700 kg/h de filme com largura útil de 2.100 mm. De acordo com o gerente geral da Carnevalli, Geraldo Constantino Junior, o consumo desse tipo de tecnologia está crescendo no país, e tende a avançar. Para ele, com a restrição das sacolas plásticas nos supermercados, a indústria pode se voltar para a coextrusão. “O transformador vai ter de buscar outros mercados”, sentenciou. Na companhia, 20% das máquinas produzidas são coex.

Plástico Moderno, Brasilplast 2011 - Extrusoras - Cresce a oferta de alta tecnologia
Carnevalli apostou em novos recursos e lançou a Polaris Plus

A Coex Polaris 3 Plus garante vários benefícios, como a economia de energia, com motores mais eficientes, e também traz inovações como um desenho de rosca diferenciado e novas rebobinadeiras. A máquina é totalmente automática, e conta com anel de ar, medidor de espessura e dosadores gravimétricos, segundo Constantino Junior, que embutem “tecnologia de ponta”.

O estande apresentava a linha Polaris Plus como lançamento na feira. Além da coex, havia as monocamadas Polaris Plus 75 (para produção de até 360 kg/h), a Polaris Plus 60 (no estande, operava a 172 kg/h, produzindo filmes de 1.350 mm de largura), e a Polaris Plus 50 (para produção até 140 kg/h).

A tecnologia coex atraiu até mesmo quem não tem tanta tradição neste mercado. A HGR Extrusoras, fundada em 1993, em Guarulhos-SP, apostou neste nicho e tem colhido bons frutos. Há quatro anos, a empresa fabricava entre duas e três extrusoras monocamadas por mês, hoje este índice saltou para cinco a sete, e diversificou-se com as coextrusoras. “Entramos forte na tecnologia coex em novembro do ano passado, e já temos bons resultados no faturamento”, comentou o diretor comercial da HGR, Ricardo Rodrigues.

Em 2010, não por acaso, a empresa ampliou seu parque fabril em 15% e pretende aumentar seu faturamento, neste ano, em 30%. E olha que a base é forte. “O ano passado foi um ano explosivo em vendas”, disse Rodrigues. Vale lembrar que o preço de uma coex é de duas a três vezes o de uma para filme monocamada.

Plástico Moderno, Ricardo Rodrigues, Diretor comercial da HGR, Brasilplast 2011 - Extrusoras - Cresce a oferta de alta tecnologia
Rodrigues anunciou expansão do parque fabril

A linha em questão é a Soyus; são máquinas para produção de filmes de três a sete camadas. Os destaques são os cabeçotes. Nos sistemas de três camadas, a fabricante adotou um cabeçote espiral, e nos de cinco a sete, o equipamento é de alta barreira, chamado pancake. “Esse cabeçote foi criado com a colaboração técnica da Alpha Marathon, uma empresa canadense”, explicou. No estande, estava em exibição a 55 Nitrus, uma monocamada para produção de 90 kg/h até 130 kg/h. O modelo trouxe como atração o sistema de dosagem por microprocessadores, um dosador gravimétrico capaz de elevar a resistência dos filmes, mantendo sua fina espessura.

O mercado de filmes cada vez mais técnicos para aplicações específicas e com tolerâncias muito estreitas instiga os fabricantes de máquinas a incorporarem em seus desenvolvimentos itens complexos de controle. Por esse motivo, a linha para filme exposta pela Rulli Standard, de Guarulhos-SP era dotada de bobinadeira dupla, corte automático, sistema de ar frio para o anel e dosador gravimétrico, entre outros recursos. “Trouxemos como aprimoramento o maior controle de espessura e velocidade da máquina”, disse o engenheiro Paulo Leal, da Rulli Standard.

Plástico Moderno, Brasilplast 2011 - Extrusoras - Cresce a oferta de alta tecnologia
HGR exibiu série Nitrus para produção de filmes monocamadas

A companhia divulgou durante a feira um dos seus modelos mais vendidos: uma extrusora para filmes com capacidade produtiva de 180 kg/h a 220 kg/h, de PEBD, ou de 160 kg/h a 180 kg/h, de PEAD. Seu ponto alto é a versatilidade. “É possível fazer um produto de manhã, outro à tarde, e um diferente à noite”, comentou Leal. Na área de rígidos, a extrusora em exposição era a menor da fabricante, destinada à produção de chapas de PET, com espessuras entre 0,2 mm e 2 mm, e largura de 800 mm.

Seguindo a mesma tendência, a Magmar, de São Paulo, mostrou a monorrosca HLM-50, para produção de até 90 kg/h de PEAD, 110 kg/h de PEBDL, e 120 kg/h de PEBD. Segundo o fabricante, a máquina conta com rosca de filete duplo que assegura uma excelente plastificação. Uma novidade se refere à torre, de fácil acesso e dotada de duas plataformas. “A segurança é um dos pontos fortes dessa máquina”, afirmou o engenheiro da Magmar, Magno Reis Junior. O modelo conta com anel de ar 100% de alumínio e painel de comando equipado com novo CLP, integrando as funções do sistema gravimétrico, entre outros recursos.

Plástico Moderno, Brasilplast 2011 - Extrusoras - Cresce a oferta de alta tecnologia
Máquina da Rulli Standard garante maior controle e velocidade

Ainda na área de filmes, a Acmack, de Itupeva-SP, fabricante de extrusoras para polipropileno (PP) da marca Ciola, lançou no Anhembi a Master 50 Plus (extrusora 50 mm e L/D 1:30). A máquina trouxe como diferencial a fabricação de filmes tubulares de até 800 mm, com espessura de 10 µ a 80 µ. A versão anterior desta linha fabrica filmes de até 650 mm. De acordo com o diretor Aldo Ciola, o modelo é bastante compacto, e como não poderia fugir ao discurso uníssono dos outros fabricantes, oferece economia no consumo de energia. No caso, em torno de 10%, em relação a similares. “Outra vantagem é ter o preço baixo. Se fosse em outra máquina, para produzir a mesma largura de filme, o seu preço seria maior”, explicou o diretor.

No estande da empresa, também estava em exposição um bobinador para filmes planos. O equipamento atende o modelo Horizon 2100/3 da marca, uma máquina capaz de produzir até 500 kg/h de filmes de PP coextrudados, com largura de 2.100 mm, a uma velocidade de até 200 m/min.

Tubos e perfis – A macroeconomia está aquecida para o ramo de extrusão de tubos, perfis e conexões há algum tempo. Os projetos em infraestrutura e construção civil anunciados à exaustão começam a sair do papel estimulando a participação dos produtores de máquinas nesta Brasilplast. Não por acaso, a alemã KraussMaffei prevê aumentar as vendas de extrusoras em 20% neste ano em relação a 2010. A ideia é se fortalecer em áreas de fraca penetração por aqui, com as máquinas para perfis para PVC e as dupla roscas corrotantes. Bruno Sommer, responsável pela área de extrusão da KraussMaffei do Brasil, está confiante, pois nos últimos dois anos, segundo ele, os preços das máquinas nacionais aumentaram e, com o câmbio favorável, muitos transformadores têm se enveredado para a importação.

Plástico Moderno, Bruno Sommer, Responsável pela área de extrusão da KraussMaffei, Brasilplast 2011 - Extrusoras - Cresce a oferta de alta tecnologia
Para Sommer, aumentou a penetração das extrusoras importadas no Brasil

Após três participações seguidas na Brasilplast, só com injetoras em seu estande, a alemã KraussMaffei, sob a chancela da sua divisão Berstorff, expôs uma extrusora no Anhembi. No caso, uma dupla rosca contrarrotante para tubos de PVC (o mesmo modelo mostrado na feira K em outubro passado, na Alemanha). Essa mudança de estratégia reflete o interesse da companhia em estreitar sua relação com esse mercado. A máquina é de tamanho médio (90 mm), capaz de produzir tubos de 70 mm a 250 mm de diâmetro. “Escolhemos esse modelo por ser uma evolução de uma série já consolidada, contando agora com rendimento maior”, revelou Sommer. Apesar de não mencionar números, ele comentou que a fabricante já vendeu uma grande quantidade de linhas no Brasil e em outros países da América do Sul.

A informação não é precisa, mas tem o respaldo do histórico recente da empresa: nos últimos seis meses, as vendas da Berstorff quadruplicaram. O carro-chefe da divisão já há algum tempo é a extrusora dupla rosca contrarrotante KMD, para tubos e perfis. Mas Sommer diagnosticou também o consumo de outras linhas, como as de monorroscas para tubos, granulação e filmes. “Com o aumento do mercado de tubos de PEAD, ocorre uma elevação natural das vendas de monorroscas”, explicou Sommer.

Apesar de sua força e tradição estarem concentradas na injeção, o bom momento vivido pela indústria da construção civil incentivou a estadunidense Milacron a também querer uma fatia do mercado de extrusão. Por isso, decidiu apresentar a extrusora SPAK 150 aos visitantes da feira. Trata-se de uma monorrosca pequena para fabricação de tubos e perfis até 80 kg/h. “Estamos no começo dessa atuação, é tudo ainda novo para nós”, admitiu Hércules Piazzo, gerente comercial da unidade brasileira da Milacron.

Plástico Moderno, Brasilplast 2011 - Extrusoras - Cresce a oferta de alta tecnologia
Krauss Maffei expôs dupla rosca contrarrotante lançada na K

As linhas de extrusão da companhia são fabricadas nos Estados Unidos e exportadas para Brasil, China, Alemanha, México, Argentina, Peru e Chile, entre outros. A empresa, em 2008, possuía uma fábrica, na Áustria, onde produzia os modelos Cincinnati Extrusion. Quando decidiu vender a unidade, ficou acordado que não seriam comercializadas extrusoras no mercado brasileiro por um período. Com o fim do contrato, voltou a abastecer o país com esses modelos, mantendo o nome.

Os fabricantes nacionais também têm aproveitado essa alta nas vendas. O que já era bom, com a Brasilplast, ficou ainda melhor para a Miotto, fabricante de máquinas de São Bernardo do Campo-SP. Só Enrico Miotto, seu diretor, vendeu, em média, uma máquina a cada dia de feira.No total foram comercializados quatorze sistemas de extrusão. O ano já havia despontado de forma positiva para a Miotto. A empresa comercializou nos dois primeiros meses deste ano mais do que a média mensal do ano passado. E a referência impõe respeito: 2010 representou o melhor faturamento da companhia nos últimos dez anos.

Plástico Moderno, Enrico Miotto, Brasilplast 2011 - Extrusoras - Cresce a oferta de alta tecnologia
Miotto comemorou bom desempenho

Além das condições favoráveis da macroeconomia, a fabricante acertou ao mudar sua estratégia de atuação; redesenhou sua linha de extrusão e passou a fabricar muitas máquinas de uma só vez e não mais modelos únicos, como sempre fez. “Faço lotes de seis a dez máquinas por mês”, afirmou o diretor. Outra alteração diz respeito ao seu portfólio. “Nós reduzimos o custo das máquinas e melhoramos sua qualidade”, explicou Miotto. Por isso, o estande trazia uma amostra de toda a produção da empresa, com a exposição de diversos modelos, entre eles as já conhecidas monorroscas Economáquina e a Multifuncional. Um dos destaques era a dupla rosca contrarrotante EM-2R-G4 para granulação de PVC flexível; a produção estimada é de 2.200 mil kg/h.

As boas-novas para o mercado da construção civil endossam ainda as expectativas da fabricante de máquinas para tubos e perfis Extrusão Brasil, de Diadema-SP. A empresa aposta em aumento de vendas de 10% neste ano, em relação ao anterior. “A Brasilplast irá recuperar as perdas do início do ano, que estava retraído”, disse Leonardo Borges, do departamento de vendas técnicas da Extrusão Brasil. Confiante nessa ideia, a empresa levou para o Anhembi uma dupla rosca de 75 mm, para produção de até 600 kg/h de tubos e perfis de PVC. A máquina foi lançada no final do ano passado, mas já é destaque da marca, por conta de algumas particularidades. O acionamento se dá por dois motores, tornando o consumo de energia baixo, e garantindo menor desgaste das caixas de transmissão. “Evita-se a quebra do coração da extrusora”, apontou Borges. Além disso, em relação ao modelo anterior dessa mesma linha, o LD aumentou de 28 para 32.

Para o segmento de masterbatch e compostos plásticos, a EME Extruder, de Novo Hamburgo-RS, mostrou durante a Brasilplast uma dupla rosca corrotante, com a proposta de absorver a demanda ascendente do WPC. “Esse mercado vem crescendo muito”, apontou Vilson Mossman, diretor comercial da EME. Um diferencial da máquina diz respeito ao baixo consumo energético. Segundo Mossman, é possível reduzir em 21% o kW por tonelada de polímero produzido, por conta do motor elétrico de alta eficiência e da forma construtiva do redutor, de fabricação própria.

Plástico Moderno, Brasilplast 2011 - Extrusoras - Cresce a oferta de alta tecnologia
Estande da Miotto mostrou a EM-2R-G4 para granulação de PVC

Além de o modelo exposto estar de acordo com as atuais exigências dos transformadores, a decisão de levar uma máquina ao Anhembi revela o bom momento do setor. Desde 2007, a companhia bate recordes de faturamento e, segundo seu diretor comercial, neste ano pretende crescer no mínimo 20%, em relação a 2010.

A Coperion do Brasil levou para o estande a dupla rosca corrotante ZSK MC 18, um modelo fabricado com torque específico de 18 Nm/cm³m. Segundo o gerente de vendas Marcelo Albernaz, essa tecnologia, além de aumentar o coeficiente de segurança da máquina, inova com acessórios de alimentação e degasagem. A máquina produz de 0,5 kg/h até 40 kg/h, e atende aos pedidos das indústrias de compostos, plásticos de engenharia, masterbatches e tintas em pó.

Plástico Moderno, Leonardo Borges, Departamento de vendas técnicas da Extrusão Brasil, Brasilplast 2011 - Extrusoras - Cresce a oferta de alta tecnologia
Borges apresentou dupla rosca pra tubos e perfis

A escolha da máquina traduziu a percepção da Coperion sobre o mercado. Para Albernaz, os segmentos de master e compostos seguem um ritmo ascendente. “Estão sempre aquecidos”, comentou. Aliás, a fabricante estima ser responsável pelas vendas de 50% das máquinas para essas duas áreas. A visibilidade da feira também motivou a Coperion do Brasil a divulgar um novo dispositivo para medição de desgaste da zona de processamento da extrusora. O equipamento faz a medição a laser, eliminando a necessidade de desmontagem de toda a zona de processamento da máquina. Estar na Brasilplast rendeu bons resultados imediatos. Durante o evento, segundo Albernaz, a empresa faturou R$ 2 milhões.

A ADL, de Botucatu-SP, não apostou em novidades, mas sim no seu carro-chefe: a ADL 100, uma máquina monorrosca compacta, para produção de 350 kg/h. A fabricante apresentou uma linha para reciclagem composta por uma extrusora de 90 mm, com troca-telas hidráulico e sistema de corte direto na cabeça.

A ideia da empresa é seguir o seu ritmo de crescimento, que já é bom. Em relação a 2009, houve aumento nas vendas de 40%. Os incentivos propostos pelo Programa de Apoio ao Financiamento à Cadeia Produtiva do Plástico, o Proplástico, e a prorrogação do Finame-PSI – Programa de Sustentação do Investimento fizeram a diferença. De acordo com estimativa de Danilo Correia, diretor da ADL, cerca de 70% das vendas de 2010 se deram via esse financiamento. Não por acaso, o período foi o de melhor desempenho da companhia nos últimos cinco anos.

[toggle_simple title=”Eficiência energética na berlinda” width=”Width of toggle box”]

Nos estandes dos fabricantes de extrusoras, além das máquinas, chamavam a atenção os cartazes da WEG Equipamentos Elétricos. Banners anunciavam em números os ganhos energéticos dos modelos em funcionamento. Exemplos não faltam, sobretudo no mercado de extrusão de filmes balão. Um deles é o da Polaris Plus 60, da Carnevalli. O anúncio sinalizava uma redução de 33,84% da energia utilizada no processo. Na Rulli Standard, a máquina exposta prometia uma economia de mais de R$ 28 mil, durante um ano, por conta do baixo consumo de energia.

O cartaz ao lado da extrusora da HGR também informava benefícios, segundo o qual, em 365 dias, os transformadores poderiam economizar 82.684 kWh. A Magmar é outro caso. A empresa diz que foi a primeira a implantar (em 1997) um inversor de frequência na ventoinha do anel de ar de extrusoras. No estande da empresa, a WEG garantia a amortização do investimento em pouco mais de sete meses.

Não se trata de milagre ou qualquer coisa que o valha. O sistema Wmagnet conta com ímãs que geram seu próprio campo magnético sem a necessidade de indução de correntes. Eliminam-se as perdas no ferro e de Joule no rotor. Segundo a fabricante, o sistema, além do alto rendimento extra, oferece peso e volume menores, torque constante em toda a faixa de rotação, redução de ruído e vibração, e maior vida útil, entre outros. A solução não se restringe ao mercado de extrusão, pois pode ser aplicada em outros segmentos, como injeção e sopro.

Fundada há 50 anos, a WEG tem fábrica em Jaraguá do Sul-SC, e conta com filiais em 28 países. Hoje atua como fabricante de motores elétricos e também de equipamentos para automação industrial, controle e proteção, transmissão e distribuição de energia e pinturas industriais. A parceria da WEG com os fabricantes de máquinas é de longa data e cada vez mais estreita. “As vendas de motores e de sistemas de automação vêm crescendo”, afirmou o chefe de vendas e aplicações da WEG, Marcos Roberto Ferreira dos Santos. Mas mesmo assim a aceitação do sistema ainda esbarra nos transformadores, que não demonstram interesse em investir na eficiência energética das máquinas. “A ideia ainda não foi comprada pelos plastiqueiros”, lamentou.

[/toggle_simple]

 

Conforme Correia antecipou, no segundo semestre, a ADL irá somar ao papel de fabricante de máquinas, o de transformador. A empresa passará a injetar peças feitas com compostos de fibras de coco, bambu, casca de arroz e afins. “Queremos diversificar o negócio, e esse é um filão interessante”, argumentou Correia.

Os expositores estão confiantes na abertura do mercado. Uns querem renovar o portfólio, outros simplesmente divulgar o que de melhor sabem fazer; e participar da terceira exposição mais importante do setor confirmou ser uma boa ideia.

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado.

Adblock detectado

Por favor, considere apoiar-nos, desativando o seu bloqueador de anúncios