Brasilplast 2011 – Corte e Solda – Máquina nacional sai na frente e ganha preferência do transformador

Com o mercado a todo vapor e (quase) sem concorrência externa, fornecedores trazem ofertas mais competitivas e oferecem alternativas para os clientes preocupados com a inevitável diminuição do consumo de sacolas plásticas.

Plástico Moderno, Maristela Simões de Miranda, Diretora comercial da Maqplas, Brasilplast 2011 - Corte e Solda - Máquina nacional sai na frente e ganha preferência do transformador
Segundo Maristela, as taxas de juros estão bastante atraentes

Assim como os demais participantes da 13ª Brasilplast, os fornecedores de equipamentos de corte e solda tiveram muito o que comemorar: mercado aquecido desde fins de 2010, graças a incentivos como o do Finame, muitos contatos e negócios foram fechados. “O clima de investimentos foi infinitamente maior que em 2009. Há dois anos havia a falta de capital e receio quanto ao futuro do país diante da crise mundial”, relembrou Maristela Simões de Miranda, diretora comercial da Maqplas, de Osasco-SP, expoente do mercado interno que também exporta cerca de 40% de sua produção para Europa e Américas. “Não notamos clientes preocupados quanto aos valores das máquinas nem em relação a taxas de juros, que estão bastante atraentes.”

Em número reduzido, quem expôs durante a feira saiu na frente também pela ausência de alguns fabricantes nacionais e estrangeiros. “O mercado de corte e solda não é tão grande quanto o da injeção. Mas não podemos dizer que existam poucos fornecedores. Além disso, a tendência são os filmes técnicos e nem toda a extrusão segue para corte e solda”, completou a diretora.

Nesse segmento, nem mesmo a concorrência chinesa parece incomodar os fabricantes nacionais – pelo menos não diretamente. “Não sofremos concorrência, uma vez que o produto nacional é o preferido, em termos de qualidade, tecnologia e assistência técnica e pós-venda”, explica Maristela. “Mas, com o dólar baixo e mesmo sem interesse nas máquinas estrangeiras, muitos clientes utilizam o preço dos chineses como referência na hora de negociar. E isso também gera uma guerra de preços entre os fabricantes locais”, avaliou. “Mesmo assim foi um excelente evento para todos.”

Em meio a um panorama otimista, apenas um fantasma pairou sobre o segmento: a questão das sacolinhas plásticas distribuídas gratuitamente nos supermercados, cuja proibição já acontece em algumas cidades brasileiras e deve se estender ainda mais por conta das preocupações com o meio ambiente.

Polêmicas à parte, essa é uma realidade que deve afetar não só os fabricantes desse tipo de embalagem. Daqui para frente, eles terão que conviver com a queda do consumo e, mais do que nunca, buscar alternativas de produção para preencher o grande vazio deixado por esse nicho. Diretamente, a questão também pode atingir – talvez não em um primeiro momento – o fabricante das máquinas para essa finalidade. “Não é uma questão de equipamentos, mas do que vai acontecer com o mercado da sacola plástica. 90% dos meus clientes trouxeram esse desabafo para a feira”, avaliou a diretora. “Só saberemos o que vai acontecer quando os supermercados passarem a cobrar pela embalagem.”

Com a questão das sacolas de supermercado em pauta, os fabricantes não apresentaram grandes novidades além de linhas já conhecidas para a produção desse tipo de sacola, mas não deixaram de investir em máquinas destinadas a embalagens mais sofisticadas ou específicas. A Maqplas, por exemplo, destacou a NCS 800 SLH, já produzida pela empresa. O equipamento, para fabricação de sacolas com alças flexíveis, vem com diversos itens como reforço de abas por solda contínua a tambor, suporte de bobina com alinhador automático, desbobinador com controlador de tensão por ultrassom, dobradores com cabeçotes circulares, balancim e fita teflon para reduzir o atrito entre cabeçote e o filme. Para a feira ainda recebeu mais servomotores. “Com novos conceitos eletrônicos e mecânicos, a produtividade do modelo aumentou em torno de 20%”, informou a diretora.

Aliás, oferecer máquinas mais produtivas e com tecnologia avançada também foi o mote do estande das Máquinas Santoro, de São Paulo. A empresa aprimorou a série de máquinas CS, todas dotadas de cabeçote de solda lateral para PE e conjunto fotoelétrico para material impresso. Na feira, o destaque ficou por conta da CS-500 Digital, que, assim como a CS-600 (com cabeçote de solda fundo e beira lateral), é destinada para altas capacidades. Mais compacto, o equipamento produz 500 saquinhos pequenos (35 mm a 150 mm) por minuto e opera com PEAD, PEBD, PP, PE linear e BOPP, além de resinas oxibiodegradáveis.

De acordo com Hermes Rossi, engenheiro de aplicação, a empresa vem investindo cada vez mais no sistema de automação das máquinas com produtos da LG, o que proporciona telas com mais informações para o operador. “Além do sistema digital, a CS-500 recebeu na parte mecânica um sistema de balancim pneumático para aumentar a produtividade e diminuir a interação homem-máquina”, explicou. A empresa também produz modelos para embalagens maiores (CS-800, CS-1000 e CS-1100) que atingem velocidade de 380 golpes por minuto.

Plástico Moderno, Brasilplast 2011 - Corte e Solda - Máquina nacional sai na frente e ganha preferência do transformador

Além das boas taxas de juros que devem alavancar a compra de equipamentos, Rossi apontou a alta procura de clientes da América Latina, especialmente Chile e Equador, por essas máquinas mais competitivas. “Esses fatores combinados devem proporcionar um crescimento em torno de 5% a 8% neste ano”, avaliou.

Sacoleiros buscam outras opções – O gerente industrial Luiz Fernando do Valle Sverzut, da Hece, de São Carlos-SP, também se mostrou bastante satisfeito com o movimento do estande e, principalmente, com os negócios fechados. “Em princípio, não pensávamos que a feira seria tão promissora, ainda mais porque viemos de um ano muito bom graças aos incentivos do Finame, que permitiram aos clientes a aquisição de máquinas novas recentemente”, disse o gerente.

Sverzut também destacou a preocupação dos produtores de sacolas com a diminuição do consumo desse tipo de embalagem por conta das novas leis. “Muitos já começam, a partir de agora, a buscar outros mercados, como a produção de sacos de lixo”, adiantou. Para ampliar a oferta de máquinas a esses transformadores, a Hece apresentou o modelo SC 700 FR III para a produção de sacos de fundo redondo, destinados ao empacotamento de aves. “Apesar de não fazer parte dos planos iniciais de trazer o equipamento para a feira, o modelo também chamou a atenção justamente desses produtores de sacolas em busca de novas alternativas”, comemorou o gerente. O equipamento padrão, com CLP ou CNP, possui motores auxiliares controlados por conversores de frequência e sistema fotoelétrico para material impresso, além de itens automatizados como desbobinador e triângulo dobrador com alinhador. Como opcionais, pode contar com cabeçote de solda lateral PE ou PP e triângulo dobrador com alinhador eletrônico.

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No entanto, o principal destaque da Hece para o segmento de corte e solda foi o modelo SCW 700 II para a fabricação de sacos para pão de forma (processo wicket). Já existente no portfólio da empresa, o equipamento, que produzia de 150 a 250 unidades por minuto, agora ganhou oito servomotores, ampliando sua capacidade para 350 saquinhos por minuto. O empilhador wicket, com cinco estações, vem com timão incorporado e os ajustes são feitos por servomotor na transversal e longitudinal. O desbobinador tangencial conta com sistemas automáticos para o ajuste das abas e o posicionamento da bobina. “Para atender a esse exigente mercado insatisfeito com as máquinas chinesas, desenvolvemos uma máquina extremamente veloz e produtiva a preço competitivo”, explicou Sverzut.

Para o gerente, o bom resultado da feira, com negócios e consultas acima do esperado para todas as máquinas apresentadas, tem a ver com a postura assumida pela Hece durante a última crise: “Buscamos oportunidades com base nas necessidades de nossos clientes.”

A Polimáquinas, de Bauru-SP, também fez do evento a vitrine ideal para mostrar os novos equipamentos que farão parte de seu portfólio. De acordo com Clovis Barbosa, gerente comercial, nos últimos dois anos a empresa aproveitou para ampliar a linha e investir em equipamentos que ainda faltavam em seu catálogo de fornecedor para o mercado de corte e solda, sempre com motores mais econômicos, uma exigência constante entre os transformadores. “O mercado brasileiro tem bastante oferta, tanto que é difícil alguém se interessar pelas máquinas estrangeiras, mesmo com o dólar mais baixo. Nesse segmento, pelo menos a concorrência das máquinas chinesas não existe”, comparou.

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O mais importante lançamento, de acordo com Barbosa, foi a máquina Alçaflex para a produção automática de sacolas de alças flexíveis. “Foi um sucesso absoluto, antes do lançamento oficial aqui na feira”, afirmou o gerente. De acordo com Rossi, bem antes de o evento chegar ao fim, já havia vendido quatro unidades desse modelo graças à boa produtividade: a Alçaflex chega a 80 golpes por minuto das chamadas “sacolas de shopping”, mais sofisticadas, tanto de PEBD quanto de PEAD. No total, foram comercializados 11 equipamentos, divididos entre os diferentes modelos expostos no estande. “Tivemos grande procura de compradores da América Latina, especialmente nos primeiros dias.”

A empresa também explorou as vantagens da Multisac, máquina automática lançada no ano passado para sacos de PEAD e PEBD com solda de fundo, em duas larguras úteis de solda (1.100 mm e 1.300 mm), para a fabricação, por exemplo, de sacos de lixo. Com potência elétrica de 20/25 kva e disponível nas versões 1100 SF e 1300 SF, o equipamento pode atingir 150 c.p.m. (ou 115 m/min) e contar com desbobinador com freio pneumático e mesa de empilhamento fixa como itens opcionais. Outro destaque ficou por conta da Polisac nas versões 700-CSFR e 700-CS, equipamento automático para sacos com solda de fundo redondo que alcança velocidade de 300 c.p.m. (ou 65 m/min.)

A Brasia, de São Paulo, importadora e exportadora de máquinas diversas, com escritórios na China, Hong Kong e Estados Unidos, destacou entre seus produtos para corte e solda a sacoleira de TNT (tecido não-tecido). “A sacola de polietileno não deve acabar, mas a proibição em alguns lugares deve abrir espaço para outros materiais, incluindo o TNT”, explicou Christopher Mendes, sócio da empresa. “Tanto que o equipamento teve grande aceitação por se tratar de uma alternativa para quem produz sacola plástica.” Só na feira, de acordo com Mendes, foram vendidas cinco unidades. A máquina tem capacidade para produzir de 30 a 60 sacolas por minuto.

Além da sacoleira de TNT, a Brasia também expôs uma máquina de corte e solda para saquinhos com larguras menores, utilizados como embalagens para talheres, sorvetes, iogurtes e hashis, que pode operar com PE, PP e BOPP.

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