Brasilplast 2011 – Commodities – O verde deu o tom ao setor

A ala reservada às resinas fortaleceu nesta edição da Brasilplast as tendências sem volta para os ecoprodutos, com ênfase para as rotas de obtenção de fontes renováveis. O conceito de sustentabilidade ganhou tons mais fortes no pavilhão de exposições do Anhembi. Esta feira também marcou a maior expressão e imponência de algumas empresas, refletidas em dimensões e posições estratégicas de seus estandes.

O estande de 2 mil m² da Braskem não opunha dúvidas quanto ao seu cacife industrial no país: sozinha, comporta uma produção superior a sete milhões de toneladas anuais das principais resinas commodities (PE, PP, PVC e EVA).

O fato é que a consolidação da petroquímica brasileira que hoje carrega o nome Braskem tem sobrenome de peso internacional (Petrobras), massa muscular e fôlego competitivo para enfrentar a forte concorrência global. Quem andou pelos corredores da Brasilplast captou essa impressão ante o seu megaestande, onde o mote foi inovação. “Sob essa ótica, focamos três pilares dentro da unidade de polímeros: a diferenciação de produtos; o desenvolvimento de novas aplicações, com substituição de materiais sucedâneos; e competitividade e custos”, informou o diretor de inovação e tecnologia para polímeros Patrick Teyssonneyere. No entender dele, a diferenciação e o desenvolvimento carregam a intenção prioritária de gerar para os clientes maior competitividade.

O lançamento de 16 novos grades de polietilenos e polipropilenos confirma o posicionamento estratégico da produtora de resinas. Em paralelo aos lançamentos, e em acordo com o segundo pilar, a empresa divulgou casos de aplicações e produtos desenvolvidos recentemente: ideias que deram certo e podem ser comprovadas e replicadas.

O diretor de tecnologia destaca esses novos polímeros. Alguns, por serem particularmente desenhados por rotas tecnológicas diferenciadas, conseguem oferecer propriedades especiais. Entre os polipropilenos, mereceram essa lembrança o CP 393, um copolímero voltado para o mercado de compostos, e o CP 270R, endereçado à produção de baldes industriais e contêineres. Ao primeiro, Teyssonneyere imputa como principal qualidade o gap zero. Ou seja, o produto assegura baixíssima contração sob alto impacto. Atende em especial a formulações para uso em para-choques. O outro, um copolímero heterofásico, além de oferecer toda uma balança de propriedades melhoradas ainda exibe índice de fluidez superior em relação aos grades antecessores, sinônimo de ganhos no processamento.

A relação dos novos polipropilenos ainda inclui outro copolímero heterofásico, este desenhado para o mercado de compostos. Denominado CP 286, assegura elevada resistência ao impacto com maiores rigidez e fluxo. O produto oferece um bom balanço de propriedades mecânicas e alto índice de fluidez, com baixo VOC (a isenção de voláteis elimina odores), propício para aplicações como painéis e para-choques.

Outro novo grade de PP saiu dos reatores para atender às solicitações de maior produtividade por parte da transformação. Trata-se do CP 100, um copolímero heterofásico de altíssima fluidez (sinônimo de maior facilidade no preenchimento do molde e, portanto, ciclos mais rápidos) associada a um ótimo balanço de rigidez e impacto. O produto também oferece baixo teor de VOC e excelentes propriedades organolépticas.

Copolímero heterofásico de alto índice de fluidez e elevada resistência a impactos, o CP 191XP foi desenvolvido para a injeção de embalagens rígidas de paredes finas e ciclos rápidos. Para peças técnicas destinadas à produção de eletrodomésticos e eletroportáteis, a empresa lançou o H 201HC. Desenhado com cristalinidade e rigidez elevadas, o produto suporta mais exigências termomecânicas e possui uma resistência diferenciada ao risco.

Para as utilidades domésticas, a nova opção propõe a maior transparência conferida pela resina Prisma 1410, copolímero randômico de elevado índice de fluidez para injeção de peças e embalagens. O grade H 155 encerra as novidades feitas de PP. Produto de elevada fluidez, o novo polímero atende o segmento de não tecidos com desempenho superior, em relação ao antecessor (o H 152), na formação da camada de barreira obtida pelo processo meltblown.

A lista de novidades nos polietilenos se compara em número aos polipropilenos e Teyssonneyere igualmente destaca dois grades por suas rotas tecnológicas diferenciadas: o Pluris 6301 e o Flexus 9212XP. O primeiro, acrescido à família dos quaterpolímeros, foi desenhado para atender em particular o mercado frigorífico e combina melhor processabilidade, selagem e alongamento com baixo nível de bloqueio e teor de géis.

O novo Flexus, por sua vez, da linha de resinas de base metalocênica, destina-se ao mercado de laminados de alto desempenho. O seu diferencial consiste em manter mais estáveis os valores de Coeficiente de Fricção Cinético (CoF) após as etapas de laminação, transporte e estocagem das bobinas. A formulação inovadora foi patenteada pela Braskem.

Entre as outras novidades, a resina HS4506 é indicada para a produção de tanques de combustível automotivos e de tubos de enchimento e de reservatório de partida a frio. Já a HS4506A, com aditivação para garantir maior resistência à radiação ultravioleta e a intempéries, supre as necessidades da produção de tanques de combustível para caminhões e segmento de reposição de autopeças.

Um diferencial significativo de desempenho de propriedades mecânicas constitui as vantagens dos novos polietilenos bimodais BU004W e BS002W, ambos endereçados ao segmento de embalagens sopradas.

O BS002W propicia redução de peso, mas mantém as propriedades de empilhamento e ainda oferece ótima resistência ao stress cracking – características que o indicam para embalagens de produtos tensoativos. A resina BU004W também reduz o peso dos frascos sem perdas nas propriedades de empilhamento e se destaca por sua densidade elevada. Outro grade formulado com um pacote de aditivos, o BU004 confere melhores propriedades ópticas e acabamento superficial.

O sopro de bombonas agora conta com a opção do novo HS5010, um polietileno de alta densidade e alto peso molecular com ótima processabilidade e excelente resistência ao impacto sob baixa temperatura. Atende em especial às exigências de embalagens para produtos químicos e agroquímicos.

Reduto do polietileno de baixa densidade convencional, o segmento de fios e cabos foi contemplado com o TC9008, um composto à base de PEBD pigmentado com negro de fumo. Seus diferenciais são: alta produtividade durante a extrusão, acabamento, alta flexibilidade, elevada resistência sob baixa temperatura e proteção contra intempéries.

“Montamos uma base operacional para que os executivos da Braskem pudessem realizar negócios, atender e receber bem os clientes, que também trouxeram os seus clientes”, disse Teyssonneyere, que acha a feira oportuna para perceber tendências. Ele observou maior preocupação do transformador pelo menor consumo de energia, o que deve se traduzir em resinas que possam ser processadas sob temperaturas menores. A redução de peso e espessura de embalagens e peças também tende a se acentuar.

Plástico Moderno, Carlos Fadigas, Presidente da Braskem, Brasilplast 2011 - Commodities - O verde deu o tom ao setor
Fadigas se queixou de blecaute que forçou uma parada não programada

Hora para balanço – Como na edição passada da Brasilplast, a Braskem aproveitou o evento para divulgar os resultados do primeiro trimestre do ano. Embora a produção da Braskem América tenha registrado alta de 9% sobre o mesmo período de 2010, o desempenho de janeiro a março de 2011 foi prejudicado por paradas não programadas no polo da Bahia e no de Alagoas, forçadas por uma interrupção no fornecimento de energia elétrica no mês de fevereiro, com prejuízo de R$ 230 milhões. “O corte na energia ocasionou problemas técnicos nas unidades de PVC e obrigou uma parada não programada para reparos”, explicou o presidente da empresa, Carlos Fadigas.

Em comparação com o último trimestre do ano passado, as vendas domésticas de poliolefinas (PE e PP) encolheram 12% de janeiro a março deste ano (caíram de 745 mil t para 656 mil t), retração justificada por Fadigas no desaquecimento da demanda brasileira. O negócio de PVC também apresentou desempenho negativo, afetado pelos problemas técnicos e parada não programada para manutenção. Relacionando igualmente os primeiros três meses de 2011 aos últimos três de 2010, as vendas internas de PVC da Braskem contraíram 18% (de 130 mil t para 106 mil t).

Por outro lado, os preços das resinas se mantiveram em processo de alta no mundo, acionado pelas demandas aquecidas das economias emergentes. A reação a esse cenário, como observou Fadigas, levou à “desestocagem” da cadeia e ao freio nas compras.

O presidente da Braskem ressaltou os planos de expansão de capacidade de PVC com nova planta de 200 mil toneladas anuais em Alagoas, prevista para entrar em operação em maio de 2012; e o projeto integrado no México – Etileno XXI (ver PM nº 437, de março de 2011, pág. 44; e PM nº 438, de abril de 2011, pág. 30). Além disso, anunciou a abertura de um escritório da empresa na Ásia (em Cingapura), ainda em maio deste ano, para prospectar novas oportunidades na região.

Clima de celebração – A semana da Brasilplast teve para a Dow um viés especial: marcou a comemoração do seu 15º ano de atuação no mercado brasileiro de polietilenos. “Queremos reafirmar nossa presença no país”, declarou o diretor de vendas de plásticos, Nestor de Mattos, enfatizando a aposta da empresa desde o início no potencial de crescimento e na capacidade brasileira de agregar diferenciais. O diretor menciona como exemplo os polietilenos de catálise metalocênica e os lineares de base octeno, reconhecidos no mercado como referenciais de inovação e bem-aceitos na transformação brasileira.

Plástico Moderno, Brasilplast 2011 - Commodities - O verde deu o tom ao setor
Nova embalagem tem estrutura patenteada

Prova desse crédito, a Dow inaugurou em Jundiaí-SP, dias antes da Brasilplast, um centro de desenvolvimento de aplicações, fruto de um investimento de US$ 6 milhões. Mattos abre o espaço para clientes conhecerem novas tecnologias e soluções inéditas para seus mercados. “Reafirmamos nosso histórico de inovações e de agregar diferenciais aos clientes.”

Nesse contexto, Mattos anuncia a entrada em um novo segmento de atuação: o fornecimento de know-how para a produção de uma embalagem stand up pouch reciclável. Para o diretor, além do apelo ecológico, o produto ainda oferece custo competitivo com os pouches convencionais.

Diferentemente da atuação costumeira da empresa, neste caso o produto não é uma resina e sim uma estrutura (patenteada) 100% de polietileno, com rigidez comparável à multimaterial. “O que era um grande desafio”, consente.

A estrutura desenvolvida confere ao filme resistência ao impacto e à perfuração; “maquinabilidade”, para a conformação do pouch; e selagem. O novo negócio atende o mercado de refis em indústrias como alimentos, cosméticos e tintas, entre outras.

A ampliação de horizontes ainda vai além, como indica Mattos ao anunciar novidades também para o segmento de rígidos, com um portfólio de resinas que promete agregar diferenciais e inovações aos produtos dos transformadores, com destaque para a indústria de tubos. “Além de atender a alguns gaps do mercado, também traz novas opções para a indústria”, considera.

Plástico Moderno, Nestor de Mattos, Diretor de vendas de plásticos, Brasilplast 2011 - Commodities - O verde deu o tom ao setor
Mattos comemora a superação de desafios em lançamento de pouch

Um PE de alta resistência térmica (PE-RT) chega para concorrer com o cobre, o polietileno reticulado (PEX) e com o polipropileno em tubulações para distribuição de água quente e fria em imóveis com variados sistemas de aquecimento. Ainda visa a atender às aplicações industriais. Copolímero de etileno/octeno-1 com estrutura molecular única, o novo grade (PE-RT 2388) possui uma distribuição em cadeia lateral controlada, responsável por propriedades notáveis de resistência química sob tensão, combinadas com força hidrostática de longo prazo.

O mercado de tubos de pressão também foi contemplado. Para este segmento, a Dow desenvolveu um PE bimodal (Continuum DGDA 2490 BK GL) destinado à produção de tubos PE 100. O produto resulta da tecnologia Unipol II, processo da Dow de gas phase com dois reatores em série.

Composto amarelo livre de cádmio classificado como PE 80 (resistência à tensão acima de 8 Mpa), o novo grade (Dow 8818 YL CF) confere excelente estabilidade a intempéries e alta resistência à degradação durante o processamento de tubulações destinadas ao mercado de distribuição de gás natural.

Até o mercado agrícola se beneficiou: ganhou versões próprias para a produção de tubos para irrigação, as resinas DFDA-7512NT e DFDC-7525NT. A primeira, um polietileno linear de baixa densidade, resiste à fissura por tensão (stress cracking) e ao estouro e possui boas características de extrusão. PE de média densidade fruto do processo Unipol, a outra combina estiramento, processabilidade e tenacidade, associados com boa resistência contra fissura sob tensão.

A linha direcionada para o segmento de sopro, toda ela composta por polietilenos de alta densidade bimodais, agora inclui um grade inovador da segunda geração que alia rigidez e resistência ao ataque químico superior aos polietilenos convencionais. O desenho bimodal de pesos moleculares capacita a resina a apresentar esses balanços de propriedades mais generosos. O segredo está na tecnologia de catálise. A Dow denominou essa segunda geração de Continuum EP.

“Quanto mais rígido o polímero, mais suscetível ao ataque químico, mas esse material consegue combinar as duas propriedades”, explica Mattos. O transformador faz a mesma embalagem com menos resina. Ganha no custo, na leveza do material e ainda se insere no contexto de sustentabilidade (redução de matéria-prima). Mesmo com menor espessura, a embalagem suporta igual carga vertical. Além disso, resiste mais à quebra sob tensão ambiental, fato que permite incorporar até 50% de material reciclado sem prejuízo nas propriedades da peça.

Filmes industriais esticáveis (stretch), termoencolhíveis (shrink) e stretch hood (utilizado em um tipo de encamisamento) para unitização de produtos têm agora novas opções de resinas, todas arquitetadas com o propósito de reduzir espessura sem perda e em certos casos até ganho de propriedades. Todas derivam da tecnologia Elite de polimerização por catálise metalocênica. Para o segmento de termoencolhíveis, a Dow elaborou o novo Elite AT XUS 59999.18, um pós-metaloceno linear de baixa densidade com um mix de propriedades que inclui processabilidade, boa estabilidade de balão, excelentes propriedades ópticas e alta resistência à perfuração. Esse balanço possibilita formulação rica de polietileno linear e se traduz em menor espessura e propriedades mecânicas superiores à estrutura com alto teor de baixa densidade convencional.

Para unitização por stretch hood, a Dow criou outro pós-metaloceno linear de baixa densidade, o XUS 59999.02, cujo conjunto de características abrange excelente resistência mecânica, boas propriedades ópticas, recuperação elástica e força de retenção de carga. “Os metalocenos permitem desenhos para os vários extremos e esse grade foi desenhado para elevar a sua força de retenção; sua propriedade de retenção supera até a do EVA e oferece a oportunidade de uma estrutura única, monomaterial”, sugere Mattos. Ele também anuncia nova resina com balanço de propriedades superior para produção de filmes mais finos e resistentes para o mercado de stretch.
Os lançamentos da Dow alcançam outros segmentos. Para embalagens especiais e para alimentos, traz nova formulação específica para reduzir o consumo de energia durante o seu processamento, oferecer maior velocidade nas máquinas e diminuir a espessura dos filmes.

Nesse rol de lançamentos, um grade de PE bimodal especial para aplicação em tampas e sistemas de vedação possui grau organoléptico e resistência à propagação de fissuras quando submetido à pressão, propriedades que conferem às tampas feitas com esse material capacidade de resistir à pressão constante que o gás da bebida exerce sobre elas. O objetivo, segundo Mattos, é oferecer um conceito 100% reciclável: possibilidade de produzir tampas monomateriais em substituição às de duas peças, com exterior de PP e um disco de vedação de EVA.

Até mesmo a área da saúde foi contemplada. A Dow trouxe pela primeira vez para o Brasil sua família de polímeros Health+, composta por polietilenos de baixa densidade, em densidades variadas voltadas a aplicações diferenciadas. Os produtos suprem a transformação pelo processo sopro-enchimento-selagem (blow-fill-seal ou BFS) e suportam temperaturas de esterilização até 110ºC em diferentes técnicas (vapor, óxido de etileno e gama), e ainda oferecem benefícios como ampla janela de processamento, claridade e transparência excelentes e alta flexibilidade.

 

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