Brasilplast 2011 – Commodities – Distribuição – Mostra exibe um varejo forte

A força da distribuição pode ser medida em números. De um total de 11.465 transformadores de plástico, cerca de oito mil são atendidos por fornecedores varejistas de resinas. Em volume, representa cerca de 10% do consumo brasileiro total de commodities (estimado em 5,6 milhões de toneladas, em 2010). No ano passado, a distribuição comercializou 509 mil toneladas de resinas e faturou da ordem de R$ 2,5 milhões.

Plástico Moderno, Laercio Gonçalves, Brasilplast 2011 - Commodities - Distribuição - Mostra exibe um varejo forte
Estratégia de Gonçalves inclui atrair distribuição de plásticos especiais

Responsável pelo levantamento desses números, a entidade representativa do setor – Associação Brasileira dos Distribuidores de Resinas Plásticas (Adirplast) – compareceu à feira para divulgar o plano estratégico da nova gestão (2011/2012), presidida por Laercio Gonçalves, da Activas, que traz na pauta metas de ampliar no curto prazo – leia-se, ainda no primeiro ano – o número de associados, dos atuais 14 para mais de vinte. A ideia é angariar para sua base também os distribuidores de resinas de engenharia, além de abrir espaço para segmentos, como o de distribuidores de BOPP (polipropileno biorientado), masterbatches, e aditivos, entre outros projetos de crescimento e fortalecimento da entidade e de toda a cadeia. “Estamos trazendo novas empresas que representam especialidades e também distribuidores oficiais de produtos importados”, comemorou Gonçalves.

O presidente da Adirplast traçou algumas diretrizes estratégicas que pretende cumprir em seus dois anos de gestão: fortalecer a distribuição; apoiar os associados por meio de treinamentos e palestras, entre outras medidas; empreender um projeto de autorregulamentação; levar adiante o processo de consolidação; promover a internacionalização, por meio de contatos com entidades de outros países; e divulgar a sustentabilidade do plástico.

Com novo prestígio, redesenhada no mapa nacional de resinas, mais madura e profissional, a distribuição compareceu em peso à feira. Esse mercado iniciou 2011 já em novos moldes: atuação independente e responsável pelo abastecimento da indústria de transformação sem cacife para compra em alta escala. Os novos contornos do varejo denotam ainda outra tendência: a da distribuição com abrangência nacional (leia a edição nº 436 de Plástico Moderno, fevereiro, pág. 28).

Esse foi o foco da Sasil na feira, ocasião aproveitada para divulgar suas três marcas: Sasil, Varient e Triflex (adquirida de uma empresa baiana). “Com elas conseguimos atingir todo o território nacional”, comemorou Bruno Carmelo, do marketing corporativo. Além de divulgar seu nome associado à rede oficial da Braskem, a Sasil também destacou a bandeira da Inova (poliestireno) e procurou consolidar na Brasilplast o produto de outra bandeira sob sua responsabilidade, a Eastman, de quem distribui uma especialidade: o copoliéster.

Outra parcela da Varient foi aglutinada à Piramidal, que igualmente ganhou acesso nacional com o negócio e focou nesse mote sua participação na feira. “A Piramidal teve como principal finalidade a aproximação de seus clientes e fornecedores, agora em todo o Brasil, recebendo e apresentando toda a sua equipe”, reforçou o diretor Wilson Donizetti Cataldi, que considera a Brasilplast o melhor evento para relacionamento e prospecção de novos negócios. Nas contas dele, sua carteira envolve mais de 5 mil clientes anuais, para os quais dispõe de centros de distribuição em Pernambuco, São Paulo, Paraná e Rio Grande do Sul.

Para a Activas, que também saiu fortalecida com o rearranjo do mercado de resinas ao incorporar a Unipar Comercial no final do ano passado, a presença na Brasilplast deste ano objetivou replicar um feito conquistado em 2009. A exposição daquele ano rendeu à Activas a expansão do número de clientes ativos de mil para 2.500, de uma carteira hoje estimada em 6.500 nomes. “A meta é repetir a dose e ampliar em 15% a nossa carteira de clientes ativos”, informou o presidente da empresa, Laercio Gonçalves.

Disposto a manter posição entre as melhores distribuidoras do país, ele disse ter mantido, após a consolidação, departamentos fundamentais, como desenvolvimento e regionalização; e investido na abertura de filiais em todo o país; na sua logística, apta a entregas just in time, em tempo inferior a dez horas; e em sua frota própria, composta por 25 caminhões, de um total de 35 veículos. “Nosso foco é o relacionamento e a fidelização do cliente.”

De porte não tão expressivo quanto Activas, Piramidal ou Sasil (todas distribuidoras oficiais da Braskem), a Mais Polímeros surpreendeu e deu mostras do seu fortalecimento em um amplo estande situado ao lado da Braskem, de quem também é uma das distribuidoras oficiais. Para Daniela Dias Janota Antunes Guerini, a diretora da empresa, estar ao lado da petroquímica é “compartilhar uma nova forma de ver o mundo”.

A presença na feira representou para a executiva a confirmação da Mais Polímeros em nova fase de sua história. “Fortaleceu os laços estratégicos com as duas maiores petroquímicas nacionais, como distribuidora oficial da Braskem para PP, PE e EVA, e da Unigel para poliestireno, e ratificou que a empresa está preparada para crescer e desenvolver novos clientes e mercados.”

Entre os bons resultados da exposição, Daniela ainda ressaltou diversos contatos com potenciais parceiros internacionais para aumento do portfólio de produtos e representação comercial para além do Brasil, na América do Sul.

Plástico Moderno, Rogério Tadiotto, Diretor, Brasilplast 2011 - Commodities - Distribuição - Mostra exibe um varejo forte
Investimentos de Tadiotto agora contemplam a produção de compostos de engenharia que atendem a diversos setores do mercado

Negócios redirecionados – A Fortymil marcou presença na feira como mais um dos distribuidores mantidos na rede oficial da Braskem. “Estamos contentes por termos permanecido entre os poucos selecionados”, resumiu o diretor Ricardo Mason, que também aproveitou a ocasião para divulgar os investimentos em sua área industrial, dedicada à reciclagem, e que foi contemplada com uma estrutura separada. “Gerência e estruturas separadas permitem dar o foco específico que cada área de negócios necessita”, ponderou. As mudanças ainda resultaram na atualização do parque fabril e investimentos em laboratório e pessoal técnico.

Distribuidora oficial da Bayer (poliuretano termoplástico – TPU) e da Basf (PC e blenda PC/ABS) e revendedora da Dupont (toda a linha de plásticos de engenharia), a Petropol participou pela terceira vez da Brasilplast com a finalidade de fixar sua marca no mercado. “A feira é interessante para reunir todos os representantes de diversas filiais e reunir clientes de várias regiões”, justificou o diretor Rogério Tadiotto.

A empresa já teve forte atuação no varejo de resinas, hoje, porém, esse negócio representa da ordem de 30% das atividades. Os outros 70% correspondem à produção de compostos, baseados em plásticos de engenharia. Os investimentos anunciados na feira foram direcionados a esse ramo de negócios, que teve sua capacidade duplicada, subindo para 1.400 toneladas mensais.

Plástico Moderno, Brasilplast 2011 - Commodities - Distribuição - Mostra exibe um varejo forte
Prando vai distribuir a nova linha de BOPP que a Videolar produzirá

A divulgação da marca também norteou as presenças da Replas e da Total Polímeros, que possuem em comum operações com as resinas commodities da Sabic e da Petroken (Lyondellbasell). “A feira gera negócios e muitos contatos”, comentou o diretor da Replas Marcelo P. Prando, também distribuidora autorizada da Videolar e da Petroquímica Cuyo. Sua exposição teve por principal foco divulgar antecipadamente a distribuição do BOPP da Videolar, produto previsto para entrar no mercado até o final do ano. Com centro de distribuição localizado em Itajaí-SC, a empresa marca maior atuação nos estados do RS, SC, PR, SP e RJ.

Plástico Moderno, João Rodrigues, Gerente de negócios, Brasilplast 2011 - Commodities - Distribuição - Mostra exibe um varejo forte
Rodrigues anuncia diversificação e aposta na produção de compostos

Há três anos no mercado, a Total Polímeros concentra seus negócios em produtos importados e nas commodities. “Nossa proposta é vender com qualidade, não em quantidade”, ressaltou o diretor Edilson Azeituno. Autorizada Sabic e Petroken, compareceu à Brasilplast a fim de consolidar sua marca no mercado e reunir os clientes. “A feira foi excelente”, resumiu.

Surpresa – Parceira da Dupont de longa data, a Thathi Polímeros anuncia uma reviravolta ao mercado: abandonou a condição de distribuidora autorizada para assumir a revenda de toda a linha de plásticos de engenharia da Dupont. A empresa também apresentou ao mercado a incorporação de novos parceiros: a Basf (acetais copolímeros) e a japonesa Toray (também acetais copolímeros e PBT). A Thathi também comercializa ABS, PC e poliamidas de alguns fabricantes asiáticos.

O gerente de negócios João Rodrigues ainda reservou outra novidade para os visitantes da feira. Resolveu diversificar os negócios e firmou parceria, no início deste ano, com a Polyform, uma empresa especializada na produção de compostos de engenharia para a indústria automotiva e terceirizou os seus serviços. “Vamos produzir formulações com os plásticos de engenharia da Basf, da Toray e de outros fabricantes sob a marca Thathi”, revelou.

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A onda das matérias-primas de origens renováveis chegou às borrachas termoplásticas. A gaúcha FCC comemorou seu pioneirismo no lançamento durante a Brasilplast de um grade que complementa a sua família de elastômeros termoplásticos (TPE) formulado com até 50% de materiais renováveis, de origem vegetal. Para atender a essa demanda, a empresa investiu R$ 10 milhões na instalação de uma unidade junto à sua matriz, em Campo Bom-RS, e na expansão da fábrica de Conceição de Jacuípe-BA, elevando para 10 mil toneladas anuais a sua capacidade de produção de matérias-primasPlástico Moderno, Brasilplast 2011 - Commodities - Borracha ganha opção verde

O engenheiro Afonso Henrique O. Félix explicou que a combinação de dureza e densidade do produto determina o teor de matérias-primas vegetais. “Dureza mais baixa e densidade mais alta possibilitam chegar mais próximo dos 50%”, exemplificou. Pode ser produzido com durezas entre 50 Shore A e 50 Shore D e com densidade entre 1,0 e 1,1 g/mm³.

Segundo ele, as fontes vegetais são várias. “E estratégicas.” Com desempenho idêntico em termos de propriedades ao das TPEs convencionais, o produto pode ser igualmente usado nos mesmos processos, e aplicações idem, que se estendem das utilidades domésticas a brinquedos e peças de vedação, entre outras. “Agrega valor por questões de sustentabilidade, mas os custos são os mesmos dos elastômeros convencionais”, ponderou Félix.

A Kraton, outra conhecida fornecedora de borrachas termoplásticas, direcionou sua participação nesta Brasilplast para anunciar uma reformulação nas suas estratégias de desenvolvimento no mercado sul-americano dos seus elastômeros SBS (copolímero em bloco estireno não hidrogenado) e SEBS (copolímero em bloco estireno hidrogenado).

Como explanaram os executivos da empresa, a nova proposta consiste em trazer para o país aplicações consolidadas no exterior e apresentar inovações, tendo em vista a diferenciação de produto. “O que estava no universo de ideias, agora se insere em uma realidade comercial”, disse o gerente de vendas para a América do Sul, Marcelo A. Quaiatti.

Uma potencial aplicação para os produtos da Kraton explorada na Brasilplast foi a substituição do PVC na área médica. Sua indicação abrange bolsas parenterais, com vantagem de ser inerte ao conteúdo e isenta de plastificantes. Também está na pauta disputar com o PVC os segmentos de filmes flexíveis e de cabos.

Outra aplicação para os copolímeros em bloco consiste em seu uso como aditivos. Entre diversas outras vantagens, os elastômeros podem entrar como modificadores de impacto e ainda conferir transparência e flexibilidade ao polipropileno.

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